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Conto de Fuga
contodefuga@hotmail.com
12.09.2009
o problema está aí. nunca vou conseguir ser a gata borralheira/cinderela dos suburbanos, a menina que estudou no liceu de queluz [ou do barreiro] e que ao crescer vai a festas da caras, compra sapatos dourados na gardénia e pulseiras de plástico na marc jacobs. não consigo escrever lugares comuns [o homens são...as mulheres vão juntas à casa de banho porque...] desses que enchem páginas de romances e revistas que as pessoas querem ler. posso culpar a minha mãe, que acha brega a marca da roupa a aparecer, a MRP, a caras e os dourados? posso.
é que estas expectativas seriam normais das pessoas. e provavelmente tornar-me-iam numa pessoa normal.


Em Marrakech ainda pode sentir-se a tensão pela ira dos circunstantes na Medina, quando se fotografa indevidamente uma mulher tapada, sabendo-se que um “pardon, pardon!” resolve a coisa, de modo civilizado, sem mais consequências.

Em Marrakech ainda pode sentir-se a adrenalina de nos perdermos por ruas estreitas e labirínticas, tendo a certeza de que, inevitavelmente, alguém senhor de um perfeito francês nos ajudará a encontrar a saída.

Em Marrakech ainda pode conviver-se todo o dia, fora de portas, com a simplicidade de um modo de vida ancestral, por entre esconsas edificações de cor ocre e rosa, e à noite recolher ao conforto de sumptuosos palacetes transformados em hotéis e amenizados ao gosto europeu pela observância dos clichés da estética lounge.

Em Marrakech pode andar-se à noite, vestido para matar, no meio de ruas fétidas e mal iluminadas, em busca dos sofisticados restaurantes que servem as melhores pastillas e tagines, sem que os berberes andrajosos com que nos cruzamos pareçam reparar minimamente nisso.

Marrakech é uma cidade pacífica, de pessoas simples e simpáticas. Marrakech dá-nos a aventura e o exotismo suficientes para sacudir um pouco a nossa rotina sonolenta, sem os reais perigos de uma grande metrópole muçulmana.
12.08.2009


entrevista a Dieter Rams, via Scott Hansen.
12.07.2009


daqui


a única coisa pior do que uma pessoa antipática é uma pessoa antipática a tentar ser simpática.
12.04.2009
é provável que o PBD seja um belíssimo arquitecto e um fabuloso fotógrafo. mas só ele conseguiria descrever a minha cidade favorita como eu a sinto. explicar porque Paris, sendo odiosa e fabulosa, é a minha cidade preferida não é fácil. talvez tenha mais em comum com ela do que gosto de admitir [eu não sou uma pessoa simpática, lamento].
12.03.2009
12.02.2009
não fumo mas tenho inveja das pessoas que fumam e descem as escadas para a pausa do cigarro, abrem a porta e mesmo que chova respiram o ar frio da rua misturado com o do cigarro.
como não tenho motivo para fazer pausas, a cada pequena contrariedade [e são tantas] fecho a janela e abro outra. a do reader. a do mail. a do face.
não fumo porque quando fumava doiam-me os pulmões como se estivessem a rebentar e para que não me rebentassem os pulmões [sempre achei que ia morrer assim, afogada em liquído dos pulmões] deixei de fumar.
há-de me rebentar o cérebro e quando isso acontecer estarei certamente aqui sentada, pedaços de crânio vão sair projectados a 12.000 rpm e furar o tecto e as secretárias das colegas de sala. pedaços de massa cinzenta sairão a alta velocidade em todas as direcções formando um ângulo de 360º à volta da minha cadeira e há-de vir o homem do CSI analisar o perímetro e ao ver o angulo de 360º há-de escrever no relatório "explosão cerebral espontânea" e há-de segredar ao colega "ao menos se tivesse feito umas pausas para fumar".
11.29.2009
Prólogo: Desculpa, querida Clara...

Pedro Mexia é uma das pessoas mais interessantes da geração dos trinta anos. É muito culto, polifacetado, muito inteligente, escreve muito bem, tem um humor sofisticadíssimo e um charme pessoal que lembra o de um cavalheiro inglês.

E consegue preservar-se. É raro o que diz ser posto em causa por quem quer que seja.

E é ainda director interino da Cinemateca, desde que João Bénard da Costa nos deixou.
Nessa qualidade escreveu o seguinte no website da Cinemateca, sobre a instituição que dirige:

"A Cinemateca deixou de ser um edifício administrativo com um cinema ao pé da porta. Agora é, toda ela, dos espaços subterrâneos aos espaços das cúpulas, um pórtico. Falta abrir a última das sete portas dele e continuar o percurso para o Museu com que sonhamos.
Quando esse Museu existir, o tempo da imagem e o espaço do imaginário confluirão no perpétuo movimento do começo e do retorno".


Creio que se trata de um overstatement literário de Pedro Mexia.

A Cinemateca é um espaço muito agradável e tem um acervo magnífico de filmes, mas é tudo menos um pórtico, na perspectiva do comum cinéfilo, que faça outras coisas além de gostar de cinema, como por exemplo trabalhar.

Não falo apenas de uma programação talvez desordenada e discutível, que isso é subjectivo. Falo de coisas simples, objectivas que qualquer um entende.

Depois de gabar a uma amiga o excelente "Unconquered", de Cecil B. de Mille, com Gary Cooper, descobri que passava na Cinemateca este Novembro. Feliz fiquei por poder partilhar com ela o filme.

Azar. Consulto o programa e passa às 15,30 no dia 4, quarta-feira.

Ela é banqueira de investimento, mas podia ser funcionária numa repartição, designer, whatever. Não dá para ir a essa hora. E o filme não repete.

"E que passa ao fim do dia? Se for às 19h já posso", diz-me ela.

Num horário mais acessível a todos deve haver um filme igualmente apelativo, pensei. Consulto o programa. Às 19h passa "El Crimen de la Pirindola", de 1965, Espanha. El Crimen de quê? Pode ser bom, penso com os meus botões, mas nunca ouvi falar. Até percebo de cinema, mas nunca tinha mesmo ouvido falar. Mas porque será que não puseram a Pirindola às 15,30 e o Unconquered às 19h?

Não desistamos. Descubro que no dia 6, pelas 21,30 passa o magnífico "Guess who's coming to dinner", de Stanley Kramer, e convido a minha amiga. A essa hora já dá. Perfeito. Vejo o horário da bilheteira.

A bilheteira funciona num horário limitadíssimo, entre as 14,30 e as 15,30 e as 18,00 e as 22.
E não se pode comprar bilhetes pela Internet. Incrível. Na época da Web 2.0, a Cinemateca ainda continua a vender bilhetes com os métodos usados aquando das estreias dos filmes que projecta.

Eu e a minha amiga trabalhamos perto do Marquês, mas não dá para ir comprar bilhetes às 14,30. Ela já está em frente aos monitores das cotações a essa hora. Combinamos um encontro às 19,30, junto à bilheteira. Compramos bilhetes e vamos picar qualquer coisa ao novo Luca, digo eu, meio satisfeito por lhe ter feito um sibilino convite para jantar. Jantar e filme. Um date completo.

Azar outra vez. Os bilhetes já tinham esgotado entre as 14,30 e as 15,30. E a Cinemateca está cheia de americanos que vivem em Lisboa. Pudera, com este filme... Filme que não repete. Não temos outra oportunidade para o ver.

Gostava tanto, mas tanto, que a enorme energia criativa de Pedro Mexia se pudesse também focar também nestas coisas , como direi, comezinhas. Bilheteira electrónica, horários mais acessíveis e repetição de filmes que se prevê poderem esgotar não é nenhuma coisa que se encontre no Faust de Goethe, mas é tão importante para as pessoas que utilizam instituições públicas como a Cinemateca....

(advertência final: os casos contados são imaginados a partir do estudo da programação de Novembro, mas tive experiências reais deste tipo mais de uma vez)


Já estive para ir ao Dubai, uma das sete cidades-estado que compõem os Emirados Árabes Unidos. Mas a ideia acabou por não me entusiasmar.
Qual era o objectivo? Sol e praia.
O Dubai praticamente não tem petróleo. Os rendimentos das actividades em torno do ouro negro representam apenas 2% do PNB. O resto vem de uma intensa actividade imobiliária, turismo e investimentos financeiros. O Dubai é uma praça livre para a actividade financeira e para o comércio, através do tão divulgado DIFC (Dubai International Financial Center), para a direcção do qual foram contratados especialistas europeus de renome.
O Dubai acalentava sonhos de expansão megalómanos no imobiliário e no turismo.
Naquele pedacinho de areia, sob um sol inclemente, projectam-se ilhas artificiais, em forma de palmeira. Constroem-se torres arrojadas que glosam as alturas de Manhatan. Constroem-se enormes pistas de ski indoor.
Em suma, desafia-se a ordem divina. Estende-se a terra para o ar e mar, traz-se a neve ao deserto. Planta-se finança em terra das tâmaras. Planeia-se um concentrado de mundo num espaço mínimo. Uma cidade global, diziam os dirigentes locais.
E como? Da mesma forma de sempre. Faz-se isso com o dinheiro de todos nós. Sim, com o dinheiro do mundo. Com títulos de dívida espalhados por todo o sistema financeiro. Mais pela Ásia e Inglaterra, eventualmente.
Os empréstimos obrigacionistas das empresas do Dubai atingem o valor colossal de oitenta mil milhões de dólares.
Menos, é claro, do que os seiscentos e treze mil milhões do Lehman Brothers no momento do seu ocaso, o ano passado, mas muito, muito para a dimensão do Dubai.
E pronto. A bolha estoirou, porque o imobiliário caiu dramaticamente. A Dubai World, há três dias, anunciou uma moratória unilateral no pagamento da sua colossal dívida. Pago mais tarde, lá para Maio, disse. Todos esperavam a massa em 14 de Dezembro, antes do Natal.
Nem tão cedo a confiança será reposta e as palmeiras poderão continuar a crescer em paz, agora livres do perigo de substituição por imitações de Alpes ou de pirâmides Maias.
Mais uma lição para todos nós. Há pequenos, médios e grandes Dubai espalhados pela Europa, do Algarve à Grécia. Empreendimentos turísticos megalómanos, financiados com dívida, tantas vezes numa modalidade chamada project finance (que se caracteriza por colocar o risco do lado dos financiadores), crescem por todo o lado junto ao mar, violando as regras elementare do bom-gosto e apresentando uma sustentabilidade financeira muito discutível.
É só olhar à nossa volta.
11.27.2009
Then have him write you a novel while he’s at it.

não me entendam mal, eu gosto daquilo que faço. pelo menos, a maior parte do tempo. a outra parte do tempo é aquela que a minha entidade patronal chama "um desafio".
pense nisto como um desafio, e a pessoa já sabe que vai passar 5 dias a fazer uma coisa e depois 10 a refazer a coisa porque a pessoa que devia ter fornecido os conteúdos não esteve para isso e chamou "um desafio" ao facto de eu ter de fazer o trabalho dela.
para a próxima trocamos, se eu tenho de fazer os conteúdos, a pessoa tem de se sentar aqui e com os programas de desenho [de merda aliás] que me forneceu faz a forma.
vamos pensar na coisa como "um desafio" para ela.
11.26.2009


na sequência deste post, vejo-me desafiada a escrever mal do blog do rui. eu gosto de desafios mas alguns revelam-se particularmente difíceis, para não dizer impossíveis. não posso apontar nada ao blog, a estética é irrepreensível, o rui escreve para caraças [posso dizer isto aqui?] mas demora demasiado tempo entre posts, escreve cada vez menos e isso não me parece nada bem. nem que fosse postar umas fotozinhas de vez em quando, só para encher [truque que eu praticamente nunca utilizei].

a foto é dele e lembra-me incontornavelmente o jack.
mãe, eu conto os meus segredos todos todos todos à Madalena.

aos 5 anos está lá tudo, da maneira certa, limpa, clara, sem qualquer dos enrodilhanços que vamos passar o resto da vida a fazer. não podemos [todos] voltar aos 5?

[o meu filho apaixonado aos 5 é tão comovente].
11.25.2009


hoje o meu cabelo está totalmente Daria. pena que o resto nem por isso.

*[já tinha dito que nasci no Verão Quente?]


nasci no Verão Quente. acreditasse eu que a data de nascimento está de alguma forma ligada à personalidade que viremos a desenvolver e seria eu agora uma pessoa apaixonada na defesa das minhas causas, caótica, em auto gestão e seria provável que plantasse algumas ocasionais bombas em sedes inimigas. não é de todo o caso, sou uma pessoa que não tem causas, nem inimigos e cujo único objectivo de vida é que a deixem em paz.
por alguma curiosidade histórica gostaria que os poucos meses que mediaram o meu nascimento e o dia que hoje completa 34 anos me permitissem devolver algumas memórias da data. não é o caso. à laia de compensação o meu pai garante-me que me levou ao colo a uma cooperativa de qualquer coisa.
11.24.2009
ligarem-nos e mandarem sms e convidarem-nos para a festa de anos deles.

[m., 10 anos]
namorar e casar e fazermos aquilo que não queremos fazer.

[du, 5 anos].
11.23.2009
Hoje, segunda-feira. Voo TAP das 8.00 da manhã para Bruxelas. O comandante avisa que há chuva e vento forte à chegada. Já sei o que isso significa. Bananal, como dizem os marítimos no Algarve.
Estou estoirado e ainda só são 8 da manhã. A reunião é muito importante e mal dormi a pensar em tudo. O amanhecer em Lisboa está lindo, mas sobre o o Tejo há uma neblina espessa. Nunca tinha visto nada assim do ar. A cidade perfeitamente visível e o Tejo rigorosamente recortado por neblina. Belo.
Os céus do Norte da Europa estão diferentes. Escuridão e nuvens tétricas. O avião abana por todos os lados. O "approach" à pista falha. Quase com as rodas na pista, o avião dança violenta e desajeitadamente, como um pézudo. O piloto põe os motores a fundo e levanta voo. O avião parece um folha de papel ao vento. Há credos em todas as filas. O piloto anuncia que vai tentar outra a aterragem. Tentar?Antes tem de conseguir subir.
E pensamos em quê nessa altura?
Alguns puxam dos telemóveis, talvez a pensar num derradeiro sms.
Pelo meu lado, talvez gostasse de pensar na minha filha, mas não tenho. Ou na minha namorada. Mas não tenho.
Em que pensei quando o avião borregou? Pensei no trollei de couro que habita no hall do apartamento, sempre preparado para mais um viagem. E na roupa, arrumadinha, espalhada por todos os roupeiros do T3 -um pouco original monumento ao celibato. E perguntei se vale a pena. Já com os pés em terra, no táxi a caminho do escritório, sob um dilúvio como não me lembro em Bruxelas, concluí que sim. Mas que é possível fazer algumas afinações. There gonna be some changes. No próximo fim de semana livre vou vagar um roupeiro. É um gesto de boa-fé para com terceiros.
chorar muito porque a rapariga de quem gostamos se foi embora sem se despedir e nem viu a nossa pintura facial.

olhar para um osso de dinossauro fossilizado e dizer "isto é muito muito muito interessante".

[aos 5 anos o amor existe, aos 10 já está revestido por uma série de distracções e não se distingue bem, aos 34 está tão tristemente ligado aos momentos que vimos em filmes que o melhor é nem ir por aí].
11.22.2009


4 dias em Eltville parecem 4 semanas.A mesma rotina. Acordar bem cedo no quarto da espécie de residência universitária despojada. Não há televisão. Apenas mobiliário de pinho tipo quarto de crianças do IKEA. Funcionalidade. Olhar para o mítico e wagneriano Reno. Pequeno almoço frugal de pão escuro, fruta e queijo. Trabalhar. Passear pela cidade de casinhas independentes e jardins, com o travejamento de madeira pintada à vista, tão tipicamente alemãs. Um estilo imutável do século XVI ao século XIX. Apartamentos? Nada, ou pouco. E pouca iluminação nocturna. Céu vibrantemente estrelado. Muito comboio. Muitos Renault, Volkswagen, Toyotas e Opel. Muito comboio. Poucos Mercedes, BMW ou Audi, que isso é mais em Lisboa. Muitas lojinhas. Muitas. Poucos supermercados modernos. Não encontrei sequer recargas Gilette e a pele da minha cara, mal habituada, devolveu-me uns cortes jeitosos à passagem das lâminas Prinz, ou Prince (nunca tinha ouvido falar). O tempo parece parado. Há muito silêncio. As sonoras e francas gargalhadas das minhas colegas italianas tornam-se assim muito mais presentes. Correr no passeio junto ao Reno e cruzar-me com pessoas que passeiam vagarosamente os seus pastores alemães. Muitos pastores alemães, de focinho grave e calmo. Viajo, muito, ao ponto de estar muito cansado de estar sempre a partir, ou se calhar sempre a chegar, mas desde ontem trago Eltville no coração. Pronto, o café é mau.
11.21.2009
11.20.2009
(Um post que evita o mais possivel as palavras sem acentos devido ao teclado alemao).
Ontem tive uma noite magica. Ou melhor, tivemos. Eu e a Mara, a Anna Maria, o Marc, o David, a Nicole, o Bob, o Horst, a Emanuela e a Anne-Sophie.
Estivemos no mosteiro de Eberbach.
O local onde Sean Connery disse nunca ter sentido tanto frio, quando protagonizou a adaptacao ao cinema d'"O Nome da Rosa".
A historia passa-se num mosteiro em Italia mas foi Eberbach, ao pe de Eltville, na Alemanha, o escolhido para acolher as cenas do filme.
Nao ha palavras para descrever uma visita a Eberbach numa noite gelada. Uma beleza despojada, simples, mas absoluta. Uma beleza impiedosa, que exigia rigor e provacoes sem fim aos monges beneditinos que lhe fizeram votos de fidelidade. Mas que lhes protegia as enormes pipas de Riesling sob os magnificos arcos romanicos e goticos. E que testemunhava a qualidade do vinho, cobrindo as paredes de manchas de fungos vinicolas, ainda hoje tao presentes.
Percorrer aquele mosteiro a noite, com um copo de vinho na mao, por entre luz palida e sombras, numa visita so para nos, e inesquecivel. Ha dias tao bons....
perdi um amigo para salvar a minha sanidade mental. porque quase sempre a vida é feita de escolhas merdosas.


daqui

retomo o tema do post anterior [é coisa para dar assim uma série infinita de posts].

adoro quando, olhando para uma fotografia como a de cima, oiço alguém dizer "isso é photoshop". eu trabalho todos os dias com o photoshop. não sou nenhum génio do photoshop, sou uma pessoa que usa o photoshop para trabalhar [todos os dias]. aqui há uns 9 anos, quando aprendi photoshop, gostei muito daquela ferramenta "magic wand". mas isso foi antes de descobrir que aquilo não se usa porque não transforma fotografias minhas em fotos como esta, limita-se a seleccionar pixeis da mesma cor ou semelhante.
[passa a ser um segredo nosso, mas o photoshop só suaviza, ajuda na luz ou pode apagar pequenas coisas, milagres não faz].
11.19.2009
a maneira como nós [mulheres] olhamos umas para as outras, nos criticamos e nos invejamos é uma coisa assim um bocadinho para o deprimente.
é espreitar a caixa de comentários deste post da kitty [rapariga que leio com gosto, diariamente]. a quantidade de mulheres que acha a helena coelho "banal e com pele péssima" e a claúdia vieira "parola cheia de silicone" não deixa de me chocar. peloamordedeus, são duas mulheres lindíssimas, uma [ou ambas, sei lá] pôs silicone, pois fez ela muito bem, eu também poria se pudesse, qual é o problema? deixou de ser bonita porque tem silicone, querem ver? temos de ser todas muito naturais. é por isso que não vamos à depilação, pintamos o cabelo, usamos maquilhagem, saltos altos e soutiens almofadados.
querem ser naturais, be my guest, eu vou continuar a sonhar com o silicone.


icanread

tantas vezes repeti que não queria que acabou por ser mesmo assim. não quero.


icanread

até aquela altura em que não nos conhecíamos. e ficar assim para sempre.
11.18.2009
este Pedro ficou particularmente desinteressante* quando se tornou uma "pessoa conhecida". tudo parece rodar à volta disso agora, de "pessoas conhecidas". como a Caras em versão intelectual. ser "conhecido" e escrever bem são aparentemente características incompatíveis.

*o blog, não a pessoa, que desconheço de todo.
coisas incríveis não há?

infelizmente sim. e não se pode fazer um referendo/petição/demolição pública?

isto é pouco, mas é o que há. é assinar.

[um dos comentários da notícia do Público, que subscrevo na íntegra, diz "simplesmente a igreja mais feia que já vi na vida, nem Deus quer lá entrar"].



o meu sonho menos original de todos é ser fotografada pelo sartorialist ou pelo alfaiate. o meu desejo de fama é muito modesto em quantidade mas pouco em qualidade.

*forçada a largar o facebook.
11.17.2009
arrasto-me sem vontade. pairo. não penso. dispenso. tenho sono. não tenho fome. atribuo tudo à falta de férias. é tão bom ter um alibi para tudo. é falta de férias pouco sono excesso de trabalho pensas demasiado não pensas o suficiente teres de fazer tudo sozinha há-de haver sempre uma maneira tão simples de justificar a nossa insuficiência. eu não chego. só isso.
11.16.2009
há dias em que tudo parece impossível.
de todas, as maiores vítimas da moda são os homens.

[porque o Pedro e o Pedro são os maiores escritores da bloga, para mim].


via Suction

isto é tão tão bom.


foto Sara Dunn

o meu mantra é ainda o dos drogados um dia mais, só mais este dia, tenho agora noção que somos todos, ninguém aguenta a vida sem fugas, whatever gets you trough, jogo compras droga noites sexo alcool música filhos viagens televisão filmes jogos virtuais centros comerciais concertos internet revistas de moda jornais política ginásio, whatever gets you trough, e de repente o mundo divide-se entre os que se perdem e os que se encontram no meio de tudo isto, whatever gets you trough, viciosos somos todos, até mesmo os que enfiam um cilício na perna.
olá, eu sou a Clara e sou viciada em fotografia*

*[com certeza não esperavam que eu aqui confessasse os meus verdadeiros e perniciosos vícios]
11.13.2009
aqui na bloga [como na vida] há pessoas com problemas. acontece que por aqui algumas dessas pessoas sentem-se, sei lá, à vontade para espraiarem os seus complexos sem qualquer tipo de filtro assumindo, sei lá, que ninguém descobre que são elas. algumas serão bem sucedidas. para outras a necessidade de aparecer é tanta que voltam sempre ao mesmo papel, mesmo que já andem no 20º blog e nick. há dias em que, como hoje, tenho medo de cá andar.
Esta noite sonhei que vivia num País em que só havia pessoas francas, limpas, leais e honestas. Sonhei que, dada a honestidade colectiva e o uso generalizado do email, toda a gente vivia feliz, menos as fábricas de envelopes.
Estes curiosos artefactos de papel, cuja função primacial é o de envolver algo, escondendo-o ou protegendo-o, deixaram pura e simplesmente de ser vendidos.
A procura cessou e quem os produzia teve de se dedicar aos cartões de Natal e de Aniversário, com renas, pinheiros nevados e grandes corações vermelhuscos.
E a felicidade geral aumentou, pois toda a gente trocava estes cartões sem nada que os escondesse, às claras, manifestando abertamente os sentimentos sem receios.
Quando acordei, estremunhado, com o noticiário da TSF, fiquei triste.
A primeira notícia era, precisamente, sobre o consumo crescente de envelopes. E todos os jornais falam disso outra vez, pela enésima vez esta semana.
Triste. E paradoxal. No país do plano tecnológico continuar a usar-se muito o envelope de papel...
11.12.2009
ali em baixo num comentário um anónimo [ou não] convidou-me para café. imaginei que pudesse ser uma de quatro pessoas. duas delas não tinham nenhuma piada ao escrevê-lo. outra era nojenta se o fizesse. a quarta teria mesmo imensa graça.
quase que aposto que não foi nenhuma dessas quatro.
agora [por já não ser verdade] posso dizer-te escrever-te mandar-te email ligar-te gritar-te abraçar-te sussurrar-te pedir-te convidar-te avistar-te.

agora [por já não ser verdade] amo-te.

[post dedicado a 3 amigos e um conhecido].
11.11.2009
eu tenho um amigo que é tão meu amigo que até quando eu digo que falo demais [a mais absoluta verdade] me responde que isso faz parte do meu charme.

[eu detesto cada um dos meus defeitos mais do que qualquer outra pessoa, descansem]
11.10.2009


Andy Spyra

às vezes eu tinha frio e eram as tuas palavras que me envolviam como uma manta.
11.09.2009
o problema da "experiência de vida" é que quando chega é sempre tarde demais para se aplicar ao objecto que a ensinou. na prática é como aqueles cromos que se vão colando na caderneta com o mero objectivo de a completar. sabemos que não a vamos acabar. sabemos que, mesmo completa, não serve para nada. e no entanto andamos a comprar carteirinhas.
11.07.2009
também acho que a educação sexual deve ser dada em casa.
infelizmente o estado não concorda comigo.
11.06.2009

o meu amor às fotografias é tanto que sacrifiquei a estética do blog para as poder ter maiores.

[claro que o amor não é isto. alguém que saiba o que é faça o favor de me explicar sem poeminhas. ou vão ter de continuar a aturar estes posts estúpidos].
11.05.2009
Quando algum responsável público ou empresarial diz:

a) “essa situação é delicada mas estamos a acompanhá-la com atenção” isso significa “não estamos a fazer rigorosamente nada, ou porque não é da nossa competência ou porque não temos meios, mas não o podemos admitir”.
b) “A solução dos problemas passa pelo aumento da competitividade e produtividade e pela aposta nas novas tecnologias” isso significa “não faço a mínima ideia sobre o que se deve fazer. Socorro!”.
c) ”não vamos abandonar este projecto porque ele é estratégico para o País” isso significa “vamos enterrar dinheiro até mais não nisto e vamos averbar prejuízos colossais, mas agora já não recuo possível, senão perdemos a face”.
d) “Portugal (ou a nossa empresa) tem de encontrar uma ambição, um desígnio, uma ideia mobilizadora” isso significa “não tive a mínima hipótese de preparar este discurso ou esta apresentação com tempo. Desculpem”.
11.04.2009
as pessoas se ouvissem as minhas conversas de pequeno almoço achariam muito mal de mim. o provável é que já achem muito mal de mim. siga.



era só isto.

todas as separações sabem a limão.

eu gosto do sabor a limão.


Ilha da Boavista, 2003, com objectiva fisheye.
A fisheye comprime todo o nosso campo de visão no pequeno espaço do negativo e provoca uma dramática distorção da paisagem. Por isso deixei de a usar. Talvez seja sinal de maturidade admitir que não abarcamos tudo sem pagar o preço da distorção. Se calhar não vale a pena querer contextualizar sempre as coisas. Acabamos por as distorcer, no esforço de as compreender. Se calhar vale a pena olhar apenas para a igrejinha e dizer "é uma igrejinha mesmo, pode ser bela, está em ruínas mas podemos reconstruí-la". Se calhar é melhor não cedermos à tentação de considerar também a paisagem desoladora para concluir que uma capelinha no deserto não vale a pena. Se calhar isso é distorcer as coisas.
11.02.2009
a questão metafísica é: se eu escrever um post a criticar o blog do rui será que ele me convida para tomar café?

*para a Isabel [para o Rui também, mas isso goes without saying].
hoje posso passar o dia todo a queixar-me. estou verdadeiramente infeliz. ah preciso de uma razão? posso imaginar várias. tal como as outras pessoas do mundo tenho razões para estar infeliz.
10.30.2009


daqui

faço as pazes com o meu corpo demasiado anguloso - sem formas voluptuosas nem arredondadas, sem interesse - nas fotografias de modelos.

[as pessoas magras têm complexos, as pessoas bonitas têm complexos, as pessoas inteligentes têm complexos. todas as pessoas têm complexos. só que algumas não o podem confessar].


daqui

ela pergunta porquê e eu a explicar-lhe que
- ah e quando eu queria fazer qualquer coisa, ir a algum lado, ele nunca vinha comigo, nunca queria vir.
- então não era seu amigo, mãe, a Mariana até à casa de banho comigo vem, se eu lhe pedir.

e de repente saudades das amizades de adolescência, da entrega completa, total, sem medo de, sem restrições auto impostas. não sei bem porquê, se no fundo eu continuo a viver estas coisas da mesma maneira. como se tivesse dez anos.
10.29.2009
estar a enviar um mailling para 5.000 pessoas e sorrir ao descobrir o nome dele no meio daquilo tudo. sorrir para um monitor de computador como uma pessoa idiota. e parar nesse nome. só para o poder escrever duas vezes, uma vez à mão, outra no teclado, como uma pessoa estúpida.

[claro que o amor não é isto].


daqui

comprar shampoo.
10.28.2009

Alguns ainda se lembrarão de um Ministro-clown de Saddam Hussein, o Ministro da Informação Muhammad Saeed al-Sahaf.

Sempre que aparecia na televisão, na II Guerra do Iraque, em 2003, dizia coisas absolutamente apalhaçadas para justificar o que se passava no campo de batalha.
Uma das mais divertidas foi esta:

It has been rumored that we have fired Scud missiles into Kuwait. I am here now to tell you, we do not have any Scud missiles and I don't know why they were fired into Kuwait.

A sua principal característica era pintar cenários côr-de-rosa e de vitória para as tropas iraquianas no combate com os americanos. Já com as tropas americanas dentro de Bagdad, disse que os iraquianos estavam a dar-lhes tanta tareia que os soldados americanos se suicidavam aos milhares nos muros da cidade:

I can say, and I am responsible for what I am saying, that they have started to commit suicide under the walls of Baghdad. We will encourage them to commit more suicides quickly.

Outra fantástica:

Now even the American command is under siege. We are hitting it from the north, east, south and west. We chase them here and they chase us there. But at the end we are the people who are laying siege to them. And it is not them who are besieging us.

No fundo era um optimista, um alheado da realidade.

Admito mesmo que, em certa medida, acreditasse em algumas coisas que dizia. Lembro-me muito dele. I miss him. Mas não sofro muito com isso, porque todos os dias há políticos que têm tiradas dignas daquele maravilhoso truão e que se encarregam de me matar saudades.

Há sinais claros de que a direcção do PSD tem vindo a passar à imprensa, de forma muito discreta, a ideia de que os resultados da passagem de Manuela Ferreira Leite e da sua equipa à frente do PSD até foram muito positivos. A edição de ontem de um jornal dava eco desse balanço positivo.

O propósito destes recados não é divertir-nos. É tão simplesmente o de preparar a sucessão de Manuela e justificar a entrega do partido a alguém da sua equipa, descartando a necessidade de uma renovação. Se a coisa até foi boa, em equipa que ganha não se mexe. Olha o caso do meu Sporting.
10.27.2009
Entre homens e mulheres, as amizades tendem a não ser muito mais do que falhas de comunicação.

[é lamentável mas quanto mais depressa encararmos a verdade, mais rapidamente a vida segue o seu curso tranquila, com os ocasionais sobressaltos que lhe assistem].
10.26.2009
No sábado passado consegui obter esta imagem na Piazza Navona.
A extraordinária organização deste gigantesco bando de pássaros fez-me lembrar, por um momento, os outros pássaros, os "Pássaros" de Hitchcock.
10.25.2009
No princípio dos anos 50, no ambiente moralmente opressivo de uma pequena Universidade Americana fundada pela Igreja Baptista, Marc Messner, um jovem filho de um talhante kosher, que se dedica ao estudo e nada mais que ao estudo, engraça com uma colega bonita mas completamente diferente do comum e que frequenta as mesma aulas que ele.
Os pais dela, Olivia, de seu nome, são divorciados. Ela ela teve um problema de bebida e tentou suicidar-se. Um cocktail explosivo face à mentalidade ainda muito limitada da América profunda de cinquenta.
Assim que ganha coragem para a convidar para jantar, Marc, completamente inexperiente, sente-se dominado pelo desejo e, no regresso a casa, pára o carro e ousa, um pouco a medo, o contacto físico. Ora, pois Olivia não só não resiste como se mostra partilcularmente activa e desinibida.
Marc está cheio de ideias modernas, é ateu, lê Bertrand Russel e tem alguma intolerância para com os colegas normaizinhos. Mas isso não o impede de cair numa armadilha moral, que vem a condicionar todo o seu destino.
O que Olivia faz dá-lhe prazer, mas ele considera-a uma galdéria por o ter feito, e afasta-se dela.
Quando se reencontram por acaso, ela explica-lhe que fez aquilo porque gostou dele. E diz-lhe: "Eu-quis-dar-te-aquilo-que-querias. São palavras assim tão difíceis de entender"?
Philip Roth, no excelente Indignação, recentemente traduzido para português, ao contar esta história, evidencia uma verdade moral simples: dos relacionamentos íntimos à política, passando pelos pequenos favores ou condescendências que recheiam a nossa vida social, é uma hipocrisia condenar moralmente aqueles que fazem algo que que mais não é que aquilo que, no fundo, apenas corresponde ao que procurávamos e desejávamos.


10.23.2009


Nathan Coley

e se eu já tiver esgotado o número de pequenos milagres que me estão reservados?
estou assim sempre. a caminho de. ainda aqui sentada, a minha alma - cansada de ser sexta feira - já se pôs a caminho de casa [Gotas de abacinhos, mãe?] e está a passar no sítio mais feio de lisboa, com o nome mais deprimente que conseguiram arranjar mas que se lhe adequa como uma luva [buraca]. falta tão pouco para chegar a casa e ter os teus braços no meu pescoço [mãe, posso dar-te um beijo na boca?]


foto Helmut Newton


o meu colega de blog, Martim, faz anos.
os meus parabéns e eternos agradecimentos por partilhar comigo esta viagem que até para mim, em certos dias, se torna tremendamente aborrecida.
10.22.2009
já chove. tenho frio. olho para o edredon na dúvida. gosto tanto do meu edredon. é mesmo a única coisa de que gosto no inverno. também gosto um bocadinho dos saltos muito altos de algumas botas de inverno.
parece-me que a silly season já terminou. por isso vamos começar a ignorar as polémicas do anúncio, da Maitê e do Saramago e começar a pensar em coisas sérias. como isto.
10.21.2009
à medida que envelhecemos a verdade vai-se tornando uma espécie de incómodo que urge purgar aos pedaços. dizê-la inteira e sem analgésicos a alguém não passa de uma brutalidade insensível.
queremos a verdade mas não aguentamos a verdade.
10.20.2009
- tens tanta piadinha. se calhar quando cresceres não vais ser actor, como diz a Isabel, mas sim palhaço.

- nem pensar, mãe. eu gosto de dizer piadas mas é de fixes.

- [suspiro].








10.19.2009


Dita e Scarlett

quando somos novos inexperientes ingénuos inocentes ou seja lá o que for, achamos sempre que aquela vez há-de ser a única última maior desesperada para sempre.
depois crescemos e descobrimos que atrás de uma vem outra. e depois outra. isto parece fixe e dá-nos um aspecto muito moderno, sempre cool e sem grandes dramas.
mas, make no mistake, o que nós gostávamos mesmo era de ainda ter capacidade de acreditar que aquela havia de ser a única última maior desesperada para sempre vez.
10.18.2009

Antes do 25 de Abril, havia uma coisa chamada “condicionamento industrial”. A ideia era simples: a instalação de indústrias de relevo dependia de licença ou autorização mais ou menos discricionária do governo, que a negava quando os interesses da Nação estivessem em perigo.

O esquema protegia os grupos económicos nacionais da concorrência internacional e permitia que prosperassem à sombra da bananeira, mesmo se economicamente ineficazes. Foi por isso, por exemplo, que a Coca-Cola só entrou no nosso País em 1977. Antes era bebida non grata para o governo do Estado Novo.

Para ajudar à festa, espalhavam-se falsos rumores que atingiam a honorabilidade da marca. Lembro-me bem, ainda muito pequenino, para aí em 1973, de, no banco de trás do Fiat 850 Special Sport amarelo torrado da minha tia, ouvi-la contar à minha mãe sobre a pedrada fatal que uns jovens tinham apanhado em Angola por terem misturado Coca-Cola com aspirina. Um perigo, um perigo. As crianças não esquecem as histórias de terror.

Depois do 25 de Abril, os grupos económicos instalados com a protecção do Estado foram nacionalizados e os empresários perseguidos.

Por causa disso, na segunda metade da década de 70 e primeira da década de 80, podia dizer-se que havia uma clara e renhida luta de classes no País, com radicais clivagens ideológicas e sociais.

O CDS e o PSD, por exemplo, eram partidos muito ligados à agenda dos grandes empresários e para a restauração do capitalismo de mercado, pugnando pelas reprivatizações.

As nacionalizações provocavam uma divergência fundamental entre o CDS e o PSD, por um lado, e o PS e o PCP por outro, já que estes últimos as defendiam com unhas e dentes.

Quem ia a Cascais às discotecas, nos anos 80 não encontrava “betinho” de pullover Ted Lapidus à volta da cintura que não fosse do CDS ou do PSD e que não odiasse os “súcias” e os “comunas”.

Entretanto, no final dos anos 80, princípios dos anos 90, o Estado devolveu aos grupos económicos perseguidos aquilo que ilegitimamente lhes tinha expropriado.

E pronto. Acabou-se a razão para a luta de classes. Na posse do que era seu, os empresários deixaram de ter agenda ideológica. Deixaram de se importar com o capitalismo de mercado. O ideal era que o Estado os protegesse, como dantes. Não com o condicionamento industrial, que esse não é já possível no mundo globalizado e na União Europeia. Mas, por exemplo, gerando encomendas e contratos.

Para este tipo de ajuda os empresários já não precisam de um partido específico, de classe. Isso até é mau. Convém ter pontos de apoio em todos os partidos do chamado “arco da governabilidade”.

Os contratos e negócios não têm ideologia. Uns tantos empresários inteligentes passaram a fazer múltiplas no Totobola. Passaram a acolher, com afecto, colaboradores de destaque que apoiam diferentes partidos, incluindo o PS.

Hoje já não é nada possidónio um betinho de Cascais apoiar o PS.

A classe empresarial mais elevada continua a ser a classe social mais influente e dinâmica no País. Reparte-se entre o PS e o PSD. E não está nada interessada em liberalismos. Está mais preocupada em assegurar contratos.

Em rigor, é com isto que se tem de viver. Os escândalos financeiros do capitalismo anglo-saxónico, de matriz liberal, deixam-nos sem alternativa de monta. A única causa por que vale a pena lutar agora é muito simples: contratos, pois sim, mas com verdade e transparência. Só isto. Não é verdade que a aspirina não possa ser bebida com Coca-Cola.

10.16.2009
Achieving life is not the equivalent of avoiding death.
[Ayn Rand]

não há qualquer nexo de causalidade entre a forma como vivemos ou como morremos. descobri ontem que afinal os gatos eram da empregada da minha avó.
não que isso tenha importância, a forma como morremos. a mim assusta-me mais a forma como envelhecemos.
10.15.2009


daqui

desço e subo demasiado baixo demasiado alto demasiado rápido. hoje é bom e viciante. amanhã já não sei.
10.14.2009
quando a minha alma agoniza escrevo. não bem, mas muito. em continuando assim acabo o manuscrito num tirinho. uma coisa de envergonhar a MRP ou até mesmo, quem sabe, o Cláudio Ramos
o problema com [algumas] coisas muito boas que nos acontecem na vida é tornarem-se precedentes para todas as outras.

parecendo pequenos milagres quando acontecem não passam dos produtos tóxicos da gestão de expectativas.
10.13.2009
agora que a minha alma agoniza aos bochechos convulsivos e se esvai em sangue, posso aproveitar o CV novo para enviar para os sítios onde queria trabalhar [ou qualquer desculpa é boa para desviar a atenção da alma daquilo que lhe caiu em cima]
10.12.2009
Na madrugada de sexta para sábado, os pais de um grande amigo meu foram assaltados em casa. Foram alvo de violência física e psicológica durante um par de horas, até darem tudo o que tinham de valor. Os energúmenos, encapuçados e com sotaque de Leste, queriam sempre mais. Não se contentavam. Homejacking, é o nome desta hedionda prática. O Correio da Manhã fez primeira página com o acontecimento.
As vítimas, na casa dos sessenta anos, estão muito fragilizadas psicologicamente. Quem sabe não recuperarão mais. Serão assaltadas outras vezes, dezenas delas, agora por pesadelos.
Se estivessem a passear pelas zonas mais escuras da Ribeira, poderiam ter sido assaltadas pelos gangues do Aleixo ou de Miragaia ou pelos Gunas.
Mas descansavam em sua casa e os assaltantes eram de Leste.
Se deixassem o carro com um telemóvel à vista na zona da Avenida de Roma, um "adicto" do Relógio poderia partir-lhes o vidro e levar-lhes o dito.
Mas descansavam em sua casa e os assaltantes eram de Leste.
Se fossem a Setúbal passear pela Avenida Todi nas noites quentes deste Outubro, um bando da Belavista podia gamar-lhes as carteiras.
Mas descansavam em sua casa e os assaltantes eram de Leste.
Portugal é um país demasiado fraco para lidar com estas novas ameaças de violência. Continuamos a receber demasiado bem quem não conhecemos.
Elogiamos a integração dos imigrantes de Leste, cuja cultura afinal não compreendemos bem. Franqueamos-lhes a portas, com um sorriso politicamente correcto nos lábios. Ignoramos que os países de Leste têm uma história de violência e desprezo pela vida humana incomparáveis, que se impregnou bem fundo na identidade dos seus cidadãos.
As máfias de leste são uma coisa abstracta para nós.
Nunca colocamos a hipótese da nossa simpática empregada moldava dever favores e prestar informações sobre os nossos pertences aos conterrâneos marginais e violentos que cá a puseram clandestinamente, em condições sub-humanas.
Não sabemos. Só nos preocupamos em preencher lugares com essa pobre gente, em empregos subqualificados, que os nossos conterrâneos há muito deixaram de querer.
Não nos preocupamos em registar a origem, a morada, os dados dessas pessoas, e em confirmá-las. Em pedir-lhes os papéis.
As autoridades não se obrigam a um período de vigilância e acompanhamento, por exemplo, de três anos, sobre a actividade que os imigrantes desenvolvem no nosso País. Seguindo-os no emprego e no desemprego e cruzando a informação com notificações obrigatórias das entidades patronais. Achamos isso desumano, ou muito dispendioso.
E depois gastamos o couro e o cabelo a tirar impressões digitais e a recolher DNA da casa das vítimas. E em prestar-lhes "apoio psicológico". Pobres de nós.


assim [não] sendo, o meu domingo foi mais produtivo, mesmo em fast foward.
10.08.2009



Ahá!
Fisguei um micro-partido que defendia, nas legislativas, a nacionalização da grande propriedade e dos serviços básicos, entre os quais os transportes, a sustentar agora, nas autárquicas, a municipalização dos solos e dos transportes públicos. E quando forem as presidenciais? A presidencialização?
Alinhei a estrela à esquerda (trata-se de uma fotografia subaquática tirada por mim no Algarve)pelo conselho da Clara, num post abaixo.
Expect the best. Prepare for the worst. Capitalize on what comes
[Zig Ziglar]

imaginemos o sr. X., vai casar e precisa desesperadamente de um roupeiro novo para a roupa da futura mulher. veio a saber, numa conversa de corredor, que o IKEA vai ter uma promoção de roupeiros e marcou no calendário o dia da promoção e a referência do roupeiro que vai comprar. no dia marcado, à hora de abertura da loja acotovelou-se para entrar com mais uns milhares de pessoas. acontece que roupeiros daqueles só haviam 14 para venda e o sr. X foi o 15º cliente a chegar à zona de promoções de roupeiros, já vazia. furioso, procura um vendedor e faz a sua reclamação. embora no folheto de promoções esteja claramente escrito "limitado ao stock existente", o sr. X está furioso e tenciona deixar uma reclamação por escrito. é chamado o apoio ao cliente e o gerente oferece ao sr. X nova promoção: um roupeiro maior ao qual é feito um desconto de peso, ficando apenas por mais 10% do valor do primeiro mas com muito mais espaço e o formato exacto para tapar o buraco que o técnico da TV cabo deixou quando furou a parede do quarto para passar o cabo. o sr. X aceita a oferta e vai a correr telefonar à noiva, explicando devidamente que escolheu o maior roupeiro do IKEA. a noiva fica exultante com o espaço que terá para guardar a roupa no futuro e nem se maça quando o sr. X lhe conta que irá a 2 jogos de futebol nesse fim de semana.

imaginemos agora o sr.Y. neste fim de semana combinou com um grupo de amigos uma excursão no Douro no seu iate. tem tudo pronto e está prometido que um dos amigos levará a amiga da mulher recém divorciada que o sr. Y acha imensamente interessante. claro está que o sr. Y consultou todos os sites de meteorologia que existem e todos lhe garantiram tempo perfeito para o fim de semana: sol e vento suficiente para ir à bolina umas milhas pelo Douro, avistando vinhas enquanto se deliciam com o champanhe da reserva especial do amigo e as ostras que o sr. Y mandou vir do adriático. no sábado de manha, porém, rebenta uma tempestade monumental e são forçados a desmarcar o passeio. o sr. Y passa o resto do fim de semana enfiado na cama a beber jameson, furioso por ser derrubado por um factor que não controla.
na verdade, poderia ter pegado no seu jacto particular e ter ido até Zermat, onde a neve estava perfeita e bastaria um telefonema para a empresa que toma conta do seu chalé acender a lareira, rechear a despensa e preparar os quartos para os amigos. mas o sr. Y não se lembrou disso.
10.07.2009
Post(a) 1

O Inspector Apolinário marcava encontros pelo Meetic e lixava-se sempre.

Desta vez, jantava vegetariano com uma fulana que não parava de falar sobre Astrologia e ainda tinha metade do Tali do Psi no prato, enquanto ele já tinha rapado o seu e queria pedir a sobremesa.

Apesar de ser um Inspector da Judiciária habituado à rudeza da profissão, Apolinário apagava-se perante as mulheres. Aos hábitos corteses que a mãe lhe incutira acrescia a mãe de todas as timidezes. Ainda por cima, não era um homem bonito, não senhor.

Pois era tudo isso que agora o paralisava face à ruidosa gralha de cabelo escarlate que tinha a sua frente, e que ele tomara por uma normalíssima cor castanha na fotografia a preto e branco, cheia de sombras, e que pensava ser apenas expressão de sensibilidade artística, afixada no portal do Meetic.

Como um azar nunca vem só, a manga esquerda da camisa, demasiado comprida para o braço curto do Inspector, eclipsara totalmente o Tissot quartzo do pulso, pelo que ler as horas implicava um ostensivo safanão que pusesse a cebola a descoberto, gesto inadequado para um cavalheiro.

Para agravar, a sua maçadora companhia havia retirado o seu próprio relógio do pulso e, à medida que discorria sobre as forças ocultas do Universo, girava a pulseira de metal dourado fechada em torno do dedo indicador. Assim, nem olhando de soslaio para aquele Citizen quartzo rotativo podia Apolinário aferir a duração do seu suplício com discrição.

A libertação de Apolinário chegou sob a forma de uma imprevista chamada de serviço. Tinha de ir, explicou à ruivaça, por causa de um homicídio. Pedia desculpa, muita. Mas é que, ainda por cima o cadáver tinha sido descoberto no Gabinete de Sua Excelência o Ministro das Ciências Sociais e da Língua Portuguesa.

CONTINUA
10.06.2009
design parolo = align center.
design = align right/align left/justify.

as hipóteses de falhar são de uma para quatro. e ainda assim conseguem acertar na errada tantas vezes.
10.02.2009
bisneta - eles estão a comemorar o quê???? 60 anos de comunismo???? estão a comemorar isso??? não têm vergonha?
bisavó - olha, mas sabes tu o que é o comunismo?
bisneta - sei que matou milhões de pessoas, sei!

[seguiu-se a explicação politicamente correcta do comunismo blá blá blá as pessoas dão tudo ao estado e depois o estado distribui pelas pessoas blá blá blá mas então as pessoas não podem escolher o que querem fazer nem vestir nem ler nem onde moram nem nada porque é o estado que decide por elas blá blá bla]

eu juro que tento explicar a coisa sem preconceitos mas eu não sei explicar a coisa sem preconceitos.
10.01.2009


Patrick Petitjean
este ano passei o meu filho para uma escola oficial. a escola obriga a uma declaração médica aquando da entrada da criança na escola. a educadora passa a primeira semana de escola a pedir a declaração - com toda a razão uma vez que o ministério vai obrigá-la [mais cedo ou mais tarde] a enviar as fichas de inscrição das suas crianças devidamente acompanhadas da declaração médica.
hesito entre enviar um mail ao pediatra particular da criança, que a passará sem o ver, ou pedi-la no Centro de Saúde. opto pela segunda, mesmo sabendo que terei de marcar consulta com um médico qualquer - à nossa família não foi atribuído médico de família desde que mudámos para a freguesia, há dois anos atrás. as razões são logísticas, o C. S. é muito mais perto de casa do que o consultório particular.
ligo para o C.S., descubro afinal que já tenho médico de família, mas noutra extensão: foi-me atribuído um a duas semanas das eleições, que coincidência espantosa.
ligo para a nova extensão a pedir consulta para a declaração médica obrigatória, a pessoa que atende pergunta para que quero a declaração e responde, singelamente, que se é para o Jardim de Infância, vai pedir ao médico de família que a passe [uma pessoa que nunca vi à frente] e posso levantá-la daí a 2 dias.

o estado que obriga à entrega de uma declaração médica para a frequência de um estabelecimento de ensino próprio é o mesmo que declara aos médicos que passem declarações para frequência do estabelecimento de ensino sem verem as crianças [aqui deve ser a parte simplex da coisa].
9.30.2009
porque às vezes nem assim. outras sim, crescemos mas só por olhar os outros e aí nem tivemos de sofrer, bastou-nos observar.
crescer é sempre bom mesmo que seja à custa do sofrimento porque crescer é aprender e isso é sempre aumentativo para nós.

acontece que eu nem sempre lidei bem com as amizades que tive e também nisso tive de crescer, aprender a lidar melhor. o que me custou alguns amigos e muitas mágoas. mas permitiu-me ganhar outros e preservá-los.

actualmente já quase aperfeiçoei a arte de me afastar quando é preciso que um amigo caia estrondosamente. porque, embora isso me seja extremamente doloroso [aqui ainda não consigo apreender estas dores como não sendo minhas], sei que é a única maneira que tenho de o ajudar [quando tudo o resto já falhou].

se ele está à beira da piscina achando que são águas límpidas e maravilhosas [e eu sei que é apenas uma lama venenosa e tóxica] mas sem coragem de saltar, ou o empurro ou tenho de virar as costas para não ver.
vejo-me forçada a concordar mais uma vez com o Pedro, a amizade está mais perto do amor e da paixão do que queremos admitir, dificilmente aceitamos que temos ciumes, revolta pela incompreensão, sentimento de insegurança para com os nosso amigos. Mas temos, conseguimos é lidar com eles de uma forma mais "natural" do que quando nos apaixonamos por alguém.

A explicação parece simples, temos sempre vários amigos de quem vamos estando mais ou menos próximos conforme as circunstâncias da vida. Mas temos apenas um amor de cada vez [na maioria das vezes, pelo menos]. Os sentimentos "maus" que nutrimos por alguns amigos são diluídos, compensados, revistos noutros amigos. E assim, não se concentrando num único alvo, eles não são ampliados, desmesurados, complicados como são quando se focam apenas num individuo.

Não sei quem inventou a monogamia obrigatória [de certeza que terão sido os Cristãos ou Judeus, a culpa é sempre deles] mas está na hora de acabar com este preconceito. A minha convicção nisto é tal que estou quase a criar a causa no facebook [se não achasse que ela já existe].
9.29.2009
Estranho, estranho, estranho.

Sempre achei que Cavaco Silva tem muitas qualidades, mas estratégia política não é uma das mais salientes.

A sua principal arma política é a gestão do tempo para falar e do tempo para calar. Deixar mistérios no ar. Fazer longos silêncios. Cultivar tabus. Em muitos casos, com magros resultados, refira-se.

O célebre tabu de Cavaco Silva contribuiu decisivamente para o ambiente doentio dos idos de 94 e conduziu à sua inglória derrota eleitoral contra Jorge Sampaio e à entrada retumbante de Guterres no governo.

Hoje Cavaco Silva decidiu falar. Foi muito pouco claro sobre os factos. Nunca falou de escutas. Deixou espaço para que o PS, num discurso mais preciso de resposta, marcasse pontos.
E rematou com um argumento, que vai ficar na história, para credibilizar a existência de suspeitas: diz que ouviu pessoas "ligadas à segurança", que o alertaram para a existência de "vulnerabilidades" no computadores da Presidência- como que a dizer "vejam, vejam, que é plausível que tenha havido acesso ilegítimo a emails- pois se os computadores são vulneráveis...".

Estas coisas dos computadores já existem há alguns anos, e há três constantes nessa ainda curta história: o crash, o reset e a vulnerabilidade. E isso não prova que haja logo, por si só, fugas ou violações de privacidade.

Outra coisa que também sei é que, para descobrir vulnerabilidades graves em sistemas, não se ouvem pessoas à terça-feira. Manda-se fazer uma coisa chamada "auditoria informática", que demora tempo e é normalmente vertida num calhamaço que é preciso estudar. Pode ser que tenha sido isso que o Presidente mandou fazer. Não sei, porque não explicou.

É que ouvir, ouvir, é mais apropriado para generalidades computacionais. Tipo o Norton ser muito pesado, o Kasperski um verdadeiro glóbulo branco e o Panda um ursinho.
9.28.2009
Imaginemos que se inscreve no PSD um médico com uma carreira profissional de sucesso, cheio de ideias sobre a saúde e com vontade participar na renovação do partido.
Após receber o cartão pelo correio, o nosso médico é integrado na secção do partido do local onde reside. O que ele sabe é de saúde, mas não há nenhuma estrutura dos militantes da área de saúde. A área geográfica é que conta.
Lá vai ele, por exemplo, para a secção A, de Benfica. Na primeira Assembleia de Secção onde participa, cedo compreende que não é ali que vai poder discutir as suas ideias. Não há lá mais nenhum médico, nem sequer quem perceba de saúde. Aliás, o ambiente pode ser deletério.
O médico apercebe-se também que as pessoas que participam na Assembleia estão mais ou menos pré-ordenadas pelas tendências nacionais que degladiam: barrosista, cavaquista, santanista, passoscoelhista, etc. E fica desagradado com a confrangedora discussão a que assiste, pois que os participantes se limitam a repisar o que o que já foi pelos mentores das tendências.
O nosso médico não se revê em nada disto. Entrega então um pequeno memorando ao presidente da Secção com as suas ideias para a saúde, pedindo-lhe que o faça chegar à estrutura adequada do partido.
O presidente da secção, que está nesse cargo há mais de dez anos, e que apoiou todos os líderes, sem excepção, e que se sucederam uns contra os outros, desconfia. E o papel por ali se fica.
Inconformado pela falta de notícias quanto ao destino do memorando, o nosso médico decide que o melhor é tentar falar directamente ao coração dos militantes reunidos em Congresso, ou em Assembleia Distrital.
Não dá. Apesar de altamente qualificado e de ter propostas escritas, só se for eleito delegado na secção A é que lá pode ir. Mas para isso precisa de ter votos. De ser proposto e eleito delegado. Numa palavra, de estar inserido numa tendência pré-existente e de conhecer alguém na secção que valorize o seu contributo.
Ora, era contra as tendências já existentes que o nosso médico queria trabalhar. E para alguém valorizar o seu contributo, era preciso que percebesse do tema, o que não acontece.
Azar. Inconformado, decide mandar as suas propostas por carta ou email, para a sede do partido.
Ninguém lhe responde. O email está pensado para enviar propaganda a anunciar comícios e arruadas, não para receber contributos de militantes. E mesmo que os receba, é lido por uns funcionários que não têm competências para avaliar o seu conteúdo.
E lá morre uma segunda vez a contribuição do nosso médico.
A lição é simples: as estruturas partidárias não se adequam aos tempos modernos, que exigem uma hiper-especialização temática.
A estruturação por áreas de residência perpetua a máquina partidária, e afasta as pessoas de qualidade da sociedade civil que poderiam trazer ideias e propostas novas.
Com as máquinas partidárias imutáveis, as tendências instaladas perpetuam-se. As pretensas renovações não são mais do que cooptações promovidas pelas tendências dominantes e validadas em assembleias por elas condicionadas.
Para renovar é preciso abrir o partido. Mudar os estatutos. Criar secções por especialidade e não apenas por residência. Abrir o Congresso e as Assembleias Distritais aos militantes que registem uma proposta de moção temática, mesmo que não sejam eleitos delegados. Substituir a estrutura piramidal de organização territorial por uma geometria flexível sectorial.
Em suma, transportar o partido para o século XXI.
9.27.2009
Estas eleições produziram-me um efeito que não consigo bem explicar e que nunca tinha sentido no passado.
Como se estivesse quase mareado, apesar de estar com os pés bem assentes na terra.
Não é bem uma náusea, mas é uma sensação de enjoado torpor.
Parece que a vontade geral de mudança se dissipou e perdeu gás, face à pungente evidência da pouca espessura das alternativas. E parece que a alternativa é mesmo ficarmos mais leves, mais indiferentes, mais concentrados no nosso dia a dia.
Mas, para agravar, nada é afinal grave. Não é preciso nenhuma ruptura. As coisas compor-se-ão, como sempre. Não se compuseram? Não chegámos até aqui? O ar não está assim tão irrespirável. Há só um desagradável halitozinho de cárie. Oratol e passa. Está lá, mas não se nota.
9.25.2009
em casa tenho, para além da minha, duas vozes.

uma [maior] diz:
-mãe, vote na Ferreira Leite, nós* precisamos do seu voto.

outra[mais pequena] diz:
-mãe, vota no sócrates porque ele vai ganhar.

É óbvio que os seus pequenos corpos foram invadidos pelo espírito de dois assessores dos partidos do centro - os argumentos, a forma de tratamento e a insistência no tema eleitoral não deixam margem para dúvidas.

E agora, para não privilegiar nenhum, sou obrigada a votar noutro partido qualquer. ou em nenhum.

*não, não é filiada na JSD. pelo menos que eu saiba.
9.24.2009


foto Greg Williams

na saúde como na doença, é sempre essencial ouvir uma segunda opinião.
9.23.2009
Fico surpreendida com exposição apresentada. Compreendo que de manhã cedo a compreensão dos factos esteja lentificada. Mas o que é certo, é que 9h da manhã já não é propriamente cedo. Muitos portugueses pensam assim, e deve ser por isso que o país tem tantas carencias. Será que ninguém percebe que o mundo não pára, mesmo quando a maioria dorme? Sejam eles o INEM, a polícia, os estabelicimentos de actividade nocturna, os hospitais.... que seria do epilético ou do bêbado se toda a gente não compreendesse o mundo às 9h da manhã?
[anónima, no post aí em baixo].

Mais alguém tinha dúvidas que o país não anda para a frente por eu ter sono numa segunda feira, às 8 e meia da manhã?
Ainda bem que estamos esclarecidos.
9.22.2009
esta noite sonhei que era muçulmana e muito nova. o meu pai queria casar-me com um qualquer [o meu pai não era o meu pai, nem sequer aparecia no sonho] e eu saltava um muro onde um guarda muçulmano guardava um portão para não nos deixar sair [nem nenhum homem entrar]. então saltei com um truque, porque o guarda estava armado, eu e a minha amiga fugimos a correr por entre os tiros, a correr pelo meio da rua que era o nada e corremos até nos cansarmos e deixarmos de ouvir os tiros. tínhamos os cabelos ao vento e rimos, felizes, mas depois percebemos que tínhamos de continuar a fugir e a correr para sempre e desatámos a correr de novo até que a minha amiga, cansada, desistiu e voltou para casa. eu continuei a correr, conheci uns rapazes a quem roubei uma bicicleta, entrei num colonato judeu [que era uma espécie de tenda enorme com pessoas muito bem vestidas e a comer muito bem], pedi comida e ajuda, ninguém me ajudou, nenhum dos estupores dos judeus de camisa Polo Ralph Lauren me deu sequer um bagelzito, antes olhavam para mim como se eu fosse o inimigo, como se os quisesse fazer explodir debaixo da tenda de luxo.

e mesmo esse sonho era melhor do que o da noite anterior onde tudo o que fazia era tentar comprar heroína.
duas mulheres falam muito alto. discutem, penso, mas ao chegar mais perto estão apenas a contar as novidades uma à outra.

e disse-me que não me atrevesse a pôr lá os pés outra vez porque me matava. só estive com ele duas semanas e sabia lá que o homem era assim, parecia-me um senhor.

a minha mente, visual como de costume, preenche os brancos e imagina um homem género Francisco Pinto Balsemão ou Miguel Horta e Costa sentados numa sala de visitas de uma cadeia [das dos filmes, uma mesa metálica com um pequeno separador no meio, duas cadeiras de costas de metal], gravata de seda e fato Zegna, as bocas mexem sem dúvida mas não são aquelas as palavras proferidas.

obviamente, a minha noção de "senhor" e a desta mulher são completamente distintas, tento então imaginar o que será a imagem de "senhor" dela. não consigo, desisto.

chego apenas à conclusão que me persegue desde sempre - a mente humana tem uma capacidade infinita de se enganar a ela própria.
9.21.2009
também há-de existir quem conquiste pela arrogância.
antes das nove, o homem de colete amarelo fluorescente agachado, mãe deve ser epiléptico, eu ainda a processar o colete e a imaginar a declaração amigável, ela já deve ser epiléptico. olho mais atentamente, o colete diz INEM e há uma moto estacionada em frente no passeio, amarela. olha agora o INEM tem motas? sim, mãe são chamados os veículos rápidos. eu ainda a processar a mota amarela a dizer INEM e já ela são veículos rápidos. há bocado ao pequeno almoço falámos das sondagens à boca das urnas e nem sabia o que são urnas.
o homem diz vou vomitar. o do INEM responde vai vomitar? eu chamo o meu filho, puxo-o com força pela mão e arrasto-o até o carro. alvitro a hipótese de se tratar de um alcoólico, que os alcoólicos também têm tremuras, não só os epilépticos. num dia normal haveria uma qualquer lição de moral a tirar disto, mas não hoje, é segunda feira e ainda nem nove são da manhã.
9.18.2009
aguardo que te chegues para lá para que também eu possa avançar.

todos os dias. aguardo.

já está?
9.17.2009
Ocorrem-me duas imediatamente: os saldos muito mais saldos e muito mais cedo na Oficina Mustra, na Emporio Armani, na Fashion Clinic e na Boss. E o realismo dos bons chefs portugueses.
Estes voltaram ao conceito da tasca fina, mas low cost. O Sobral abriu em Campo de Ourique a Tasca da Esquina, que se recomenda. E agora o meu muito preferido Miguel Castro e Silva deixou o Porto e abriu o De Castro, na Elias Garcia, em Lisboa. Acabei agora mesmo uma excelente refeição, por um preço muito razoável. Que bom, que bom! Nem os dois piercings bem colocados da minha companhia me distrairam... excessivamente....
9.16.2009
Porque comentamos nós num blog?

Eu, sem dúvida que o faço por puro masoquismo. Gosto de umas chibatadas de vez em quando mas, a ver, selecciono cuidadosamente quem está na outra ponta do chicote.

Qualquer dia entro em greve aos comentários em blogs alheios*. Hoje é o dia.

*há apenas um em que posso comentar de acordo com a lógica mas, para não obviar a coisa, a greve estende-se a este também.
adormece deitado no chão a ler revistas de quadradinhos e responde "isso é uma pergunta de retórica?" quando lhe pergunto se já lavou os dentes.
9.15.2009
É bom perceber que aquilo que, durante anos, associávamos a capricho e teimosia era, afinal, um detalhe de uma vincada personalidade. A armadura que veste a frontalidade. Um pequeno espinho que se pode bem contornar, para revelar as imensas doçura e sensibilidade. Uma cativante inevitabilidade feminina. Um efeito benigno de uma febril actividade.
E melhor é percebê-lo ainda a tempo.
o que me obrigou a ver televisão [com as interrupções devidas para o veste o pijama já lavaste os dentes ficas sem história vai ver se a mana já lavou os dentes].

Não vi o programa do início mas teve de facto alguma piada até entrar o Sócrates. Depois disso a tensão entre ambos foi mais do que visível, palpável.
Como sempre o PM tinha o guião bem decorado, levava algumas piadas previamente escritas [tiro o meu chapéu aos assessores do PM, têm uma tarefa imensamente complicada] e chegou mesmo a chamar a atenção para a piada em que ninguém se riu oh ricardo, esta agora teve piada não teve? Alguém devia dizer-lhe que a pior coisa que se pode fazer quando ninguém se ri das nossas piadas é chamar a atenção para elas. Mas, claro está, o PM está habituado a que se riam de todas as suas piadas, é algo inerente ao cargo que ocupa.

Tenho lido algumas pessoas que acham "que o homem transpira charme", pois eu também gostava muito de ver isso, mas aquela voz transtorna-me demais.
Um homem charmoso tem de ter uma voz grave, profunda, marcante, carismática. Nada daquilo. Não dá. Mesmo. A sério [isto fora das opções políticas, acho que consigo fazer apreciações isentas, o Luís Amado é muitíssimo charmoso e também é do PS].

Agora giro mesmo foi o debate dos Prós e Contras com os pequenos partidos. Muito divertido. Se toda a política fosse assim não haveria metade da abstenção.
9.14.2009
a quem invejo a escrita, a argúcia e as viagens à Índia diz:

Aprecio a sobranceria, a arrogância, aqueles modos que roçam quase a má educação. As mulheres gostam de homens assim. Um bocadinho maus.

Está a falar de Sócrates, mas nem é por aí. Eu nisto não invejo a Ana, detesto homens assim. Desprezo este tipo de arrogância nos homens, é que não acho mesmo piadinha nenhuma.

Há uma linha finíssima entre a arrogância e a auto confiança e homens como o PM já passaram há muito para a linha de lá, são do tipo de homem que dá vontade de pôr no lugar com umas quantas reguadas nas mãos.
9.12.2009
Ainda não acabou, mas MFL desembaraçou-se muito bem da técnica de Sócrates de mostrar papelinhos com declarações e posições assumidas por ela no passado diferentes das que agora sustenta. E como? Explicou simplesmente que a situação financeira mudou....e de facto é verdade. Creio que está a ganhar o debate. Pelo menos, está a surpreender muito positivamente.
9.10.2009
nesta questão da amizade [e que simpático o Pedro, sem me conhecer, parece estar a escrever precisamente sobre o meu estado de espírito] cheguei finalmente à conclusão que precisava.
tenho sempre umas amizades muito intensas que depois, mais tarde ou mais cedo, levam ao afastamento total, o que me faz sofrer horrores. desde os meus 6 anos que sou assim. estranhamente, nunca aconteceu nada disto com nenhum dos [pouquíssimos] amores que tive. é que enquanto espero que isso me aconteça com os amores - sem nunca ter realmente passado por isso - não espero que isso me aconteça com os amigos - embora tenha acontecido com praticamente todos os mais chegados.
se isto não faz de mim a pessoa emocionalmente mais estúpida do mundo, não sei o que fará.
e eu acredito imenso nisso, na amizade que fica. posso dizer que mais facilmente sacrifico um amor do que uma amizade. ou que nunca sacrificaria uma amizade em prol de um amor. mas também isso deve ser uma característica muito própria [e que nem sequer esta presente na maioria das mulheres].
ser assim não tem dado resultados estrondosos. mas quem me garante que teria se fosse ao contrário?
9.09.2009
eu ía aqui escrever um post inspiradíssimo sobre a circulação de TIRs na 2ª circular. Mas entretanto li os posts que o meu colega de blog escreveu e senti na pele a minha pequenez.
Posto abaixo umas poucas fotos que tirei este ano, de protestos públicos e de dramas pessoais, em alguns dos países que visitei.
Não me revejo nos protestos radicais, mas estou solidário com as dificuldades de quem foi atirado para a rua, para se manifestar ou até para viver, sem tecto.
Oxalá tudo isto passe depressa.
9.08.2009

Em Novembro de 2008 uma gigantesca manifestação sindical varreu Ankara. O protesto estendia-se por quilómetros e quilómetros, ao longo da faraónica Avenida Ataturk. O intervalo de alguns metros entre as colunas de manifestantes, criteriosamente planeado, permitiu-me colher este plano.

Apanhado no meio de uma grande, pacífica e divertida manifestação comunista, em Maio, em Milão, que percorreu as galerias Vittorio Emmanuel. A flag-store da Prada é à direita, mas a indiferença era geral. O cinzento e preto não eram as cores preferidas, seguramente.

A violenta crise que deflagrou há um ano fez muitas vítimas a leste. Fotos que tirei aos sem-abrigo que pululam nos boulevards elegantes de Budapeste, em Julho.

- mãe, ser fixe é difícil para as crianças. só para os adultos é que não.
- ser fixe é fácil para alguns e difícil para outros. para a mãe é sempre fácil.
- porque és adulta. eu às vezes não consigo ser fixe.

[tu não precisas de ser fixe, já nasceste mais bonito e inteligente do que os outros, como é possível que não vejas isso?]
9.07.2009
Oh meu Deus! Manuela Ferreira Leite tem tantas, mas tantas, dificuldades em raciocinar sobre pressão, que até mete dó!
Ainda há pouco, na Madeira, os jornalistas perguntaram-lhe se, na Ilha de Jardim, não há "asfixia democrática".
A senhora, com o jeito habitual, deu logo um tiraço na perna: "não, porque aqui João Jardim conta com os votos do povo". O lesto jornalista disparou de imediato: "mas José Sócrates também". A senhora ficou claramente aflita e balbuciou que não estava em causa a legitimidade democrática de Sócrates, mas sim o que as pessoas sentiam no dia a dia.
Outro tiro nos membros inferiores: se a legitimidade do voto não é suficiente para afastar a possibilidade da "asfixia democrática", porque foi usar o argumento do voto popular para justificar a ausência dela na Madeira? Vá lá que o jornalista não prosseguiu nesta via, porque não soube ou não quis.
Ainda bem que governar não é o mesmo que resolver com êxito os exercícios do Train Your Brain de Verão do Expresso. Senão....

Ainda em tempo: na minha modesta opinião, a propalada expressão "asfixia democrática" é incorrecta. A asfixia nunca tem a qualidade de ser democrática. Há é asfixia da democracia. E muita. Train your brain (espero ter razão, senão vou já passar a semana a fazer aqueles execícios malucos, alguns com erros, para me redimir).
9.05.2009
Normalmente, quando está tudo a correr mal, há sempre um factozinho pior que os outros que nos empurra mesmo para a lama.
Pois foi há um ano. As coisas já não estavam boas. E havia um grupo de muitos senhores que, nos Estados Unidos e Inglaterra, tinha acumulado uma quantidade descomunal de fétida lama e lixo debaixo de tudo o que era alcatifa.
Em vez de assumirem as despesas de construir um aterro sanitário, esses senhores decidiram ganhar dinheiro com a porcaria.Embalaram-na em pequenas caixas douradas reluzentes tipo Godiva, chamaram-lhes Pralinés e venderam-nas a todo o mundo.
A certa altura, quando o mundo começou a abrir as falsas caixas de chocolate, o pivete apossou-se dos narizes e toda a gente percebeu o logro em que tinha caído.
Com os vígaros desmascarados, só havia uma solução: o Estado Americano assumir a factura e dar-lhes dinheiro para pagarem ao mundo, a quem deviam somas descomunais, devido ao embuste dos pralinés.
Mas um senhor chamado George Bush não quis ajudar os vígaros. Aplicou ao banco Lehmann Brothers, epicentro das ondas de porcaria, a mesma receita que tinha aplicado no Iraque.
Deixou-o simplesmente falir. E toda a gente ficou a arder.
Foi há um ano. Entretanto, o senhor Bush voltou para os rodeos no Texas e nós hoje ainda contamos os tostões e rezamos pelos empregos.
9.04.2009
TVI
A direcção do PS provavelmente até nem fez nada, porque seria a coisa mais tola do mundo, às portas de uma campanha eleitoral.
O problema é que neste clima pesado, deletério, de apodrecimento da política e de subserviência, há muita gente disposta a mostrar serviço e a fazer aquilo que pensa que à direcção do PS agradaria. E essa é a típica responsabilidade do aprendiz de feiticeiro. A de libertar forças negativas incontroláveis. Temos de as mandar de volta para a caixa de Pandora a 27 de Setembro.
9.03.2009



O amigo do nosso PM já nem se esforça para disfarçar o seu regime ditatorial.

Mas sendo de esquerda, está tudo bem.

Toda a gente sabe que perigosa é a direita.
9.02.2009
não posso ver nenhuma mulher vestida de indiana*, adoro, se calhar sou descendente de indianos [a tentar ver traços meus na cara da minha filha, tão bonita, tão indiana - ignorar o facto dela ser descendente de goeses], aquelas cores, aqueles tecidos, bom será que nunca ponha o pé na Índia, se calhar não volto.

para o Paulo.

*não vejo a novela onde há indianas, nem sei em que canal é, também o meu amor pela estética indiana tem os seus limites.
ou quaisquer pessoas na nossa vida é que, de uma forma ou de outra, passamos a depender delas e há-de chegar sempre o dia [mais tarde ou mais cedo - com sorte será mais tarde] em que, pura e simplesmente eles não estão lá. é que as outras pessoas têm agenda própria e terão sempre que dar prioridade à sua vida [eu faço o mesmo, também não sou nenhuma Madre Teresa]. desde o liceu tem sido uma questão que me atormenta e com a qual fui tentando variadas formas de lidar. a experiência ensinou-me que a melhor é ter um plano B: esperar que nada falhe, mas, para o caso de isso acontecer, ter uma solução de recurso.
na vida como na gestão de empresas as soluções cruzam-se frequentemente e quem souber aplicá-las no momento certo e da forma correcta tem riscos mínimos de falência.
ainda falam mal do rapaz, que não tem ideias novas e isso. Ora água gratuita parece-me tão bem, nacionalizem já isso tudo.

Se conseguirem entretanto fazer o mesmo a lojas de roupa e sapatarias giras, à Pedra Dura, às agências de viagens, à FNAC, a todos os fornecedores de gás, electricidade, construtoras de empreendimentos giros dentro de Lisboa e à Zon Lusomundo, contem já com o meu voto.
- Mãe, o que são legislativas?
- Servem para eleger os deputados e o partido com mais votos vai formar o governo, nomeia ministros e um chefe de governo, o Primeiro Ministro.
- E quando é que tiram de lá o Sócrates?
- ...
9.01.2009
Quem quer união de facto, não quer casar-se. O Estado não pode é andar a casar as pessoas que não querem casar-se.

vá lá, todos gostamos um bocadinho de demagogia, mas questionar isto é algo parecido com dar um tiro no pé.




(não tenho culpa que os meus filhos sejam mais bonitos do que os outros todos do mundo).
Chove em cima dos pés nus das sandálias, o trânsito está de novo infernal, as crianças insuportáveis do cansaço das férias, os amigos de mau humor por voltarem ao trabalho.

Parece tudo mau até descobrirmos que o Mexia voltou, embora tenha o blog com o nome mais deprimente do mundo.

Setembro será afinal um mês bom.
8.31.2009
A desire presupposes the possibility of action to achieve it; action presupposes a goal which is worth achieving.

Achievement of your happiness is the only moral purpose of your life, and that happiness, not pain or mindless self-indulgence, is the proof of your moral integrity, since it is the proof and the result of your loyalty to the achievement of your values.

Throughout the centuries there were men who took first steps, down new roads, armed with nothing but their own vision.


Ayn Rand

Só através da procura incessante da nossa realização pessoal poderemos entender a procura dos outros e assim contribuir para a sua própria realização e, consequentemente, para uma sociedade melhor, mais evoluída e mais produtiva.*

*perdoem a filosofia de pacote, já no liceu passei à tangente a esta disciplina.
8.28.2009
em relação às eleições legislativas caso a Felícia Cabrita seja candidata por algum partido.

Isto é muito bom e dá-me cá umas saudades das aventuras dos Cinco.
- Não filha, a mãe está exausta das peixeiradas dos políticos, vai votar em branco - pausa para reflectir sobre se lhe explico a falência do actual sistema democrático e dos cheques em branco que são os votos. Decido esperar até ela fazer a pergunta adequada a essa resposta.

- Boa, hi-five! - mão esticada à espera da palmada.

* por alguma razão que desconheço, a criança, 10 aninhos de pura ignorância política, tem um ódio visceral ao PP. E é a fã numero 1 do NM.
8.27.2009
mas é de facto muito bom este blog.


mas não há nenhum actor vivo que [na minha modesta opinião] chegue aos pés do Gary.
8.26.2009


daqui

até encontrarmos de facto uma pessoa perfeita mas ela não nos vir ligar achar piada for comprometida com outra ou [o pior] não nos achar possível?

é seguir caminho, como bem sabemos, das outras vezes fizemos o mesmo, já quantas, cem, duzentas vezes e ainda cá andamos, mais uma mossa no ego, é bem provável que ele já se assemelhe a um daqueles papeis que amarrotamos quando nos enganámos mais vezes do que a conta e atirámos com violência para o caixote.

mas, ah meus caros, já seria altura para ter entendido que é preciso um ego completamente imune, flexível, elástico, rápido na recuperação da forma inicial. à prova de bala.
8.25.2009
quando escrevi, no post abaixo para o João assumi que talvez só o João entendesse o que queria dizer por inteiro. Se calhar deveria ter-lhe chamado reflexão íntima, não porque usemos desse tipo de intimidade [eu e o João] mas porque gozamos daquela que frui de horas de conversa sobre temas mais ou menos fúteis e em que, inevitavelmente, acabamos a falar de relações [ou da ausência delas].

Quando escrevi pessoa perfeita assim, em itálico, era precisamente por não acreditar em pessoas perfeitas mas sim pessoas que mexem connosco, por oposição às que - parecendo perfeitas [on paper] - não nos dizem nada. E concluímos que, grande parte da confirmação de se tratar de uma pessoa perfeita, estava na sensação de imperfeição que sentíamos de nós próprios quando perto dessa pessoa. Não ser suficientemente inteligente bonita culta bem feita interessante.

O que, de certa forma, é muito mau. E, ao mesmo tempo, muito bom.
8.24.2009
Sabemos que conhecemos a pessoa perfeita quando essa mesma nos faz sentir a pessoa mais imperfeita de todas.

para o João.
Entendo agora um bocadinho melhor porque são os escritores [os melhores] criaturas sorumbáticas, que se limitam a procurar o outros nos intervalos da solidão prolongada. É quase impossível ouvir uma voz interior no meio do ruído constante.
E é por isso também que nunca serei escritora [a falta de talento também contribui um bocadinho, vá] e que só consigo postar nos intervalos da "vida".
8.21.2009
Não tenho problemas em admitir as minhas embirrações blogosféricas. Aliás os meus 3 leitores habituais já as conhecerão de cor, da quantidade de vezes que escrevo sobre um tema quando estou no auge das mesmas.
A coisa é que, quando se torna demasiado fácil bater no ceguinho, deixa existir um desafio e perde a piada.
Por isso [e porque no fundo gosto de ajudar o meu próximo, ainda que este seja um socialista empedernido] deixo aqui a minha oferta para revisionar os textos do blogue de esquerda, começando já por este:

"Esta matemática dos gastos na campanha eleitoral para as legislativas está repleta de erros. Um [Uns] morais, outro [outros] técnicos.
Em primeiro lugar, acho mal que o PS e o PSD gastam [gastem] aquela quantidade de milhões de euros [aqui aconselho "quantidade de euros" ou "milhões de euros"] . No caso da dra. [Dra.] Ferreira Leite, adivinha-se já um gasto elevado em renovação de imagem.
Depois, o PP com o orçamento mais modesto... só em sola de sapatos consumidos pelo chão de feiras e ruas e mercados
["chão de feiras, de ruas e de mercados] ,[vírgula a mais] Paulo Portas gastará, com certeza, muito mais do que orçamentou.
Que vos parece, ò
[oh, ó] almas da direita?".

A mim - alma da direita - parece-me que, para além de mal escrito, este post não faz sentido nenhum. E a vocês, almas da esquerda?
8.20.2009
quem trabalha por passos habitua-se inevitavelmente a gravar periodicamente para não perder o que fez, e a pensar onde e como pode reverter cada pequeno passo, em caso de engano. o ctrl + z passa a ser o nosso amigo mais fiel. é por isso inevitável que mais tarde ou mais cedo este passe a ser o nosso modus operandi também no resto. ter sempre um plano b para os enganos, só tomar uma atitude se a soubermos seguramente reversível para não perder o que se fez. perdoem-nos assim as atitudes aparentemente calculistas. nós não somos assim, fomo-nos tornando, pelo hábito, viciosamente cautelosos.
8.18.2009


estou apaixonada pelo desenhador*, adoro.


*o blog, claro.
para a estação: o amor engorda. a paixão emagrece. o desgosto de amor também emagrece.

[esta foi a estação de todas as roturas, prevejo um inverno particularmente duro].
8.17.2009
brincadeira, vi-me obrigada a ler o Simplex [the horror].
Do que consegui ler [gosto muito de ficção, mas da que tem alguma qualidade literária, Paulos Coelho dispenso], uma dúvida persiste, atormentante: aquelas pessoas odeiam mais a "direita" ou o Público?
Há quem passe pela vida numa progressão linear. Quem nunca olhe para trás. Quem aposte no que virá, com a convicção do que o que já veio, se não ficou, lá vai.
E há quem, nos momentos de transição ou de indefinição, se deixe envolver e enlevar pelo que já passou. Quem pense que, se calhar, o melhor já veio. E que guarda, no fundo, o remorso de não o ter percebido.
Quando o passado das pessoas do segundo tipo é constituído por pessoas do primeiro tipo, as coisas ainda ficam mas difíceis.
É que pessoas do primeiro tipo têm uma racionalidade invejável. O seu cérebro tem um telefone vermelho directo para o coração. E manda-o arrumar o passado no baú das recordações, lá no fundo do espaço ventricular. E as pessoas do segundo tipo ficam encurraladas entre um passado que não as quer e um futuro que não divisam, e em que não acreditam.
As pessoas do segundo tipo têm mais dificuldade em aprender com os erros e, caso a selecção natural seguisse por linhas direitas, seriam eliminadas. Só que os sortilégios da fortuna impedem-no. É que não é improvável que o passado reinventado seja mesmo melhor que o futuro.
O tempo distribui-nos, muitas vezes, as melhores cartas no princípio ou no meio do jogo. E depois sobram os duques.
P.S. (D) Fiquei a pensar se este texto se podia aplicar a João de Deus Pinheiro e a Couto dos Santos, escolhidos para as listas do PSD. Mas não, de facto.
8.14.2009


foto daqui

se escrever, será no blogue de direita.

[também não podem ser todas para os outros].
8.13.2009
as pessoas somos nós

foto Francisco Huguenin Uhlfelder

A imprensa afadiga-se [ainda mais] a dar voz ao grande líder e às suas nada falaciosas informações propagandistas.

Diz o senhor que tivemos um crescimento de 0,3% este trimestre, e por isso "Portugal é um dos primeiros países europeus a sair da recessão económica".

Isto dava alguma vontade de rir [porque mesmo a silly season tem limites de disparate], não fosse o facto de sabermos que há muita gente que acredita nisto.

E que serão essas pessoas a eleger o nosso próximo primeiro ministro.

Afinal, como dizem o Manuel e o INE, caímos foi 3,7%.

*ando com uma inspiração para títulos que até assusta.

Adoro a palavra “problemática”, profusamente empregue, entre aspas e tudo, nos programas das listas candidatas às direcções das associações recreativas e nos manifestos das estruturas de base dos partidos políticos, geralmente em frases abundantemente pontuadas por exclamações.

Pois tenho agora o ensejo de a esbanjar a torto e a direito, entre aspas, ao discorrer sobre “a “problemática” das separações: a viagem de férias”.

Como é natural, a viagem de férias é apenas um dos aspectos da “problemática” (ai que bem que soa aqui! ) em análise. Outros, de alguma relevância, têm sido amiúde tratados, até neste blogue. Os filhos e a saudade ou não saudade deles, a redução das probabilidades de distensões musculares nocturnas, a liberdade de espalhar livremente a roupa pelos vários guarda-fatos do apartamento, as partilhas, etc, são prós e contras inerentes à “problemática” (oh sim, que prazer em escrever esta sensual palavra) muito mais discutidos, e que por isso não vão merecer agora uma linha sequer.

A viagem de férias torna-se parte da "problemática" (aaaah) da separação quando é marcada e paga pelo casal (palavra tronchuda) com muito antecedência, e a ruptura ocorre antes da partida. A "problemática" (siiiim!) agudiza-se quando estava em causa uma viagem de avião, pois o carácter nominativo do bilhete impede a milagrosa substituição da outra parte por alguém desencantado, in extremis, no ginásio.

É, pois, natural que a separação, nestas condições, acabe por levar a um cancelamento das férias, o que agudiza a problemática (mais!). Esta senhora palavra convola-se naquilo que, em linguagem técnico-jurídica, se chama “o prejuízo”.

“O prejuízo” resulta da dificuldade em reaver a integralidade da massa de volta da agência em caso de cancelamento da viagem, já que as agências são, de modo geral, pouco sensíveis "à problemática" (ssssss). A farinha feita pelo casal (palavra tronchuda, repita-se) enche-se ainda mais de grumos, já que à amargura e possível tristeza resultantes da separação, soma-se a concomitante sensação de perda financeira irreparável.

A iniciativa privada revela, na "problemática", as suas limitações, pois o mercado não oferece um seguro que seja que cubra “o prejuízo” a que nos referimos. Se o liberalismo económico não tem solução para acudir à nossa problemática, olhai bem para a vossa esquerda nas próximas eleições, pois só o Estado a pode ajudar a resolver , com subsídios que reponham “o prejuízo” do casal (que bonita palavra).

8.12.2009
Os do 31 esticaram a estação silly a um topo difícil de superar. fizeram-nos rir, aumentaram as visitas ao blog, apareceram nos telejornais, arriscam multas e penas de prisão. enfim, mexeram-se, o que já é mais do que se pode dizer da maioria de nós. e apelando a uma causa que move [muito] poucos porque, como resume tão bem o joão, se "sai" um imbecil, não se pode tirar.
há quem não tenha gostado, enfim, estão no seu direito, mas nem todos terão legitimidade integral para criticar. como o meu muito admirado escritor, o maior defensor português da união ibérica e que é actualmente representado, no país onde escolheu viver, por um rei. como seria na tal união? eleições para escolher entre D. Juan ou D. Duarte?
8.10.2009
não sei bem já o que sentimos uns pelos outros. esqueço-me do que são saudades deles, do habituada que estou ao tempo-com-eles/tempo-sem-eles como um shift constante, uma mudança que se engata [da 1ª para 5ª e da 5ª para 1ª de novo, sucessivamente]. lembro-me que o primeiro ano foi doloroso, no meio das saudades e da falta dos braços deles à volta do pescoço em casa, a culpa esmagadora de não ter conseguido manter a família [como os outros]. despacham-me ao telefone, oiço do outro lado o pai e a madrastra a soletrarem o que têm de repetir como se fossem papagaios faz o favor de falar com a mãe, por saberem como como é estar do outro lado [já para a semana] é para falar com o pai, se faz favor. é uma coisa que se treina e se vai aperfeiçoando, a família cortada ao meio e uns dias com eles outros sem, o shift amigos sem filhos/amigos com filhos, solteira/não-solteira, é uma espécie de arte que há que dominar e que ao mínimo desequilíbrio desaba como um castelo de cartas [como todas as outras vidas, enfim]. isto para justificar porque não sinto saudades deles nos fins de semana em que não estão, nas quinzenas em que desaparecem com o pai mesmo que me despachem sem pachorra ao telefone. nestas coisas como nas outras é tudo uma questão de hábito.
8.07.2009
Este podia ser o primeiro post da F. no já famoso blogue de esquerda.

Isso sim era abertura de espírito do partido em governo.

Fica a sugestão.
Há coisas mais hilariantes do que os comentários do Público e andavam-me a passar ao lado.
Oh pela vossa saúde não deixem de ler estas pérolas da coordenadora do blogue de esquerda:

"São oito da manhã. Estou prestes a sair de Lisboa, em viagem de mini-férias. E daqui, do meu lugarzinho, estou a escrever um post neste nosso Blogue de Esquerda (talvez por ser de esquerda, tenho esta coisa da propriedade colectiiva...).
A internet móvel foi das melhores invenções. E sabendo bem que não este ou qualquer Governo português a registar a patente desta invenção, o Governo actual apostou a sério na tecnologia, ao serviço da educação, da economia, da valorização profissional.
E não, não me refiro a um «choque tecnológico». Esse foi designado pelo ex-Ministro Mexia.
Estou a falar do «plano tecnológico», do nosso Governo. E do Magalhães, claro.

Direita, fica o repto - que me dizem do plano tecnológico? E por favor, não se limitem ao Magalhães...!"


"Vejo que o debate hoje foi vivo. Esta vossa coordenadora esquerdista lançou as primeiras farpas, e o Tomás Vasques continuou. Até o João Gonçalves voltou a escrever no Blogue aqui ao lado, é só virar à direita.
Pois aqui não se vira à direita, é aliás proibido.
E ver o João Gonçalves chamar-nos situacionista.... é no mínimo absurdo! Caricato, vá! Não somos todos do PS. Calha que a Filipa Martins até nem é filiada em qualquer partido.
Aqui bloga-se à esquerda, coexistindo quatro pessoas com perspectivas de esquerda diversas. Já tive oportunidade de escrever isto: eu sou dirigente nacional do PS e, diz-se, costista; o Tomás representará uma linha mais soarista da coisa; e o José Reis Santos está na esquerda da esquerda socialista.

Quanto à discussão tributária... Bem, é uma das áreas de Direito em que melhor me mexo. Mas julgo que não devemos, por hoje, exagerar na tecnicidade, para não afastar os leitores:-)

Dito isto, sentimo-nos bem-vindos. Só falta o João Miranda postar."


[agradecimentos ao Tiago]
O Sartorialist publicou uma foto de um homem heterossexual:



Com certeza terá pensado, lá na língua dele, "um dia não são dias, caneco".
8.06.2009


daqui

esta rapariga não escreve no blogue de esquerda?
8.05.2009


O PSD acabou de escolher uma pessoa acusada de um crime, de algum modo relacionado com a actividade política, para um lugar elegível na lista de deputados de Lisboa.
Porquê?
À cabeça, vem logo a justificação da presunção de inocência dos arguidos. “O tal senhor é inocente até ao trânsito em julgado da decisão. Logo, os seus direitos não podem ser coarctados. Logo pode ser candidato a deputado”.
Esta explicação encerra um ilogismo flagrante: o de que o senhor teria o direito inalienável de ser candidato a deputado, direito esse que não poderia ser contrariado por existir uma acusação judicial.
Mas o “direito a ser candidato” não existe juridicamente. Um candidato é o produto de uma escolha política, baseada no bom desempenho na legislatura anterior ou na capacidade de captar votos aos eleitores.
Só depois de se provar que se estava na presença de um parlamentar excelso, de um redactor inato de leis ainda por redigir, de um orador sublime e subliminar, de um especialista especial, de um aspirador de votos, é que se poderia passar à fase seguinte do raciocínio: “ele é tão bom, tão ronaldo, tão imprescindível que, mesmo acusado, fica na lista”.
Ora, lamento, a idade não perdoa, talvez, mas não me recordo de um, um sequer, feito parlamentar distintivo desse senhor na legislatura passada, que justifique, apesar de ser acusado de crimes relacionados com a actividade política, a sua presença numa lista de deputados, em lugar elegível.
Quanto ao senhor ser um íman para as limalhas votantes, vou ali e já volto.
Hoje é um dia tão triste que acabei a minha relação com a Naomi Watts.
acho que podia ficar uma espécie de Ana de la Reguera,considerando que conseguiram pôr a Susan Boyle assim:



daqui
Estou farta de olhar para o boneco do msn e esperar que ele me dê uma bandeirinha encarnada.
e eu, como pessoa que sou, também estou confundida. Talvez não tanto como alguns dos comentadores do público,

"Vou dar-vos o que vai acontecer dentro de 3 meses: Governo formado por aliança entre 3 partidos PSD+CDS+BE"

"As pessoas têm de perceber que se o BE ganhar, vai estar sujeito a uma vigilancia do Presidente, terá de cumprir a constituição e se tentasse a ditadura seria imediatamente corrido pelo presidente dali para fora. Por isso pode-se lhe dar uma oportunidade sim sem riscos absolutamente nenhuns!!!"

"Até aquele gajo (nem sei o nome dele!) que foi Secretário de Estado do Ambiente do Barroso e mandou o filho do Candal (tb deputado) "p'ró car...." em plena sessão da Assembleia da República - todos vimos nas TV's - foi mantido como cabeça de lista por Viana do Castelo. A velha está louca?"

"Cada vez estou mais convencido que Portugal é gerido por sociedades secretas mafiosas que se auto-intitulam de partidos democráticos e que se dão ao luxo de chamar democracia a isto e tudo!"

"o nosso povo ficou demasiadoo traumatizado com o salazar para suportar uma familia de elite. Acredito que seja uma solução a monarquia, mas deves compreender e respeitar as feridas e cicatrizes causadas pelas elites de salazar ao povo Portugues. Mesmo compreendendo que a monarquia era uma solução, acredito que devemos ter respeito pelos Portugueses durante mais uma ou duas decadas, até se propor a monarquia."


mas ainda bastante azamboada com este circo todo.
Não será pois de admirar que este seja o partido vencedor.

[agradecimentos ao João Villalobos].

*post editado porque era "confundidas", não "confusas". embora também possam estar confusas, o termo que se aplica aqui é confundidas. e ninguém me avisou do erro. tenho de ser eu a fazer tudo, caneco.
8.04.2009
Um amigo pergunta-me se quero ir tomar café depois do jantar e o meu primeiro pensamento foi "mas assim não vou conseguir apanhar as framboesas a tempo e vão-se estragar todas".
O que é que vos passava pela cabeça se alguém se virasse e perguntasse, assim de chofre, do nada, "então o queijinho fresco levou-te bem a casa no outro dia?"
Já tinha casamento marcado para Setembro. Escolhi noiva, Manuela de seu nome. Ela apresentou-me a família, tudo gente honesta e simpática. Sentia-me bem com ela e a família.
Só que agora, à última da hora, a minha Manuela informou-me que escolheu para padrinhos duas pessoas de quem se diz cobras e lagartos e que são mesmo feiocos, no meu humilde gosto.
Eu gosto da Manuela e da família natural da Manuela, mas fiquei desgostoso desta escolha. Teimosa como ela é não vai desistir, eu sei. Assim, se optar pela Manuela, tenho de gramar também, ao lado de uma família fixe, aquelas pessoas de que não gosto. Não era nisto que estava a pensar quando disse o SIM à Manuela.
Eu não sei se aquelas pessoas fizeram aquilo que dizem delas, mas fico intranquilo. Queria uma santa vida com a Manuela e a sua família e não o espectro de me poderem avariar os electrodomésticos ou comer à sucapa os Corpos Danone do frigorífico.
Pode ser que sejam umas jóias e que aqueles senhores da Polícia estejam enganados. Até se presume que o estão, até ao trânsito em julgado de uma sentença qualquer. Mas se são padrinhos escolhidos, para quê correr o risco, Manuela? E se eu, por causa disso, ficar com dúvidas sobre o próprio casamento, com receio do que pode acontecer às minhas coisinhas?
Dos blogs políticos que aparecem como cogumelos nesta altura de campanha, o único que consigo ter a paciência para ler é o Rua Direita. Segue a sua própria agenda sem necessidade de atingir directamente os outros blogs políticos. Para além disso são perfeitamente educados e sem as peixeiradas costumeiras neste tipo de coisa. Um anti-jugular, portanto.
Os meus parabéns ao Tomás [e aos outros co-autores também, obviamente].
Alguém há-de me explicar porque é que na Zara Home só se vêm mulheres sozinhas [giras, com bom ar] e casais de gays [giros, completamente irritantes] e na Area Infinita só se vêm casais [de todos os géneros].
E é que são as duas lojas uma ao lado da outra [pelo menos no Colombo].
8.03.2009
Segundo o Expresso, o negócio da venda das teses de mestrado em Portugal prospera. O preço pode atingir € 1500.
O Senhor Presidente do Conselho de Reitores está muito preocupado e acha que estas fraudes são difíceis de detectar.
Acontece que eu, repito, eu, tive uma ideia genial para controlar a praga das teses falsificadas.
É assim (para usar a muleta linguística mais em voga): arranjava-se um Professor Orientador para cada mestrando que estivesse a preparar a tese.
Esse Professor, mensalmente, pediria um relatório ao mestrando sobre a evolução do seu trabalho e inteirar-se-ia do estado da investigação. Assim, no final do prazo, o produto final já seria razoavelmente conhecido da Universidade e não haveria espaço para surpresas ou fraudes. Que tal esta ideia original?
O quê? Já existem Professores orientadores? Ah....
7.30.2009
tanta pergunta na blogconferência, o escândalo da emissão truncada mas a verdadeira questão - arrisco a dizer, a mais pertinente para o estado do país - não foi sequer aflorada.
Quando é o casamento, afinal?
O Partido Socialista planeia atribuir cerca de € 200 por cada bebé que nasça, caso mereça a confiança dos Portugueses para formar um novo Governo.
A rigorosa equipa do Ministério das Finanças cometeu, desta vez, um erro importante: subestimou claramente o número de bebés potencialmente abrangidos pela imaginativa medida e, consequentemente, o seu impacto na despesa pública.
Nas projecções de natalidade feitas nos gabinetes da Praça do Comércio, ter-se-ão tomado apenas em conta os bebés que nascem nas maternidades e nos hospitais.
Ora, sempre que um par de namorados termina uma relação amorosa, mais ou menos estável, por iniciativa do elemento masculino, nasce imediatamente, sem apelo nem agravo, num parto de segundos, um novo bebé.
A regressão emocional do homem nos dias que se seguem ao fim da relação transporta-o, numa brusca viagem pelo tempo, de volta ao berço original.
Os comportamentos contraditórios e irrequietos podem suceder-se a uma velocidade vertiginosa, determinados, ora pelo remorso e pela saudade do peito, ora pela frenética e agitada busca de biberão.
Geralmente, o discernimento e frieza do elemento feminino empacotam e expedem o bebé de volta para crueza da idade adulta.
Mas o direito ao subsídio de €200 já ninguém lho tira.
7.29.2009
há um novo autor no blog e não se trata de um alter-ego meu. sempre quis ter um co-autor masculino no blog e finalmente consegui, depois de duas recusas de dois amigos diferentes. o martim escreveu pela primeira vez num blog ontem, aqui. que seja a primeira de muitas. Bem-vindo.

*(comentários reabertos).
7.28.2009
Provavelmente, ao chegar Março, e numa certa altura da vida, pode uma mulher dar-se por si a ponderar a compra de umas sandálias fantásticas e submeter-se a uma plástica. As duas coisas em conjunto. Chamemos-lhe o pacote redux, para abreviar. Só que, dados os constrangimentos conhecidos, impostos pela crise económica, pode haver a necessidade de fazer opções. A plástica e as sandálias podem ser uma quimera. O pacote redux pode, afinal, ser inviável.

Como fazer a escolha acertada? A Proteste da DECO não serviria de grande ajuda, pois proporia, em benefício da maximização dos interesses do consumidor, que se tentasse o pacote. Mas as sandálias sairiam da Foreva e o lifting do Centro de Saúde de Mafamude. Há que optar mesmo, em benefício do estilo. É sabido que a esmagadora maioria das mulheres não toma decisões em função do que os homens pensam, mas em função da forma como se sentirá melhor. Todavia, se houver alguma mulher para quem a opinião de um homem conte, este post vai inteirinho para ela. Comece-se por consultar o preço da tabela do cirurgião plástico e compará-la com as melhores marcas de sandálias.

Diga-se, no que respeita a estas últimas, que há muita ilusão no mercado. As Prada e as Gucci são absolutamente sexy e ao mesmo tempo têm muita classe. As Manolo Bla qualquer coisa e as do Jimmy Choo ficam muito atrás e são mais caras. Tomemos então um par de Prada de € 500 e comparemo-lo com o preço, por exemplo de um alisamento de pele da cara, para eliminar pequenas rugas. Imaginemos que tal obra custa € 750. A escolha acertada é o par de Prada.

É que os homens não ligam nada a umas pequenas ruguinhas e valorizam muito o efeito de sobre-elevação proporcionado pelas Prada, que muito benefício traz a quem as calça. E os outros € 250 sobrantes podem ser investidos em jantares especiais à média luz, iluminação que, essa sim, faz desaparecer as ruguinhas e potencia definitivamente o efeito Prada na impressão de um homem.
Claro que isto é o que um homem acha. E as mulheres não ligam nada a isso.
7.25.2009


foto Jacques Olivar


um pouco mais perfeita e haveríamos de nos ter encontrado num dia de muito calor em que, sob a canícula, encheríamos os depósitos de gasolina respectivos e esbarraríamos um no outro na caixa, ou a tirar uma bebida fresca. Tu ficarias a olhar para mim como se me conhecesses de algum lado e eu a fingir-me de mais ou menos ofendida acabava por te sorrir e entrar dentro do carro. Nunca trocaríamos uma palavra mas haveríamos de relembrar esse encontro durante muito tempo.
A vida não é assim, mas apesar de tudo o fim é igual, o que só quer dizer que vai tudo dar ao mesmo, não vale a pena grandes incómodos, tens razão.
7.22.2009
nem family blogs, motherblogs, nem blogs em que as pessoas transparecem felicidade perene e constante. a mim não me interessa se é verdade ou se só o fazem para se mostrar de alguma forma. a mim não me interessa porque tudo o que resulta disso é a comparação que não posso evitar. o meu filho de manhã grita, à tarde berra, atira coisas, cospe, diz asneiras, promete pontapés, faz chantagens, exige coisas. a minha filha liga-me da colónia para me dizer que "oh mãe na lefties as calças estão baratíssimas estão a dá-las praticamente compre-me dois pares de ganga tenho de ir está uma confusão aqui beijinhos". o meu emprego é uma confusão constante onde não sei nunca muito bem para onde me virar.
por isso se estão de férias num país tropical, têm tempo para ir às compras e ler, jantam em lugares fabulosos, vão à inauguração do beach club, estão apaixonados, têm criancinhas amorosas e limpas e bem comportadas que vos adoram - fixe para vocês - eu fico feliz por todas essas coisas, mas não leio. a menos que tenham uma vida minimamente equilibrada entre coisas boas muito boas seca desastres angústias desesperos alegrias alívios amizades solidão o meu interesse é nulo. isto é uma coisa minha, não liguem.
7.21.2009


foto Christoph Martin Schmid


tenho sempre saudades de tudo. ontem fiz anos, já tenho saudades de ter 33 anos. mudei da zona mais bonita de Lisboa para a zona mais feia de Lisboa, quase sem querer, praticamente sem saber como [suspiro].
De manhã há sempre nevoeiro ali, na zona mais feia de Lisboa [que nem sequer é mesmo Lisboa]. é um nevoeiro tipo fog de LA, presume-se vir da poluição mas na verdade é quase como se a serra tivesse vergonha de mostrar aquilo que se lhe espraia à volta. antes da serra de sintra, percorrendo a auto via mais feia do país, quase parece uma benesse esse fog a meio do verão, a serra a poupar-nos aquilo que a rodeia e que são prédios de 20 andares erigidos sem contemplações nem dó sequer uns pelos outros, em simultâneo. são edifícios que se agridem entre si como peças de lego atiradas por uma criança hiperactiva, é notório o ódio que se têm, que nos têm, e que não temos grande problema em retribuir.
Ainda assim, espanta-me (e isso há-de me espantar sempre) como somos capazes de fazer estas coisas ao sítio onde vivemos e uns aos outros. disto não terei saudades [um dia destes].