12.31.2007

2007

Li hoje vários balanços do ano 2007. Não tencionava fazer o meu mas não resisto à pirosada.
2007. Devia talvez marcá-lo como um ano de referência na minha vida. Juntamente com 1999, são os dois anos da minha vida adulta em que mais mudei.
Mudei de casa, de cidade, de vida, de estado civil. Conheci muitas pessoas novas, algumas das quais se tornaram meus amigos, outras talvez ainda se venham a tornar. Tive relações e acabei com todas. Tomei mais comprimidos do que na minha vida inteira, fiz alguns disparates, acertei algumas (poucas) vezes. Ri, chorei, dormi pouco, saí bastante, comi mal, caí, levantei-me (muitas vezes). Descobri sobretudo que, uma vez tudo partido e desfeito, ao refazer-se não se torna igual mas sim 100 vezes mais forte. Tornei-me uma melhor pessoa para mim própria (agora só falta para os outros), já não sou esta pessoa (estes registos servem para alguma coisa afinal) e só por isso valeu a pena este ano.
Comecei.
Em 2008 continuarei. Sei muito bem que será um ano excelente. Para todos os que me acompanharam este ano aqui, obrigada pela companhia, pelos comentários, por terem pachorra de me lerem (não sei bem como).

12.28.2007

A E. veio da Sibéria

não sei há quanto tempo. É rechonchuda, muito loura e tem sempre um ar sorridente. A primeira vez que a vi foi há 5 anos, quando fui estagiar para Espanha e ela foi apressadamente contratada para limpar a minha casa. No meio do seu português arrussado explicou-nos que nessa altura, na terra dela estavam 40º negativos, o que era perfeitamente normal para aquela altura do ano.
A E. limpa agora a casa da minha mãe, da minha avó e a minha. Quando vai a casa a E. demora 3 dias inteiros para chegar, meio dia para a viagem de avião, o resto do tempo de comboio. Por isso a E. só vai a casa de 2 em 2 anos ou mais. A E. tem um filho do marido português, tem mais de 40 anos mas parece ter pouco mais de 30.
Hoje de manhã, ao lembrar-me dela tive um pensamento absurdo (eu não sou muito boa pessoa, para o caso de não terem reparado). Não me apetecia ir trabalhar e lembrei-me que se fosse a E. teria um emprego bem pior (raio de consolação) e ao mesmo tempo sei que pensei qualquer coisa como "mas pelo menos tem alguém que lhe ature as crises" (esquecendo-me providencialmente que eu quando era casada não tinha ninguém que me aturasse as crises e que pensava das minhas amigas solteiras coisas como "pelo menos é solteira", coisa que me parecia ser a compensação para todos os males).
Por isso dá para imaginar o choque quando a meio da manhã recebo uma mensagem da minha mãe a avisar que a E. hoje não viria. O marido morreu-lhe.

12.27.2007

O Natal

trouxe-me de volta a minha amiga. Por breves instantes é um facto, mas trouxe. E quando chega pede-me, as usual, conselhos sobre o namorado.
Dou-lhe umas dicas sempre da minha maneira bruta de ver as coisas mas pensando que não, corrigindo-me, tu não precisas de conselhos meus, antes preciso eu dos teus. Como tudo seria facilitado se também na vida possuíssemos canetas de bezier para ir suavizando as maneiras abruptas de ser, as formas angulosas com a qual fomos esculpidas. Ou, no caso, eu.

12.22.2007

Andei este tempo todo a ignorar o Natal



e claro que ele acabou por me acertar em cheio.

Se o Natal é perdão, vou tentar. Mas não garanto, o mais provável é ficar tudo na mesma.

Para todos os que me lêem, um feliz Natal. Para os que não lêem também.

12.20.2007

Não sabia

o que era a Byblos e agora fiquei cheia de vontade de conhecer.

Ontem jantei com amigas

O problema da mulheres não é analisar demais as relações. É não viverem para o futebol e por isso passarem o tempo (quase) todo a falar de relações e não de jogos, passes, remates e treinadores.

12.19.2007

Cecília, estou contigo



Já toda a gente sabe que o presidente de França anda com uma ex-top model, a lindíssima e serena Carla Bruni. Eis que a população masculina à volta do mundo vem aclamar Sarkozy, o anão meio atarracado.
Compreendo muito bem o ponto de vista dos homens, a costumeira palmada nas costas e piscar de olho que costumam trocar entre eles nestas ocasiões, e o íntimo pensamento "Se aquele consegue, eu que não sou assim tão feio também poderia andar com a Carla Bruni". Claro que sabem bem que o apelo do Sarkozy não está na maneira de ser nem de se apresentar, mas no mero facto de ser o presidente de França.
Há mulheres que acham graça a isso, como a Carla.
Outras que nem por isso, como a Cecília.

8

Tem um bloco de desenho. Uma boneca por página e vem-me mostrar. A bailarina, a popular, a desportista.
"Mãe, gosta do meu travesti? Tem barba." É uma boneca com barba de 5 dias.
Tremo quando penso no que possa vir a seguir.

12.17.2007

Do livro da minha vida

Nunca tive um livro que pudesse considerar da minha vida, até ler o "Sinais de Fogo" do Jorge de Sena. Na verdade conto ainda viver mais uns anitos, posso perfeitamente encontrar mais uns dois ou três (daí que não o possa mesmo considerar assim, com a quantidade de livros que quero ainda ler).
É uma espécie de auto-biografia, na idade adulta deu-me para isto, gostar de auto-biografias mais do que dos outros livros, como se ler a vida nas palavras dos outros fosse realmente importante. Em mais nova prendia-me muito mais pelos livros completamente fantasiosos.
No "Sinais de Fogo" tenho um carinho especial pela Mercedes. É a principal figura feminina e está muito mal definida pelo autor. Oscila entre a rapariga tontinha e uma mulher manipuladora e falsa. Ela é o motor de toda a história mas nunca se chegam a definir as motivações que a levam aos comportamentos que tem e eu fiquei à espera até ao fim do livro que o esclarecimento chegasse (nunca chegou).
Na verdade, todas as personagens femininas são um pouco maltratadas pelo Jorge, suponho que à altura em que escreveu o livro o sexo feminino fosse um poço de escuro desconhecimento para ele, oscila entre o fascínio e o desprezo pelas mulheres (totalmente misógino). Como compreendo o Jorge. Eu se tivesse tido talento para a escrita escreveria assim também sobre homens.

Vou passar esta a 6 homens: Qual é o livro da vossa vida (ou o que mais vos impressionou) e porquê? Respondam por favor. À laia de vingança podem depois passá-la a 6 mulheres (ou homens).
Antídoto, , Pitx, Leão, António e Otium.

12.15.2007

É um homem

grisalho, cinquenta ou sessenta anos. Sai do Hipopótamo* e entra dentro de um carro muito velho que está estacionado à porta e tem um autocolante enorme no vidro traseiro onde se lê "Jesus". Felizmente resolveu deixar Jesus à porta. Pela hora (5 da tarde) trata-se de um empregado da casa, não de um cliente.
Não sou moralista para condenar quem paga para fazer ou quem é pago para fazer, é-me indiferente, há quem queira (ou precise) de fazer e quem queira (ou precise) de ser feito. Como diria um economista, o mercado auto-regula-se. Já quem vive da exploração da coisa me parece muito baixo moralmente.


*a boite de alterne.

12.14.2007

O meu colega que nunca vi mas com quem falo ao telefone

e tem a mania que é engatatão:

-Mas a S. conhece-me, pergunta lá.

-Cuidadinho com a S., essa menina tem 19 anos.

-Sim, e depois, tu és muito mais velha não?

-(contendo o bocejo) Sou uma senhora de idade, sim.

-O quê, trinta?

-Por aí.

-Essa é a idade mais interessante da mulher.

-(contendo o vómito) Ai, sim? Então porquê?

-Porque ainda tem energia mas já tem suficiente experiência para preferir qualidade a quantidade.

-(fonix, que estupor) Lamento, qualquer mulher prefere qualidade a quantidade. (deve ser por isso que não te safas).

Do Natal II

Talvez pareça muito presumido da minha parte dizer que não gosto do Natal. Na verdade eu não tenho nada contra o Natal. É uma festa, há jantares aos molhos, pessoas que vêm de fora, tradições a cumprir. Nada tenho contra isto, acho maravilhoso. O que não acho grande coisa é aquilo que fizeram do Natal. Vejamos, trata-se do nascimento de Cristo que estamos a celebrar, alguém no meio das luzes a piscar, dos supermercados apinhados, do trânsito infernal, dos anúncios a brinquedos non-stop se lembra disso?
Bem sei que nem todas as pessoas são católicas. O que celebram então? O pai natal da coca-cola? O subsídio de natal? As iluminações das ruas?
Há uma série de tradições que se misturam caoticamente, não faço ideia do que seja para uma criança a época do advento. Ou por outra, sei. São chocolates para sacar de um calendário, catálogos de presentes potenciais, roupa desconfortável obrigatoriamente vestida na véspera, jantar à pressa a olhar para o relógio à espera da meia-noite.
O que seria do Natal se não existisse o subsídio de natal? Existiria espírito algum? Certamente não existiriam luzes nas ruas (a coisa é supostamente paga pelos comerciantes que deixariam de ter o retorno), seria mais triste?
Eu gosto do Natal, dispenso é toda a obsessão com compras que inunda a época.

12.13.2007

Andar de metro

é uma experiência fantástica. Para quem não tem o privilégio de o poder fazer todos os dias (sem ironia, detesto conduzir) e o reserva para os dias em que tem que ir à Baixa (bom, eu não tinha que ir à Baixa) hoje ainda para mais sem pagar (o Tratado de Lisboa, pois, esse acontecimento) é mesmo uma experiência fabulosa.
O exercício físico - desviar-me de potenciais sítios onde os saltos ficam mesmo encaixados - e a cultura que se ganha - não sabia que existiam homens com botas de crocodilo brancas e agora já sei - são bonus a acrescentar ao facto de não ter que andar duas horas à procura de lugar para estacionar.

12.12.2007

Não foi desta



Não ganhei o tal concurso, o meu post (aquela bela porcaria, para ser muito sincera) nem foi nomeado. Que se lixem os 1000 euros, é só dinheiro, pena tenho mesmo é de já não ir provar o risotto do Pedro e de não levar o ao meu japonês favorito.
Por falar nisso não consigo convencer ninguém a vir comigo jantar ao meu japonês, não haverá nenhuma alma caridosa que me queira acompanhar?

foto roubada aqui.

12.11.2007

12.10.2007

A justiça na forma do costume

A quantidade de criminosos que anda por aí à solta continua a ser uma coisa admirável. Por exemplo, os arquitectos que desenharam o Colombo. Andam aí e até são premiados. Incrível. A pena deles cumprem as pessoas que, como eu, são obrigadas a olhar para a coisa um mínimo de duas vezes por dia.
E ainda me surpreendo como não param de lhe fazer acrescentos, como um monstro a quem crescem sem parar novas e mais assustadoras partes do corpo.
Os rapazes do eufigénia verde ou lá o que era bem que podiam começar a aplicar as tácticas deles a conceitos urbanos. Não me vão dizer que aquilo não polui mais do que o milho transgénico.

12.09.2007

Ou estou

cheia de sono, ou alguém está desesperado por me contactar. No espaço de uma hora, tudo aquilo em que toquei caiu ao chão (não tenho bem culpa por inteiro, o Newton já explicou, 9.8 m/s2). Então é assim: tenho o telemóvel ligado (e, espantoso, com som), o messenger não, mas respondo a mails (se os vir).

12.06.2007

Mau timming

Leio na Visão que seguradoras vão começar a comercializar o "life-style insurance" em Portugal. Por uns meros 700 euros por ano, pode-se garantir a manutenção do estilo de vida após acidentes ou divórcios. Mal pensado (nem vou fazer considerações ao facto de risco ser elevadíssimo, imagino que as condições de adesão e eventual usufruto sejam ridículas). Por uns meros 700 euros por ano eu agora poderia continuar na minha vida de dondoca cuja maior preocupação no mundo era descobrir a que praia ía tomar café nessa tarde.

Puto,

acho que ainda há um par de lençóis cá em casa aos quais não deste o teu tratamentozinho nocturno, os da tua irmã. Vê lá se tratas disso hoje, sff, estás a falhar.

Ai, a continência devia vir num chip embutido, programável desde o dia do nascimento. O que se poupava em fraldas? Altamente ecológico, não era André?

12.05.2007

Depois

de me chamarem "neo-liberal" no fim de semana, fui a correr fazer o teste.
Fiquei ali no limite do liberal de direita, quase a fugir para o liberal de esquerda, muito moderadinha, graças a Deus. Mais para o lado do Dalai Lama do que do Milton Friedman (gosto muito mais do Dalai Lama do que do Milton Friedman).
Hoje disse a um dirigente do Bloco de Esquerda que era do PNR* e só denotei pena na voz dele. Para verdadeiro nojo teria de me ter declarado da Nova Democracia, se calhar.

*só para o maçar.

12.04.2007

Do Natal

Pediu-me para levar a árvore e, obviamente, deixei. A árvore, que parecia concebida para aquele canto da sala antiga, não ia caber na minha sala minúscula (nem em lado nenhum).
Levou também os enfeites. Não sei sequer se deixou algum anjinho ou pai natal pelo meio. Montou-a com os miúdos na casa dele(s). Finalmente terei uma boa desculpa para não brincar às folhas verdes de plástico a imitar pinheiros? Debato-me entre a vontade de ter apenas o presépio e achar que eles precisam de coisas a lembrar o Natal dentro de casa.

12.03.2007

Sonhei-te

outra vez. Fiz de propósito, quando acordei a meio da madrugada imaginei que te sonhava e aconteceu. Sonhei-te como sempre te conheci, da mesma maneira como te vi sempre e em tudo era semelhante à realidade, esse sonho. Era portanto um sonho casto e inocente como o de uma criança. Não tenho problemas em manter contigo uma relação perfeitamente inocente, que são afinal as únicas que consigo manter. Já tenho problemas em manter nenhuma relação, sobretudo problemas de compreensão. Por isso se me leres (bem sei que não lês, mas gosto de imaginar que sim) ficas a saber. Que até em sonhos és inocente (já eu não posso dizer o mesmo).

12.02.2007

Durante muito tempo

assim foi. Falava muito, mas raras vezes sobre mim. Ouvia muito os problemas dos outros e vivia-os para que não tivesse que assumir os meus.
Durante quase toda a minha vida foi assim, assumir fraquezas era perder aos olhos dos outros. Ainda hoje detesto assumir sofrimentos. Eu não sofro, não tenho falta de sono nem de dinheiro nem de pessoas de quem gosto nem de objectivos. Eu sou perfeita e quase sempre tenho uma vida muito boa. Agora é mesmo verdade. Eu tenho uma vida muito boa. Porque pese embora o facto de não ter tudo aquilo que quero (eu quero muitas coisas, mas poucas são materiais) tenho muito daquilo que nem imaginava que podia ter. Mais do que se calhar mereço. Acima de tudo, já tenho é pouca necessidade de esconder seja o que for. E vendo bem, isso é quase tudo.

Ontem

trabalhei, fui ao circo, tive um jantar, dancei.
Tenho oito dias de trabalho pela frente. Trabalho no dia de Natal. E na véspera. A minha avó, condoída pelos meus horários absurdos, vai mandar a empregada dela para me limpar a casa. A empregada da minha avó ganha mais do que eu. Aguardo pelo fim da presidência da ue para mendigar qualquer coisa melhor. Não tenho pressa. Terá o meu corpo aprendido a esperar antes de se lançar no escuro da primeira situação que lhe apareça só para fugir à actual? Se sim, já valeram a pena todos estes últimos meses miseráveis.

12.01.2007

Por azar

ou se calhar é coisa corrente, mas também vi e não gostei. Senti-me como se estivesse a espreitar a senhora na casa de banho. Não é bonito e eu não gosto de espreitar ninguém na casa de banho.

11.30.2007

Do acordar

diariamente e ter que pensar "sou o que sou e não o que faço". Passou apenas um mês, bem sei. Mas quero ser o que sou e o que faço. É pedir muito? Eventualmente. Pura e simplesmente nem vale a pena pedir se for para pedir pouco.

Quando for grande

quero trabalhar na função pública e fazer greve à sexta-feira.
Pronto, também pode ser à segunda, não sou esquisita.

11.29.2007

Almost* famous

Sexta à noite faço o mesmo programa do Pedro, Sábado à noite encontro a Mónica Sintra no meu bar, hoje volto a encontrá-la numa inauguração (ou qualquer coisa que sinceramente não me interessa o que era) da megastore do Benfica (qual era a probabilidade?).
Calma, eu não fui à megastore do Benfica, vi-me forçada a passar por lá para ir ao café que vou sempre a esta hora e neste dia da semana.
Pedro, same time next friday (ou seja, amanhã)? Prometo que se tirar os phones até o cumprimento desta vez (tipo fã histérica e emocionada).

*sendo este almost tão carinhosamente resguardado, acarinhado, completamente incorruptível.

11.28.2007

Real Life Heroes

Isabel Jonet.

O BA tem recolhas em 137 supermercados do país este fim de semana.

O BA vive exclusivamente de doações, dispensando qualquer ajuda ou subsídio do estado. Parece impossível? Não é.

11.27.2007

Repost (para 1000 euros)

A semana passada li o público (de 4ª? de sábado?) e descobri um concurso.
Este blog dá um prémio de 1000 Euros ao melhor post introduzido no concurso. O mais votado por comentadores no blog no dia 30 deste mês, ganha.
Ora eu que nem sou assim pessoa de concursos nem nada (não que ache que tenha assim grandes hipóteses, qualquer babuíno treinado a digitar letras para formar palavras num teclado escreverá posts mais brilhantes do que os meus, mas enfim), cá vai:

"Estás-me debaixo da pele, liquefizeste-te no meu sangue.
Circulas-me por dentro ao ritmo do metabolismo, umas vezes de forma paciente e lenta, outras percorrendo-me as veias a uma velocidade brutal.
Oiço a tua voz no gorgolejar das minhas entranhas, sinto a tua respiração no restolhar das folhas, cheiro-te na toalha depois do banho.
Verdade é que me seria fácil eliminar-te para sempre, mas não gosto do vazio que deixarias, prefiro sentir-me acompanhada.
Só falta agora entrares lá, no núcleo, no centro onde se processam as fantasias. Ainda não me povoas os sonhos nem me preenches os pensamentos.
Melhor será que te apresses a fazê-lo, estou fartinha que seja sempre o outro."

1000 euros

Há temática? Não? Um post qualquer? O melhor post? O post mais lido? Hum...Vou ter que ler todos os posts que publiquei? Vou ter que publicar um post bom? Mas isso é quase uma impossibilidade. Os meus melhores posts não estão neste blog, acho eu.

Se fosse este?

Ou este?

Pronto, já decidi, publico em cima. Paizinhos e pessoas impressionáveis, não (re)leiam por favor.

11.26.2007

Os meus

escritores favoritos Saramago, Garcia Marquez, Luis Sepulveda. O meu arquitecto favorito, Niemeyer. Todos de esquerda. Leio-os e tantas vezes fico ali em conflito com as ideias deles. Se calhar é isso, precisar do conflito interior para poder apreciar qualquer coisa. Algumas das pessoas de quem mais gosto são as que melhor discutem comigo (não é melhor teimam mas sim melhor discutem, aqui implica aceitarmos, a algum ponto da discussão, as ideias ainda que parciais uns dos outros).

Há qualquer coisa

de sexy em mexer no html. Deve ser semelhante à sensação de mexer num motor de um carro ou enfiar as mãos inteiras até aos cotovelos em massa de fazer o pão. É tocar no core da coisa.

11.25.2007

Escrevi aquele post embaixo

sobre o 25 de Novembro (e sinto-o) mas na verdade confesso que tenho um fraquinho pelo PREC.
Vi uma vez um documentário da globo, o melhor que vi sobre o 25 de Abril (possivelmente por ter sido feito por estrangeiros teria uma perspectiva mais imparcial dos acontecimentos). Foi nesse documentário que vi trabalhadores rurais de uma herdade invadirem a casa do proprietário (que já tinha fugido), vestirem-lhe a roupa, sentarem-se nas cadeiras, beberem vinho por copos de cristal (como crianças a quem alguém dá livre trânsito para mexerem em tudo numa loja de brinquedos). Outros que tinham ocupado um campo de ténis para aí fazerem uma creche mas garantindo que os anteriores sócios do clube poderiam aí jogar ténis como sempre tinham feito (o que, estranhamente, não faziam). Redacções de jornais em auto-gestão, onde o caos e as ordens sobrepostas deveriam levar à loucura qualquer jornalista que tentasse escrever alguma coisa.
Acima de tudo foi um período de festa constante e onde os portugueses que se envolveram nesse processo (que foram muitos) se sentiam directamente responsáveis pelo sucesso ou falhanço do seu projecto, coisa tão rara em nós (sim, englobo-me aqui no nós, em algumas coisas sou mesmo tipicamente portuguesa). É claro que se as coisas se tinham mantido assim por muito mais tempo seria o descalabro do país.

Hoje

é 25 de Novembro. O que significa que é o dia em que temos que agradecer a um grupo de portugueses por não termos vivido num regime comunista.
Há quem ache que daria direito a feriado. Eu acho, nenhum feriado pode ser a mais e já há tantos que não fazem sentido.

11.24.2007

Mulheres giras



Helena
.

Não, não acordei assim (infelizmente).

11.23.2007

Não sou só eu, ufa

Também leio um blog (não, não vou dizer qual é) cujos textos dão ponta. E nunca li lá nenhuma referência sexual.

11.22.2007

Na Fox

acho que é, há uma série em que uma rapariga, advogada de divórcios na cidade mais impiedosa do mundo, tem um trabalho por fora como casamenteira. Só por esta sinopse dá para imaginar a qualidade da série, é mesmo má. Dá ao Domingo, parece-me, e acho que já adormeci umas vezes a olhar para aquilo (inevitavelmente as escassas horas que passo a ver televisão adormecem-me, o meu atention spam para a coisa é o de uma criança de 2 anos com hiperactividade).
Bonita, essa profissão, casamenteira. Suponho que nunca tenha sido considerada uma profissão com estatuto próprio, seria mais um "trabalhinho" por fora de alguma vizinha viúva ou coisa assim, não sei bem.
Talvez o fizessem mesmo sem obterem lucro pessoal, pelo gozo de verem casalinhos arranjados, pelo puro prazer de saberem pelas suas mãos tecidas famílias, de lhes nascerem enteados frutos de anos de observação dos outros e de umas quantas trocas de palavras, afinal não lhes dava grande trabalho e seria um entretenimento em tempos de escassez de entretens. Divago já.
Na adolescência eu passei por isso também, sempre gostei de ver as minhas amigas "arranjadas", de facto sabia bem que obtinha apenas prejuízo disso, o tempo que dispunham para mim quando arranjavam namorado passava para quase nulo, mas não sei bem porquê vejo-me hoje em dia a pensar o mesmo, em quem ficaria bem com quem, a prestar conselhos sobre relações, a ter paciência para ouvir as queixas que não ouvem eles.
A lógica deve ser a do "quem não sabe, ensina", não perdoaria a quem me fizesse o mesmo a mim, eu sou a pessoa mais inepta do mundo nestas coisas, sou boa a sabotá-las mas não me peçam mais.
Ontem ao reflectir sobre o assunto imaginei que a psiquiatria explicasse o assunto assumindo que ao projectar o meu desejo nos outros estaria apenas a salvaguardar-me a mim dessas situações.
Evito-as, sim. Não por estar traumatizada com nada. Não por "não querer voltar a passar pelo mesmo". Apenas por nunca ter querido passar por nada disso.
Nessas coisas tenho a aptidão de um gago para a fala. É verdade que com terapia até pode vir a falar correctamente, mas no fundo, nunca deixará de ser gago.
A única maneira de não gaguejar é não falando. Nunca.

11.21.2007

Design



Aqui há uns tempos aconselhei o meu ex marido a comprar, se tínhamos que gastar dinheiro, peças de Design reconhecido. Não só por serem giras mas porque seriam um bom investimento, o dinheiro pago a mais agora seria multiplicado no futuro, devo ter dito qualquer coisa como "O Design é a arte de amanhã" ou uma das minhas tiradas rebuscadas do costume. Foi graças a disparates destes que fiquei sem as minhas cadeiras da sala, a única coisa que ele levou de casa (amostra em cima).

Mas o que no fundo me irrita é que toda a gente sabe que o conceito de "Design" foi o de levar, a quem não podia pagar preços absurdos por peças de mobiliário, peças simples mas esteticamente agradáveis e práticas, com um custo mais reduzido do que as tradicionais (a diferença entre ter artesãos a fazerem as peças ou serem criadas por máquinas). Actualmente "práticas" e "a preços mais acessíveis" só se considerarmos o IKEA e a Area design (e são-no, de facto).

Velha conclusão: que quem mata não são as armas mas as pessoas que primem o gatilho.
Nova conclusão: não macem o Designer, ele tem sempre razão.

11.20.2007

Perturbações mentais

ou demasiado tempo em frente ao Panda. Começo a achar que alguns dos bonecos dos hot wheels acceleracers até têm pinta.

11.19.2007

Há qualquer coisa

de maravilhoso nos insultos que as crianças inventam umas para as outras.
"Não gosto de ti".
"És feia".
"Não gosto das tuas camisolas".
"Vais ser comida por ovelhas".

Comida por ovelhas é deliciosa, a próxima vez que me apetecer insultar alguém, vou usar esta. Ao invés de "Vai-te lixar, "Vais ser comida/o por ovelhas". Muito mais desconcertante.



imagem daqui.

Andamos

na troca de cromos. A idade avançada permite estas criancices de novo, já em versão upgrade da coisa. Ó Susana, o que me dizes de um bombeiro que se retrata em cima dum camião dos bombeiros com aquilo a deitar água por todos os lados e cujo perfil se resume a "aventureiro"? Guardei-o para ti.
O problema dos cromos é que ao fim de um certo número de carteirinhas já só saem é repetidos.

11.17.2007

Mais uma acha

para a fogueira "mas hoje em dia quem é que ainda, no seu estado de consciência perfeito, pensa casar-se?": aparentemente, a lei assume que duas pessoas casadas não têm direito de independência em relação a matérias como a procriação. Não fazia ideia que uma pessoa casada tivesse que pedir autorização ao cônjuge para se poder tornar estéril e, embora moralmente não discorde da lei, não posso admitir que a lei se intrometa em assuntos morais deste calibre.
Tenho a certeza absoluta que esta lei não é aplicada na generalidade das situações, mas o mero facto de o poder ser (e lembro-me agora de um médico que certamente a aplicará), enoja-me.
Dizer que isto é baseado no facto de o casamento ser uma instituição que visa proteger a prole, que sentido faz? A prole no caso ou não existe ou, se existe, não deixa de estar mais ou menos protegida pela lei em causa.
O casamento é um contrato como os outros. Ambas as partes têm deveres e direitos. Digo eu (que tenho esta visão tão romântica do casamento) que a lei pode/deve apenas regulamentar direitos patrimoniais no âmbito de um casamento. Que eficácia tem a lei em regulamentar comportamentos se uma das partes pode alegar que a outra não cumpre quando, em acordo de partes, tinham ambas estabelecido que isso não era dever?
Admiram-se de haver cada menos casamentos. A mim admira-me é como alguém ainda se casa.

Coincidências

Descobrir que um ex-amigo e ex-colega de liceu foi o arquitecto responsável pela concepção das lojas de um outro amigo. As coisas que poderia descobrir se me pusesse a navegar pela net ao invés de estar aqui a ler blogs.

11.15.2007

Querido blog,

uma miúda de 20 anos que não conheço de lado nenhum quer me adicionar no hi5. A miúda é gira. Mesmo gira. O que faço?

¡¿Por qué no te callas?!*

Aqui há uns tempos uma amiga apareceu no Expresso. No sábado disse-lhe "amanhã vou buscá-lo (ao Expresso)", ao que ela me respondeu, naturalmente, "amanhã já não há".
O que não lhe expliquei foi que ia buscá-lo a casa do meu avô porque o meu sistema de leitura das revistas que acompanham os jornais (jornais não consigo ler, têm uma escrita pouco estética e sujam os dedos) é andar a recolhê-los pelas casas por onde passo, especialmente na dos meus pais e avós. Posso justificar-me melhor, na verdade se tenho pouco tempo para ler, esse tempo aplico-o a ler livros e vou sabendo meia dúzia de coisas do estado do mundo pelos blogs e revistas que recolho (é por isso também que estou sempre atrasada a ler os suplementos).
Agora que já fiz figura da pessoa mais inculta da blogosfera, posso dizer que eu (32 anos) ainda me dou ao trabalho de discutir política com o meu avô (89 anos) e que ele não saindo do quarto há mais de um ano ainda me ganha com facilidade (cada vez me enterro mais).
Na verdade quero muito perguntar-lhe o que pensou ele desta declaração do rei Juan Carlos, sei que nutre um especial desprezo pelo personagem, não só por ser um republicano convicto mas principalmente porque o responsabiliza por um acidente de cavalo que levou a minha avó ao hospital durante uma montada (caçada a cavalo) em que participavam. O rei teria uns 9 ou 10 anos na altura.
Talvez já lhe tenha perdoado agora. Ou então ainda o despreza mais (com o meu avô nunca se sabe).

*(ou eu não posso ser a única a não fazer um post sobre isto).

11.14.2007

Há qualquer coisa

num amor platónico que roça a perfeição. Será o mais perto de uma relação perfeita que conseguiremos estar. Algures no tempo já escrevi sobre isto.
Quem diz amor platónico diz não concretizado, falhado, desigual. Esse é o amor que resiste a tudo e que fácil lhe é resistir, não tem que levar com más disposições, com os pés em cima da cadeira e a luta pela posse do comando. Não precisa de mais cuidados do que aqueles que a nossa imaginação lhes presta e é óbvio que ela não se lembra de o pôr a discutir furiosamente nem a ressonar ao nosso lado enquanto tentamos adormecer.
Também eu tive o meu primeiro amor, pelos 16 anos, falhadíssimo, rasgadíssimo, sofridíssimo. Nessa altura tudo era Camiliano para mim, a vida não valia a pena senão carregada de dores que eventualmente seriam anuladas pelos consequentes prazeres numa lógica de compensação contínua.
Assim viveu ele durante alguns anos, perfeitíssimo (pudera), intacto (como poderia não estar), inteiro (impossível de fragmentar).
A esse meu amor reencontrei-o há meia dúzia de dias, por coincidência tem o filho mais velho no colégio o meu filho mais novo. Não está diferente, tornou-se até um homem mais interessante, os anos revestiram-no de alguma profundidade (ou qualquer coisa que não sei descrever). No entanto, no meio da minha lucidez actual, consigo ver tão mas tão bem o desadequados que estaríamos um para o outro. Na verdade não passa de um homem banalmente comum.
E isso é imperdoável nesse reencontro, descobrir a banalidade com a qual até os nossos amores perfeitos estão revestidos.

Zuza,

Eu posso ser franciscana mas não sou estúpida, sei bem como é que adivinhaste. Vocação perdida era para detective, claro, não te vejo nada nas ocultas.
E, imagina, quando escolhi o meu nick não fazia ideia da história das Clarissas. Mais, há uns dois anos que carrego comigo todos os dias, desde que fui com a minha amiga a Compostela e ela ma ofereceu, uma cruz dos franciscanos (que também só descobri que era há pouco tempo). Destino?

11.13.2007

No meio da minha

cobardia prefiro imaginar que estás em silêncio do que dar-me ao trabalho de descobrir que não estás.

É seguro dizer

que há tantas verdades como pessoas no mundo. Nesta linha de pensamento não há é sequer uma verdade por definição, não passamos de mentirosos, e mesmo que queiramos dizer a verdade, mesmo que pensemos estar a dizer a verdade, essa verdade não é mais do que a nossa verdade e mentira para todos os outros.
Por outro lado, há apenas uma verdade absoluta e incontornável, verdade esta que não está ao alcance de ninguém, por ser impossível a alguém sequer olhá-la sem ser com esses olhos retorcidos e sem qualquer ponta de imparcialidade.
A verdade é assim uma coisa pessoal e intransmissível, tipo BI, palavras sem grande sentido ou firmeza e sobre as quais não vale a pena debruçarmo-nos com grande seriedade.
Será verdade isto? Sim, mas para mim apenas.

Nunca pensei vir a escrever um texto tão idiotamente filosófico.

pessoas com extremo bom gosto