9.29.2007

Sulista eltista

fico feliz por não me ter filiado nesse partido quando, há 16 anos atrás, me enfiavam diariamente propostas de filiação debaixo do nariz. Poupo-me ao trabalho de me desfiliar hoje.

(obviamente não será apenas por o senhor ser do Norte).

9.28.2007

Numa loja de chineses,

esse metaverso onde se encontra tudo o que não é preciso e nunca se encontra o que precisamos (a minha irmã uma vez comprou uns dados de peluche para o carro do namorado), vasculhando à procura de sacos de pano necessários para a escola dele (necessidade que seria facilmente suprida não fosse a minha proverbial falta de talento para a costura), descubro um objecto absolutamente extraordinário: uma capa para a máquina de lavar. Será para não terem frio? Já estará patenteado?

Os meus filhos

são tão, mas tão cultos que dormem sempre com livros na cama.

Ah sim

também acho. Chamar àquilo sentido de Estado (é assim, é com as duas maíusculas, com as duas minúsculas?) é um exagero, quanto muito seria sense of self (não tem tradução em português, tem?)

Ao homem da minha vida

Eu sei que daqui a uns tempos não me vou lembrar nem de metade disto. Dos teus dedos a enrolarem o cabelo enquanto chuchas. Dos teus beijos, muitos, tantos ("eu pumeto que agora vai ser sem língua, mãe").
Eu sei que não falta muito para entrecortares as nossas conversas com muitos dahhs, para achares que a mãe é velha ("a mãe não é vela, é nova") e uma seca e que talvez nessas alturas eu também já tenha esquecido o cheiro dos teus cabelos na minha cara, do calor dos teus braços no meu pescoço quando te pego ao colo ("ai, não aguento, tou cansado").
Eu sei que algum dia, não muito distante, não quererás que eu te leve à escola, que te vá buscar ou mesmo passear comigo na rua ("mãe, eu quero ficar contigo sempe, sempe") e espero conseguir recordar-me que algures ao longo do nosso tempo as coisas foram muito diferentes.
Eu sei que haverão discussões entre nós em que nos esqueceremos de todas estas coisas ("mãe, eu adóu-te, a ti e à mana") e que estes tempos, do difícil que são fisicamente, vão parecer tempos maravilhosos e cor de rosa e em que era tão fácil lidar contigo.
No meio da minha péssima, fraquíssima memória, espero pelo menos lembrar-me de onde guardei estes textos (se me lembrar algum dia de o fazer)

9.27.2007

Espera, é mesmo isto

quando for grande quero ser "deputada eleita pelo círculo do Resto do Mundo".

Ah, mas Lisboa



é outra cidade tão e tão diferente.

Muito, muito boa a revista. Os cronistas são tão pragmáticos que poderiam mesmo escrever neste blog.

Prémio virtual a quem adivinhar o nome da ovelha.

faltas

ou de como o tempo consegue dourar até as coisas mais obscuras.
Há umas duas semanas que não vou à praia (seria impensável lá) e hoje fiquei com vontade de comer uma francesinha no Capa Negra (coisa que, em 3 anos no Porto fiz umas duas vezes, mas enfim).

9.26.2007

Hoje

almocei com uma amiga. Gostei muito.
Porque as amizades afinem-se (de afinidade) e depois afinam-se, com o tempo.
Claro que (como sempre) falei demais e deixei falar de menos.
Para a próxima estarei melhorada, prometo.

Nem era tanto assim, já desconfiava.
Que tudo passa, como uma onda (mesmo aquelas grandes, os tsunamis, também eles passam e acabam numa espuminha que vem morrer aos nossos pés). O tempo faz com que todas as memórias se esbatam em tons pasteis, eu nunca gostei de tons pasteis, de coisas mornas a morrer aos nossos pés. Aquilo que contigo aprendi, porém, era isso que gostava de guardar em mim, a paz, a calma, a memória do que nunca poderíamos ter (nunca vou saber se quererias ter, e parece-me mesmo que nem tu saberás) e do que isso provocou em mim nesses dias em que escrevi o texto.
E nem mesmo isso sei se consigo. As coisas à minha volta, palavras, pessoas, imagens, tudo isso me afasta dessa sensação por muito que me esforce para a guardar. A normalidade, por oposição à santidade é sempre um apelo demasiado forte. Ou sou eu tão demasiado normal, real, carnal que não me consigo aproximar dessa sensação do que por mais do que uns momentos.

Originalidade

vou ser a única blogger portuguesa a não fazer um post sobre o Weeds esta semana (ou este já se pode considerar?)

A propósito (de nada) tenho google reader e bloglines e nunca, mas nunca coincidem no numero de feeds. E onde é que esconderam o botão "mark all read" no google?

Hoje é quarta, certo?

então contribuo para o movimento:



Julian McMahon, da melhor série de televisão actual.

9.25.2007

Comer

uma pastilha sem açúcar é um bocado como ouvir uma piada seca, a única sensação que transmite é o sabor a fracasso.

Note to self:

treinar um "que bom!" verdadeiramente entusiástico para quando alguém me anunciar a sua primeira gravidez. O sorriso amarelo e o "nem imaginas no que te vais meter" entredentes não causam nos outros uma boa impressão minha.

Não sei o que faça

Detesto o you tube. Não publico coisas dessas, não as abro nos blogs dos outros, aquilo irrita-me, não consigo ter paciência para ver um inteiro, os tempos de carregamento da coisa desesperam-me.
Nisto sinto-me completamente só na blogosfera, duvido que alguém partilhe desta minha incapacidade.

9.24.2007

Sono

enxoto-o como às moscas num almoço de verão. A lembrar-me das moscas num almoço de há pouco tempo, o calor, moscas às dezenas e de repente todas a poisarem num peixe meio abandonado, quase propositadamente depositado para ser o chamariz das moscas, de fartos que estávamos das enxotar.
O meu sono, não faço ideia de quantas horas ou minutos dormidos a menos porque há muito que não tenho relógios em casa, enxoto-o diariamente, perseverantemente, desde que acordo até que me deito e sem grande sucesso. É feito das noites sucessivas de vómitos dos meus filhos, das muitas chamadas nocturnas, dos muitos acordares sucessivos, das muitas manhãs de fim de semana a acordar cedo.
Incomoda-me, distrai-me, abstrai-me, domina-me, como as moscas meias zonzas em cima do peixe (ali deixado para ser mordido por elas) e não só não consigo formular um pensamento em condições como também não escrevo nada de jeito.
Perdoem-me então, é do sono.

Comida virtual

aqui.

Nós

-Mas quantos carros tem?

-São uns 5.

-Quem deu esses carros todos?

-Foi a avó M., eu quia aquela pista, então negociámos.

Ouvido no café:

ele: Então vá, paga já a cena.

ela: Não é a cena, é o comer.

9.22.2007

Do futebol

prometi, não foi? (não tencionava cumprir, mas aconteceu).

Eu não gosto de futebol. Nem é não gostar, é daquelas coisas que me passam perfeitamente ao lado, perto dos ranchos folclóricos, das novelas da tvi, das revistas cor-de-rosa, dos livros da Margarida Rebelo Pinto: sei que existem, faço uma ideia do que são, compreendo que existam pessoas que se interessem por estas coisas, mas não me peçam para as ver ou ler, não consigo, não despertam em mim ponta de interesse, dão-me sono, fazem-me desligar e a minha mente vai divagando sobre todos os outros assuntos.
O meu conhecimento sobre jogadores de futebol não vai além do Figo, Eusébio, Cristiano Ronaldo e Beckham mas se me perguntarem onde joga cada um deles (se é que ainda jogam em algum lado) sinceramente não vou conseguir responder.

Ainda assim, e meramente por herança genética, simpatizo com o Sporting e sinto uma pequena aversão visceral ao Benfica. Pode até estar relacionada com as cores da coisa, aquele encarnado por todo o lado não me parece minimamente promissor, lembro-me que o meu pai não consegue comer alimentos de cor vermelha, poderá ser algum desses genes em mim.
Pois bem, nunca tendo passado, no estádio do Sporting, do centro comercial da coisa, em duas semanas consegui ir ao estádio do Benfica por duas vezes já. E parece-me que vou lá voltar 3 vezes por semana a partir de agora.

Descobri entretanto que chamam à coisa "catedral". Talvez haja uma explicação científica para isso, mas a mim parece-me que deve ter sido nome dado por aqueles cromos que andam para lá mascarados de jogadores (pessoas com mais de 10 anos com equipamento de um clube de futebol, please...) e que imaginam que aquela águia seja uma representação de Deus (certamente possuem oratórios daquilo a em casa e uma réplica em tamanho menor pendurada sobre a cama, à laia de protecção).

9.21.2007

Parabéns

ao Pedro, dois anos de blog.
Só não concordo de todo com isto.

Vícios

Não contente com o facto de ter passado as noites em branco a vomitar desde 6ª, o meu aspirante a actor conseguiu cometer a proeza de perder todas as chuchas. Mais uma noite maravilhosa e uma manhã intensa entre muitos "ai, eu não aguento sem chucha!" e pontapés à irmã (da ressaca) pelo menos até às 9 da manhã, quando a farmácia abriu. A capacidade dramática desta criança é impressionante, se o deixo na escola 2 horas, quando chego "a escola foi horrível mãe, tive tantas saudades tuas!", se anda mais do que da porta para o carro ou do carro para a porta "ai, eu não aguento mais, estou cansado, pega-me ao colo", se vai a uma consulta "este médico é óptimo, mãe, o outro era uma seca!".
Permito-lhe todos os vícios, do biberon à chucha para evitar os dramas para os quais me falta tanta paciência, e depois penso, se há homens feitos que se debatem com vícios, porque não há-de ele aos três anos os ter?

9.19.2007

Será possível

descobrir alguém pela maneira de escrever, pelas palavras que escolhe publicar, a maneira como conjuga frases e tempos verbais, pela cor das fotografias com que ilustra os posts, ou a forma como pontua?
Quando começamos a ler as palavras dos outros, aqui ou em livros, revistas, jornais, ser-nos-á possível não imaginar o estado de espírito de quem escolheu aquelas e não outras palavras?
E ao fim de certo tempo de lermos alguém, conheceremos mais intimamente esse alguém do que alguns seus amigos pessoais?
E quando já conhecemos quem de facto escreveu e lhe adivinhamos o tom, a intenção, o não-escrito por entre o escrito?

Ao fim de certo tempo de andar aqui, de conhecer pessoas que aqui andam também, é exercício inevitável. Sabemos que quem escreve iradamente será provavelmente magro, novo, de cabelo liso e curto, gestos enérgicos.
Que a textos longos e nostálgicos pertencerão a uma senhora de certa idade, cabelos ondulados, riso fácil.
Que quem se prolonga infindavelmente por temas políticos será certamente um advogado bem instalado, barriga proeminente, gravata em tons de azul e carrinha com dois bancos de criança atrás.
Mas acima de tudo sabemos que estes clichés só muito raramente se aplicam na vida real.

9.18.2007

Por vezes

quando escrevo posts como este, imagino que algumas pessoas possam lê-lo e, vaidosamente, imaginar que se refere a elas. Se algures no tempo hesitei em publicá-los por causa disto, rapidamente esta hesitação se transformou num encolher de ombros, que responsabilidade tenho sobre a imaginação dos outros?
Ainda bem para eles, se pensarem, ficam mais contentinhos da vida.
Certeza, certeza, tenho de que a pessoa a quem são dirigidos não o lerá e que, caso o fizesse, não imaginaria que seriam para ele. Isto sim me dá vontade de pontapear qualquer coisa pelo caminho.

Tenho net finalmente

e roubo uns minutos entre as slices, as provas reais e a loiça para escrever isto. Não que isto, este post, seja importante, ou belo ou maravilhoso por aí além. Não que escrever sobre fantasmas seja original ou vá mudar a vida a alguém que o leia ou mesmo que o escreva. É só saudades de escrever, talvez.

Enquanto vivi fora havia, associada a estar fora, uma espécie de anonimato que, se por vezes me pareceu brutalmente cru e frio, outras vezes trazia consigo a calma que só o anonimato pode trazer. Essa maneira de começar de novo, sem trazer atrás de si nenhuma história, nenhum fio pendurado. Fora, eu que sou normalmente uma pessoa intimidante e não propriamente afável no trato, poderia tornar-me amorosa, dessas pessoas de quem toda a gente gosta e quer estar perto. Poderia, não fosse dar-se o facto de eu não saber ter outro eu que não o meu, assim não propriamente afável no trato.
Voltei há uns meses, sem me lembrar da quantidade de coisas que afinal tinha deixado para trás. Eram mais do que imaginava, são sempre mais, suponho.
Era escusado era aparecerem-me todas ao mesmo tempo.

9.16.2007

SEO*

Agora se durante os próximos meses eu só fizer posts sobre futebol, a Maddie, sexo, mulheres nuas, Benfica, Sccolari, terei o blog mais visto do mundo?



*Search Engine Optimization, ferramenta de marketing para optimizar as buscas num site.

9.12.2007

Porque hoje

falei com um amigo de outros tempos, sendo que os outros tempos seriam mais outros locais, mas aqui tempos e locais confundem-se, a vida passa à velocidade da luz e um mês é um ano em vida de blogosfera, sobre isto sei que já escrevi. Mas escrevo este post que pertence afinal lá, e lá daria azo a discussões várias, a risos (meus muitos certamente), numa espécie de revivalismo.

Uma mulher que goste de si própria não admite faltas de educação, faltas de respeito, falta de piada, desinteresse, falta de cultura, falta de higiene, falta de esforço.
Uma mulher que se adore é por isso completamente inacessível.

9.10.2007

Pois

minha querida, acho que sim, que existem pessoas assim que nos ligam os botões todos. Mas se falas de homens, e contemplando a minha fase "bem podem morrer a tentar antes que consigam sequer ligar um único botão", nem imaginas a paz interior que se ganha sem isso.

9.08.2007

To be or not to be

a criança mais nova vai de caixa craniana na mão para a escola. Porque do que ele gosta mesmo é do "cébero e do encéfalo".

9.06.2007

Enquanto a saudade

se dissipa nesses pequenos gestos indiferentes e diários, no barrar da manteiga no pão, no apanhar a roupa, no pegar nele ao colo porque chora, no atender do telefone. Enquanto isso, sei que não te vou esquecer nunca.
E não apenas porque não posso, mas até mesmo porque não quero.
E agora sim, é a primeira vez que tal acontece.

Muitas vezes

à beira desse precipício fundo onde jazi durante meses ainda não há muito tempo, nessas vezes, oiço por dentro "nunca Deus dá a cruz maior que as costas". Em simultâneo com a voz do meu professor de arquitectura do segundo ano (o arquitecto Nuno Mateus), quando eu protestava por ele me ter mandado reproduzir uma casa do Rem Koolhaas em inúmeras maquetes e plantas, "dou o trabalho conforme a capacidade o aluno". Olhei para a minha colega que ficou com o pavilhão de Barcelona e senti-me de alguma forma recompensada.

9.05.2007

Do mais novo

diz as coisas mais incríveis, muito próprio dos seus 3 anos.

-mãe, o outo pai tá a ficar velo.
-Outro pai? Mas quantos pais é que o menino tem?
-dois.
-dois? Quem são?
-o pai e o avô.
-E qual é que está a ficar velho?
-o pai.

Hoje, 1 ano de blog

1 ano de vida escrita aqui. Ou parte dela pelo menos.

Aprendemos muito neste ano (eu e o meu blog). Tanto, tanto (eu, um pouco por intermédio dele) que agora só temo já não ir a tempo de corrigir todos os erros anteriores.

9.04.2007

E também

das coisas que escrevo, nada é aquilo que quero dizer. Das coisas que digo também não.
Grito-me toda por dentro mas calo-me para fora, que nada do que quero dizer é passível de ser ouvido por outros.

Desde que voltei de férias

que não consigo escrever nada de jeito. As palavras saem-me atabalhoadas, pouco claras. Nada faz sentido, pareço gaga no papel (como se chama a gaguez da escrita? Existe termo para isso?), deve ser da confusão geral em que me encontro.

Existirá alguém que não tenha

medo de envelhecer? E desse medo, o que mais tememos? A morte? A degradação do corpo? A aniquilação do espírito? A solidão?

Digo já que medo, medo tenho de ir perdendo, uma a uma, todas as minhas capacidades físicas mantendo as da mente intactas. Deve ser um bocado como fazer uma operação de coração aberto com anestesia local, protagonizar um espectáculo triste sem saber sequer quando aparece o final.

9.03.2007

Eu que

pinto as unhas e as arranjo (pés e mãos), tenho voz fina (não fininha, normal), cabelo comprido, só uso sapatos com salto e bikinis na praia. Eu que sempre achei que era muito normalzinha, pronto, sem grande pachorra para certas coisas como comédias românticas e musiquinhas da Celine Dion, mas de resto passo horas a falar de cabeleireiros e consigo manter uma conversa sobre roupa. Por isso custa-me um bocado a entender quando me dizem, duas pessoas diferentes já esta semana, que tenho feitio de homem.

9.01.2007

A coisa (III)

Depois destas duas coisas, tinha que vir a terceira (ou não, mas vá).

De vez em quando acontecem, essas coisas. Sem razão aparente, talvez, como disse a Margarida, elas sejam um propósito em si mesmas.
Ao fim de um certo tempo habituámo-nos a viver com ela e não há já sequer uma ponta de angústia ligada à coisa. Ela é.
Assim como é, perfeita, intocável, imutável. É assim porque não vive na realidade, existe apenas como uma metáfora, num mundo paralelo ao real e só aí ela pode ser como é, ideal. Um dia trazida à luz, efectivada, ela tornar-se-ia banal, corrompida, cheia de pequenos buracos como o são todas as coisas. Assim como está, imaginária, não causa angústias e também não traz grandes alegrias, é um facto. Mas assim foi ela desde sempre, assim concebida e, se algures no passado isso me enraiveceu, entristeceu, agora só me causa alegrias.
Bendito o dia em que até as coisas que não posso ter me causam alegria.

PS: Durante o tempo que mediou o ter escrito o post (no bloquinho) e a tê-lo publicado aqui (hoje), a coisa, sem que eu sobre ela tivesse qualquer espécie de controlo, virou-se, transmutou-se, transferiu-se para outra coisa. Em tudo semelhante. Em tudo diferente. Ainda assim o post manteve-se válido, em tudo absolutamente igual, talvez as minhas palavras sirvam afinal todas as coisas e as submetam ao que escrevo. Ou então são as coisas que me aparecem sob estas formas como que a indicar-me algo, nada de muito místico, apenas o caminho natural a seguir que tantas e tantas vezes pedi a Deus para me indicar.

Adenda: afinal é mesmo a quarta vez que falo na coisa

8.16.2007

8.12.2007

Olha!

Lembrei-me agora (eu que nunca me lembro dos sonhos que tenho), esta noite sonhei que era lésbica (mais não conto).

8.11.2007

O post sério

A menos de um mês de fazer um ano de blog. A menos de 1 mês de fazer 3 anos de blogosfera.
Debato-me menos com esta questão e mais com outras.
Em Janeiro esta minha amiga esteve em minha casa, foi a última vez que a vi. Vive ela agora noutro continente e eu noutra cidade e raramente falamos. Isto porque tudo o que seja comunicação virtual (mails, msn, blogs, chats) é muito estranho para ela, não gosta e causa-lhe uma enorme confusão. Será então de prever que, tendo passado ela uma semana em minha casa no auge desta minha febre, as nossas conversas tenham passado muito por este tema. Suponho que a verdade (se é que tal existe) esteja aí no meio das nossas opiniões: para ela estas formas de comunicação são apenas maneiras de evitar o encontro real, contribuindo em absoluto para um futuro em que as pessoas perderam já a capacidade de interacção pessoal e se limitam a comunicar usando interfaces.
Para mim era excelente (devo dizer que nem nunca tinha entrado numa sala de chat e nutria/nutro mesmo grande desconfiança pelas mesmas), algo que nunca substituiria nada e que servia para quando era impossível a tal interacção pessoal.
Estando dentro das coisas torna-se impossível olhar com distância que permita isenção na análise destas coisas.
Mas, é um facto que nos 11 anos de generation gap entre mim e a minha irmã, eu saía de casa todos os dias para ir ao café com os meus amigos e ela fica sentada em frente do computador a falar com os dela. É um facto que a interacção pessoal é infinitamente mais rica do que qualquer outra (e tive das conversas mais profundas da minha vida no msn e no sl, mas todas as minhas memórias provêem de momentos que se passaram mesmo, ainda que seja com as mesmíssimas pessoas). Mas também é um facto que muitas vezes não a podemos ter e por isso, mais vale ter outras formas de comunicação do que nenhumas. O problema existe (e existe sempre) quando ficamos tão habituados a estas formas alternativas que as preferimos às não-alternativas (por preguiça, por facilitismo), aí dou razão à minha amiga (mas baixinho, que sei que ela não lê blogs).

8.10.2007

Deixo crescer

ainda mais o cabelo, a ver se pesa.
Isto para que ninguém repare que não consigo manter-me acima dos 47kg (funcionará?).

Sim mãe, a mãe tinha razão ("estás mais magra outra vez").

8.08.2007

Agora

dei em politicamente correcta e só comento a dizer mal depois de alguém o fazer, assim naquela "também acho", de resto, guardo para mim.

8.06.2007

Do divórcio

Dividem-se as casas, as coisas, as fotos, as memórias, os filhos.

Como se dividem os filhos? Em saudades quando saem de férias para só voltarem daí a 15 dias.

Em períodos de telefone em que nos despacham. Em "estamos tão bem aqui" e ainda bem que não precisam da mãe, mas, temos pena, a mãe precisa de vocês.

Na verdade não somos mais do que as pessoas que tomam conta deles durante uns tempos, para eles.
Na verdade pois ainda bem que estão bem onde estiverem, claro.
Na verdade podiam só sentir um bocadinho a falta da mãe, e não precisava de ser essa dor surda que a mãe sente quando descobre uns calções debaixo de uma cama ou um desenho que nunca tinha visto escondido num fundo de uma mala, era um bocadinho só.

Dividimos tudo que afinal é nada quando o dividir é partir em dois o já tão pouco tempo que eles no fundo vão querer passar connosco.

8.05.2007

Eu gostei muito deste texto

e mesmo correndo o enorme risco de ser mal interpretada, vou deixá-lo aqui:

"Deveremos tratar amorosamente o desamor, o desmame de um afecto. Cuidadosamente, como se fosse um vestido de cebola. O luto, o tirar e pôr a pele de lagarto, o retratarmo-nos, o sermos longe, distância, ontem o Pedro perguntava-me se as coisas que estavam muito longe eram muito pequeninas, viemos a filosofar pelo comboio, não, não são pequenas, apenas estão longe e a distância faz isso ao tamanho das coisas, das pessoas, torna-as pequenas, pontos na paisagem, lembro-me que sempre que uma antiga namorada me contava, ou eu vinha a saber, que ela tinha reconstituído a sua vida, o seu afecto, passava por mim uma suave sensação de desconforto, uma angústia, um simulacro de dor. E nada mudava com as circunstâncias. Não interessava nada se era eu ou ela que tinha terminado a relação. Não há protagonistas na dor de corno, no luto de um afecto. Lembro-me dos meus brinquedos que tinha deixado de usar, de lhes dar vida. Se íam parar á mão de um irmão logo eu descobria que ainda eram meus, que ainda queria fazer imensas coisas com eles, reinventá-los em mim. Não que as pessoas sejam construções de lego, ursos de peluche, carros de polícia, actions men's. Só que o facto de as amarmos como antes amámos as coisas, os brinquedos, desmonta-nos a nós em peças de amar, de odiar, de enciumar, de alindar. Não me importo com a minha dor de corno. Até lhe acho graça, penso, enquanto distraidamente coloco a sopa passada dentro dos copos de sumo. É preciso amarmos o desamor, laboriosamente descascar a cebola, rirmo-nos de nós mesmos. A poesia e a luz que irrompe das pequenas maquinetas que somos,assim nos pede."
Daqui

8.04.2007

Momento autoestima em alta

quando não me apetece ler os feeds que tenho (re)leio o meu próprio blog e fico muito contente por ter escrito aqueles posts.

8.02.2007

Pronto, era mentira

não estão todos de férias, por exemplo:

1. As pessoas que fazem a segunda circular ao mesmo tempo do que eu (praticamente nenhuma foi de férias).

2. Duas amigas giras, engraçadas, interessantes, cultas e com bom gosto que fizeram o favor de me aturar com os meus dramas existenciais ao almoço de hoje.

8.01.2007

É Agosto

tudo de férias (até os meus filhos) menos eu que estou a ter o pior mês da minha vida.

Agora assim de repente

lembrei-me que aquele Caine, o ruivo do CSI Miami atingiu o limite do suportável quando se ajoelhou ao lado de uma rapariga morta e disse "sorry".

pessoas com extremo bom gosto