esse caminho pela última vez.
É o recreio da escola e poucas são as vezes que aqui vim, normalmente não somos (pais) autorizados a entrar aqui, não me fará falta.
Mas a ela sim. Arrasta os pés e obriga-me a arrastar os meus para a acompanhar. Penso se estará a tentar fixar cada baloiço, cada degrau do escorrega, o toque das mãos no plástico da barra. Imagino que inspire com força tentando guardar na memória aquele cheiro, cheira a ar fresco e a detergente.
Talvez nada disto lhe passe pela cabeça.
Quero saber se está triste por deixar os amigos e a escola mas não me responde. Hesitou muito em sair da sala mas agora parece não querer saber de nada e só obrigada se despede dos dois melhores amigos, secamente "Adeus André", "Adeus Inês".
Penso em como tudo isto deverá ser custoso mas não derrama nem uma lágrima, se calhar como eu, que estou cheia delas (por dentro).
É este o caminho e não há outro, olhando para trás não há chão onde pisar e a única opção é seguir em frente, sempre.