7.21.2007

Há qualquer coisa de sádico

nos paizinhos e mãezinhas*. Quando têm um filho, enquanto não convencem todos os que os rodeiam que aquilo é a 8ª maravilha do mundo não estão satisfeitos.
A verdade é que misery loves company e nenhum pai quer é ser o único do grupo a não dormir de noite, não ter um fim de semana descansado a ler os jornais e ver-se forçado a repetir os mesmos programinhas infantis vezes infinitas. Então quando finalmente descobrem que mais algum conhecido vai procriar, desfazem-se em "Parabéns, que bom!" e outras saudações efusivas que na realidade não passam de uma genuína manifestação de alegria por já não serem os únicos sacrificados e terem algum adulto com quem compartilharem as inúmeras horas a empurrar um baloiço.
Depois com o segundo filho, de novo. "Ah com dois é que vai ser, que giro, os miúdos a brincarem juntos e assim", quadro enternecedor. Mas, esquecem-se é de contar que 99% do tempo que os miúdos passam juntos estão à estalada e que para além das noites mal dormidas, fraldas, compras, horas a empurrar o baloiço ainda passam todo o restante tempo livre a arranjar estratégias de pacificação fraterna quase sempre muito mal sucedidas. Ao fim de um ano daquilo questionamos seriamente a opção de ter tido o segundo e começamos a pensar se será o terceiro que irá salvar a coisa...(não posso garantir, mas parece-me que não, que a tendência será piorar e que resta encolher os ombros e pensar nesses maravilhosos anos em que atingirão a idade adulta).

*obviamente que me incluo no grupo.

7.20.2007

Já repararam

que não tenho a sempre tão irritante Blogger nav bar? (A barra lá em cima de tudo que serve para flagar e outras coisas do mesmo calibre). Se quiserem tirar a vossa, perguntem-me como.

7.17.2007

A multiculturalidade é uma coisa muito bonita

ontem só por estar sentada ao lado da minha irmã descobri que uma "sleeve" é uma tatuagem que cobre o braço todo até ao ombro.

Depois de me queixar

inúmeras vezes dos sentidos do trânsito no Porto, toma lá com a Estrada de Benfica, faixas exclusivas de Bus a alternar de 20 em 20 metros com faixas normais (tipo trial mas em estrada).

E os aviões a ameaçarem arrancar o capot do carro das 4 vezes por dia que passo na 2ª circular também é bom.

7.16.2007

De vez em quando

ficamos com qualquer coisa atravessada. Oh, somos adultos, vivemos diariamente com coisas atravessadas, sabemos que é normal viver com um bocadinho de sofrimento dentro de nós (como é viver com um bocadinho de alegria, de tédio, de entusiasmo e por aí fora). Mas.
De vez em quando há umas coisas que ficam mais atravessadas do que outras. Não sei porque se insinuam perfeitamente fora de contexto. Porque aparecem quando o espírito está desocupado, ou ouvimos uma música, um cheiro, uma voz. Mas.
Mesmo sabendo muito bem que essa coisa (vontade? Desejo? Coisa.) não tem hipóteses de concretização, aparece-nos e vamos rolando, mastigando como um rebuçado doce, um bocado amargo, algo picante, rolando mesmo que não vá passar disso mesmo, um rebuçado que deixa um sabor a "o que poderia ser" na boca, nada de grandes mágoas. Mas.
Talvez esse rebuçado sirva no fundo algum propósito, algo um bocadinho oculto, é bom termos partes de nós que os outros não conhecem, que não nos apetece explicar. Ou então não, não serve para nada nem tem qualquer forma de intenção, limita-se a acontecer, a poisar devagar, a entardecer (Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia/Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia*).

*do poema do Ary dos Santos que conheci numa música do Carlos do Carmo e é lindo, lindo o poema. Resto aqui.

Das eleições

acho que há para aí uma lei qualquer que não permite em locais de voto a propaganda eleitoral em dia de eleições. E estarem dois rapazes de cabeça rapada, botas cardadas e calças da tropa não conta como tal?

O PNR ultrapassou o Manuel Monteiro nos resultados (e porque é que isso não surpreende ninguém?).

Ser independente é que está a dar (se assim não fosse eu nem teria saído de casa para votar e a abstenção cá em casa seria de 75%, assim sendo ficou-se pelos 50%).

Aquela gente que enfiaram no hotel Altis para fazer número, vindos da Arrentela e coisas do género e que não sabiam bem o que estavam a fazer em Lisboa também tinha piada.

7.15.2007

Dos dias cheios

Cheio de trânsito logo pela manhã a caminho da praia. Cheios de sol, a horas impróprias para estar na praia, cheios de sal, de mar a invadir a areia e as toalhas.
Cheios de risos de 5 miúdos, 2 meus, 3 dela, cheios de pinos e rodas e mesmo de uma coreografia, cheios de convites para o espectáculo ("queremos fazer uma coisa privada"). Cheios de gritos e correrias, de paus para fazer o almoço com as laranjas bebés.
Cheios de conversas.
Cheios de vento e de encontros mais ou menos previsíveis.
Cheios.

7.13.2007

Um bocado abandonado

é o estado deste blog.
Até pode não parecer, mas mastigo as palavras antes de as entornar para aqui, sem grande vontade. Falta de inspiração, de tema, aborrecido como a minha vida agora está. E se calhar até me devia dar por contente (naquela do "antes isso do que coisas piores") mas o tédio não se coaduna comigo, eu aborrecida sou ainda mais insuportável do que as crianças a perguntarem no carro "já chegámos? Falta muito?"

7.12.2007

Raios partam

a porcaria da campanha eleitoral. Entre ontem e hoje tive que explicar o que é fascismo, Bloco de Esquerda, quantos candidatos há no "bloco de direita", em quem é que a avó, o avô e a tia vão votar, o que é corrupção...

Se

soubessemos que hoje era o último dia em que veríamos alguem de quem gostamos, o que faríamos?

Se

soubessemos que hoje era o último dia da nossa vida, o que faríamos?

7.11.2007

Nos

Sims, criou uma família semelhante à nossa. Tinha mesmo o nosso apelido e os nossos nomes. Mas porque por alguma razão não tratou bem da mãe (eu), ela morreu. A tristeza dela era evidente, não pela mãe ter morrido mas porque "agora o que vai acontecer com os filhos? Não vão ficar bem".

Isto durou uns 3 segundos até criar uma nova família.

7.10.2007

Que a família não se escolhe,

já se sabe. É uma questão de sorte, azar ou lá o que seja.
Mas ainda me faz muita confusão porque é que no meio de tantos genes partilhados, de um meio comum, de uma educação semelhante podemos darmos-nos tão mal com algumas pessoas da nossa família.
Parte da razão para isto poderá ter algo a ver com essa cerimónia que fazemos com os amigos e que perdemos totalmente com algumas pessoas da nossa família mais próxima.
A pessoa com quem melhor me dou não partilha genes comigo, tem uma maneira de ser quase oposta à minha e no entanto pensamos quase da mesma forma.
A pessoa com quem pior me dou partilha todos os seus genes comigo, tem um feitio não muito diferente do meu mas pensamos de forma totalmente oposta.

Vai ser um longo Verão.

7.09.2007

Estrangeira na minha própria cidade

alguém me explica o que significa "carris sustentável" que os autocarros tão orgulhosamente apregoam e quanto é que custou afinal o cartaz da Roseta?

Olha,

já que não sou única em nada, que seja a única do mundo a não gostar odiar maltesers.

Na fila

para o almoço de Domingo na Gulbenkian, lendo a única coisa disponível (página de classificados do DN sacada de uma mesa de jornais no jardim), concluo: as meninas/senhoras das massagens e afins moram todas em Telheiras ou em Benfica.

7.06.2007

Mantendo o mistério




via a beautiful revolution

Eu hoje devo estar irresistível

porque num percurso de menos de 500 metros, duas mulheres atiraram-se para cima de mim, assim impulsivamente, sem pensarem na coisa.

7.05.2007

A um dia do sarau

da ginástica rítmica, lesionou-se num pé, claro. Da quantidade de vezes que se atira para as paredes e faz pinos nas garagens e no meio da rua.

De tanto treino e desejo de perfeição, "vou enfrentar a dor, a dor que se queixe."

Do titulo da musica aí ao lado

como será dissolvermo-nos? Acontecerá muitas vezes? A todas as pessoas, ou só a algumas?
É sentir o corpo dividir-se, primeiro em células, depois em moléculas, depois em átomos. Por fim já não ser, ser energia que se espalha sem decidir por onde. Ser uma onda de som, um pequeno terramoto interior no corpo de alguém, um arrepio.
É só isso que imagino que nos aconteça depois de mortos.

E agora que volto para casa

seguindo recomendação da minha super-hip-mom, já subscrevi.
Carreguem no link e vejam bem se está lá "Porto" escrito em algum lado.

7.04.2007

Quando

acaba um blog de que gostamos ficamos um bocadinho órfãos. Quando acaba um blog onde escrevemos ficamos muito órfãos. Se se trata de um blog colectivo, ficamos órfãos com o irmãos espalhados e sem saber de alguns deles.
Entre ontem e hoje reencontrei duas "irmãs", a comoção é muita, que bom poder ler-vos de novo (que isto às tantas é quase uma aldeia onde somos todos parentes, uns mais afastados, outros que nem podemos ver à frente, e claro, os que são a nossa família mais próxima).

7.03.2007

Como descrever

é a dor dos músculos retesados pelos gritos calados, pela raiva surda que faz zumbir os pensamentos. É querer desatar a correr sem parar nunca, sem querer saber em que direcção, até os músculos aguentarem sem colapsarem.
É apenas não querer estar aqui (nem em lado nenhum no fundo), não querer saber de nada, de ninguém, de nunca.
É não querer ser, esperar, ficar, agir, correr, parar, dormir, acordar. É no fundo não querer nada a não ser que isto passe e, já agora, depressinha sim?

Ah, também tenho para dizer

(e esta vai-me ficar um bocado mal mas pronto), mais dois dias disto e estou pronta a atirar-me da ponte da Arrábida.

Só me soa dizer que

AQUI CHOVE SEM PARAR (e eu queria ir à praia).

7.02.2007

A uma semana

de acabar o período de clausura. A uma semana de voltar para casa.
Uma amiga disse-me "é o princípio do começo" e, ao mesmo tempo, quero acreditar nisso e tenho medo de acreditar.
Não faço ideia para onde vou e tenho duas pessoas que dependem de mim para tudo. Ao mesmo tempo penso que agora que bati com os pés no fundo da piscina, depois de ter mergulhado de uma prancha mais ou menos alta e trazendo-os de arrasto, o único caminho é para cima. Mas nem isso sei, se bati no fundo ou há ainda mais profundidade na piscina

6.29.2007

Percorro com ela

esse caminho pela última vez.
É o recreio da escola e poucas são as vezes que aqui vim, normalmente não somos (pais) autorizados a entrar aqui, não me fará falta.
Mas a ela sim. Arrasta os pés e obriga-me a arrastar os meus para a acompanhar. Penso se estará a tentar fixar cada baloiço, cada degrau do escorrega, o toque das mãos no plástico da barra. Imagino que inspire com força tentando guardar na memória aquele cheiro, cheira a ar fresco e a detergente.
Talvez nada disto lhe passe pela cabeça.
Quero saber se está triste por deixar os amigos e a escola mas não me responde. Hesitou muito em sair da sala mas agora parece não querer saber de nada e só obrigada se despede dos dois melhores amigos, secamente "Adeus André", "Adeus Inês".
Penso em como tudo isto deverá ser custoso mas não derrama nem uma lágrima, se calhar como eu, que estou cheia delas (por dentro).
É este o caminho e não há outro, olhando para trás não há chão onde pisar e a única opção é seguir em frente, sempre.

Mais um dos lamechas

Ty foi o nome que escolheu para ele próprio quando lhe perguntei como gostaria de se chamar e vem desta série, claro.
Nos últimos dois dias brincou mais com bonecas do que a irmã em toda a vida dela e acho lindamente (ou não teria escrito este post). Se o pai descobre salta-lhe a tampa.
Mas que não se preocupe, o pai, os bolsos ainda saem de casa atafulhados de peões e lançadores, e são as motas que tem que ir buscar quando invariavelmente saímos atrasados de casa e ele (invariavelmente) se esquece de "uma coisa", mesmo que anteontem tenha tomado banho com dois bebés. A palavra que mais vezes profere é, ainda, "matar!".
Aos 3 anos faz muitas, imensas birras. Ontem acordou, fez-me uma festinha na cara e disse-me "gosto de ti".

6.27.2007

Mariana

A Mariana tem olhos

castanhos como a luz

o cabelo louro como o sol

e tem também uma boca que reluz.


Mariana tem amigos,

amigos para brincar e explorar

amigos divertidos e bonitos

para saltar!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Certos

casais e famílias causam-me tédio só de os olhar. É impossível que eles próprios não se sintam entediados no meio daquilo.
Que sirva de alguma coisa, a instabilidade em que vivemos mergulhados os três.

Os piores foram um casal de meia idade (já foi há anos e a impressão que aquilo me causou foi tanta que me lembro perfeitamente, quando o normal é não me lembrar de nada) que vi em férias. Sentaram-se numa mesa perto da minha num restaurante, sem falarem. Jantaram sem trocar uma palavra nem um olhar, ficaram sentados depois do jantar sem um som entre eles. E poderia pensar que tinham discutido ou algo assim, mas de facto o tédio que transparecia daquilo era tanto que se via perfeitamente era que não tinham nada para dizer um ao outro.

Gostava

de ir ver esta peça, mas já chego tarde a Lisboa.
A peça não me diz nada mas tem uma cenografia excelente.

Quero escrever

aqui qualquer coisa, do hábito de o fazer sempre por esta hora e não me saem palavras. Chafurdo nos drafts, nada de publicável lá.
O meu processo de escrita é caótico como todos os pensamentos, aliás chamar escrita às coisas que aqui vou pondo sem qualquer ambição de escrever é obviamente sobreclassificá-las, quando me aparecem, as palavras formando textos na cabeça, tenho de as arrancar, despejá-las, deitá-las fora, sendo que a maior função aqui do coiso (blog ou lá o que é) é mesmo a de um imenso caixote do lixo.

Se tenho alguma facilidade em escrever devo-o apenas ao muito que li em criança e graças aos meus queridos paizinhos terem proibido a entrada de uma televisão lá em casa até eu ser quase adolescente. Claro que na altura isto me parecia abjecto, incompreensível, perfeitamente disparatado (e acabava por ver televisão todos os 5 dias da semana em casa dos meus avós), hoje já lido melhor com a coisa, provavelmente por ser parte do passado (muito, muito baixinho, até me parece que foi uma vantagem).

6.26.2007

Da vaidade

a modéstia é uma magnífica qualidade da qual abuso diariamente. Agora vou mesmo ser completamente vaidosa, embora não seja de maneira nenhuma mérito meu o que vou postar.

Chegou ao pé de mim com um sorriso meio embaraçado, aliás chegou ao pé de nós, estavam mais duas pessoas no carro (o irmão e uma querida amiga minha) :

- recebi a ficha de avaliação.

- Foi "Muito Bom" a tudo? - pausa para me justificar: dias antes em conversa tinha alvitrado a possibilidade de ela ter "muito bom" a tudo, apenas porque a professora já tinha dito algumas das notas.

-Foi (baixinho).

-Boa.

Não lhe verifico trabalhos de casa, não a faço estudar, não sei precisar a matéria que estão a dar na escola. A maioria das mães daquela escola faz tudo isto. Este período foi ela a ter as notas mais altas e tenho sido sempre chutada das reuniões de pais com um "está óptima e tomara que assim continue". Não ligo assim muito às notas que tem, sou eu quem a consola quando tem apenas "bom" a alguma coisa (o que para ela é "quase negativa").

Passou o fim de semana em casa da amiga e foi a mãe dela a dizer-me que ela tem um óptimo raciocínio, por comparação com a filha (coisa que muito embaraçou, confesso desde já).

O mérito é dela, nem sequer me posso gabar de lhe ter passado bons genes, apenas metade deles serão meus.

E na verdade isto tudo me preocupa mais do que tranquiliza.

6.25.2007

Então agora

depois dessa fase em que tudo esteve revestido por uma dolorosa capa, em que a realidade se me apresentou nua e torpe, sem piedade, miserável a meus olhos como uma imagem da qual se desvia os olhos, tendo talvez atingido o pico próximo do intolerável, eis que tudo começou por ficar cada vez mais distanciado. As coisas que acontecem ou estão para acontecer parecem não me poder tocar, do longe que estão, desfocadas e minúsculas. Aí estão elas, não merecendo mais do que um leve encolher de ombros, decidir não decidir, não querer saber, o que não pode ser remediado remediado está.
Uma espécie de conformismo tão oposto às cores violentamente viscerais com que normalmente as olho, às coisas.

A musica aí do lado

dedicada a todos os que me lêem aqui (aos que comentam, claro, duplamente dedicada).

6.23.2007

Da sociedade machista

Aqui há muitos anos (quantos? mais de 20, menos de 30, não sei precisar com maior exactidão) o meu avô recebeu em casa um amigo australiano. Era um amigo de há muitos anos que estava a dar a volta ao mundo e, para surpresa do meu avô e do meu pai, apareceu acompanhado da filha recém-nascida. A filha tinha nascido e ele aproveitou para fazer uma muito desejada volta ao mundo durante os meses da licença de paternidade, tendo a mulher ficado na Austrália a trabalhar. Lá como cá a licença de maternidade/paternidade pode ser usufruída por qualquer membro do casal ou mesmo partilhada por ambos.
Contaram-me ambos esta história em simultâneo, o meu avô rematando a coisa com um "lá é normalíssimo e noutros países também, não é como cá" amargurado como de costume com o atraso da nossa sociedade (claro que ele próprio nunca mudou uma fralda ou embalou um bebé, mas isso da teoria à prática já se sabe, é um mundo).
Quantos anos (if ever) demoraremos a chegar a este ponto?


(este post foi inspirado neste e neste, embora não pareça, está directamente relacionado)

6.22.2007

Das conversas absurdas

- Onde está o cérebro novo? Ficou em casa do pai?

- Sim... - Ele.

-O pai diz que agora temos que lá deixar coisas nossas.- Ela.

-Está bem, mas com tanta coisa tinham para lá deixar, tinha que ser o cérebro novo que a mãe comprou ainda ontem?

Tenho uma amiga

que mede o nível de expressão verbal das interlocutoras pelo número de vezes que estas começam um diálogo com a frase "eu sou sincera".
Na verdade não faz absolutamente sentido nenhum esta frase, se alguém pretender mentir não vai afirmar "eu sou insincera" ou "eu vou mentir agora um bocadinho". Ou dizer como o meu pai "minto" quando se engana (e a seguir corrige com a verdade).
Tenho a impressão de que estas linhas não se coadunam lá muito bem com aquilo que quero escrever neste post mas agora que aqui estou também não vou voltar para trás.
Quando escrevemos não utilizamos as mesmas expressões nem sequer as mesmas palavras do que quando falamos. Assim é desejável, pelo menos, pois na expressão oral há entoações, palavras que são comidas ou omitidas, gestos que substituem frases inteiras, coisa que na escrita não conseguimos fazer. Foi por isso que alguém (quem terá sido?) inventou o uso dos sinais de expressão - ;) :) :P :D :S - tratando-se de linguagem escrita mas de uso instantâneo como em chats e instant messegers, surgiu a necessidade de pontuar a escrita com expressões substituindo os gestos, uma espécie de mixórdia entre a linguagem escrita e oral.
Ora bem, eu (talvez por ter demasiado respeito à escrita, não à minha, à geral) não simpatizo particularmente com estes bonecos, smiles ou lá o que é. Parecem-me infantis e lembram-me o messenger da minha filha, com tantos bonecos a piscar que se torna custosa tarefa ler um simples "olá" (provavelmente será um panda a acenar ou coisa parecida).
Ou seja, presto-me a ser mal entendida (e sou-o muitas vezes) por falar em tom irónico e não colocar o ;) ou :P. Parece-me pequeno risco a correr quando comparado com a descaracterização da escrita como a conhecemos (e custa-me imaginar as formas que adquirirão os conteúdos escritos no futuro, mas se calhar já haveria quem dissesse o mesmo quando se tornou comum o uso de fotografias).

6.21.2007

Que bem educadinhos

são os meus filhos. Mas só quando é para embirrarem um com o outro.

Ele diz-lhe qualquer coisa e ela:
-Não se diz "tu" à mana é "a mana".


Ela diz qualquer coisa com um chupa na boca e ele atira-lhe um:
-Não se fala com a boca cheia.

Acho mesmo

que a coisa já está praticamente expulsa. Foi-se da mesma forma que chegou, sem gritos nem alaridos, de mansinho como uma porta a fechar a meio da noite.
Eu sabia que seria rápido, não tenho paciência nem para prolongar os sofrimentos vãos.
E o melhor de tudo é que nem dessa mínima coisa sinto falta e portanto é só seguir caminho, o que aliás nunca deixei de fazer.

6.20.2007

Ah

de volta ao inglês e aos posts.
(ou a minha distracção atingiu um pico recorde hoje e obrigada, Xana).

Maravilha

nem sei bem porquê agora tenho o blogger em português (sei mas não quero dizer) e hoje fiquei uns bons 3 segundos a pensar o que seria o "Envio de mensagens". É post.

E "Modelo" é template, "draft" é guardar agora mas depois de guardado é rascunho, "visualizar" é preview, "anular modificações" é clear edits,

Que pachorra para aprender português agora.

Durante estes

3 ou 4 dias que demorei a ler o livro, vivi num Lager em Auschwitz, passei frio, fome e todo o tipo de privações. Sofri humilhações e nem sei bem à custa de que mecanismos de inversão moral sobrevivi.

Por isso agora durante uns tempinhos não me vou queixar das coisas irrisórias que me faltam na vida real.

6.19.2007

Já que aqui estou

não me importo nada de chamar sapatilhas aos ténis, comer bolinhos de bacalhau e não pasteis, vestir meias-calças ao invés de collants e chamar alguém à minha beira e não para ao pé de mim.
Mas nunca por nada me ouvirão a chamar saca a um saco e a mandar vir um picheleiro quando precisar de um canalizador.

6.18.2007

No fim

não sermos suficientemente bons, magros, bem feitos, bonitos, ou inteligentes. De não sabermos o suficiente, não termos amigos suficientes ou suficientemente bons, de não termos notas suficientes, um emprego suficiente, estabilidade suficiente ou uma vida suficientemente interessante. De não termos dinheiro suficiente, uma casa suficiente, roupas suficientes, coisas suficientes, filhos suficientes, um carro suficientemente bom. De termos insuficiência cardíaca, respiratória, renal, hepática, circulatória, gástrica.
No fim de tudo, de que somatório de insuficiências seremos formados?

6.17.2007

Momento baby-blog

Ela abre a minha cama e deita-se: "Cheira bem, cheira a mãe".

-A que é que a mãe cheira?

-Não sei, cheira a mãe, não consigo descrever cheiros.

-Tenta.

-Cheira a chocolate preto, àquele chocolate que comemos à bocado.

-Que bom, deixa-me ver a que é que cheiras - Cheiro-a - cheiras a erva fresca e a baunilha.

Cheiro-o a ele - Cheiras a borracha da chucha e a rebuçado.

-Não mãe, a caamelo!


6.16.2007

A música,

dedicada a mim própria. A vida consegue ser completa e estupidamente irónica.

6.15.2007

Ainda estou para perceber

qual é a lógica de arrumação dos livros na Fnac. Agora puseram os livros sobre sexo ao lado dos de medicina como se uma coisa estivesse directamente relacionada com a outra (não seria mais apropriado porem os da gravidez a lado dos de sexo?).
Resultado, já uma mãe não pode estar descansada enquanto a criança mais nova folheia o Atlas de Anatomia Humana e o Atlas de Patologia Humana* (novo favorito). Não me parece de todo apropriado para um miudo de 3 anos ver aquelas posições todas tão explícitas.

*cuja sinopse, li agora, reza assim:
"Atlas de Patologia Humana de Netter (edição brasileira, 2007) concentra-se nas doenças humanas mais comuns, aqui representadas através de ilustrações e esquemas didáticos e atraentes".
Chamar áquilo esquemas atraentes, com orgãos meio putrefactos talvez seja forçar a coisa, não sei (deu-me alguns vómitos das vezes que ele me chamou para espreitar).

6.14.2007

Da escrita

"Aquilo que eu escrevia resultava da minha vida, do que na minha vida fora inaceitável e intolerável. Tão intolerável e inaceitável, que, para continuar a viver e a saber que vivia, era necessário que palavras diversas da realidade (uma realidade que era apenas real como recordação, como nódoa negra e dolorida) recriassem uma experiência genérica, noutro plano do espiríto, em que a experiência inenarrável se reduzisse ou ampliasse a uma visão das coisas ou das relações humanas, e as palavras produziam uma nova forma que, simultaneamente, era alheia a mim e aos outros, sem deixar de, para mim, ser a mesma presença informe e asfixiante de que essa forma emergira."

Sinais de Fogo, Jorge de Sena

E eu

que não maço ninguém com pps, filmezinhos com 20 fowards anteriores, fotografias aborrecidas, piadinhas repetidas pelo menos 100 vezes e que só mando mails com palavras, porque é que estou sempre a levar com isto?
Pior ainda quando damos o endereço de mail pessoal (nesta não volto a cair) a um pai de um colega da nossa filha por motivos escolares e ele acha-se na legitimidade de nos inundar a inbox com fotos do benfica ou lá o que é (vão direitas para o lixo mas primeiro ainda tenho que as descarregar para ver os mails que possam vir a seguir).

pessoas com extremo bom gosto