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Conto de Fuga
contodefuga@hotmail.com
7.09.2009


daqui

Não quero entrar em divagações beleza real vs. Photoshop vs. produção e maquilhagem, que honestamente não sei o que se atinge com isso. Claro que as imagens numa revistas são melhoradas, adulteradas, embelezadas. Não é esse o propósito da arte? Dá-me um gozo enorme ver estas fotografias, deram muito trabalho a produzir e se nelas aparecesse só a Rachel* despenteada, mal vestida e cheia de olheiras, que interesse teriam? Isso seria como andar na rua.

(*muito embora ela seja lindíssima aqui também).
7.06.2009
destinos e afins. sou pessoa de pouca fé, afinal. porque se acreditasse, quase poderia jurar que de todas, milhares, de vezes que já fui parar sem querer à Rua das Chagas [linda, esta rua, por sinal] a de hoje em que segui para a Rua da Emenda e por fim acabei na Rua da Vitória quereria dizer algo profundo.
É uma pena, portanto.
mas este tempo desfoca tudo.
7.01.2009
sabe o que tenho para lhe dizer? o nosso sofá virou volúpia. acha normal? sítio tão engraçado, com morenas giras, aquela deco hippie-chic, as andorinhas da casa portuguesa, os desenhos a giz na parede de ardósia, as cadeiras todas diferentes (é nestes pormenores que se vê, como disse e bem)...agora uns candeeiros com argolas de plástico (iguais aos outros todos), o preto e branco, o senhor de idade atrás do balcão. agora perdemos um bocadinho da nossa história. agora não vamos poder nunca dizer "teremos sempre o nosso sofá". as pizzas não é bem o mesmo, pois não? mas são boas e hoje até me tinha apetecido lá ir.
6.29.2009


foto Greg Williams

outros como uma passerele. Naquela rua vivem banqueiros, há uma modelo linda com pernas até ao céu que passa todos os dias, editoras de moda, actores, presidentes de empresas, vagabundos, estudantes de arte, secretárias, turistas, avozinhas com netos. Melhor dizendo, toda a gente passa naquela rua. Porque qualquer pessoa que more ou visite a cidade há-de, obrigatoriamente, descer ou subir a calçada sem carros, talvez apressadamente ou em passo lento, saboreando as montras ou procurando o anonimato em passadas largas e óculos escuros. O que quer dizer que poderemos também nós sentarmo-nos nos degraus da igreja [como os que cospem fogo e tocam musica em troco de moedas] e esperar pacientemente por alguém que procuramos e não encontramos.
Mais tarde ou mais cedo essa pessoa há-de passar por ali, isso é garantido.
Reparei nela pelos sapatos primeiro. Eram brancos e ponteagudos, de salto alto e conjugados com peugas azuis de riscas amarelas. Também isto não está correcto. Comecei por reparar nos lábios que pareciam esborratados numa figura com alguma dignidade. Só depois é que me virei para os sapatos, para a garrafa de whisky que levava na mão direita, destapada, para as pernas cheias de marcas e pensei "quando terá esta desistido da vida?" mas sabendo tão bem que estava mesmo a perguntar "quando irei eu desistir da vida?"
6.24.2009
dizer que gosto muito de uma pessoa que não me interessa, ser simpática para alguém de quem não gosto, calar-me quando tenho algo a dizer que me possa prejudicar, ser politicamente correcta para que isso me beneficie de alguma forma, mentir para subir na carreira, ser insistente para obter um resultado que me interessa, desligar-me de alguém que gosto porque a minha associação com ela não é vantajosa.
Eu posso roubar, mentir, matar, atropelar, bater, trair, prostituir-me, desde que não seja apanhada a fazê-lo.
Eu posso e em teoria poderíamos todos. A teoria do "melhores pessoas/piores pessoas" perde muito do seu valor intrínseco quando chegamos a adultos. Por isso, a menos que acreditemos num Deus castigador ou num Karma Cósmico, a única razão pela qual não fazemos é termos sido educados para a vida em sociedade. E isso, meus caros, nem todos fomos.
6.23.2009
e depois deixei de ler, não faço a mínima ideia porquê. Hoje voltei a ler e passou a um dos meus all time favorites (eu sou assim com os blogs, de paixões, irritações e desprezos, às vezes acho que dedico mais emoções aos blogs do que às pessoas que estão à minha volta).
Lembrei-me que sempre quis que o meu filho tivesse um nome biblico e não tem à conta do pai. Tem nome de estadista do Estado Novo. Às vezes até estas pequenas coisas são difíceis de (di)gerir.

Com os calores, os bronzeadores, os assadores, os Ronaldos, as Ronaldas e outras infantilidades ao serviço de mentecaptização progressiva dos indígenas, com o egoísmo feroz, com a solidão disfarçada em alegrias fugazes e anónimas da madrugada, esquecemos o essencial. No Evangelho de hoje, a palavra do Senhor recomenda que entremos pela porta estreita. "Entrai pela porta estreita", ou seja, não escolham o espaçoso do fácil e do imediato. "Eu sou o caminho", dirá através de João. É estreito, sim. Mas não há outro.
6.22.2009
Eu (vocês não sei) funciono muito melhor quando não estou a ser eu.
Ninguém [amigos incluídos] quer ouvir o que temos para dizer a menos que estejamos a dizer que sim a tudo e a dar razão a tudo o que ele/a acha.
Um blog impessoal é muito mais fácil de manter do que um pessoal.
6.20.2009
- Há células e na parede das células há uns baloiços. Então os cromossomas sentam-se e ficam a andar de baloiço, o cromossoma-namorado senta-se num lado, o cromossoma-namorada senta-se no outro lado. Depois aparece o cromossoma-bebé.

Puto, tens tanto a ensinar à mãe. Tanto.
6.18.2009
agora eu queria escrever aqui um post sobre tusa à distância (ou ausência dela) e não posso.

lá terei de criar um blog anónimo como o outro, agora que já não há anonimato na bloga.
6.16.2009
sono cansaço stress preocupações falta dores de cabeça olheiras enormes rugas cabelos brancos unhas por fazer cabelo por arranjar muitas coisas desarrumadas memórias da semana passada na praia jantares piscina comboio caminhadas cartadas conversas vidas a mudar começar acabar relações histórias telefonemas mensagens promessas numa igreja algum (pouco) alcool muitos cvs enviados falta de pachorra vontade de atirar tudo ao ar de vez.
Eu tenho muita coisa, mas sem dúvida que não tenho inspiração para escrever [e tenho pena].
6.09.2009
foi hoje em visita de estudo à AR.
Primeira pergunta: "posso ir ao hemiciclo? Quero ver o Nuno Melo".
Segunda pergunta, ao passar por um deputado que estava a ser entrevistado para um canal de televisão "É o Nuno Melo?"
Terceira pergunta, sentada nas cadeiras do PS "Posso mudar para as cadeiras do CDS/PP? É que a minha melhor amiga está lá e são as do partido do Nuno Melo".

Tudo o que fiz foi dizer que o Nuno Melo era giro, ela até me viu a votar noutro partido.

*vantagens genéticas.
6.08.2009
não sei se a vida se resolve. há coisas que se resolvem da maneira mais improvável: esperando.
ora nós não fomos geneticamente programados para esperar. ou, darwinisticamente, aqueles entre nós que foram geneticamente programados para esperar não sobreviveram através das décadas aos perigos, eram os que ficavam sentados à espera de descobrir que som era aquele e de repente viam a cabeça arrancada do corpo por uma derrocada (naqueles tempos - os das cavernas, em que a humanidade se foi definindo entre os que iriam sobreviver e os que nem por isso - havia muitas derrocadas, isso é do conhecimento geral). os nossos avós foram os que desataram a correr quando ouviam o barulho sem saber muito bem porquê e se safavam enquanto viam alguns palhaços placidamente sentados e com a cabeça arrancada. estes são os nossos genes, os que correm sem saber porquê ao mínimo som. é-nos impraticável esperar. é desesperante não poder agir. mas há mesmo coisas que só se resolvem com o tempo, com paciência.
a vida, por exemplo.

*copyright da princesa ou, se tiverem suficiente persistência, hão-de um dia ler um post meu sem estas anotações ridículas com a merdinha do asterisco.
M, 10 - se eu morresse o que é que tu fazias?
D, 5 - matava-me, ía para o pé do Terry Fox*.

*os filhos têm a mania do Terry Fox por causa das t-shirts que vêm cá parar, da Liga Portuguesa contra o Cancro.
que quero mesmo escrever. que se me esforçar consigo explicar como fui com as duas criancinhas ao Camões votar, como passeámos pelo jardim da estrela e algures ao longo desse caminho eu fui tão feliz o sol a bater naquela folha e que lindo e mais não sei quê. que vou ter umas mini férias a sério, no Algarve com amigos, seremos uns 8 ou 10, cartadas, copos, jantares, sol, mar, piscina, toalha, tenho a certeza que algures ao longo de algum caminho o sol será tão lindo a vida simples a bater numa folha e por esse momento eu serei feliz. mas não muito porque saberei que todos os dias à espera tenho o trabalho estupidificante que tenho sem direito a férias, mal pago e que detesto, porque sei que no caminho entre a estação de metro e o carro me desfaço em lágrimas (acontecimento estupidamente diário) porque eu sei que depois de correr para o pátio da escola dela, o trânsito da estrada de Benfica e o pátio da escola dele vai estar a minha casa. vazia.
6.05.2009
só para dizer que o meu mantra é o dos drogados e dos alcoolicos - só mais um dia - um dia de cada vez, todos os dias em repeat até a exaustão e chegar o dia seguinte - mais um dia.

E que, obviamente, esta coisa não tinha acabado pelas palavras de outra pessoa sobre as minhas, as quais, a quem de direito, o meu mui respeitoso idebosfoder agora e para sempre.

Não é por ter acabado isto que alguma coisa se tornou melhor - nem eu - infelizmente, diga-se de passagem.
5.11.2009
Aparentemente há coisas que posso pensar mas não posso dizer sob pena de ofender pessoas que não conheço e que não me conhecem. Que lamentável, termos todos (ou alguns de nós) de ser susceptíveis a tudo o que os outros fazem ou não fazem, escrevem ou não escrevem, dizem ou não dizem. Eu tenho em casa uma filha pré adolescente que me desafia a cada linha de diálogo, entre outras muitas outras coisas que também tenho para lá. Já aqui escrevi muitas vezes que o inferno são os outros, somos nós uns para os outros. E que o paraíso também. Parece-me bem referi-lo mais uma vez como linhas finais. A minha contribuição para o vosso inferno/paraíso acaba aqui.
O meu ego é ginórmico, dá bastante trabalho mantê-lo assim, não percebo como é que isso pode incomodar alguém que nem me conhece, mas visto que o fiz [não intencionalmente], retiro.
Porque o meu ego é ginórmico só por si, não precisa de esmagar nada para o provar.
5.07.2009
O tempo é já de estiva e chama ao aligeiramento. Perco peso nas roupas mas também nos pensamentos, desde que comecei a usar mais o hemisfério direito. Comecei a ler blogs light que me fazem encolher os ombros, nada desaponta no chorrilho de lugares comuns que se espera neste tipo de coisas e, invariavelmente, se encontra.
No mesmo intervalo de tempo gasto minutos a escolher a banda sonora para ler a Caverna, aponto para um chill out, mas aponto sempre excepto quando desço do Chiado até a Lapa, aí recorro a CSS e, se pudesse, de uma injecção de adrenalina directamente na aorta.
5.06.2009


daqui via Aurea Mediocritas

*óleo sobre tela
não quero um iphone. O iphone não me fascina. o iphone não me diz nada. o iphone é demasiado grande e largo para telefone. o iphone tem uma única funcionalidade que acho fabulosa que são as colunas de som, mas tão fraquinhas que na verdade não servem para nada. anunciantes da net, Não quero um iphone, obrigada e agora se me tentassem convencer a comprar um macBook?
A maioria das mulheres não sabe conduzir e isto é um facto. Eu enquadro-me na categoria. Não gosto de conduzir. Não tenho pachorra, irrito-me com facilidade e pareço um carroceiro a falar quando estou ao volante, é verdadeiramente assustador. Disse aos meus filhos que certos palavrões só se podem dizer quando se conduz e dentro do carro, o que convenceu plenamente o miúdo, que chega a dizer "o não sei quantos disse um palavrão horrível, daqueles do carro". Não conduzo particularmente bem mas orgulho-me de estacionar decentemente, a maioria das vezes à primeira tentativa. Como tenho a sorte de conseguir medir distâncias a olho, também entendo à primeira quando o carro não cabe num determinado espaço. E portanto não faço a figura de duas raparigas que, tentanto estacionar à vez o mesmo carro, o deixaram metade de fora (porque o espaço só dava para metade do carro) mas com quatro piscas ligados e papelinho da EMEL. Isto na zona de Lisboa onde há mais carros bloqueados e rebocados todos os dias. Ao lado, um rapaz que até trabalha aqui na empresa deixou o descapotável dele em segunda fila. Eu sei qual vai ser rebocado primeiro. Quando vejo estas coisas tenho um bocado vergonha de não ser homem.

Adenda: como que para confirmar o que eu tinha escrito aqui, um homem com um carro maior do que o das miúdas acabou de estacionar decentemente no mesmo lugar onde elas, depois de trezentas tentativas cada, não conseguiram [suspiro].
5.05.2009
nisso como em tudo não sou melhor do que os outros, vejo programas que não são grande coisa na televisão como a Oprah. ontem não vi apenas um mas dois episódios da coisa, é tão incrivelmente convincente aquilo tudo, ou era eu que estava cheia de sono. a neurologista que teve um avc ficando apenas com uso da parte direita do cérebro, o que me fez entrar num transe de parte direita do cérebro e procurar avidamente testes para descobrir que parte tenho como predominante (estranhamente, ambas). depois os MacCaan, pela primeira vez tive paciência para ouvir uma entrevista com os senhores e pareceram-me totalmente credíveis (a história continua a ser completamente incrível, mas enfim), talvez influência da parte direita do meu cérebro.

*posts escritos neste blog
5.04.2009
4.30.2009
a sorte dele é a eutanásia ainda não ser legal por cá.
4.27.2009
Ao mesmo tempo que aprende a não se levantar da mesa sem licença, a não cantar à mesa e outras coisas semelhantes, aprende a ser ele à frente nas escadas ("se eu sou o homem da casa porque não posso mandar?"). Deixamo-lo, nunca sabemos bem que preceitos aprende com o pai e eu posso admitir que não os sei todos por ter sido criada como rapariga, nós só nos deixamos levar.
- Vai à frente vai, se eu cair caio para cima de ti.
- É esse mesmo o objectivo, filha, como somos umas pobres criaturas, precisamos que eles nos protejam de tudo, na rua têm de andar no exterior do passeio para nos proteger dos carros, porque nós somos tão totós que podemos ser atropeladas.
- Já sei porquê mãe, nós somos precisas para a reprodução, eles não.
- Ai não? Como nos reproduzimos sem eles?
- Banco de Esperma, duhhhh!

Se congelarmos esperma suficiente, durante tempo suficiente, acho que podemos pensar em acabar com o género deles.

(mas não, imaginar um mundo só de mulheres é tão assustador como imaginar viver no colombo em dia de jogo do benfica).
4.23.2009
Lembrei-me quando li este post que também já senti qualquer coisa semelhante, começou por ser um encantamento qualquer quando o descobri (ao blogger), depois admiração, depois uma fantasia qualquer, a certa altura era só o conforto dos posts estarem lá, aparecerem, até chegar ao ponto actual, de já não achar piada nenhuma e só me lembrar que ele existe quando já li todos os feeds que me interessam e estou à procura de posts eventualmente interessantes fora da minha esfera da bloga. Até há bem pouco tempo achava magnífico ter aprendido a desligar-me com tanta facilidade. Agora acho só aborrecido de morte.
4.22.2009
(para variar) sobre o fenómeno Susan Boyle mas lembrei-me agora de uma coisa que, no meu dia-a-dia, me afecta muito mais.
Eu sei ele que está na idade, descoberta do corpo e isso, e que é normal dizer asneiras e tudo, mas será normal a obssessão do meu filho por mamas e pela própria palavra "mamas"? É que ouvir coisas como "avó, mostra as mamas" pode ser traumatizante para uma avó. E para uma mãe.
4.21.2009
enquanto andamos todos felizes com as novas formas de comunicar, enquanto a informação voa à velocidade dos megas ADSL ou da fibra óptica, eis que descobrimos coisas que essa velocidade nos pode tirar.
O twitter tirou o autismo da AR.
Maravilhoso, uma ferramenta de interacção social que é finalmente utilizada para o bem (tirar palavras não politicamente correctas do nosso discurso) e não para o costumeiro mal (pessoas na conversa de café enquanto deviam estar a produzir trabalho). Parece-me pouco, porém. É certo que a palavra autista foi retirada dos insultos entre pares na AR, tenho pena das crianças autistas e acho que não precisam de ser comparadas a políticos, já basta o que basta.
Mas também tenho pena das crianças com dificuldades de visão, por isso exijo que retirem o termo cego e ver mal do discurso parlamentar. Tenho pena das crianças com atraso e portanto não posso achar bem que se permita a utilização da palavra atrasado no parlamento. Lamento pelas crianças com peso a mais e não admito que usem grosserias como gordo na nossa Assembleia. Aliás mais prático ainda era publicar um manual de palavras permitidas para deputados, limitados a duas ou três frases por cada tema fariam o mesmo efeito mas com menos desgaste oratório.
4.20.2009


na sexta enfiei-me numa sala de cinema a ver isto. Ou por outra, enfiaram-me, que quando lá cheguei os bilhetes estavam comprados. Não posso dizer que foi um desperdício total, lá pelo meio descobri este rapazinho (na foto).
E ver o Rodrigo Santoro no papel de Raul Castro não deixa de ser um bocadinho hilariante.

*yeah, right.
4.18.2009


Este foi o filme que ganhou o Tropfest NY 2008, o maior festival mundial de curtas metragens.
Foi filmado inteiramente com um telemóvel e com um orçamento de 40 dólares.
4.17.2009


Ver a Helena Coelho, gira de cair para o lado, agarrada a uma tábua de engomar e com as palavrinhas "Rainha do Surf" em rodapé.

Não querendo voltar a falar no assunto, vou partir do princípio que o target da Triumph é um target muito específico que se identifica com tábuas e roupa para engomar enquanto o marido se estende no sofá a ver futebol o benfica com umas cervejas ao lado, arrota e grita para a cozinha "o que é o comer?".
Eu costumava pensar que estavam em vias de extinção mas ainda ontem ficaram umas quantas a olhar para mim apavoradas porque, enquanto achavam que um homem chegar a casa e a mulher todos os dias lhe dar nestum para o jantar era uma causa mais que justa para divórcio, eu só perguntei se ele não tinha bracinhos para fazer o seu próprio jantar.
Por isso já estou por tudo, anúncios da Triumph incluídos.
Nunca entendi esta obssessão dos partidos de esquerda em querer policiar tudo, de querer tudo muito controladinho pelas autoridades, por este amor extremo e unilateral pela polícia. Como tenho de reconhecer que nem todos podem ser tão idiotas ao ponto de não imaginar o que vai acontecer a seguir (tudo a enfiar o dinheiro que não quer que seja visto em offshores e países onde o sigilo bancário está contemplado na constituição, como a Suiça), tenho de ver isto como mais uma medida demagógica do BE para fingir que é o maior a querer combater a corrupção. Não tenho pachorra para a política por causa disto, tudo é show off, nada serve para mais do que vender uma imagem do partido.
4.15.2009
4.13.2009
o curso que deveria ter tirado era de engenharia informática ou algo do género. Parece-me que poderia escolher qualquer sitio do mundo para viver porque em todo o lado (mesmo no meio das pradarias desertas) é sempre necessário um informático e depois poderia ostentar um título portentoso como consultora de qualquer coisa, palavra que para mim aufere um estatuto superior ao diplomático. É maravilhosa porque pode significar um trabalho imenso e pode em simultâneo não significar absolutamente nada (com todas as suas variantes intermédias).
Considerando a minha absoluta falta de capacidade para lidar com hardware e linhas de código, vi-me obrigada a trocar este meu sonho por um mais viavelzinho: seguir as pisadas desta grande blogger. Não tenho a certeza se mais alguém conseguiria publicar com tanta leveza posts SOS Lisboa ao lado dos da Caras. O meu pequeno blog não chega lá, mas vai-se esforçar.


daqui

Viver no meio do nada.


daqui

Segunda de Páscoa para o mundo católico que não o português, a cidade dorme como se de facto fosse feriado ou assim parece talvez fruto do tempo cinzento, os meus filhos dormem porque as escolas estão fechadas e eu arrasto-me com a cara meio inchada por um abcesso e dores para o chiado, ainda para mais vesti umas calças que são o numero abaixo do meu (não sabia que existia, razão do meu erro) em não bastando ser a única pessoa acordada da cidade tenho dores, sinto-me gorda e feia.
Ou como fui informada, para meu enobrecimento pessoal, porque o trabalho enobrece. Mas a mim enobrecia-me mais não trabalhar e ir às compras o dia todo (ou pelo menos teria mais aspecto disso).
4.08.2009
durante estes dias desde o fim de semana fez-me a maior falta, essa coisa comprida, branca e fininha. agora que já a tenho comigo respiro de alívio.

(o cabo do ipod, obviamente).


imaginem que vão um dia na rua e vêm fotografias vossas expostas numa montra, à venda. ou que o vosso colega do lado foi ao servidor da empresa e roubou um trabalho que levou semanas a conceber e a concretizar e assinou com o nome dele. ou que alguém copiou textos vossos do blog e os publicou num jornal como sendo dele. bonito, não é? e que, em resposta a um protesto vosso, não só mantinham as coisas à venda, como alegavam "dificuldades financeiras" à laia de justificação. muito bom, não seria?

foi o que a Oilily fez com a Rosa.

a história aqui
(bom, já me tinha apercebido há uns tempos, mas "apercebo-me agora" ficava melhor como título) que os erros grosseiros que fui acumulando até ter tornado a minha vida o caos miserável que é agora se devem na sua maioria à precipitação que a minha constante ansiedade gerou sempre. Algures nas minhas orações devo ter insistido muito para que este meu feitio mudasse. Agora que estou demasiado cansada para ter ansiedades (para além de ansiar por descanso) aceito tudo, quero lá saber.
4.07.2009
Aprendi uma palavra nova - tibieza - na badana de um livro (nem sequer tinha ainda aberto o livro) mas ainda não sei o que é um telefone Kosher
4.02.2009
10


Não sei se somos nós que envelhecemos, se são os filhos que nos envelhecem. O tempo passa por nós só o suficiente para nos lembrar que está a passar. A maioria dos dias parece igual, igualzinho, até acontecer um que finalmente muda tudo.
O meu primeiro enorme foi há dez anos e um dia.
3.27.2009
Se uma empresa declara insolvência e retira as acções da bolsa, como pode esperar que concluído o processo de insolvência, voltar de imediato a requerer-se a sua readmissão [na bolsa]?
Não posso ter sido só eu, em toda a blogosfera que leio, a reparar na coincidência do apagão calhar exactamente à mesma hora e dia do jogo de apuramento para o mundial.
3.25.2009
A mim parece-me que nem sequer há linha. E são quase, quase todas assim. Não é que eu despreze as escolhas delas (melhor para mim). É que me orgulho de não as [conseguir*] tomar.

*é mais uma questão de estômago. Em não podendo ter um cão, prefiro morrer sozinha, gatos dão-me vómitos.


daqui

mesmo se no fim não ficarmos mais adultos nem com mais resiliência nem encontrarmos um pote de ouro nem 72 virgens nem ficarmos mais bonitos nem mais fortes se não aprenderemos a fazer melhor nem ganharmos amigos nem ficarmos melhores pessoas com mais capacidades nem mais felizes inteligentes generosos mais resistentes à frustração keep going. Porque não há outra hipótese.
3.24.2009



foto Paul Michael Hughes

Desde sempre eu quis ser a rapariga da esquerda. Fiz ballet em criança, muitos anos. Não tenho a certeza se foram muitos anos ou se só pareceram sê-lo. As aulas eram uma tortura de poses e gritos, da professora que implicava com tudo, desde a maneira como prendíamos os cabelo (se alguma farripa caía) à forma como o tornozelo não estava suficientemente rodado para fora e as costas não estavam suficientemente direitas. Eram a hora nazi em que só queríamos que a atenção da professora não se virasse para os laços mal apertados das sapatilhas ou para os braços que não estavam com o cotovelo apontado para baixo. A rapariga da esquerda não tería problemas com isso. Ela faria todos os movimentos bem e caso não os fizesse, emendá-los-ia com um sorriso doce, a sua auto estima seria suficiente para aguentar todas as críticas.
A rapariga da esquerda não tería faltas por mau comportamento nas aulas, nunca pegaria num cigarro, não beberia demasiado quando saísse à noite, não beijaria rapazes sem lhes decorar o nome, saberia que curso escolher e entraria nele à primeira, não engravidaria, desistiria, falharia, entraria em depressão, nunca estaria perdida numa cidade com duas crianças, não deixaria o marido (nem o namorado) por já não suportar, não ficaria sem nada no meio do nada. A rapariga da esquerda faria sempre as opções certas no momento perfeito e tudo fluiria sem grandes dramas.
Eu sempre fui a da direita.
3.20.2009
do fashion que leio e que parecem andar fascinadas com os anos 80. Eu sei que vocês não os viveram ou eram demasiado novas para se lembrarem mas ponham os olhinhos aqui e digam-me se querem lá voltar.
3.19.2009
não é? Um dia a minha amiga contou-me uma história que acabava com "se há ondas que transmitem sinais de rádio e nós as podemos ouvir embora não as vejamos, temos de presumir que pode haver outro tipo de ondas, por exemplo, que transmitam pensamentos". A verdade é que nenhuma de nós acredita em coisas sobrenaturais, gozamos com os horóscopos e cartas astrais e com a "profecia celestina" e o Paulo Coelho. Isto é outra coisa. Ando há 2 dias com uma música na cabeça (por nenhuma razão especial), obriguei o meu filho a ouvi-la e só não a postei aqui porque não encontrei nenhum youtube que gostasse. Pois ontem o João postou-a no facebook e hoje a Catarina postou-a no blog (o verso do Ary dos Santos).
É como as constipações, pega-se mesmo por via virtual.
e isso explica muita coisa. Por exemplo, o facto de eu precisar de andar entupida de calmantes.
3.16.2009
Não sei se por falta de tempo, de inspiração, de tudo. Eu não escrevo porque não me apetece. Passei um domingo em casa com os miudos. Concedi-me esse domingo. Não me lembrava sequer da última vez que tinha passado um dia em casa. Não gosto particularmente da minha casa, que não fui eu que escolhi, mas ainda assim é melhor do que encher os dias com correrias entra-sai-do-carro-põe-tira-cinto-ter-horas-para-estar-em-algum-lado.
Durante a semana são catequeses-jantares-em-casa-das-avós-com-o-pai, banhos a correr, jantares a despachar, um buzz ocasional (jogo curto) enfiado à pressão antes do lavar os dentes e fazer chichi, ao fim de semana é a natação-almoço-na-avó-festa-de-anos-de-alguém, ou ir ao jardim-esplanada com as tias ou outra coisa qualquer (como a missa) em que também temos de andar a correr e penso, quando teremos temos tempo, quando vou estar sentada a pensar que não tenho nada combinado, nada que fazer, e penso nas coisas às quais nem sequer respondi, amigos a sério, da vida, dos quais me esqueci, aqui foi mesmo por falta de tempo, por cansaço absoluto das correrias. Que para o virtual, há sempre tempo. Que ficar em casa um dia inteiro é um presente (para nós). Para escrever haverá sempre tempo, se não for agora, hoje, será amanhã - é indiferente - para o resto já nem tanto.
3.10.2009
que comprei me ofereceram em Compostela toda enrodilhada no outro fio que uso. Quero muito tirar um segundo sentido disto mas não consigo.

(os meus posts andam uma coisa fabulosa de creatividade e fluência).
3.07.2009
A conversa era absurdamente estúpida, ou assim parecia, e sobretudo não pensava ouvi-la do meu pai. eu sabia-o já. ouvi-lo como um facto consumado uma mulher na tua situação. a minha situação então era agradecer que um homem mais velho até do que ele sequer imaginasse. uma mulher na minha situação. e era como ter uma chaga funda, visível, uma doença crónica incapacitante. na minha situação. ser mulher era ainda mais pesado do que a situação, explicou-me quando lhe contrapus um exemplo que estava à frente dele mas para ti é diferente, és mulher. Talvez não devesse usar o meu pai como farol de todos os homens, mas tem sido sempre assim desde que me conheço.
Portanto sim, eu sei que sou uma mulher na tua situação e que, tivesse eu menos consciência disso, seria concerteza uma pessoa mais leve. ignorância é das maiores bençãos que se pode receber. pena é que os ignorantes, pela própria característica que lhes é inerente, disso não se possam aperceber
3.06.2009
imaginar não saber ter medo pânico nervoso abrir muitas vezes o mail espreitar muitas vezes o telemóvel o perfil as mensagens procurar no google tremer quando espreitar sonhar com isso imaginar sentir bater com as portas gritar sorrir chorar abraçar dormir não descansar. Porque sim, tudo é melhor do que não sentir.
A propósito sabe-se lá do quê, ao vesti-lo sai-se com a prima do R. que é mais velha é uma giraça que até tem maminhas!.
A minha filha diz eles não evoluem quando chega à escola dele e vê os miudos da idade do irmão (5 anos mais novos) com as mesmas brincadeiras dos colegas de turma. As conversas também são as mesmas. 9 anos e eles não evoluem, as lições mais importantes são as que aprendemos em pequenos.
A prima do R é uma giraça que até tem maminhas [e eu] mais gira do que eu? sim.
[abano a cabeça] Puto, hoje a mãe vai-te ensinar uma coisa, quando uma rapariga pergunta mais gira do que eu? dizes sempre não. A mais gira é sempre a que pergunta, não interessa o que achas, respondes sempre que é a que pergunta. Vá, quem é mais gira: a mãe ou a prima do R?
[puto com a lição decorada] A mãe.
Agora mais dificil: quem é mais gira, a mãe ou a mana?
A mãe.
Boa.
[a irmã] quem é mais gira, eu ou a mãe?
[puto altamente confuso] A mãe?
[Eu] Não. Foi a mana que perguntou, tens de responder que é ela.

Tem de ter alguma vantagem, ser criado por mulheres. Não fica a entender-nos melhor mas ao menos que seja mais polido. As mulheres interessantes gostam disso. Polimento.
Como é que eu sei? Ora...não me façam perguntas dessas.
3.03.2009


foto Sam Bassett

preços de casas, de apartamentos, sonha com a casa antiga do Porto, não sei a quem sairá com esta obsessão pelo imobiliário (talvez a ti, sei lá).
E esta, quanto custa, se ganharmos o euromilhões podíamos comprar, e com piscina. E esta tem piscina, mãe?
Escuso-me a explicar-lhe porque não jogo no Euromilhões e me passa ao lado se moro num palácio ou num T1 desde que não tenha de andar às voltas para estacionar o carro. Que não acredito em soluções mágicas/imediatas/abruptas como as lotarias e que nisso não sou tipicamente portuguesa, que não ligo aos sinais exteriores de riqueza e, em podendo optar, preferia guiar um Smart a um Audi (apesar de gostar de Audis e nisto dos carros ela também pensar como eu).
Mas obriga-me ao exercício, que casa é que a mãe comprava se ganhasse o Euromilhões e imagino-me no meio do campo. Digo-lhe isso que iria para o Alentejo ou Ribatejo e vivia no meio do nada, com espaço à volta e cavalos. Que talvez contratasse um professor para dar aulas de equitação às crianças da vila-mais-perto-do-meio-do-nada e que o meu sonho era andar todos os dias de calças de ganga e galochas cheias de terra até ao joelhos, passar dias sem ver um carro nem me apertar numa carruagem de metro e que teria internet para saber o que se passa no mundo porque afinal já é isso que faço e obviamente que ela torce o nariz a este meu desejo de campo e natureza, desejo de campo e natureza que temos todos e se manifesta no apreço ao cheiro da terra molhada mas que ela, como miuda que nunca pôs os pés fora de uma cidade, ainda não viu acordado.
E depois penso - aliás não penso, sei - que tudo isto é só vontade de fugir da minha vida, de mudar para o lugar mais distante que possa haver. Eu própria nunca vivi um dia fora da cidade.
2.27.2009
Não me apetece escrever. Isso é óbvio em todos os posts que não publico aqui. Não me apetece escrever e agora encho isto de fotos. Não me apetece escrever e cito o livro que estou a ler. Não me apetece escrever e comento as notícias de última hora do público, os debates desinteressantes da AR, os comportamentos desviantes do PM, a crise, o avião que caiu em Schipol, as conversas redondas do escritório sobre gays e casamentos, as unhas compridas do mindinho do director financeiro. Não me apetece escrever com mais de 140 caracteres, espalhar-me aqui quando é tão mais fácil manter a compostura noutro lado.

Por isso, não escrevo.
2.25.2009
que este blog não vai falar da vagina do Courbet (salvo seja). é mesmo porque já não se pode ouvir/ler falar mais nesse assunto.
2.23.2009
como só os provérbios portugueses conseguem ser, cheios de fados e capazes de acabar com as ilusões de uma pessoa numa mera frase atirada ao acaso para o ar por alguém que não gosta lá assim muito de nós.
É esse provérbio o "filho és, pai serás" naquela do "tás armado em bom, vai ver como te fodes quando cá chegares". E, invariavelmente, bate certo.
É por isso que aos 9 anos a minha filha faz dramas Shakesperianos à mesa do jantar durante os quais me pede uma "faca do Ikea, das afiadas" para cortar os pulsos, em geral quando vem de casa do pai. Outras vezes faz o mesmo ao pai.
E eu "filha fui, mãe tenho de ser" vou engolindo e não sabendo lidar isto, vou fingindo que está tudo bem sem na verdade achar que está alguma coisa bem, assumindo que sim, a culpa é minha, que se dois anos volvidos do divorcio tudo ainda é tão doloroso e à pele para ela é porque "filha fui, bem me fodo agora", que se calhar a sucessão de erros que tem sido o meu percurso não abona em nada na saúde mental de duas crianças e "filha fui, ao menos que tivesse aprendido alguma coisa com isso", fazendo de conta que sei lidar com alguma coisa quando nem com as minhas coisas sei lidar só finjo que não estão lá e ignoro, quantas vezes ignorei as coisas deles se "filha fui, mãe me tornei" não poderia ser melhor mãe do que a péssima filha que fui, não há volta a dar.
Prémio linda-e-talentosa-óscar-totalmente-merecido:

Penelope Cruz (Vintage Pierre Balmain).

Prémio piroso-de-ir-às-lágrimas:

Mickey Rourke

Prémio giras-giras-giras:

Alicia Keys (Armani Privee)


Natalie Portman (Rodarte)
(gosto de cor de rosa, mas elas estão mesmo giras)

Prémio é-só-a-mim-que-este-casalinho-enjoa?

Brangelina

Prémio há-maneiras-melhores-de-dar-nas-vistas-do-que-com-um-vestido-horrendo (safa-se o colar):

Amy Adams

Prémio como-é-possível-ir-à-Prada-e-voltar-vestida-com-uma-cortina-de-banho?:

Jessica Biel

Prémio casal-com-mais-pinta-dos-óscares:

Sean e Robin Wright Penn

Prémio vestido-feio-e-a-hanna-montana-não-tem-postura:

Miley Cyrus

Prémio revelação-da-noite-vestido-e-joias-fabulosas:

Taraji P. Henson (Roberto Cavalli)

Prémio não-despeças-o-teu-fashion-adviser-não:

Byoncee

Prémio verdadeiro-vestido-dos-óscares:

Marissa Tomei (Versace)
2.20.2009
O Afonso Tiago já desapareceu há um mês em Berlim. Assinem aqui a petição.
2.19.2009


A Malu Mader vem a Portugal.
nunca estarmos contentes com o que temos, que se formos magras é porque somos magras demais e não há roupa que nos sirva, andamos à roda da secção infantil, se formos gordas é porque nada nos fica bem e se estivermos mais ou menos é porque temos peso a mais e temos é de ir para o ginásio para perder aqueles quilos (e depois constatarmos que nada nos serve e temos de usar roupa da secção infantil). De uma forma alargada podemos aplicar isto a tudo na vida ser casado/solteiro, ter/não ter filhos, trabalhar/ficar em casa. Há poucas coisas que sejam indiscutivelmente positivas como as férias, estar apaixonado, receber um elogio ou um aumento.
Isto para dizer que a minha filha no dia dos namorados recebeu 2 presentes de 2 rapazes diferentes (e não deu nada a nenhum), ficou aborrecida, tal como ficou quando passou por um grupo de miudos no colégio do irmão e lhe assobiaram. Eu entendo-a. Mas como seria se lhe dissessem que era feia ou assim?
2.17.2009
lembro-me bem, mas tão bem. a cara da minha mãe e da voz dela a exclamar "nunca gostei, sempre achei horrível, que queres!". isto dizia quando voltavam a estar na moda coisas dos anos 60, como calças boca-de-sino. eu não entendia de todo, as calças pareciam-me giras e achava que a minha mãe era uma retrógrada cheia de mau gosto. hoje vejo perfeitamente. isto não é estilo. é copiar (nem sequer é refazer, é mesmo tudo copiado) a década mais pirosa da história da moda - os anos 80. pois afadiguem-se nos chumaços elefantinos e nas calcinhas afuniladas com elástico por baixo do pé. para esse peditório já dei e há erros que não se cometem duas vezes.
2.16.2009
que não estou tão feliz com o sol como os outros. que não festejo interiormente a elevação da temperatura. que não me regozijo pelo aumento da luminosidade. que não penso em tirar os bikinis da gaveta e sentir os grãos de areia a escaldar na sola dos pés. a pré primavera que deu origem a tão profusos e eloquentes posts - embora não propriamente originais - que imagino seja capaz de levar à loucura cabeças menos racionais, a mim e à minha filha só nos dá para vomitar. não damos para mais, lamento. ou não lamento, se calhar.
2.13.2009


A pessoa começa a receber newsletters e notificações logo no início do mês, o que significa duas semanas inteiras com o mundo a lembrar-nos os losers - o termo politicamente correcto é "pessoas com sentido de selecção extremamente apurado" - que somos por não termos ninguém com quem gozar dos casalinhos bregas que jantam fora, enquanto secretamente esperamos receber um presente (em privado, claro, ir jantar fora com o namorado neste dia é como ir para o trabalho mascarada na segunda de carnaval - impensável).
Calhando a um sábado sempre é maneira das crianças se safarem dos cartõezinhos que são obrigadas a fazer na escola. Ou seria, se os professores não se lembrassem de antecipar a coisa para hoje. Na escola dele a educadora, muito pouco dada a manifestações românticas em criancinhas, mandou-os escolher um "amigo especial" (para mandar cartão, suponho), ele foi escolhido pelo Diogo.
Ora eu adoro a diversidade, quero mais é que toda a gente (quiçá mesmo animais) possa casar entre si, adoptar, tudo e um par de botas. Mas tenham dó, não ando a pagar um colégio para me transformarem o puto em rabiças (é que nem o deixaram escolher se queria mandar para uma miuda ou um miudo).
2.12.2009
2.10.2009


mas estou certa que a Madonna arranjava um rebound guy com mais pinta do que este Cristiano Ronaldo brasileiro.

via Hands off of my manolos.
Sei o que pensava e sentia quando escrevi este post. Mas fui ignorante ao fazê-lo. Qualquer trabalho criativo é doloroso, sai-nos das entranhas como um pequeno filho, a cada momento pronto a desiludir-nos, nem sempre se porta como queremos, quase nunca sai como imaginámos, às vezes pior outras melhor. Mas. É nosso, é trabalho, tem significado. Uma vez saído para a rua, faz-nos corar de orgulho (ou de vergonha), foi produzido e saiu-nos das mãos, ao fim do dia é uma pequena compensação pelas horas em que nos torcemos lamentando a falta de inspiração e de vontade de fazer aquilo, ao fim do dia é qualquer coisa que fizemos e que, no fundo, nos deu algum gozo, teve um resultado. E sim, sinto-lhe a falta todos os dias, a todos os momentos em que emburreço cumprindo a custo a função mais idiota do mundo, em que mato horas quase sempre a pensar em como sair daqui e voltar para o outro lado.
2.04.2009
2.02.2009


foto Fernando Guerra
casa no martinhal, Sagres - ARX Portugal


Há uma piadinha antiga que diz que arquitecto é o homem que não foi suficientemente macho para ir para engenharia civil nem suficientemente gay para ir para Design.
Pois eu não concordo. Há na maioria dos arquitectos (os que levam aquilo mesmo a sério, que são quase todos) uma competitividade monstra, um desejo absurdo de ver tudo o que os outros projectaram e superá-los. Há em cada um um deles desejo insano de deixar uma obra, um património que nunca desaparecerá, que será documentado, estudado, admirado, invejado. Uma obsessão em rasgar a natureza, em marcar um terreno eternamente pelo seu próprio punho.
Não me lixem se isto não é tão masculino como deixar a tampa da sanita levantada.
a Vieira escreveu tão bem aquilo que eu não consegui porque:

1. Não tenho propriamente a mesma capacidade de expressão escrita.
2. Como estava toda a gente tão maravilhada com o filme, assumi que a culpa era minha, ter achado aquilo muito fraquinho e desprovido de significado, o que demonstra bem o quão em baixo anda a minha autoestima (e possivelmente até com razão para tal).

Já várias vezes tinha reparado que o sexo nos filmes de Woody Allen costuma ser mau e tardio, acho que já devo ter visto todos os filmes dele e chego sempre à conclusão que aquilo mete muitas palavras, que os preliminares são sempre duas personagens sentadas num café ou num restaurante e um a virar-se para o outro, no mesmo tom com que diria "tenho de ir ali à frutaria, queres vir?", diz "e se fossemos para a cama", a coisa não dá pica e perpetua (ou talvez seja até culpado pela instituição do mito) o mito do "sexo intelectual", mau e tardio como nos filmes do Woody Allen. Mas isto não passa de uma teoria minha, que praticamente nada sei sobre intelectuais. E talvez ainda menos sobre sexo.
1.30.2009
mas o Peter Pan com nome de estadista do Salazar que vive lá em casa quer "ter quatro anos para sempre".
Miúda a ver os seus mui sagrados Morangos com Açúcar enquanto pesquisa qualquer coisa no Magalhães.

- Deixa a mãe ver a Sic Notícias só um minuto, o Sócrates fez uma declaração ao país, pode ser que se tenha demitido.

Miúda a esfregar as mãos de contentamento:
- Mude mude, também quero ver.

(o Sócrates desilude as criancinhas).
1.29.2009
sem ar. Sem notar, tinha-se afogado (de puro esquecimento) e demorou imenso tempo até se aperceber que já não respirava.
1.28.2009
alguém me faça uma destas. Até pode meter a cabeça do cavalo. Ou uma pata. Ou as duas. Qualquer coisa.
a pensar "blogger? Eu sei que tinha um blog mas como é que eu fazia para actualizar a coisa? Sobre que é que escrevia e assim?".
1.26.2009
exactamente na mesma. Ainda para mais eu que gosto de tudo muito resumidinho, sem palavras em excesso, uma espécie de ecologia dos textos.

A Clara hoje esgotou a paciência para blogs sofríveis, vai apagá-los todos do reader.
1.23.2009
A minha filha está em crise. As crises da minha filha são fáceis de identificar porque ela tem insónias todos os dias, grita muito e embirra com tudo (não faço ideia a quem sairá).
Quando mencionei esta crise ao pai esperava ouvir o costumeiro "comigo não, está sempre bem" mas afinal respondeu-me que já tinha reparado, das muitas vezes que ela lhe desliga o telefone na cara.
Então pergunto-lhe se se passa alguma coisa na escola e com as amigas, responde-me que não entende as amigas, gostam do Angélico e da Bravo (a que ela chama "revista de mexericos sobre a vida das pessoas") algumas até vêem a Floribela (Lucybela?) e ela à parte, sem entender porque gostam as amigas de coisas tão bregas, ela à parte porque não acha piada a nenhum rapaz e quer é que a deixem todos em paz (sem grande sucesso, diga-se de passagem, a velha teoria dos limpa-pára-brisas). E eu, de manhãzinha (às 8 e 15 ainda é "manhãzinha", não merece sequer o epíteto de "manhã") enquanto lhe explicava como a crise deflagrou nos EUA à conta dos juros baixíssimos fixados pelo Greenspan penso que talvez em parte a culpa seja minha, estou a criar uma miuda intelectualóide que depois não se integra plenamente na sociedade onde todos vêm novelas e lêm Paulo Coelho. Mas já a deixo ver os Morangos com Açúcar. Não sei que mais posso fazer.
1.22.2009


Uma corrente que me foi passada pela Maria N. e que me obriga a decidir entre 15 blogs dos muitos que gosto (tenho 98 no reader, para que vejam...).

Devo dizer que todos os que escolhi são de autores que não conheço pessoalmente (eu podia dizer que era por vontade de isenção mas acho mesmo que é apenas tentativa de evitar um acidente diplomático):

Bandeira ao vento
Circo da Lama
Controversa Maresia
Dias Assim
Fashion Rules
Laurinda Alves
Life is a Masterpiece
Lobi
Menina Limão
O amor é um lugar estranho
O nascer do sol
Paddy
Paixão Fotográfica
Sushi Leblon
Vontade Indómita
Aos 9 anos sonha com a crise, não quero sequer imaginar o que isto significará.
Acorda e exclama com o ar de quem fez a maior descoberta do século mãe descobri a solução para a crise, vamos invadir outro país. Há partes de Espanha que ainda são nossas!
Pensei em explicar-lhe que isso não era grande ideia, a menos que a base da nossa economia fosse a produção de armamento (que não é), mas achei que às 7 e 40 da manhã talvez fosse cedo demais.

*está sempre a dizer isto mas hoje esqueceu-se.
1.21.2009
A minha filha desiludida porque não a deixaram ver a coroação do homem éramos para ver mas depois fomos ter uma aula teorica de patinagem (não imagino o que se faça numa aula teorica de patinagem), no fim de semana quando teve de dar nomes ao robot com que joga buzz um dia foi barak, no outro obama, eu a ver a coisa em frame by frame e sem som e talvez por isso a não me comover, a comentar tudo com o João e a Maria Inês em tempo real por msn, a rir às gargalhadas porque parecíamos aquelas amigas que se juntam para comentar os vestidos na red carpet dos óscares e acham sempre "bem, aquela está gorda e velha", embora nós estivessemos impressionados mas pela positiva, e parecia tudo uma grande festa, com cantigas e emoções mal contidas como se de facto aquilo fosse connosco e não se passasse num outro mundo, como se por uns momentos fossemos todos americanos, nós que como bons europeus desprezamos americanos.
1.20.2009
Quando eu andava no liceu as notas saíam e eram afixadas no vidro da porta principal. Quando eu andava na faculdade as notas saíam e eram afixadas na vitrine da entrada. Não as recebia por mail. Não tinha documentos partilhados num servidor qualquer. E aprendi a fazer plantas com um esquadro, um T, canetas rotring 0.75, 0.5, 0.25 e 0.15 (para cotas). Pessoas com menos de 30 anos, não imaginam o que isto é, certo? Não sabem o que perdem. (a 0.15 é a melhor, depois de uns 20 bicos partidos, é o domínio total do homem - mulher neste caso particular - sobre a rotring).
1.19.2009
Todos os meninos gostam tanto de mimos como tu?
Os da minha sala sim.
Como sabes?
Porque sou o primeiro a chegar.

O meu menino com um ar tão triste encostado a mim de manhã. O meu menino que é o primeiro a chegar e o último a sair da escola.
1.16.2009
O manual é do mais simplex que pode haver:

Capítulo 7: Resolução de problemas
"O processo de resolução de problemas deverá ser efectuado apenas por adultos.
O seu computador foi testado de forma intensiva e está em conformidade com as especificações do sistema antes da expedição.
Contudo, operações incorrectas e/ou mau manuseamento poderão causar problemas."
[fim do capítulo 7]

Obrigadinha, sim. Eu precisava era de saber porque é que a net está ligada (e com sinal no máximo) e não dá acesso...
acho um absurdo pagar 50 euros por uma calculadora de bolso, mas siga.
Por muito que esteja desligada de tudo, a histeria matinal não me abandona. Mandei o meu filho para a escola sem pequeno almoço porque não o quis tomar.
Penso nisso enquanto dura uma viagem de metro, não é assim tão pouco tempo e cheguei ao Chiado encharcada em lágrimas invisíveis.
Quando me abandonarão os remorsos de gritar com eles de manhã, quando poderei gritar quero cá bem saber, despeça-me mas não me faça mandar o meu bebé sem pequeno almoço para a escola, o meu menino tão magrinho, é doente ele, sabe, não sabemos o que tem, tão birrento, como poderá entender ainda antes dos 5 anos que a mãe não pode esperar tranquila que a birra passe, aguente-se a vida não é justa que novidade - eu falo comigo própria na terceira pessoa - aguente-se que justiça haverá para também eles serem arrastados para isto quando podiam ter uma vida tranquila e cómoda, a sua obrigação era aguentar, tivesse tomado comprimidos vodka psiquiatra mas aguentasse, agora fazê-los passar por isto para quê e não acha que é demasiado tarde para olhar para trás, é para a frente, amanhã tomará o pequeno almoço, será tranquilo, cada dia será um pouco mais fácil aguente-se se não houver café paciência aguente-se que justiça há para os outros e tantos que acordam mais cedo com mais filhos menos ajuda vida pior se acha que tem direito de se queixar engana-se aguente-se que é o mesmo que os outros fazem paciência amanhã talvez ele se lembre que tem mesmo de tomar o pequeno almoço.
1.15.2009
Aqui há uns dias adicionei ao meu reader um blog que andava a evitar. Estou a lê-lo todo, gosto de o ler e não faz sentido não o ler só porque algures ao longo do ano passado descobri que não gosto do autor como pessoa.
Há provavelmente um milhão de teorias que expliquem a coisa, já tive um amigo que me disse "não acha sempre que somos muito melhores na nossa escrita do que em pessoa?", ouvi a Laura dizer que nunca mais queria conhecer nenhum escritor/autor pessoalmente porque, invariavelmente, deixava de o admirar quando lhe via os tiques irritantes.
Recentemente descobri que há imensa gente que não escreve nada de especial mas são excelentes pessoas, amigos com quem podemos rir e conversar, o que no fim acaba por ser muito mais importante do que escrever bem.

(assumam que este post serve como desculpa para o facto de eu não andar a escrever absolutamente nada de jeito - é que sou melhor em pessoa).
1.12.2009
recebi um sms de um amigo em resposta a um meu. Dizia qualquer coisa como vai correr bem, está na altura de correr bem. Não correu (bem nem mal).
Há uma altura para correr bem? Para correr mal? Consigo pôr o dedo no calendário no dia em que tudo começou a correr mal. Mas o mais provável seria não acertar, porque algo não começa a correr mal no dia em que tudo desaba. Arrasta-se durante meses e anos, mal, à espera da altura em que tudo rebenta. Com sorte, esse dia não chega. Com esperteza, esse dia não chega. Se formos suficientemente estúpidos ou azarados, o dia chega e caímos sem o menor pára-quedas. Se formos suficientemente estúpidos ou azarados, depois disso ficamos à espera que alguém nos mande um sms a dizer vai correr tudo bem. Não porque acreditemos nisso, mas só porque é bom imaginar que alguém acredita (ainda que não seja bem assim). E porque, na verdade, não temos nada melhor que fazer.
1.11.2009
Desde as 10 da manhã a receber toques e mensagens do Tiago, todo o fim de semana. É o que dá os telemóveis aos 9 anos, já sei.

- Fogo, o que é que é preciso fazer para ele desistir, mãe?
- Não sei bem, mas acho que se andares sempre atrás dele, se não o largares, há-de ser rápido.
1.09.2009
Há dois anos, vivia no Porto e nevou em Lisboa, no Porto, nada.
Hoje vivo em Lisboa e nevou no Porto, em Lisboa, nada.
Nunca vou ver neve na cidade onde vivo?
o que a @na me passou: uma corrente, uau (saudades dos memes).

1) Escrever a lista dos 8 sonhos ou coisas que se deseje fazer;
2) Convidar 8 bloggers a responder ao desafio;
3) Comentar no blog de quem partiu o convite;
4) Comentar no blog quem convidámos;
5) Mencionar as regras aos desafiados.


Viver noutro país onde se possa ir à praia todos os dias.
Arranjar um emprego muito fabuloso.
Mudar para uma casa enorme com piscina e jardim.
Ter alguns muito bons amigos.
Viajar muito.
Ter muitos bons livros.
Ter imenso tempo para fazer o que me apetecer.
Ter mais bom feitio.

Não passo para niguém porque agora decidi que nunca mais passo correntes. A menos que o meu último desejo se concretize.
tive de raspar a camada de gelo do vidro do carro para poder ver alguma coisa. E usando a única coisa que tinha à mão - uma raquete de praia (what else?).
Pelo menos até chegar um rapaz com um raspador de gelo que tirou aquilo tudo em meio minuto (nada como ter as ferramentas adequadas).
Ao passar no Hospital da Luz o termómetro marcava 0.5º mas devia estar a exagerar. Ou então já estou como a minha mãe, tudo o que é abaixo dos 9 já só parece muito frio e siga.
1.08.2009
(importante para ela).

Eu não me lembro de a autorizar a levar telemóvel para a escola. Também não me lembro dela poder tomar estas iniciativas sem a minha autorização. Parece-me que entrei numa nova e complicada fase da minha vida.
porque ela diz para um trabalhador nosso e quanto é que ganha, deixe cá ver? Um balúrdio horrível!

*sem ironia


O Gary, para não variar.
1.07.2009
Não é por ter escrito este post que deixo de achar um grande disparate a suspensão da campanha.
Lá porque eu não aprecio os filmes da lusomundo, não deixo de ver como uma aberração que uma instituição pública possa proibir uma empresa privada de dar o que lhe apetece aos clientes porque "isso não é justo para a concorrência".
Suspender a campanha não vai beneficiar os consumidores, nem a Zon, nem ninguém a não ser o Paulo Branco.
Ora, eu acho muito bem que o Paulo Branco defenda os seus interesses.
Mas não com o dinheiro dos meus impostos.
ou como um blog chega ao sucesso sem links em parte nenhuma.

Tenho para mim que a expressão "fazer amor", sendo uma bonita metáfora, não faz sentido nenhum.

O amor faz-se? E em fazendo-se, é na cama?
Don't think so.
1.06.2009
A repetir over and over again não esperar até à última para ir à casa de banho porque é provável que à última esteja ocupada.
Por isso no sábado desloquei-me até uma bilheteira da Lusomundo e tentei escolher um filme. Não consegui. O único que me pareceu aceitável foi o Bolt e já vi. Tentei lembrar-me de filmes vistos em cinemas Lusomundo. Consegui. Lembro-me do último que vi (antes do Bolt), um dos piores do ano passado: O Sexo e a Cidade. Tentei lembrar-me de quantos filmes consigo ver na Lusomundo por ano (para além do Bolt). Nenhum.
Se o Sr. Paulo Branco quiser proponho uma troca que me parece generosa: um medeia card com quatro filmes gratuitos por ano contra o meu lusomundo com 52.
Em meados de Dezembro recebi um sms no meu telemóvel: "tem 5 dias para pagar o seu Magalhães. Aceda ao site http://xxxx" - deve ser o simplex em acção - passados os cinco dias recebi novo sms: "confirmamos o pagamento do Magalhães".
É fabuloso este simplex. Dispensa recibos (já devo ter apagado as mensagens porque a minha caixa só suporta umas 90 entre enviadas e recebidas), provas de pagamento, e até informações sobre a entrega do Magalhães. Posso recebê-lo daqui a um ano. Ou dois. Ou nunca.

(incomoda-me particularmente não saber o valor do imposto de selo e do iva da coisa).
Entrevista à SIC
Sócrates: “Tudo aponta para um cenário cada vez mais provável de recessão”


Recessão? Cenário provável? Tudo aponta?

Querem ver que a seguir vão dizer que as mulheres já podem votar e usar calças, com tanta novidade, não?
1.05.2009
A “liderança palestiniana em Gaza”, que os signatários recusam nomear, é o Hamas que se separou do governo e do presidente palestiniano Abbas, para ilegalmente tornar o território numa ditadura civil e militar fundamentalista, patrocinada pelo Irão, que usa a população civil como escudo para as suas actividades de agressão a Israel, mas também para atacar todos os sectores palestinianos mais moderados. O seu objectivo é explicito: impedir qualquer acordo de paz com Israel e, em consequência, militarizou todo o território, usando todas as oportunidades de abertura de fronteira para se rearmar e receber apoios externos, sacrificando o bem estar de milhares de palestinianos civis aos seus objectivos de guerra. No interior do território controla todas as ajudas humanitárias para, em primeiro lugar, privilegiar os quadros do Hamas e as suas famílias e, depois, para o enquadramento e doutrinação fundamentalista.Tudo isto está mais que documentado. Não tenho a mais pequena dúvida que os signatários da carta sabem que é assim. Sabem até mais do que isso: sabem que o Hamas usa as ambulâncias para mover homens e armas, utiliza escudos humanos, armazena armas em mesquitas, escolas e hospitais. Sabem que o Hamas prepara crianças e jovens adolescentes nas suas escolas numa ideologia fundamentalista do martírio, organizando atentados indiscriminados contra a população civil. Os signatários da carta sabem muito bem que Israel não toma a população civil como alvo militar e que o Hamas não distingue entre um militar e um civil judeus, assassinando todos os que pode. Sabem ainda mais: que o Hamas viola todo o tipo de direitos humanos, fuzila opositores suspeitos de simpatizarem com a Fatah de Abbas e presumiveis ou reais informadores israelitas, impede qualquer liberdade de expressão, prende indiscriminadamente e tortura, introduziu a sharia, e outras práticas religiosas fundamentalistas.
1.04.2009
do sinal, tenho agora um cabelo branco de estimação que faria o mesmo efeito*. Do mesmo lado. É de estimação por ser o único (que vejo) e das muitas vezes que me propus a arrancá-lo, à última hesitei e deixei-o lá. Não será certamente pelos motivos sugeridos pelo meu ex marido. Primeiro porque das muitas qualidades com que Deus me revestiu, deixou essa capacidade completamente de fora. Segundo porque ainda que a tivesse em abundante quantidade, não teria objectos onde a exercer (aí está, certo por linhas tortas).

*"queres ver o meu cabelo branco" também não soa assim muito bem, ainda que a distância entre nós tivesse de ser de meio milímetro para que isso fosse possível.
12.31.2008
Acabo de receber uma multa por não ter a inspecção feita. 250 euros. Alguém quer comprar um rim? Ou um pulmão? Ou contribuir para uma causa completamente meritória?
12.30.2008


Não faço balanços nem resoluções, essa é uma das lições* que aprendi este ano: não vale a pena fazer planos que ultrapassem o sitio e hora onde vou jantar nessa noite.
A outra foi que nenhum homem heterossexual quer ser realmente meu amigo (para além das três honrosas excepções que confirmam a regra) por isso sigamos para bingo, ao terceiro mail, mensagem ou tentativa de contacto não só não respondo como apago.

* Foram poucas, mas preciosas.
12.29.2008
que quero tudo e um par de botas, tanta coisa que não cabe num só post, entre um emprego na minha área, imensos pares de sapatos novos, viagens ao outro lado do mundo, um laptop novo, um marido fabulosamente rico, no fundo no fundo peço só uma única coisa para 2009. Que o meu filho não esteja doente.
magnífico post da Vieira. Na mouche, as usual.

(sim, sim, foi o Hamas que rompeu o cessar-fogo)
só leio listas com o melhor de 2008 e isso parece-me sinal evidente que ninguém tem nada de interessante a dizer.
12.24.2008


O Natal é uma excelente oportunidade para enviar mensagens a tipos a quem achamos piada mas não temos desculpa para meter conversa nas outras alturas do ano.

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12.22.2008
Hoje em dia uma mulher perdoa tudo a um homem, até violências e traições, mas não perdoa ser mal fodida.

Há tantas, mas tantas que nem têm noção (dêm graças a Deus sim, porque senão a espécie estaria já à beira da extinção)
Pode parecer de uma enorme incoerência, ter ideias próprias muito definidas mas não me dar ao trabalho de as tentar impôr aos outros. Eu uso o argumento liberal "tenho as minhas ideias mas os outros têm o mesmo direito a tê-las e assim vivemos todos em paz, cada um na sua". Ignoro se o faço por preguiça ou por desejo de conciliação, mas para quem me conhece não há-de ser grande novidade. Eu sou a pessoa mais ambígua que conheço*.

*(a maneira soft de dizer que mudo de opinião todos os dias).
12.18.2008
Eu já passei a noite numa cela de prisão por um crime que não cometi
Eu já me apaixonei por um homem antes de o ver
Eu já tomei chá num castelo que serviu de inspiração ao Disney para criar os das princesas
Eu já atravessei o equador
Eu já tive desvitalizei um dente sem anestesia
Eu já casei sem ninguém da minha família saber
Eu já entrei na residência secreta da Opus em Lisboa
Eu já roubei morangos de uma estufa e fui apanhada
Eu já fui assediada no emprego
Eu já tive um filho de parto natural e sem anestesia
Eu nunca comprei telemóveis nem relógios
Eu já beijei um homem que era casado (com outra)
Eu já acordei em casa de um estranho
Eu já desmaiei a ver a minha filha ser cosida
Eu já vi o meu filho actuar na Aula Magna
Eu já tive medo de viver
Eu já desenhei uma casa para um personagem de um livro do Boris Vian
Eu já pesei 42 quilos
Eu já joguei Tetris até ficar com lágrimas nos olhos
Eu já tive um filho por cesariana
Eu já voei durante 23 horas seguidas
Eu já escrevi numa máquina de escrever
Eu já tomei banho de piscina à noite completamente vestida
Eu já entrei no castelo da Bela Adormecida
Eu já conduzi bêbada
Eu já achei piada a uma mulher e ela não percebeu
Eu já achei que tinha uma amiga que depois afinal não era assim tão amiga
Eu já sorri para um homem na rua só porque me apeteceu
Eu já ganhei um concurso de televisão
Eu já tive mais dinheiro do que aquele que conseguia gastar
Eu já comi carne de rena
Eu já passei três dias e três noites sem dormir para ganhar uma aposta
Eu já atravessei o Golfo de Bótnia num navio
Eu já vivi num hotel
Eu já gastei todo o dinheiro que tinha numa peça de roupa
Eu já tive 100% num teste de matemática
Eu já chorei a ver um filme (vários)
Eu já tive saudades e nunca confessei
Eu já fiz uma sesta dentro de um submarino
Eu já fui feliz sem o perceber

(copiado deste post do Visconde)
Isabela, até estava com a ideia de criar um blog - podia chamar-se Obvio-qq-coisa, por exemplo - depois ía aqui e copiava os posts todos, mas mudando a ordem para não ficar igual. Não é boa ideia?
Toda a gente sabe que escrever e manter um blog não passa de um enorme exercício de egocentrismo. Mesmo num blog colectivo - eu escrevi num blog com mais 11 mulheres e bem sei o que me continha para não publicar um post em cima de uma colega para que ela pudesse ter o seu post em tempo de antena, devida e plenamente comentado - andamos em bicos de pés e olhar suplicante ("choose me, me!") a exercer o nosso umbiguismo à grande.
Isto parece mal, mas vejamos melhor: ao exercermos aqui o nosso egocentrismo sem grandes pejos, estamos no fundo a evitar a necessidade de o espalhar à volta no resto das situações. Ou seja, podemos guardar para o dia-a-dia o exercício da generosidade plena com os outros. Em resumo, nós bloggers somos moralmente superiores ao resto das pessoas (ou todos os meios são válidos para chegar a esta conclusão final, mas reparem que usei a expressão plural - "somos" e evitei a singular - "sou").
12.17.2008
It's complicated.

Fabuloso. É complicado. Na verdade, é mais "sou complicada". Mas para o resto do mundo "sou suficientemente complicada para ser impossível*".
A última vez que olhei para o meu BI dizia no estado civil "casada", mas devia era mesmo dizer "é complicado".

*impossível de aturar, entre outras coisas.
Quando dois amigos chegados são nomeados Directores Gerais de qualquer coisa no mesmo mês e a minha maior preocupação laboral é que me esqueci do carregador da Nintendo em casa e agora vou perder os avanços no Super Mario Bros (já ía no nível 4, ok?).

(Isso e que desculpa suficientemente convincente dou para me baldar à festa de Natal da empresa que está marcada para Sábado e é coisa para durar o dia inteiro - na manhã seguinte ao tradicional jantar de Natal dos amigos e que é coisa para durar até ao início da festa de Natal da empresa).
12.16.2008


Gostei muito. Também gostei que o meu Amigo me conhecesse o suficiente para acertar num presente para mim, logo de caras. Logo eu que quanto melhor conheço os homens, pior os entendo (o que não é o mesmo do que dizer que vou passando a gostar menos deles, ou a ter menos pachorra).

(ao meu Amigo, Parabéns de novo, é mais do que merecido)
12.15.2008


diz o João - vi um filme e lembrei-me de ti, o "deserto vermelho".

Não faço ideia do que fala, mas vou imaginar que foi pelas minhas enormes semelhanças com a Monica Vitti.

(era bom, era)
que já retiraram a campanha da Triumph da rua. Nada contra a Claúdia Vieira, bem gira a miúda. É a campanha em si que me transtorna. Quem é que se quer lembrar que é dona-de-casa quando está a comprar lingerie?
Pessoas que criaram a campanha e pessoas que aprovaram a campanha, querem ver comunicação fabulosa? Olhem para aqui.
12.12.2008


foto my funny eye

Churros com chocolate quente.
A maioria das pessoas não tem noção.
12.11.2008
Será que o rapaz da loja da Nespresso já me reconhece, da quantidade de vezes que lá vou tomar cafés gratuitos?
Não recomendo o de tangerina, mas o de caramelo é óptimo.

*para mim.
Aliás, eu vou fingir que é hostil, porque a minha vontade é que alguém pegue nisto e o torne numa coisa legível, com interesse e piada que a minha verve há muito se foi (juntamente para a pachorra para tudo o que me rodeia).
Acho mesmo que vou propôr à minha filha que me faça o take over da coisa em troca de algumas alcavalas (uma caixa de pastilhas deve chegar), afinal a miúda até tem jeito para a escrita e um ego tão grande como o meu - mãe, quando tiver uma rua com o meu nome, se puder optar entre um beco e uma avenida, vou escolher a avenida - realmente também não vejo interesse em almejar insignificâncias.
12.10.2008
Quando vou a uma casa de banho pública imagino sempre, mas sempre, que há uma câmara escondida.
Sentei-me no café depois de deambular por lojas. Quando verifiquei as horas faltavam oito minutos para ter de voltar à secretária. Queria que estes oito minutos fossem elásticos e infinitos, queria agora ficar à conversa com a minha mãe a tarde inteira sem olhar para as horas, queria poder voltar a entrar na loja do lado e tocar em todos os lápis Viarco e cadernos vintage, queria ter tempo. Tempo para folhear todos os livros de fotografia da Bertrand (sim, a Fnac pode ter mais mas a Bertrand é mil vezes mais bonita e menos atafulhada de pessoas), tempo para trazer a minha filha ao Chiado, tempo para ir os ir buscar cedo à escola.
Por isso, querido Pai Natal, se puderes adicionar à minha lista - junto com a viagem a Moçambique e escala nas Seichelles, viagem à Disney Paris, Mac Book Pro de 18", curso de fotografia, botas pretas - um balde de tempo, era maravilhoso. Obrigada.
12.09.2008
Através de testes.


Liberal
Os liberais/libertários entendem que as pessoas são iguais em direitos e que o governo toma muitas decisões que deveriam ser tomadas pelos próprios indivíduos. Diferentes dos conservadores de direita, os liberais acreditam que a moral não deve ser imposta pelo governo, mas que as pessoas devem ser livres para buscar a verdade e a felicidade, pois uma ação só pode ser verdadeiramente virtuosa se decorrer da livre escolha. E, ao contrário da esquerda, os liberais entendem que, numa economia livre do protecionismo estatal, o lucro de uma pessoa corresponde à satisfação da necessidade de outra, gerando prosperidade para toda a sociedade.



(* nem sabia que tinha uns...ando a apanhar com lavagens cerebrais há 14 anos e agora dei nisto).
e nem é isso que me chateia, é o facto de eu ter previsto a coisa de tal forma que vim preparada para isso porque já calculava que fosse acontecer (embora nunca tenha acontecido antes).
Eu quero a minha ingenuidade de volta.
Apanham as coisas do ar não sei muito bem como. Há muito que deixei de ser criança, não sei como é ter o potencial de aprendizagem no máximo.
Vejo que ele escreveu koala numa folha mas não sabe como nem porquê, assumo que tenha visto escrito na televisão um programa de coalas e a palavra tenha ficado cravada na memória à espera de ser transcrita para um papel sem razão nenhuma, sem esforço, glória ou mérito.
No outro dia a propósito de não sei quê ouvi-a exclamar bem, eu não fazia isso nem por nada, nem que me dessem um apartamento em Nova Iorque e penso, para que quer uma miuda de 9 anos um apartamento em Nova Iorque, o que imaginará ela de Nova Iorque - o sonho é estudar na Parsons School of Design (NY) e ter a casa refeita pelo Ty (Extreme Makeover), de preferência com piscina e campo de jogos (se calhar, em NY) - tudo coisas que vê na televisão e nem vê tanta televisão como isso.
E então preocupa-me mais ainda, que coisas apanharão comigo, com o meu péssimo feitio neura constante chorrilho de asneiras só para tirar o carro de manhã, no que estarei eu a torná-los, os meus meninos pequeninos e quero um concealer para a alma, que não me possam ver ler entender e pensem que está tudo bem que podem ser felizes e rir à vontade, este ano até teremos árvore de Natal mesmo que o Natal seja bipartido e estilhaçado como nos dois anteriores e que acreditem vai correr tudo bem.
12.05.2008
tenho o cabelo às ondas (revelação verdadeiramente ESPECTACULAR, eu sei).

Eu não gosto de ter o cabelo às ondas.

Descobri um blog engraçado de uma miúda. Tenho a certeza que achei engraçado por me identificar tanto com ele e fiquei com saudades das minhas fotografias. Não é que tenha deixado de gostar das fotografias é que aqui no emprego não consigo ver nada - PC bloqueado até ao Flash e monitor de 11'' - e em casa não tenho tempo e estou demasiado cansada.

Estou bloqueada e às ondas por fora e lisa e vazia por dentro.

Sei como cheguei aqui mas não faço ideia de como vou sair e quero como as outras pensar que vai aparecer alguém que me vai salvar um emprego maravilhoso com um monitor de 18'' o euromilhões e tempo para os meus filhos empregada todos os dias viagens uma casa e um carro novos e caramba assim de repente todos os meus sonhos ficaram reduzidos a coisas materais e eu podia ter vergonha disto mas a verdade é que penso "ainda bem" porque toda a gente sabe que os sonhos materiais são os mais fáceis de realizar desfazer ou trocar por outros.
12.04.2008
Pela manhãzinha, de papel na mão e ar de desespero:
-Porque é que eu tenho de andar sempre atrás da mãe para me assinar um mero papel?

(isso ou estou a criar a criança de 9 anos mais responsável do mundo).
assim por ondas. Ou se acontecem porque sim e só reparamos nelas quando nos dizem alguma coisa. Sou muito pouco crente em coisas do destino. E no entanto, extremamente preserverante naquilo que quero como destino. Ainda que essa preseverança se traduza em nada (porque também sou muito cobarde).
Mais do que agir teimosamente em função do que quero, ocupo-me preguiçosamente a não desejar mais nada.
Basicamente, isto que a Vieira escreve tão melhor do que eu alguma vez conseguiria (também vim a ouvir essa música no carro, a viagem toda a lamentar-me por ser assim - o que não passa de uma estupidez, é o mesmo do que queixar-me por ter olhos castanhos e não verdes ou 1,65 m e não 1,75 m de altura).
12.03.2008
[...]o anão do sarko vem da linhagem do bonapartismo gaulês. querem, podem e mandam. logo, o que o tornou "sexy", tanto quanto um gajo que só lê a bola poderá averiguar, foi, justamente, o casamento com a carla. a partir desse momento, a sua alcunha de "presidente bling bling", com que a inefável imprensa francesa o apelidava, elidiu-se nas brumas da sobriedade que a senhora bruni lhe impôs. até politicamente. senão, vejamos: aquela coisa de ser o enfant terrible da europa, qual mexilhão que mexe em tudo, abrandou, e passou a uma liderança mais sofisticada e, presumo, eficaz.o ponto de viragem terá sido a faustosa viagem do casal presidencial à old britannia, onde a madame bruni-sarkozy exibiu uns elegantíssimos vestidos e sapatos prada e afins. (mas que digo eu, não percebo nada de traparia)[...]

O anão Sarko representa aquilo que vocês homens gostam de ver em vós próprios, valida o conceito "os homens não se querem bonitos" ou "importante é a conversa, desde que eu tenha conversa conquisto qualquer uma, mesmo uma top model italiana". Ora lamento, mas não é bem assim. Parem de olhar para ele como se fosse o salvador da pátria, o homem é um palhaço, acontece que até alguns palhaços têm sorte.

[...]o bourbon é um tótó. percebo tanto o encanto do príncipe como o poder sedutor que atribuem ao santana lopes [...]

Acredito que seja um totó, mas é um totó giro, com charme. Não há melhor.
O Santana está mais para Sarkozy do que para Filipe: palhaços com a mania que têm piada (pelo Sarko não posso falar, mas já almocei ao lado do Santana e tive o desprazer de reparar que para além de palhaço é babão. E essa é a espécie mais rastejante de homem que pode haver).

[...]o amado é um beto, com penteado à f****, com uma política de xoninhas e de acocoramento face às mais atrozes ditadurazecas do planeta - há quem lhe chame realpolitik[...]

Trasanda a charme esse homem. Como político, parece realmente estar-se um bocado nas tintas. Mas quem não estaria com o governo que temos (e com o chefe de governo que temos).

[...]o passos, terá a sua graça. tem imagem e, sobretudo, voz. um timbre de tenor, que, se se rodear das pessoas certas, o podem levar longe. talvez se não exibisse uma pose tão institucional, apenas ligeiramente, colhesse mais resultados.[...]
o nuno melo não percebo. no fundo, no fundo, obama rules.

Também não posso explicar o Nuno Melo, é giro. Vamos dar esta por empate com a Diana Chaves: para mim é uma miúda com arzinho de sopeira, para vocês é uma tipa toda boa que entra nas novelas e usa vestidos por onde se pode, eventualmente, espreitar a lingerie.
Os americanos parece que também acharam que o Obama rules. Veremos.
Para quem não tem tempo nem paciencia para as compras de Natal (como eu e 99,9% das pessoas do mundo)

(ou ainda hei-de entender porque deixámos que o Natal se tornasse neste tipo de sacrifício comercial).
12.02.2008
situa-se ali algures num troço da 2ª circular, de um lado o estádio com o maior número de energúmeros do país, do outro a aberração arquitectónica a que chamam Colombo, à frente e atrás trânsito insuportável, qualquer dia da semana, a qualquer hora.
O amor maternal é uma coisa muito bonita, ai do próximo que tentar insinuar que não faço sacrifícios suficientes pelos meus filhos, leva logo com a descrição pormenorizada duma manhã a percorrer os corredores da aberração à procura de uma coisa muito específica para oferecer aos miúdos (o sacana do fato encarnado leva com os créditos todos, o trabalhinho fica para nós) tendo de escutar, entre outras pérolas, conversa de empregadas de loja - nos anos 70 usavam-se cai-cais? ah não sei, não percebo nada de História - seguida por uma discussão acesa com um neandertálico de cachecolinho encarnado ao pescoço que assumiu que eu teria que "dar a volta" a um parque de estacionamento para que ele pudesse entrar em contramão e estacionar no meu lugar (guardo com algum carinho a expressão boçal do homem "vai dar a volta, A VOLTA", aquilo se é apanhado pela Quercus já não o largam, tem de consistir espécie em vias de extinção) quem me manda enfiar num parque de estacionamento do estádio em dia de jogo, talvez tenha algo a ver com o facto de eu não imaginar NEM QUERER SABER se havia jogo ou não
12.01.2008
A melhor parte do fim de semana sem crianças é a ausência total de rotinas e obrigações. Não consigo explicar bem porquê mas o facto de ter de comer a certas e determinadas horas uma certa e determinada comida é qualquer coisa que me tira automaticamente o apetite, razão pela qual estou sempre magra.
No domingo acordei meia zonza e não tomei o pequeno almoço, bebi café. Uma hora depois estava a horrorizar a amiga que dormiu comigo* ao comer camarões al ajillo que tinham sobrado do jantar da noite anterior e amendoins picantes de sobremesa (almoço? brunch? who cares). À hora do lanche comi um hamburguer - não consigo determinar se me apetecia ou se queria marcar algum ponto especial na permissividade alimentar que tão raramente me é permitida.
Ao jantar horrorizei mais algumas amigas com a descrição do meu percurso alimentar desse dia. Pelo menos antes de uma delas se lembrar que há uns quatro anos e dois filhos atrás comia feijoada ao pequeno almoço. Pois.

*não pretendo justificar, imaginem o que quiserem.
11.29.2008
A minha escolha pessoal:


Nacional:
Nuno Melo (CDS)
Pedro Passos Coelho (PSD)
Luis Amado (PS)

Internacional:
Filipe de Burbon
Obama
11.28.2008
So many people, so little space.
Ou começo a compreender as pessoas que detestam o Natal.
Eu não detesto o Natal, mas tenho de detestar a aglomeração de pessoas, as filas para pagar em todo o lado, os encontrões.
A minha amiga veio de Maputo e diz que já não está habituada a tanta gente num mesmo sítio. Diz "vocês vivem assim com este desconforto e nem se apercebem que não há privacidade nas mesas de restaurante, que não há espaço para respirar, que é incómodo estar de pé no Inverno com frio e chuva na rua quando se sai à noite" e tenho de lhe dar razão, nós vivemos com este desconforto e achamos normal, como achamos normal haver filas e encontrões em todas as lojas durante um mês por ano, e nem nos damos ao trabalho de tentar descobrir se há sítios onde não existam filas, seguimos directamente para o IKEA e para o Allegro, o desconforto, a falta de espaço e de tempo também são coisas que achamos muito naturais como se fosse normal viver sem espaço e apertado e à espera de lugar em todo o lado.
que era uma pessoa interessante. Não acreditaram?
O Philip Seymour Hoffman é meu facebook friend.
11.27.2008
Surpreendente, eu ser a pessoa que ela escolheu para fazer um documentário? Nem por isso, apesar de poder não parecer por aqui, eu sou uma pessoa mesmo muito interessante.
Então pede-me que lhe envie umas fotografias minhas de quando era miúda..."antigas, analógicas". De onde é que ela pensou que eu iria sacar fotografias minhas em miúda com formato digital?
a pedido do meu Amigo.
Ou há poucas coisas que os meus amigos me peçam e eu não faça. O que implica por vezes fazer coisas estúpidas. Siga.
11.26.2008
Eu sou tão radical-não-quero-meninos-na-minha-cama-à-noite mas o sono tira-me a genica para ralhar e às vezes acordo com um ou dois na minha cama.
Está no meio das duas e enrola o nosso cabelo, uma madeixa em cada mão, como faria com o próprio caso não o tivesse rapado.
Está no meio e quando acorda diz - linda - e aponta para mim e em seguida diz - linda - e aponta para ela.
Pergunto-lhe se só está a dizer aquilo porque quer que nós gostemos mais dele e ele não nega, ri-se e encolhe-se mais dentro do edredon para que eu não veja que se está a rir.
Encolho os ombros - o teu irmão tem perfil de político - eu que odeio isto nos homens, a dissimulação.
E ela aterrorizada, careta de enjoo - mãe que nojo ele vai falar e só dizer aquelas coisas secantes que ninguém entende, que nojo.
E sei que ela não lê o blog mas são os genes, não enganam, qualquer dia é ela que escreve estes posts e começo a dar razão quando me dizem "igualzinha a si".
11.25.2008
Claro que o Darwin é um truque de ilusionismo. O próprio Darwin descreveu a evolução em condições muito específicas de sobrevivência (para o ser humano, seriam campos de concentração por exemplo).

A maior parte das relações é gerada no momentum: o momento em que duas almas estão suficientemente desesperadas de solidão para se reverem uma na outra como gémeas.

Os problemas começam quando o desespero desaparece (pelo menos numa das partes) e em que nos apercebemos que o romance é só uma variante do consumismo*: assim que alguma coisa se torna nossa, perde a piada toda e temos de ir comprar uma nova.

* e é mesmo, a componente orgânica da coisa tem o mesmo fundo, libertação de hormonas que provocam bem estar e merdas dessas.
11.24.2008
Eu e minha miúda viemos aqui e saímos assim:




(estamos com um bronze fenomenal, não estamos? Era bom era)
Vou procurar livros a uma estante em casa dos meus pais e reparo na mesa de cabeceira da minha mãe: uma pequena torre de livros ergue-se em direcção ao tecto num equilibro precário. Parece-me que desde a última vez que olhei para aquela mesa de cabeceira a torre era ligeiramente menor. Espreito a lombada dos livros para confirmar aquilo que imagino, estava certa, a maior parte do volume da torre corresponde a três calhamaços do António Lobo Antunes.
Pelo menos um deles sei que o vi nas férias do Verão de há dois anos, e sei isto porque também eu fiz uma tentativa de o ler e desisti. O que significa que, pelo menos aquele, a minha mãe está a tentar lê-lo há cerca de ano e meio (os outros se calhar há mais tempo). Tenho de admirar a minha mãe. Eu também não consigo ler aquilo (para depressões bastam-me as minhas obrigadinha) mas ao menos ela continua a tentar.

*devidos direitos de autor ao Arcebispo da Cantuária.
11.22.2008
A Maria Inês, do Lisbon Story passou-me o desafio: “colocar uma foto individual; escolher uma banda/artista de eleição; responder às perguntas com títulos de canções da banda/artista escolhido; e desafiar 4 bloguistas para passarem a outro e não ao mesmo”.



Pesquisei no Pod e escolhi Kings of Convenience (qualquer coisa que não oiço tanto como devia como se torna evidente pelo meu mood presente).

1) és homem ou mulher? Toxic Girl
2) descreve-te: The Weight of my Words
3) o que as pessoas acham de ti? I Don't Know What I Can Save You From
4) como descreves o teu último relacionamento: Failure
6) onde querias estar agora? Leaning Against The Wall
7) o que pensas a respeito do amor? Parrallel Lines
8) como é a tua vida? Little Kids
9) o que pedirias se pudesses ter só um desejo? The Girl from Back Then
10) escreve uma frase sábia: Winning A Battle, Losing The War

Passo para:

Catarina
(a minha princesa)
João (o melhor arquitecto do mundo)
Rita (quando for crescida quero ter metade da tua energia)
Ervilha (pausa-do-trabalho-para-responder-à-clarinha-sim?)
11.21.2008
Ontem queixei-me acordei para a vida enervei-me e no fundo regozijei-me por este período ter acabado. É só uma fase tinha dito o meu amigo.
Ontem não almocei sozinha a máquina de café ficou arranjada o iPod desbloqueou o meu outro amigo já não está acossado.
Hoje estou com a maior neura e almocei mesmo sozinha tive de desmarcar um jantar com amigos continuo no mesmo buraco de ontem mas com maior lucidez. É só uma fase disse o meu amigo, e eu quero que esta tenha sido só uma breve interrupção dessa fase.
Porque ontem eu não entrei no metro manhã cedo já só a reparar nas pessoas feias e que falam tão alto algumas cheiram demasiado a perfume outras demasiado a falta de banho se calhar não têm casa de banho coitadinhas eu quero lá saber das desgraças dos outros deixem-me viver na ignorância.
Ontem eu quando subi as escadas rolantes da Baixa-Chiado não tinha um homem parado à minha frente com uns sapatos abertos atrás como chinelas e calças brancas e como isto me irritou tanto que subi pela escadaria normal mesmo sabendo que demorava mais e me cansava o dobro. Ontem eu não tinha entranhado no nariz o cheiro das pessoas com banhos a menos parecendo colado a mim talvez nem tenham casa de banho coitadinhas para desgraças bastam-me as minhas não preciso de mais obrigadinha e não tinha lido esta notícia nem ficado com vontade de vomitar chorar gritar morrer porque o mundo inteiro não passa de uma enorme cloaca deixem-me viver na ignorância de tudo.
Sou uma mãe pouco liberal. A minha filha é uma menina exemplar que rebenta ocasionalmente em birras explosivas, lembro-me de uma "as minhas amigas dizem que a mãe é muito estranha, não me deixa usar bikinis, nem bonés, nem ver os Morangos com Açúcar!". Agora vê os Morangos com Açúcar, em alguma coisa tenho de ceder.
À hora do almoço vi parcialmente um programa na MTV chamado "Date my mom". É um daqueles em que um/uma escolhe entre três rapazes/raparigas para sair num date, baseado numa saída com a mãe.
Comecei a ver na mãe 2, a senhora saiu com um rapaz para que este escolhesse o seu filho. No final do date com a mãe, pergunta o seleccionador "porque hei-de escolher o teu filho e não um dos outros?" - ao que esta responde, laconicamente - "porque terás a melhor noite da tua vida, ele tem um pirilau (sic) enorme". Chega a mãe 3, mini saia, bronze instantaneo, cabelo pintado de loiro, define-se "às vezes sou casada mas agora não e só quero é divertir-me". No date mãe/seleccionador, fazem pinturas corporais e ela exclama várias vezes "tens a certeza que és gay? É que não tiras a mão do meu rabo (sic)" e "apalpas-me como se não fosses gay". Esta mãe queimou as hipóteses do filho ao dar repetidas vezes a entender que ele era extremamente efeminado, depois do outro ter dito várias vezes que gostava do tipo másculo (Freud explicaria).
Preciso de dizer quem foi escolhido? O 2, claro, o que um bom marketing não faz.
Preciso de dizer porque é que a MTV estará banida das televisões lá de casa?
Quando me vier com a história "as minhas amigas dizem que a mãe é muito estranha, não me deixa usar bikinis, nem bonés, nem ver MTV", compro-lhe um bikini.
11.20.2008


foto Peter Stackpole


Ou, no mínimo, o único que conseguiria vestir aquela indumentária e ainda estar de cair para o lado.

(amanhã acabo de ver o livro, acho)
Conheço a Catarina há cerca de 150 anos e o ano passado falou-me deste seu projecto.
Pediu-me que lhe fizesse o site, eu aceitei.
A oferta continua de pé (embora o blog também esteja muito bem), estou certa que tens o meu número.
Já a vinha sentindo há algum tempo, começou por uma leve impressão nos dedos dos pés que foi subindo insidiosamente, quase sem se fazer sentir, pois essa é a característica da dormência, não deixar sentir.
Não posso dizer que foi mal-vinda. Há qualquer coisa de tranquilo na dormência, na ausência de pânico, no encolher de ombros sistemático.
Mas comecei a ficar cansada e então o meu amigo disse tens de arranjar um sentido qualquer para a tua vida. Um sentido. Reparo no pequeno caos que se foi instalando à minha volta, nas roupas dos meus filhos que já não lhes servem, no aspirador que se avariou, nos projectos que tinha e que fui deixando de ter.
Almocei com um outro amigo no outro dia, aconteceu-lhe uma coisa desagradável. Fico furiosa quando coisas dessas acontecem aos meus amigos. Coisas que saem fora do falta de dinheiro amor tempo sexo vontade de tens de arranjar um sentido qualquer para a tua vida há alguém que o ameaça, que o faz sentir acossado estupidamente.
O meu iPod caiu ao chão e está avariado tens de arranjar um sentido qualquer para a tua vida e de repente essas duas coisas que me são preciosas, o meu amigo acossado e o meu iPod avariado são uma única coisa que me acorda tens de arranjar um sentido qualquer para a tua vida sinto subir uma fúria tens de arranjar um sentido qualquer para a tua vida e apetece-me bater na pessoa que acossa o meu amigo, apetece-me espezinhar o iPod tens de arranjar um sentido qualquer para a tua vida tenho sono e a máquina do café não funciona foda-se tens de arranjar um sentido qualquer para a tua vida subi de novo as escadarias da Baixa-Chiado foda-se hoje almoço sozinha foda-se a luz da falta de gasolina já se acendeu no tablier foda-se a mensagem que tinha de mandar ontem a uma amiga não foi processada por saldo insuficiente foda-se ainda nem recebi o salário de setembro foda-se tenho um emprego que não gosto foda-se tenho de arranjar um sentido qualquer para a minha vida.
11.19.2008
Logo a seguir a ter publicado o post abaixo dois amigos vieram perguntar-me - um por sms, o outro por msn - a quem me estava a referir em concreto.
Não é que estivessem interessados nas personagens, queriam os links das mamas ao léu.

(suspiro)

Eu vou procurar muitos muitos e depois publico aqui, prometo.
Custa-me um bocado ler homens que considero inteligentes, informados e com algum bom senso quando começam a escrever sequências de posts babados sobre tipas boas ou começam a repetir links para blogs de mamas ao léu e assim. Eu sei que deste/outro lado estão seres humanos normais, somos todos adultos e alguns de nós gostam de sexo. Só que quando leio esses posts acabo por verificar que esses homens - que admiro pela escrita e pelas ideias - não passam de babões e isso não deixa de ser uma pequena desilusão. Não por serem homens normais, mas por não mostrarem pejo em exibir essas fraquezas de forma tão pública. E é que assim não passam da cepa torta, poucas coisas são menos atraentes para uma mulher do que um tipo a fazer figura de tarado obcessivo.

(não estou a incluir o Miguel Marujo, por razões que me parecem óbvias).
(não consigo decidir se é meio cheio ou meio vazio, realmente, não vejo objectivo em voltar a tentar).
De repente entender que no meio dessa liberdade está uma enorme preguiça em mudar alguma coisa, em arriscar, o que pode implicar ficar exactamente no mesmo ponto para sempre (e, não sendo necessariamente mau, também não é necessariamente bom).
De repente perceber a enorme liberdade que é, nenhuma pena inusitada, perda de sono, nenhuma ansiedade a olhar para o telemóvel ou a abrir o email ou a fazer seja o que fôr.