1.31.2008

O Carnaval voltou

volta sempre, fatalmente, como uma constipação mal curada. Não acho grande piada ao Carnaval, como qualquer adulto, mas se o Carnaval fosse sempre na mesma data todos os anos, faria agora 1 ano a noite mais perigosa da minha vida, da qual felizmente não guardo memórias (quando tomarem Prozac, não bebam, é um conselho).
Faria também agora 1 ano que nos conhecemos, do que me lembro, tinhas uma camisola de cor mostarda (será para ti uma outra côr qualquer) e bateste com a cabeça na porta do meu carro ao sair (a minha memória fotográfica, o que me resta).
Eu sou uma pessoa melhor sem comprimidos, é um facto.

O texto vai deslincado de propósito.

Escrevo aqui

displicentemente, sem querer saber, quase sem pensar em quem me lê. Escrevo muitas vezes sem vontade de o fazer, como uma obrigação que tenho de cumprir, dos anos em que aqui ando (serão 4 em Setembro) e em que o blog se colou a mim, se tornou como que uma camada de pele que por vezes vou tapando, outras destapando sem nunca revelar totalmente (que nem saberia como fazê-lo).
Mas entretanto vou escrevendo, vou encontrando amigos, uns que eram, outros que se tornaram e às vezes até almoçam comigo, e me dizem coisas generosas como "Clara, as mulheres inteligentes, giras e interessantes safam-se sempre", mas desconfio que isso seja falta de vista da parte dele (da idade avançada e assim) e isso também explicaria a falta de orientação (toda a gente sabe que as mulheres é que não têm sentido de orientação).
Isto um bocado para dizer que estou fartinha de escrever aqui. Mas se calhar estou é fartinha de tudo na minha vida e o blog não tem culpa nenhuma.

1.29.2008

Em conversa

com outro amigo, já há uns tempos, pergunta-me ele o que tenciono fazer e digo-lhe coisas como ir para Moçambique e assim. Mas claro, daqui a uns 10 anos, quando puder fazer opções na vida.
-Mas Clara, 10 anos são muito tempo, e entretanto?
De repente lembrei-me que não tenho mesmo um plano para o entretanto. 10 anos não são assim tanto tempo, pois não?

Ora esta série

está muito bem, um bocado à Paulo Coelho mas enfim.
Adiciono uma: sábia foi a Natureza em não nos deixar prever o próprio futuro. Quantos de nós aguentaríamos viver sabendo aquilo que nos está reservado?

1.28.2008

Há muito tempo

que não falava com o meu amigo e hoje trocámos umas palavras. O meu amigo acha muito bem feita que eu esteja sozinha porque eu trato mal os homens. Ele toma-se das dores dos homens que passam na minha vida e diz-me estas coisas. Nem ele sabe (ou sabe) que lhe conto as coisas mesmo com esse propósito, que quero ouvir o outro lado e que só a ele lhe admito que me fale dessa maneira, é uma espécie de intermediário. O meu amigo acha que o meu template é aveludado e eu gosto dessa definição. Gosto que pensem no meu blog como uma espécie de sofá, uma day-bed onde nos podemos sentar e fechar os olhos, quem sabe se eu também não me torno uma pessoa adamascada. No fundo até sou muito suave, nunca tive foi oportunidade de o demonstrar.
Ele também acha que eu devo pôr fotografias minhas em bikini por aqui. Talvez lá mais para o Verão (ainda está um bocado de frio para isso).

1.27.2008

Ano novo,

template novo (pelo menos foi antes do fim de Janeiro). Digam mal, digam bem, digam não vejo nada porque não tenho o active content enabled, digam qualquer coisa (aqui nos comments ou por mail).

1.26.2008

Sexta-feira

À conta do MacDonalds e das ofertas com frases em hebraico explico à minha filha a formação do estado de Israel. É possível explicar seja o que for sem lhe imprimir uma opinião parcial ("isto é pior que uma aula da catequese")? Hoje de manhã compensou-me contado-me a história do "Fausto" que foi encenar.
Arrasto-me até à loja da Disney onde algumas criancinhas estragadas de mimo fazem birras dentro de vestidos de princesa.
Na Fnac o miúdo encontra o melhor amigo da escola e sento-me a ler o jornal quase inteiro sem interrupções. Eu quero um livro de 12 euros. Ele quer um 10 vezes mais caro. Não levo nenhum (evito a culpa de comprar uma coisa para mim e não para ele). "Vou pedir este livro do corpo humano ao Pai Natal". Alguém vai ter uma desilusão no Natal.

1.25.2008

De tantas

coisas que inventamos, medimos, contamos e contabilizamos deixamos de parte o mais importante. Como medir a velocidade a que a vida passa por nós? A medida das coisas boas, más, mais ou menos, que nos fazem felizes e nos destroem?

O meu filho todos os dias se enrola no meu colo de chucha na boca. Conta-me muitas coisas que lhe acontecem na escola, por vezes de cansaço nem o oiço, finjo apenas. Tem um discurso fluido mas entrecortado por muitos xixis e cocós, as palavras que mais gosta de proferir, deve ser da idade. Diz também "men" e "pá", coisas que não suporto ouvir e corrijo-o. Baralha-se no tratamento por tu e você, confunde-se e mistura tudo.
O meu filho ainda é pequeno mas torna-se grande a uma velocidade assombrosa, está na fronteira entre o bebé e o menino e diz coisas como "para a mãe sou bebé, para os outros sou um menino grande", que são absolutamente verdade.
O meu filho é feito de pele e cheira a filho, tem olhos maiores que a cara e quando se enrola no meu colo confunde-se comigo e sei bem que muitas vezes nos baralhamos, nos esquecemos onde começa um e acaba o outro. Já não vai durar muito, esta fase, acabará como todas as outras em que eles se afastam naturalmente de nós. Ainda assim a Natureza foi generosa, são anos desde que estão dentro de nós até se afastarem verdadeiramente e quando começam a fazê-lo ficam tão insuportáveis que começamos a desejá-lo verdadeiramente. Dá tempo para nos preparamos.

1.24.2008

Um dia



descubro o bug no meu java script. Hoje é o dia.

1.23.2008

Eu se nunca

tivesse sido casada e fosse a um jantar só com outras mulheres, todas casadas, jurava para mim própria nunca o fazer. Quatro horas de conversa sobre bimbys, pediatras, raptos, gravidezes, operações plásticas para retirar a gordura da barriga, obstetras, partos, birras e noites mal dormidas seriam suficiente desmotivante.
Estar no limbo é (só nesta perspectiva mesmo) muito bom. Tanto temos conversa sobre saídas nocturnas e homens (enquanto a memória não falhar) como pediatras e birras (embora confesse a minha preferência pelo tipo de conversa das solteiras).

Dedicado à F.,por se ter aguentado estoicamente aquelas horas todas.

1.22.2008

Dos morangos com chantilly

Se não entenderam, têm que ler até uns posts atrás, comentários incluídos.
Não, ninguém me enviou nenhum sms (nem sequer imagino alguém que o pudesse fazer, se querem ler coisas emocionantes comprem a Maria, a minha vida emocional está tipo travessia do deserto mas em mau).
Mas no dia seguinte o meu cliente ligou-me de manhã para me pagar. Já não é mau de todo. E imaginem lá quando é que ele se propõe a pagar-me? Sexta-feira à noite, pois claro. Devo dizer-lhe que não passo recibos no Lux?

1.20.2008

Vi um pouco do final



de um filme que gosto muito, "Cat on a hot thin roof". Numa das cenas, Maggie, a personagem interpretada pela Liz Taylor apanha chuva e fica mesmo encharcada até as ossos, sobe as escadas e quando as desce (no momento imediatamente a seguir) já vem completamente seca, bem penteada e com a maquilhagem perfeita. Esta magia do cinema mais antigo pode parecer absurda hoje em dia, mas eu acho que faz todo o sentido. Se podemos ter a Liz linda de morrer e absolutamente arranjada, porque haveríamos de a preferir encharcada e com a maquilhagem a escorrer pela cara abaixo? Se é um filme, porque não há-de se assumir como tal, com cenários falsos, personagens falsas de penteados perfeitos? Estou segura que a maioria das pessoas que vê um filme sabe bem que aquilo não se passou realmente. Porque temos que ter as imperfeições também aplicadas ao cinema? Isso seria o mesmo de uma campanha publicitária sem truques de photoshop.

Agora

que finalmente fui ao Hermitage, com H desta vez (bom não fui mesmo ao Hermitage, fui só à exposição no MNAA), vou ali só comer uma taça de morangos com chantilly ou mesmo uma Bavaroise de morangos.

1.19.2008

É no que dá

ter tempo demasiado nas mãos. Fui ver um filme péssimo, esqueci-me de almoçar e ao fim da tarde só não desmaiei de falta de açúcar entre a maior livraria portuguesa e o Corte Inglés graças aos 2 bombons que o meu filho me enfiou no bolso do casaco há umas boas 3 semanas. Vi um livro que queria comprar e não comprei (estúpida), vi um livro que queria ver e fiquei mal disposta. Tinha-me esquecido que a fotografia pode ser brutalmente violenta.
Relembrei-me porque detesto o Corte Inglés, ódio maior só mesmo ao Colombo, e ainda não fui ao Ermitage.
Safa-se o template novo que espero conseguir acabar esta semana (mas também não foi graças aos progressos de hoje). Vendo bem afinal, não se safa mesmo nadinha.
Vou comer uma salada, já volto (assim não vai resultar, pois não?).

Tenho um dia

inteiro para mim. Se calhar quem ler isto não acha nada de especial, um dia. Um dia inteiro. Só para mim. Muitas horas sem nada agarrado a elas, nenhum compromisso definido. Tantas horas que me perco nelas, fazendo planos para as gastar, atarantada com a imensidão de minutos disponíveis à frente, tão perdida que gastei já quase meio dia só a planear o que fazer com o resto do tempo.

1.16.2008

Eu falo

muito mas depois nunca cumpro o que digo (vocação perdida, certamente). Continuo a ouvir o prof. Nuno Crato e ontem aprendi o que são os Idos de Março (agora só falta saber que ligação tem isso com a ciência, nessa parte continuo na ignorância).
O Nuno Crato conta umas piadas muito secas, mesmo de cromo, e depois ri-se muito (sozinho). É o máximo. Hoje não o ouvi e senti o meu dia incompleto (ainda sinto e já são 10 e meia da noite).
Para quem perguntou, é aqui, antes das 9 da manhã.

1.14.2008

Todos os dias

ao fim do dia, transformo-me numa espécie de Sophie: ao chegar ao cruzamento, se virar à direita vou buscá-la primeiro, se continuar em frente vou buscá-lo a ele primeiro.
Já tentei vários métodos: ir para o lado com menos trânsito, alternar os dias em que vou para a direita com os que vou para a esquerda (este é um verdadeiro desafio, praticamente nunca me lembro da opção do dia anterior), ir sempre em frente por ser ele o mais pequeno, ir sempre para a direita por ser a opção mais directa da ligação entre os dois pontos.
Já tentei vários métodos, mas não há dia em que não me sinta Sophie a chegar ao cruzamento.

1.13.2008

Eu

que sou uma senhora já antiga, posso orgulhar-me dos meus filhos ainda me chamarem para passar os níveis do Super Mário.

1.12.2008

Verdadeiro ou falso?

Arte ou não?

Tive uns miseráveis 75%.
(Pronto, 100% no do Pollock, mas esse era básico).

Via Aba de Heisenberg.

1.11.2008

Das eleições norte americanas

Não consigo achar piada à coisa, o que fazer? Entretanto toda a gente parece ter imensas opiniões sobre a Hillary e mais não sei quem e a mim o assunto aborrece-me de morte. O que ainda me espanta é como todos parecem saber imenso sobre a postura dos candidatos e achar a Sra. Clinton muito irritante, onde é que verão a pose dela, será na televisão? É que eu não vejo televisão e às tantas estou a fazer as figuras da minha prima, que também não vê. O ano passado, no Bar do Rio cumprimentou o Zé Diogo Quintela e, quando lhe perguntámos de onde o conhecia respondeu "O Zé quê? É o primo do meu amigo, do Babá". O que nos rimos, naquele momento e naquele sítio ela era de certeza a única que não tinha a mínima ideia de quem eram os Gatos Fedorentos.
Qualquer dia estou assim também.

1.10.2008

Zanguei-me

com a Visão há umas duas semanas. Eu gosto pouco que me contrariem as minhas teorias fantásticas e descobri na revista que o Pedro Arroja existe e é tão imbecil como escreve. Já poderia ter descoberto há mais tempo, até Julho passava diariamente à porta da empresa dele na Foz, só nunca tinha feito a associação ao nome (denial, só pode).
Bem, mas deixei de ler a Visão uma semana e agora voltei, quase só pelas crónicas do Lobo Antunes (muito bom em doses pequenas), e eis um grande artigo sobre a Ana Drago. A Ana Drago foi do meu grupo de amigas do liceu, zangámo-nos por um motivo estúpido, todas as zangas entre as pessoas têm motivos estúpidos e as mais estúpidas de todas são mesmo essas. Nunca mais me voltei a zangar com nenhuma amiga por esta razão, caso seja caso disso atiro facilmente a toalha ao chão. Mas portanto a Ana era do meu grupo de amigas e era das poucas que tinha brincos dourados maiores que os meus*, o que não é dizer pouco. Se nessa altura já era de esquerda disfarçava muito bem e, não garanto porque na realidade não me recordo se é mesmo verdade ou não, acho que ainda chegou a fazer um dia ou dois de campanha connosco. Para um partido completamente diferente.

*já passei essa fase há muuuuuuuuuuuito tempo, calma.

Hoje que precisava tanto de me rir

pela primeira vez chorei com um post.

1.08.2008

De manhã

ouvi na rádio o prof. Nuno Crato. O prof. Nuno Crato é cientista e está em todas. Há um programa na televisão sobre qualquer assunto minimamente cientifico, chamam o prof. Nuno Crato. O prof. Nuno Crato vai a Almedina dar seminários não sei quantas vezes por semana. Há um programa na rádio sobre ciências e, adivinhem quem apresenta, o prof. Nuno Crato.
O prof. Nuno Crato não será o único cientista em Portugal, mas é bem capaz de ser o único com poderes oratórios. Toda a gente sabe que os cientistas são os maiores geeks do mundo.
De manhã, ainda antes das 9, o prof. explica como descobriram que umas células por detrás do globo ocular regulam o sono e a relação deste com a luz do dia. Explica isto adicionando que, para chegar a esta conclusão, estudaram pessoas a quem tinha sido retirado o globo ocular, por razões estéticas(?!!) e que vieram a sofrer de insónias. Eis como chegar ao emprego já meia enjoada e prometendo não ouvir mais o prof. Nuno Crato.

1.07.2008

É incrível



como as coisas, as pessoas, se juntam de forma que parecendo espontânea e natural não passa de um choque de afinidades, da mesma língua instintiva falada a duas vozes. Para quem está de fora, assistir a esse espectáculo é como ver um acidente a acontecer em câmara lenta. Como se algo de tão previsível e animalesco não pudesse deixar de acontecer.

Um bocado egoísticamente

regozijo-me com a lei que proíbe o fumo em locais fechados. Eu (já) não fumo e, logo, não me apetece levar com o fumo dos outros (sobretudo cigarrilhas e charutos). Há lutas que pura e simplesmente não valem o dispêndio de energia. É provável que se fumasse andasse a protestar e a fazer listinhas de sítios permissivos, não o fazendo parece-me um bocado fútil. Daí que incompreenda quem se empenha em lutar contra estas causas perdidas estando completamente de fora, será talvez falta de outras causas mais válidas pelas quais se baterem.

1.05.2008

Fui almoçar

com um amigo. Pensava eu que tinha a direcção desalinhada e afinal era falta de ar nos pneus. A falta que faz um amigo na vida de uma mulher solteira. Como se não bastasse ainda me anima (ao meu habitual chorrilho de queixas responde-me que escrevo sem erros).
Eu tenho um corrector ortográfico automático mas sim, em geral escrevo sem erros. Honestamente, acho que me dava muito mais jeito ser copa D.
(Obrigada).

1.04.2008


(daqui)

Gosto muito de fotografias. Às vezes acho que gosto mais de fotografias do que de qualquer outra arte gráfica, pela mesma ordem de ideias que me faz gostar mais de biografias do que de romances.
Aquilo aconteceu. Pode ter sido encenado. Mas aconteceu. E logo isso se reveste de uma carga emocional, não apenas do seu autor (como um quadro seria) mas de todos os envolvidos. Um fotógrafo é alguém que, generosamente, dá lugar a outras pessoas ou objectos para que contem uma história. É muitas vezes esquecido, ignorado, desprezado. Numa fotografia vemos tudo menos o fotógrafo. No entanto, é através dos seus olhos que vemos, sem eles não seria possível termos acesso ao momento que foi fotografado.
Gosto muito de fotografias, deve ser por isso que perdi todas as máquinas que tive.
(O meu fotografo preferido é, off course, o Fernando Guerra).

Downgrade

Antes de casar, o nosso restaurante e o nosso hotel (lembras-te, meu querido?).
Estou fartinha da vida espartana. Se Deus quisesse que eu fosse para freira tinha-me feito horrorosa e com pronúncia de Viseu.
Por favor digam-me que tudo o que desce volta a subir ou nunca mais volto a escrever nenhum post (o que seria uma chatice enorme para o mundo em geral).

1.03.2008

To hit rock bottom*



Prior: Oh my queen; you know you've hit rock-bottom when even drag is a drag.

(*é quando a rapariga que vende a "Cais" no Chiado se acha na obrigação de nos oferecer palavras de conforto.)

1.02.2008

Ora bem

se é para fazer a coisa, é para fazê-la bem feita. Não vamos cá por-nos a sacar os crucifixos da parede e a dar nomes novos a escolas, isso é para meninos. Proponho que acabemos com todas as referências católicas desnecessárias. O Natal, por exemplo. O que raio ainda estão aquelas luzes todas a fazer nas ruas?

Para o caso

de não terem reparado estou só a escrever posts à estúpida de puro aborrecimento.

3

- quem é a miúda mais gira da sala?

-a Maria do Mar.

-ah é? É a namorada?

-não, é só minha amiga!

-mas o que é que se faz com as namoradas que não se faz com as amigas?

-disparates.

É ilegal

usar o blogger para personal adds?

A jogar ao stop

objecto com "A":

- alma.

-isso não é objecto.

-tem a certeza? Algumas são.

Pronto

eu às vezes também admito as minhas derrotas. Mas em draft.

12.31.2007

2007

Li hoje vários balanços do ano 2007. Não tencionava fazer o meu mas não resisto à pirosada.
2007. Devia talvez marcá-lo como um ano de referência na minha vida. Juntamente com 1999, são os dois anos da minha vida adulta em que mais mudei.
Mudei de casa, de cidade, de vida, de estado civil. Conheci muitas pessoas novas, algumas das quais se tornaram meus amigos, outras talvez ainda se venham a tornar. Tive relações e acabei com todas. Tomei mais comprimidos do que na minha vida inteira, fiz alguns disparates, acertei algumas (poucas) vezes. Ri, chorei, dormi pouco, saí bastante, comi mal, caí, levantei-me (muitas vezes). Descobri sobretudo que, uma vez tudo partido e desfeito, ao refazer-se não se torna igual mas sim 100 vezes mais forte. Tornei-me uma melhor pessoa para mim própria (agora só falta para os outros), já não sou esta pessoa (estes registos servem para alguma coisa afinal) e só por isso valeu a pena este ano.
Comecei.
Em 2008 continuarei. Sei muito bem que será um ano excelente. Para todos os que me acompanharam este ano aqui, obrigada pela companhia, pelos comentários, por terem pachorra de me lerem (não sei bem como).

12.28.2007

A E. veio da Sibéria

não sei há quanto tempo. É rechonchuda, muito loura e tem sempre um ar sorridente. A primeira vez que a vi foi há 5 anos, quando fui estagiar para Espanha e ela foi apressadamente contratada para limpar a minha casa. No meio do seu português arrussado explicou-nos que nessa altura, na terra dela estavam 40º negativos, o que era perfeitamente normal para aquela altura do ano.
A E. limpa agora a casa da minha mãe, da minha avó e a minha. Quando vai a casa a E. demora 3 dias inteiros para chegar, meio dia para a viagem de avião, o resto do tempo de comboio. Por isso a E. só vai a casa de 2 em 2 anos ou mais. A E. tem um filho do marido português, tem mais de 40 anos mas parece ter pouco mais de 30.
Hoje de manhã, ao lembrar-me dela tive um pensamento absurdo (eu não sou muito boa pessoa, para o caso de não terem reparado). Não me apetecia ir trabalhar e lembrei-me que se fosse a E. teria um emprego bem pior (raio de consolação) e ao mesmo tempo sei que pensei qualquer coisa como "mas pelo menos tem alguém que lhe ature as crises" (esquecendo-me providencialmente que eu quando era casada não tinha ninguém que me aturasse as crises e que pensava das minhas amigas solteiras coisas como "pelo menos é solteira", coisa que me parecia ser a compensação para todos os males).
Por isso dá para imaginar o choque quando a meio da manhã recebo uma mensagem da minha mãe a avisar que a E. hoje não viria. O marido morreu-lhe.

12.27.2007

O Natal

trouxe-me de volta a minha amiga. Por breves instantes é um facto, mas trouxe. E quando chega pede-me, as usual, conselhos sobre o namorado.
Dou-lhe umas dicas sempre da minha maneira bruta de ver as coisas mas pensando que não, corrigindo-me, tu não precisas de conselhos meus, antes preciso eu dos teus. Como tudo seria facilitado se também na vida possuíssemos canetas de bezier para ir suavizando as maneiras abruptas de ser, as formas angulosas com a qual fomos esculpidas. Ou, no caso, eu.

12.22.2007

Andei este tempo todo a ignorar o Natal



e claro que ele acabou por me acertar em cheio.

Se o Natal é perdão, vou tentar. Mas não garanto, o mais provável é ficar tudo na mesma.

Para todos os que me lêem, um feliz Natal. Para os que não lêem também.

12.20.2007

Não sabia

o que era a Byblos e agora fiquei cheia de vontade de conhecer.

Ontem jantei com amigas

O problema da mulheres não é analisar demais as relações. É não viverem para o futebol e por isso passarem o tempo (quase) todo a falar de relações e não de jogos, passes, remates e treinadores.

12.19.2007

Cecília, estou contigo



Já toda a gente sabe que o presidente de França anda com uma ex-top model, a lindíssima e serena Carla Bruni. Eis que a população masculina à volta do mundo vem aclamar Sarkozy, o anão meio atarracado.
Compreendo muito bem o ponto de vista dos homens, a costumeira palmada nas costas e piscar de olho que costumam trocar entre eles nestas ocasiões, e o íntimo pensamento "Se aquele consegue, eu que não sou assim tão feio também poderia andar com a Carla Bruni". Claro que sabem bem que o apelo do Sarkozy não está na maneira de ser nem de se apresentar, mas no mero facto de ser o presidente de França.
Há mulheres que acham graça a isso, como a Carla.
Outras que nem por isso, como a Cecília.

8

Tem um bloco de desenho. Uma boneca por página e vem-me mostrar. A bailarina, a popular, a desportista.
"Mãe, gosta do meu travesti? Tem barba." É uma boneca com barba de 5 dias.
Tremo quando penso no que possa vir a seguir.

12.17.2007

Do livro da minha vida

Nunca tive um livro que pudesse considerar da minha vida, até ler o "Sinais de Fogo" do Jorge de Sena. Na verdade conto ainda viver mais uns anitos, posso perfeitamente encontrar mais uns dois ou três (daí que não o possa mesmo considerar assim, com a quantidade de livros que quero ainda ler).
É uma espécie de auto-biografia, na idade adulta deu-me para isto, gostar de auto-biografias mais do que dos outros livros, como se ler a vida nas palavras dos outros fosse realmente importante. Em mais nova prendia-me muito mais pelos livros completamente fantasiosos.
No "Sinais de Fogo" tenho um carinho especial pela Mercedes. É a principal figura feminina e está muito mal definida pelo autor. Oscila entre a rapariga tontinha e uma mulher manipuladora e falsa. Ela é o motor de toda a história mas nunca se chegam a definir as motivações que a levam aos comportamentos que tem e eu fiquei à espera até ao fim do livro que o esclarecimento chegasse (nunca chegou).
Na verdade, todas as personagens femininas são um pouco maltratadas pelo Jorge, suponho que à altura em que escreveu o livro o sexo feminino fosse um poço de escuro desconhecimento para ele, oscila entre o fascínio e o desprezo pelas mulheres (totalmente misógino). Como compreendo o Jorge. Eu se tivesse tido talento para a escrita escreveria assim também sobre homens.

Vou passar esta a 6 homens: Qual é o livro da vossa vida (ou o que mais vos impressionou) e porquê? Respondam por favor. À laia de vingança podem depois passá-la a 6 mulheres (ou homens).
Antídoto, , Pitx, Leão, António e Otium.

12.15.2007

É um homem

grisalho, cinquenta ou sessenta anos. Sai do Hipopótamo* e entra dentro de um carro muito velho que está estacionado à porta e tem um autocolante enorme no vidro traseiro onde se lê "Jesus". Felizmente resolveu deixar Jesus à porta. Pela hora (5 da tarde) trata-se de um empregado da casa, não de um cliente.
Não sou moralista para condenar quem paga para fazer ou quem é pago para fazer, é-me indiferente, há quem queira (ou precise) de fazer e quem queira (ou precise) de ser feito. Como diria um economista, o mercado auto-regula-se. Já quem vive da exploração da coisa me parece muito baixo moralmente.


*a boite de alterne.

12.14.2007

O meu colega que nunca vi mas com quem falo ao telefone

e tem a mania que é engatatão:

-Mas a S. conhece-me, pergunta lá.

-Cuidadinho com a S., essa menina tem 19 anos.

-Sim, e depois, tu és muito mais velha não?

-(contendo o bocejo) Sou uma senhora de idade, sim.

-O quê, trinta?

-Por aí.

-Essa é a idade mais interessante da mulher.

-(contendo o vómito) Ai, sim? Então porquê?

-Porque ainda tem energia mas já tem suficiente experiência para preferir qualidade a quantidade.

-(fonix, que estupor) Lamento, qualquer mulher prefere qualidade a quantidade. (deve ser por isso que não te safas).

Do Natal II

Talvez pareça muito presumido da minha parte dizer que não gosto do Natal. Na verdade eu não tenho nada contra o Natal. É uma festa, há jantares aos molhos, pessoas que vêm de fora, tradições a cumprir. Nada tenho contra isto, acho maravilhoso. O que não acho grande coisa é aquilo que fizeram do Natal. Vejamos, trata-se do nascimento de Cristo que estamos a celebrar, alguém no meio das luzes a piscar, dos supermercados apinhados, do trânsito infernal, dos anúncios a brinquedos non-stop se lembra disso?
Bem sei que nem todas as pessoas são católicas. O que celebram então? O pai natal da coca-cola? O subsídio de natal? As iluminações das ruas?
Há uma série de tradições que se misturam caoticamente, não faço ideia do que seja para uma criança a época do advento. Ou por outra, sei. São chocolates para sacar de um calendário, catálogos de presentes potenciais, roupa desconfortável obrigatoriamente vestida na véspera, jantar à pressa a olhar para o relógio à espera da meia-noite.
O que seria do Natal se não existisse o subsídio de natal? Existiria espírito algum? Certamente não existiriam luzes nas ruas (a coisa é supostamente paga pelos comerciantes que deixariam de ter o retorno), seria mais triste?
Eu gosto do Natal, dispenso é toda a obsessão com compras que inunda a época.

12.13.2007

Andar de metro

é uma experiência fantástica. Para quem não tem o privilégio de o poder fazer todos os dias (sem ironia, detesto conduzir) e o reserva para os dias em que tem que ir à Baixa (bom, eu não tinha que ir à Baixa) hoje ainda para mais sem pagar (o Tratado de Lisboa, pois, esse acontecimento) é mesmo uma experiência fabulosa.
O exercício físico - desviar-me de potenciais sítios onde os saltos ficam mesmo encaixados - e a cultura que se ganha - não sabia que existiam homens com botas de crocodilo brancas e agora já sei - são bonus a acrescentar ao facto de não ter que andar duas horas à procura de lugar para estacionar.

12.12.2007

Não foi desta



Não ganhei o tal concurso, o meu post (aquela bela porcaria, para ser muito sincera) nem foi nomeado. Que se lixem os 1000 euros, é só dinheiro, pena tenho mesmo é de já não ir provar o risotto do Pedro e de não levar o ao meu japonês favorito.
Por falar nisso não consigo convencer ninguém a vir comigo jantar ao meu japonês, não haverá nenhuma alma caridosa que me queira acompanhar?

foto roubada aqui.

pessoas com extremo bom gosto