2.28.2008

Boost de autoestima

Estamos os dois na casa de banho e solto o cabelo, o meu cabelo que já não é cortado há um ano e que me chega ao meio das costas, com um aspecto esquisito, "um dia destes a mãe tem que ir ao cabeleireiro".

-"porquê, mãe, tás linda, mesmo linda".

O meu filho tem um fetiche por cabelos compridos (se não tem, terá certamente).

2.27.2008

Amor



daqui.

Constato com alegria

que das muitas (milhares, milhões) de pessoas que aqui passaram, nenhuma a não ser o Otium foi capaz de responder à minha pergunta "Para que é que serve um blog".

Aparentemente andamos todos aqui um bocado perdidos (menos o Otium).

2.26.2008

O meu blog em crise de identidade

Afinal para que serve um blog?

2.25.2008

Agora é a pedido

Digam vocês de que cor querem o background. A cor com mais votos ganha (o tom depois fica ao meu critério).

Um bocadinho à nora, confesso

Estava plenamente convencida que os Óscares eram para a semana (embora na prática vá dar ao mesmo, a única coisa que vale a pena ver dali são os vestidos).

A partir de agora, se só puder ler um blog por dia vai ser este. Nunca me ri tanto com um blog.

2.23.2008

Vou buscar

a minha filha à missa e à porta da igreja está um homem sentado no chão com um cartaz. O cartaz diz "Tive um acidente e não posso trabalhar, tenho dois filhos, ajudem-me por favor". Está escrito sem erros e ao passar por ele o homem desfia uma ladainha. Respondo-lhe não tenho carteira e é verdade, venho só buscar a minha filha e deixei tudo no carro mal estacionado.
É óbvio que isto não interessa nada ao homem, sou eu que me justifico porque acho sempre que tenho que dar dinheiro quando alguém pede, porque podia ser eu ali sentada, não estou assim tão longe. Quando disse não tenho carteira não me estou a justificar para ele mas sim para mim, digo para mim não posso dar dinheiro ao homem (que podia ser eu) porque não trouxe a carteira. Sei bem que ele não me ouve e prova disso está em que, ao entrar e voltar a sair meros instantes depois, ele ao ver-me desfia novamente a ladainha e respondo-lhe não trouxe a carteira, já lhe tinha dito mesmo sabendo que não me estou a justificar a ele, por esta altura já entendi que não fala português, este homem (que deixou de ser homem e se tornou no "poderia ser eu" e mesmo no "se calhar um dia sou eu").
E então a senhora de idade que vende revistas da igreja, noutro lado da porta, começa também, que ele não tem nada que estar ali, que há sinais escritos proibindo pedintes à porta da igreja e aponta para os sinais numa vitrine, realmente lá está o sinal com desenho explicativo (provavelmente para os pedintes que não saibam ler ou não entendam português) e respondo-lhe mas está a chover, tanto aqui está abrigado, e ela, as revistas na mão, os lábios esborratados de um baton rosa choque, mas eu é que não estou para o aturar, não lhe interessa que ele tenha sofrido um acidente e tenha dois filhos para sustentar, talvez pense como eu que isso poderá nem ser verdade, mas que interessa isso, alguém pede sem precisar de pedir? Há razões mais válidas ou desesperadas para pedir?

Tinha prometido

não era?

Antes de sair o meu colega desejou-nos "Bom Fim de Semana" e "Não olhem para o PC" mas já sabíamos que seria impossível. O que me inspira a escrever estas porc...posts. Já disse um dia destes que me limito a chegar aqui e descarregar qualquer coisa, mas antes preciso de facto de as carregar comigo. Há coisas sobre as quais não escrevo, ou se escrevo não as torno perceptíveis, apesar do que possa parecer eu gosto pouco de me expor e claro que me exponho aqui, como uma espécie de exercício. Confesso que acabei por aplicar isto na vida também, fui descobrindo que talvez não seja assim tão grave expor-me, às minhas fraquezas, desde que comecei a escrever.
Quase sempre vou no carro e os pensamentos ocorrem em catadupa, se tiver alguém ao meu lado falo (eu também falo muito), como em geral não tenho aproveito a conclusão desses pensamentos para pôr aqui. Outras vezes não tenho nada para escrever e ao ler blogs de outros acabo por me lembrar de qualquer coisa que queria dizer, formulo umas teorias fabulosas (de fábula) que esqueço em 3 segundos.

Este post, por exemplo. Na 6ª fui ao cinema, sozinha. Ir ao cinema à 6ª, sozinha é deprimente, é programa de casalinho, era também o que eu fazia quando era um casalinho e não sei porquê mas é ainda tradição de meia Lisboa. Não só vou ao cinema sozinha como vou ao mesmo cinema que ía à 6ª acompanhada. E não é como nenhuma espécie de castigo, é porque gosto de muito poucos cinemas em Lisboa e porque descobri que adoro ir ao cinema sozinha. O único problema é não ter ninguém com quem comentar o filme à saída.
No sábado saí com a minha melhor amiga (um bocadinho ridículo dizer isto aos 30) e com dois amigos. Há qualquer coisa em encontrarmos pessoas com quem gostamos de sair, as pessoas com quem gosto mais de sair é com eles, assim, dois casais (eu e ela e eles os dois), se calhar um bocado improvável mas é assim, como explicar as sinergias (finalmente consegui escrever esta bela palavra) que sentimos com algumas pessoas e com outras não?
No Lux, um DJ obcecado com a Radio Cidade ou coisa do género, uma rapariga meia histérica no meio da pista, o post formou-se sozinho às 6 da manhã. Depois, quando o escrevi, não ficou grande coisa. Ficam assim estas notas sem sentido, o meu blog é um Moleskin virtual.

No fundo o que escrevo são apenas as palavras que quero ver livres de dentro de mim, só para as libertar. Faz sentido?

Passo o meme para o Otium, a Xana, o JB e o Comendador. O que é que vos inspira a escrever posts?

2.19.2008

Estou cansada

Ser feliz também cansa.

2.17.2008

De repente no meio Lux

uma rapariga chora, emocionada e abraça-se aos amigos todos. Não sei o motivo mas imagino que tenha sido pedida em casamento ou qualquer coisa assim. Fico a pensar naquilo, há mais de 10 anos terei eu feito o mesmo? Não ali, noutra discoteca e nessa mesma noite de há mais de 10 anos, o carro meio destruído e horas passadas numa cela ao lado de um corpo cheio de crostas, de manhã a advogada - "diga que ficou noiva" - "olhe, sabe, eu não vou dizer nada, nem era eu que ia a conduzir".
Devo ter continuado a ignorar os sinais, deu no que já se sabe, pensando assim nestas coisas era como se todas as campainhas do mundo estivessem a tocar e eu surda, eu a fazer-me de surda.
E depois de ver esse filme, "There will be blood", um bocado desiludida com o filme, mas a lembrar-me que de facto o inferno são os outros, somos nós uns para os outros. O problema é que o paraíso também.

2.16.2008

Não sou

uma pessoa nada mística, mas desde que me conheço que tenho fé. Nasci numa família nada crente e sempre olharam para esta minha particularidade com estranheza, um encolher de ombros e um "há-de crescer, há-de-lhe passar". Não passou. Sinto-me privilegiada por possuir isto e, se me socorri da fé em momentos de crise, também em todos os outros ela não me abandonou. Não sei se a fé me salvou ou se serei algum dia salva de alguma coisa (nisso não creio, na necessidade de nos salvarmos mas sim na de nos redimirmos), como referi, nunca me conheci de outra forma, logo não sei se seria diferente se não tivesse fé. Ultimamente agarrei-me a ela de uma forma diferente, na pior altura da minha vida ela serviu para acreditar, para me iluminar, para me aguentar não como um sofrimento necessário mas sim como uma crença no futuro. Em momentos de maior desespero cheguei a ouvir Deus a sussurrar-me palavras de conforto ao ouvido e, embora saiba que foi o cérebro que as gerou (não sou assim tão alucinada), quem me diz que não foi Deus que as sussurrou mesmo?
Ontem, estranhamente, senti que Deus me pegava ao colo mas tentei afastar esta sensação. De manhã permanecia. À tarde tinha a certeza que Deus não só me tinha pegado ao colo, como me tinha levado para um local mais verde. Obrigado.

2.14.2008

Do dia

Na minha tabela de preferências está lá ao lado das saias da Floribella e dos toques para telemóveis com música pimba. É um dia brega, copiado de uma tradição qualquer anglo-saxónica e não vejo porque raio as pessoas se deixam consumir e enredar nas tradições que lhes espetam na cara só porque há espalhados pelos locais de comércio símbolos alusivos à coisa.
Nunca comemorei, não ignoro a data por não ter namorado, quando tinha também fazia por esquecer a data (não surpreendemente, conseguía), embora confesse que a colecção inteira do "Sex and the City" que o meu ex me ofereceu há uns anos não me foi totalmente desagradável, claro que o fez uns dias antes (creio que odiava ainda mais do que eu o dia dos namorados).
Recordo-me sempre, mas sempre, de ter 14 ou 15 anos, de ficar meia deprimida por não ter namorado (porque eu sempre fui esta pessoa altamente fácil de lidar e com extremo bom feitio) e do meu avô me oferecer um chocolate como prenda de consolação. Hoje o meu avô está no hospital, pelo sim pelo não saquei 2 chocolates da máquina (e comi-os, sim) ainda fiz uns comentários politicamente incorrectos aos meus filhos e no fim de tudo apercebi-me que já nem a capacidade de me indignar com estas coisas tenho, que já me passa tudo ao lado e que não sei se fui eu que fui ficando indiferente a tudo por não ser capaz de lidar com nada ou se foram as coisas que me tornaram indiferente para ser capaz de lidar com tudo.

2.13.2008

Post para o comendador

A mala caiu no chão com um baque surdo enquanto Clara se atirou para a poltrona do quarto. Sentia-se exausta das muitas horas de voo, com a cabeça a zumbir e a tentar processar as horas de jet lag. Entrara pelas traseiras para que George não se visse obrigado a abri-lhe a porta a meio da noite e agora olhava para o pda, hesitante entre a ânsia de ver as mensagens recebidas e o cansaço. Não seriam muitas pois Stefan, o PA, já as teria filtrado devidamente. Levantou-se e foi buscar o aparelho. Estavam apenas as mensagens pessoais, convites para galas de angariação, o aniversário de um amigo, nada de muito interessante. Parou para pensar na resposta ao convite de Richard para passar uns dias na sua ilha, por um momento imaginou-se na praia, no meio do mar quente, deitada sobre a areia com os pensamentos a derreter ao sol. Um convite para jantar de um embaixador qualquer, viúvo e charmoso. A tudo isso responderia amanhã, agradecendo, declinando amavelmente (pelo menos o mais amavelmente que Stefan conseguisse). A operação na Serra Leoa correra bem, tinha entregue vacinas e alimentos ao departamento da sua fundação sediado no local, louvara a madre encarregue do departamento, uma freira pequenina e enérgica de 60 e muitos anos, pelo excelente trabalho. E agora, com a cabeça finalmente livre (pelo menos até daí a 3 dias, quando viajaria para a Índia) via-se a invejar o espírito da madre, certamente ela não sentiria essa solidão imensa mesmo no meio de um ror de gente conhecida. Ela não teria atormentantes memórias de uns dias passados em Paris com alguém que finalmente tinha feito cessar essa solidão. O Comendador era seguramente um homem difícil de esquecer.
Clara sentou-se na cama e ligou o laptop. Calmamente escreveu um post no seu blog, Conto de Fuga. Gostava daquele espaço onde podia por uns momentos ser uma pessoa normal com uma vida normal. Gostava de saber que algures no mundo alguém a imaginava muito banal e por vezes gostavam de ler a sua vida banalmente imaginada. Quase sempre Clara achava que aquele blog era o que a mantinha em contacto com o mundo real e não a deixava desligar-se por completo.

2.12.2008

Da idade

Aos 30 já não me irrito porque nenhum homem quer ser meu amigo. Chateio-me porque alguns querem mesmo ser meus amigos.

Aos 30 mando umas balelas para o ar. Aos 20 já mandava mas não havia ninguém para as ouvir e acreditar. Agora tenho a audiência dos de 20. O ar absolutamente apavorado que segue o "quando chegares à minha idade vais ver" já compensa o esforço de inventar umas tretas.

Agora um recadinho: não ligues, apaga e pronto. No fundo o que eles querem é audiência, serem ouvidos , serem lidos, se tiver que ser da pior maneira possível, seja. Ignora-o (só deixo o recado aqui porque já não tenho mesmo outra maneira de o fazer, acho mal). Um beijo.

2.10.2008

Tenho que dar mais crédito

ao Sarkozy do que da última vez. O homem é um estratega com algum mérito. Lá está ele na sua vidinha quando de repente a mulher lhe troca as voltas e decide separar-se deixando-o a braços com uma crise conjugal publicada em todos os media do mundo, do tablóide mais obscuro à CNN. E o que faz ele? Não esconde o que não consegue esconder e antes trata de arranjar rapidamente uma namorada giríssima, passeia-a a redor do mundo e vai dando de comer aos abutres que o perseguem com fotografias esplêndidas em cenários perfeitos como a Disney e o Cairo. Até aqui tudo banal. A estocada final foi mesmo de mestre: ao fim de andar a alimentar capas de jornais durante semanas com o romance Branca de Neve-anãozinho, casa-se com a rapariga cessando imediatamente qualquer exposição pública da sua vida da única maneira que ela podia ser cessada: acabando o interesse que alguém pudesse ter naquilo. Haverá matéria menos digna de capas ou de manchetes do que um casamento feliz? Boooooooooooooring.

2.07.2008

Não sou uma pessoa de grandes gestos

mas gostava de ser, é pena. Não sou uma pessoa de grandes gestos por pura cobardia e é pena. Às vezes penso que perco muito e que só as pessoas que arriscam tudo é que conseguem tudo o que querem. Outras acho que vai dar ao mesmo (deve ser a cobardia a falar).

Agora metia-me num comboio, ou no carro e fazia os quilómetros que nos separam. Se nunca o fizer, acho mesmo que não nos voltamos a encontrar.

2.04.2008

Desde o momento em que li

isto que o carrego comigo. É preciso que se diga que admiro muito a Vieira, que lhe bebo as palavras como sagradas, que não só lhe invejo a mestria na escrita como a maneira totalmente independente como escreve, eu sou um pouco assim também, mas mais comezinha, mais pequena, ainda me incomodo demais com o que os outros pensam de mim para escrever como a Vieira e limito-me a admirá-la e a pensar que um dia também eu conseguirei fazer o mesmo (mas com menos talento nas palavras).
Quando li esse texto lembro-me de ter achado "pronto, o pouco sentido que a minha vida tinha perdeu-se por completo". Mas realmente é parvo. Que sentido poderá o sofrimento dar a uma vida? Dor, agonia, o Corpus Cristi, a remissão de pecados, aprender, sofrer, viver, sofrer, crescer, sofrer.
De há uns tempos para cá tem sido esse o meu ciclo. A dor não dá sentido à vida, não nos faz melhores, não nos evoluí, nada nos ensina a não ser que somos frágeis. Não fui melhor mãe da minha filha por tê-la tido de forceps sem epidural do que do meu filho que nasceu de uma cesariana escolhida.
Não me tornei superior no dia em que acordei no hospital meia submersa num charco de sangue, sozinha. Nesse dia em que pedi que o meu marido me fosse levar um café porque desmaiava de enxaqueca e em que ele me beijou culpado sabe-se-lá do quê. Desse dia em que lhe vomitei o beijo (ou o café em forma de beijo) e que fim mais apropriado pode ter um casamento do que uma poça de sangue e beijos vomitados?
Não sou melhor nem mais nada agora em que a minha vida é uma sucessão de maus momentos do que era quando tudo era perfeito e envolto numa neblina transparente de beleza.
Não, o sofrimento não nos torna melhores nem superiores a nada, basicamente ele nada nos ensina a não ser a fugir dele.

É isso

sim, mas também consoante a hora do dia, o dia do mês, a cor do céu, a hora a que se acordou...

2.03.2008

A vida tinha a obrigação de ser mais cinematográfica

De manhã, ligeiramente atrasada como sempre, conduzindo como um taxista como sempre que vou atrasada, um carro em marcha atrás a sair de um lugar de estacionamento bate no meu carro.
Uma batida leve, quase sem marcas, sem feridos, perfeita. Se estivesse num filme sairia de dentro do carro que me bateu um homem altamente atraente e trocaríamos números de telefone. Como estava na vida real vejo-me a trocar o meu número com o da D. Maria da Conceição, uma senhora pequenina e amorosa que mora mesmo ali ao lado.

2.02.2008

Há uns tempos

Encontrei um blog (ou devo dizer uma blogger?) muito bem escrito. Há muitos blogs bem escritos, outros que nem por isso mas que me fazem rir, ou me informam quando passo o dia enfiada num mundo à parte sem iluminação de qualquer tipo, enquanto me emburreço infinitamente, infidavelmente.
Mas o blog que encontrei, não sei, é bem escrito mas mais do que isso, tem substância e enche-me de qualquer coisa mais do que uma página de jornal. E como sempre, sinto-me pequena e insignificante, esmagada, quando leio autores assim, tão insignificante que nem tenho coragem de deixar um comentário só para dizer "gosto muito" que no fundo era só o que queria dizer.
Por isso deixo aqui, que é um desabafo e uma voz interior, aqui onde ninguém me ouve nem se interessa.
Era só isso, gosto muito.

1.31.2008

O Carnaval voltou

volta sempre, fatalmente, como uma constipação mal curada. Não acho grande piada ao Carnaval, como qualquer adulto, mas se o Carnaval fosse sempre na mesma data todos os anos, faria agora 1 ano a noite mais perigosa da minha vida, da qual felizmente não guardo memórias (quando tomarem Prozac, não bebam, é um conselho).
Faria também agora 1 ano que nos conhecemos, do que me lembro, tinhas uma camisola de cor mostarda (será para ti uma outra côr qualquer) e bateste com a cabeça na porta do meu carro ao sair (a minha memória fotográfica, o que me resta).
Eu sou uma pessoa melhor sem comprimidos, é um facto.

O texto vai deslincado de propósito.

Escrevo aqui

displicentemente, sem querer saber, quase sem pensar em quem me lê. Escrevo muitas vezes sem vontade de o fazer, como uma obrigação que tenho de cumprir, dos anos em que aqui ando (serão 4 em Setembro) e em que o blog se colou a mim, se tornou como que uma camada de pele que por vezes vou tapando, outras destapando sem nunca revelar totalmente (que nem saberia como fazê-lo).
Mas entretanto vou escrevendo, vou encontrando amigos, uns que eram, outros que se tornaram e às vezes até almoçam comigo, e me dizem coisas generosas como "Clara, as mulheres inteligentes, giras e interessantes safam-se sempre", mas desconfio que isso seja falta de vista da parte dele (da idade avançada e assim) e isso também explicaria a falta de orientação (toda a gente sabe que as mulheres é que não têm sentido de orientação).
Isto um bocado para dizer que estou fartinha de escrever aqui. Mas se calhar estou é fartinha de tudo na minha vida e o blog não tem culpa nenhuma.

1.29.2008

Em conversa

com outro amigo, já há uns tempos, pergunta-me ele o que tenciono fazer e digo-lhe coisas como ir para Moçambique e assim. Mas claro, daqui a uns 10 anos, quando puder fazer opções na vida.
-Mas Clara, 10 anos são muito tempo, e entretanto?
De repente lembrei-me que não tenho mesmo um plano para o entretanto. 10 anos não são assim tanto tempo, pois não?

Ora esta série

está muito bem, um bocado à Paulo Coelho mas enfim.
Adiciono uma: sábia foi a Natureza em não nos deixar prever o próprio futuro. Quantos de nós aguentaríamos viver sabendo aquilo que nos está reservado?

1.28.2008

Há muito tempo

que não falava com o meu amigo e hoje trocámos umas palavras. O meu amigo acha muito bem feita que eu esteja sozinha porque eu trato mal os homens. Ele toma-se das dores dos homens que passam na minha vida e diz-me estas coisas. Nem ele sabe (ou sabe) que lhe conto as coisas mesmo com esse propósito, que quero ouvir o outro lado e que só a ele lhe admito que me fale dessa maneira, é uma espécie de intermediário. O meu amigo acha que o meu template é aveludado e eu gosto dessa definição. Gosto que pensem no meu blog como uma espécie de sofá, uma day-bed onde nos podemos sentar e fechar os olhos, quem sabe se eu também não me torno uma pessoa adamascada. No fundo até sou muito suave, nunca tive foi oportunidade de o demonstrar.
Ele também acha que eu devo pôr fotografias minhas em bikini por aqui. Talvez lá mais para o Verão (ainda está um bocado de frio para isso).

1.27.2008

Ano novo,

template novo (pelo menos foi antes do fim de Janeiro). Digam mal, digam bem, digam não vejo nada porque não tenho o active content enabled, digam qualquer coisa (aqui nos comments ou por mail).

1.26.2008

Sexta-feira

À conta do MacDonalds e das ofertas com frases em hebraico explico à minha filha a formação do estado de Israel. É possível explicar seja o que for sem lhe imprimir uma opinião parcial ("isto é pior que uma aula da catequese")? Hoje de manhã compensou-me contado-me a história do "Fausto" que foi encenar.
Arrasto-me até à loja da Disney onde algumas criancinhas estragadas de mimo fazem birras dentro de vestidos de princesa.
Na Fnac o miúdo encontra o melhor amigo da escola e sento-me a ler o jornal quase inteiro sem interrupções. Eu quero um livro de 12 euros. Ele quer um 10 vezes mais caro. Não levo nenhum (evito a culpa de comprar uma coisa para mim e não para ele). "Vou pedir este livro do corpo humano ao Pai Natal". Alguém vai ter uma desilusão no Natal.

1.25.2008

De tantas

coisas que inventamos, medimos, contamos e contabilizamos deixamos de parte o mais importante. Como medir a velocidade a que a vida passa por nós? A medida das coisas boas, más, mais ou menos, que nos fazem felizes e nos destroem?

O meu filho todos os dias se enrola no meu colo de chucha na boca. Conta-me muitas coisas que lhe acontecem na escola, por vezes de cansaço nem o oiço, finjo apenas. Tem um discurso fluido mas entrecortado por muitos xixis e cocós, as palavras que mais gosta de proferir, deve ser da idade. Diz também "men" e "pá", coisas que não suporto ouvir e corrijo-o. Baralha-se no tratamento por tu e você, confunde-se e mistura tudo.
O meu filho ainda é pequeno mas torna-se grande a uma velocidade assombrosa, está na fronteira entre o bebé e o menino e diz coisas como "para a mãe sou bebé, para os outros sou um menino grande", que são absolutamente verdade.
O meu filho é feito de pele e cheira a filho, tem olhos maiores que a cara e quando se enrola no meu colo confunde-se comigo e sei bem que muitas vezes nos baralhamos, nos esquecemos onde começa um e acaba o outro. Já não vai durar muito, esta fase, acabará como todas as outras em que eles se afastam naturalmente de nós. Ainda assim a Natureza foi generosa, são anos desde que estão dentro de nós até se afastarem verdadeiramente e quando começam a fazê-lo ficam tão insuportáveis que começamos a desejá-lo verdadeiramente. Dá tempo para nos preparamos.

1.24.2008

Um dia



descubro o bug no meu java script. Hoje é o dia.

1.23.2008

Eu se nunca

tivesse sido casada e fosse a um jantar só com outras mulheres, todas casadas, jurava para mim própria nunca o fazer. Quatro horas de conversa sobre bimbys, pediatras, raptos, gravidezes, operações plásticas para retirar a gordura da barriga, obstetras, partos, birras e noites mal dormidas seriam suficiente desmotivante.
Estar no limbo é (só nesta perspectiva mesmo) muito bom. Tanto temos conversa sobre saídas nocturnas e homens (enquanto a memória não falhar) como pediatras e birras (embora confesse a minha preferência pelo tipo de conversa das solteiras).

Dedicado à F.,por se ter aguentado estoicamente aquelas horas todas.

1.22.2008

Dos morangos com chantilly

Se não entenderam, têm que ler até uns posts atrás, comentários incluídos.
Não, ninguém me enviou nenhum sms (nem sequer imagino alguém que o pudesse fazer, se querem ler coisas emocionantes comprem a Maria, a minha vida emocional está tipo travessia do deserto mas em mau).
Mas no dia seguinte o meu cliente ligou-me de manhã para me pagar. Já não é mau de todo. E imaginem lá quando é que ele se propõe a pagar-me? Sexta-feira à noite, pois claro. Devo dizer-lhe que não passo recibos no Lux?

1.20.2008

Vi um pouco do final



de um filme que gosto muito, "Cat on a hot thin roof". Numa das cenas, Maggie, a personagem interpretada pela Liz Taylor apanha chuva e fica mesmo encharcada até as ossos, sobe as escadas e quando as desce (no momento imediatamente a seguir) já vem completamente seca, bem penteada e com a maquilhagem perfeita. Esta magia do cinema mais antigo pode parecer absurda hoje em dia, mas eu acho que faz todo o sentido. Se podemos ter a Liz linda de morrer e absolutamente arranjada, porque haveríamos de a preferir encharcada e com a maquilhagem a escorrer pela cara abaixo? Se é um filme, porque não há-de se assumir como tal, com cenários falsos, personagens falsas de penteados perfeitos? Estou segura que a maioria das pessoas que vê um filme sabe bem que aquilo não se passou realmente. Porque temos que ter as imperfeições também aplicadas ao cinema? Isso seria o mesmo de uma campanha publicitária sem truques de photoshop.

Agora

que finalmente fui ao Hermitage, com H desta vez (bom não fui mesmo ao Hermitage, fui só à exposição no MNAA), vou ali só comer uma taça de morangos com chantilly ou mesmo uma Bavaroise de morangos.

1.19.2008

É no que dá

ter tempo demasiado nas mãos. Fui ver um filme péssimo, esqueci-me de almoçar e ao fim da tarde só não desmaiei de falta de açúcar entre a maior livraria portuguesa e o Corte Inglés graças aos 2 bombons que o meu filho me enfiou no bolso do casaco há umas boas 3 semanas. Vi um livro que queria comprar e não comprei (estúpida), vi um livro que queria ver e fiquei mal disposta. Tinha-me esquecido que a fotografia pode ser brutalmente violenta.
Relembrei-me porque detesto o Corte Inglés, ódio maior só mesmo ao Colombo, e ainda não fui ao Ermitage.
Safa-se o template novo que espero conseguir acabar esta semana (mas também não foi graças aos progressos de hoje). Vendo bem afinal, não se safa mesmo nadinha.
Vou comer uma salada, já volto (assim não vai resultar, pois não?).

Tenho um dia

inteiro para mim. Se calhar quem ler isto não acha nada de especial, um dia. Um dia inteiro. Só para mim. Muitas horas sem nada agarrado a elas, nenhum compromisso definido. Tantas horas que me perco nelas, fazendo planos para as gastar, atarantada com a imensidão de minutos disponíveis à frente, tão perdida que gastei já quase meio dia só a planear o que fazer com o resto do tempo.

1.16.2008

Eu falo

muito mas depois nunca cumpro o que digo (vocação perdida, certamente). Continuo a ouvir o prof. Nuno Crato e ontem aprendi o que são os Idos de Março (agora só falta saber que ligação tem isso com a ciência, nessa parte continuo na ignorância).
O Nuno Crato conta umas piadas muito secas, mesmo de cromo, e depois ri-se muito (sozinho). É o máximo. Hoje não o ouvi e senti o meu dia incompleto (ainda sinto e já são 10 e meia da noite).
Para quem perguntou, é aqui, antes das 9 da manhã.

1.14.2008

Todos os dias

ao fim do dia, transformo-me numa espécie de Sophie: ao chegar ao cruzamento, se virar à direita vou buscá-la primeiro, se continuar em frente vou buscá-lo a ele primeiro.
Já tentei vários métodos: ir para o lado com menos trânsito, alternar os dias em que vou para a direita com os que vou para a esquerda (este é um verdadeiro desafio, praticamente nunca me lembro da opção do dia anterior), ir sempre em frente por ser ele o mais pequeno, ir sempre para a direita por ser a opção mais directa da ligação entre os dois pontos.
Já tentei vários métodos, mas não há dia em que não me sinta Sophie a chegar ao cruzamento.

1.13.2008

Eu

que sou uma senhora já antiga, posso orgulhar-me dos meus filhos ainda me chamarem para passar os níveis do Super Mário.

1.12.2008

Verdadeiro ou falso?

Arte ou não?

Tive uns miseráveis 75%.
(Pronto, 100% no do Pollock, mas esse era básico).

Via Aba de Heisenberg.

1.11.2008

Das eleições norte americanas

Não consigo achar piada à coisa, o que fazer? Entretanto toda a gente parece ter imensas opiniões sobre a Hillary e mais não sei quem e a mim o assunto aborrece-me de morte. O que ainda me espanta é como todos parecem saber imenso sobre a postura dos candidatos e achar a Sra. Clinton muito irritante, onde é que verão a pose dela, será na televisão? É que eu não vejo televisão e às tantas estou a fazer as figuras da minha prima, que também não vê. O ano passado, no Bar do Rio cumprimentou o Zé Diogo Quintela e, quando lhe perguntámos de onde o conhecia respondeu "O Zé quê? É o primo do meu amigo, do Babá". O que nos rimos, naquele momento e naquele sítio ela era de certeza a única que não tinha a mínima ideia de quem eram os Gatos Fedorentos.
Qualquer dia estou assim também.

1.10.2008

Zanguei-me

com a Visão há umas duas semanas. Eu gosto pouco que me contrariem as minhas teorias fantásticas e descobri na revista que o Pedro Arroja existe e é tão imbecil como escreve. Já poderia ter descoberto há mais tempo, até Julho passava diariamente à porta da empresa dele na Foz, só nunca tinha feito a associação ao nome (denial, só pode).
Bem, mas deixei de ler a Visão uma semana e agora voltei, quase só pelas crónicas do Lobo Antunes (muito bom em doses pequenas), e eis um grande artigo sobre a Ana Drago. A Ana Drago foi do meu grupo de amigas do liceu, zangámo-nos por um motivo estúpido, todas as zangas entre as pessoas têm motivos estúpidos e as mais estúpidas de todas são mesmo essas. Nunca mais me voltei a zangar com nenhuma amiga por esta razão, caso seja caso disso atiro facilmente a toalha ao chão. Mas portanto a Ana era do meu grupo de amigas e era das poucas que tinha brincos dourados maiores que os meus*, o que não é dizer pouco. Se nessa altura já era de esquerda disfarçava muito bem e, não garanto porque na realidade não me recordo se é mesmo verdade ou não, acho que ainda chegou a fazer um dia ou dois de campanha connosco. Para um partido completamente diferente.

*já passei essa fase há muuuuuuuuuuuito tempo, calma.

Hoje que precisava tanto de me rir

pela primeira vez chorei com um post.

1.08.2008

De manhã

ouvi na rádio o prof. Nuno Crato. O prof. Nuno Crato é cientista e está em todas. Há um programa na televisão sobre qualquer assunto minimamente cientifico, chamam o prof. Nuno Crato. O prof. Nuno Crato vai a Almedina dar seminários não sei quantas vezes por semana. Há um programa na rádio sobre ciências e, adivinhem quem apresenta, o prof. Nuno Crato.
O prof. Nuno Crato não será o único cientista em Portugal, mas é bem capaz de ser o único com poderes oratórios. Toda a gente sabe que os cientistas são os maiores geeks do mundo.
De manhã, ainda antes das 9, o prof. explica como descobriram que umas células por detrás do globo ocular regulam o sono e a relação deste com a luz do dia. Explica isto adicionando que, para chegar a esta conclusão, estudaram pessoas a quem tinha sido retirado o globo ocular, por razões estéticas(?!!) e que vieram a sofrer de insónias. Eis como chegar ao emprego já meia enjoada e prometendo não ouvir mais o prof. Nuno Crato.

1.07.2008

É incrível



como as coisas, as pessoas, se juntam de forma que parecendo espontânea e natural não passa de um choque de afinidades, da mesma língua instintiva falada a duas vozes. Para quem está de fora, assistir a esse espectáculo é como ver um acidente a acontecer em câmara lenta. Como se algo de tão previsível e animalesco não pudesse deixar de acontecer.

Um bocado egoísticamente

regozijo-me com a lei que proíbe o fumo em locais fechados. Eu (já) não fumo e, logo, não me apetece levar com o fumo dos outros (sobretudo cigarrilhas e charutos). Há lutas que pura e simplesmente não valem o dispêndio de energia. É provável que se fumasse andasse a protestar e a fazer listinhas de sítios permissivos, não o fazendo parece-me um bocado fútil. Daí que incompreenda quem se empenha em lutar contra estas causas perdidas estando completamente de fora, será talvez falta de outras causas mais válidas pelas quais se baterem.

1.05.2008

Fui almoçar

com um amigo. Pensava eu que tinha a direcção desalinhada e afinal era falta de ar nos pneus. A falta que faz um amigo na vida de uma mulher solteira. Como se não bastasse ainda me anima (ao meu habitual chorrilho de queixas responde-me que escrevo sem erros).
Eu tenho um corrector ortográfico automático mas sim, em geral escrevo sem erros. Honestamente, acho que me dava muito mais jeito ser copa D.
(Obrigada).

1.04.2008


(daqui)

Gosto muito de fotografias. Às vezes acho que gosto mais de fotografias do que de qualquer outra arte gráfica, pela mesma ordem de ideias que me faz gostar mais de biografias do que de romances.
Aquilo aconteceu. Pode ter sido encenado. Mas aconteceu. E logo isso se reveste de uma carga emocional, não apenas do seu autor (como um quadro seria) mas de todos os envolvidos. Um fotógrafo é alguém que, generosamente, dá lugar a outras pessoas ou objectos para que contem uma história. É muitas vezes esquecido, ignorado, desprezado. Numa fotografia vemos tudo menos o fotógrafo. No entanto, é através dos seus olhos que vemos, sem eles não seria possível termos acesso ao momento que foi fotografado.
Gosto muito de fotografias, deve ser por isso que perdi todas as máquinas que tive.
(O meu fotografo preferido é, off course, o Fernando Guerra).

Downgrade

Antes de casar, o nosso restaurante e o nosso hotel (lembras-te, meu querido?).
Estou fartinha da vida espartana. Se Deus quisesse que eu fosse para freira tinha-me feito horrorosa e com pronúncia de Viseu.
Por favor digam-me que tudo o que desce volta a subir ou nunca mais volto a escrever nenhum post (o que seria uma chatice enorme para o mundo em geral).

pessoas com extremo bom gosto