3.18.2008

Quero aqui pedir publicamente desculpa

a todas as senhoras que tentaram ir à casa de banho da Galp na A5 algures entre Lisboa e o Estoril.
Sim, fui eu que fiquei com a chave. Não, não foi de propósito.
Tentem ver a coisa pelo positivo, de certa forma até foi um favor que vos fiz.

Há um ano e dois dias, no Porto



Hoje estou em Lisboa e de botas de cano alto. Ah pois é.

Já não há pachorra

para tanta gente grávida. Desculpem, minhas amigas (as amigas que estiverem grávidas) mas realmente começa-me a parecer uma atitude pouco original. É que nascem como cogumelos, de todos os cantos.

3.17.2008

A ler os outros II

De facto.

Ah, o meu blog até se interessa por debates políticos e coisas dessas que se passam no país. Quem o achava puramente fútil estava mesmo, mesmo enganado.

A ler os outros

muito bom.

via Sara.

Também eu

vamos?

Não sei se vos acontece

mas a mim é a toda a hora. Leio os blogs pelos feeds. E os feeds estão organizados por ordem alfabética. Quando leio um blog, e porque leio sempre os mesmos blogs (tenho cerca de 90 feeds mas há uns que nem leio), imagino o autor, sei o estilo de escrita, espero mais ou menos qualquer coisa do post. Então quando dois feeds estão por ler e estão juntos (por começarem pela mesma letra do alfabeto) leio um a pensar que estou a ler outro. Acho que não há um só dia que não me aconteça isto (e ainda pior, há mesmo feeds que troco por completo e não faço ideia o que são, os começados por "dias" são fatais).
É uma experiência surreal ler, por exemplo, o Coisas Simples a pensar que estou a ler o Complexidade e Contradição (um dia cheguei mesmo a interrogar-me se o Lourenço já teria sido pai).
A minha distração é fabulosamente divertida.

3.16.2008

Ainda me espanto

com a generosidade de algumas pessoas que tinham tudo para não me voltar a falar e voltam. Espanto-me e eu sei porquê, eu não sou boa a gerir os fins de uma relação, não sei lidar com aqueles bocados de sentimentos que ainda ficam agarrados e por isso evito. Posso parecer muito fria mas é só isso, o evitar por não saber lidar com aquilo, é o não querer encarar, a cobardia pura.

Evito ao máximo falar com o meu ex-marido mesmo tendo dois filhos em comum, evito o suficiente para estranhar a expressão "nossos filhos", não sei se lhes sente a falta, se se preocupa com eles para além daquilo que considera os deveres mínimos de pai. Sei que fica obcecado em não faltar às festas e a coisas como levar a filha à colónia e também sei porquê, mas não sei mais do que isto.

Conto-lhe que fui à reunião dele, que está optimo, eu e a educadora espantamo-nos como este miudo está sempre bem e sociável, a criança que durante o ano passado passou por 5 casas diferentes e acabo por dizer "é como o pai, mete tudo para dentro".
Ele sorriu de orgulho (não lhe vi o sorriso mas sei que sim) e respondeu qualquer coisa como "Assim é que é" e confessa-me a preocupação com ela.
Espanto-me. Essa criança que é a mais responsável, madura e inteligente que conheço, que nunca me levantou uma preocupação sequer.
"Preferia que ela fosse menos essas coisas e mais estável emocionalmente".
Não o disse, mas sabemos ambos o que queria dizer, "menos como tu". Menos como eu.
Também eu. Também eu preferia que ela fosse menos como eu. E até mesmo que eu fosse menos como eu.

3.14.2008

Piadinhas aos 3

Quantos anos tens, mãe?

32.

Então tens 32 rabos.


Tens noção que não voltas aos livros de anatomia da Fnac?

Estou apaixonada por ti,

casamos?

Não. Não quero casar contigo mãe.

Não? Porquê?

Porque não quero casar assim com pessoas grandes.

Ah não? Então e com pequenas?

Claro que sim!

Casavas com quem então?

Com Marias!

(atestando a grande originalidade das miudas da sala. Acho que só uma é que não é Maria).

A prova que o meu blog

não sou eu é que ele hoje não corresponde de todo à maneira como me sinto.

Se correspondesse ele estaria hoje apenas escuro, um vórtice sugando energia, um Buraco Negro, uma Supernova em declínio.

E aí está ele todo cor-de-rosa, esvoaçantemente irritante.

3.13.2008

Abram alas para o meu blog

segundo o Pedro, é tautológico.

E eu que pensava que ele era só muitíssimo egocêntrico.

3.12.2008

Eu não posso ver nada








O template agora combina com o filme que nunca mais estreia. E, reparem, foi filmado em Lisboa. Ou aquela estátua ali à direita (no site) não era a que estava no Rossio?

3.11.2008

branco, branco não ponho, fica assim clarinho em tua honra. Das fontes, fico limitada às fontes comuns para web. Qualquer browser ao fazer o parse do código vai buscar as fontes à máquina onde está instalado, o que significa que não vai ter a maioria das fontes (ou eu tenho que assumir que assim é) e corre tudo a Arial e a Times (dependendo da original), daí esta.

3.10.2008

Quase todos os dias

mudo a cor do meu template. Sabia? Se sabia é porque não me lê pelos feeds. Se não sabia é porque lê. Hoje é fuschia, a pedido do Leão.

A coisa estava mal para posts

mas agora está péssima. Vejo-me obrigada aos transportes públicos e a fluência de pensamentos que me ocorre quando conduzo desaparece no meio das carruagens. É impossível pensar quando estamos rodeados das conversas dos outros, dos toques de telemóvel dos outros e a contar as estações cuidadosamente, o risco de sair na estação errada é tão grande que me apavora. Os bilhetes de metro também são um mimo à inovação e a prova de que nós, portugueses, quando queremos inventar coisas para parecermos modernos e em simultâneo tornar infernalmente complexo o simples acto de comprar um bilhete, somos fantásticos.

3.09.2008

3.08.2008

Chafurdando nos drafts

Enquanto conduzo afloram-me à mente os pensamentos mais obscuros. Como por exemplo, porque é que gostamos de algumas pessoas e de outras não? O que é que faz darmo-nos muito bem com alguém e não assim tão bem com outros.
Tem de ser mais do que simples afinidade, background semelhante. É o tipo de pensamento que me massacra.
Dizem os brasileiros daquelas pessoas por quem sentimos uma antipatia imediata e persistente "o nosso santo não joga", frase que adoro, primeiro porque imagino logo dois santos sentados a uma mesa de poquer com um charuto ao canto da boca e a atirarem fichas para o centro de uma mesa. Mas também porque é inexplicável essa sensação. Raríssimas são as vezes que a sinto, mas quando sinto é persistente e incomoda como uma picada de melga, por muito que me esforce por ignorá-la, por combatê-la, parece que a cada tentativa essa sensação fica mais forte ainda.

Hoje

vou ao casino. Ando há demasiado tempo a desperdiçar a sorte que, de acordo com o provérbio, me persegue incessantemente.
O problema é eu não ter paciência nenhuma para jogos. De nenhum tipo.

3.06.2008

És tu e eu

embora enfim, não sei se o Depp andará muito pelo Chiado, e já não uso aliança.

De manhã fiz um interrogatório ao meu filho acerca do professor de ginástica e, segundo ele, não é casado nem tem namorada.

Tive que justificar a coisa como "a mãe não conhece homens interessantes", e não posso aqui escrever o que a minha filha perguntou a seguir.

Aliás posso: "Aquele seu amigo, o X., é casado?", "É casado, sim, muito casado mesmo" (o que outro amigo chama "ética feminina").

3.05.2008

Bom bom

é ter uma pessoa que nos corrige quando damos erros ortográficos e da maneira mais correcta, em privado (embora eu pessoalmente não me importe nada que me corrijam em público, ainda agora corrigi uma série de erros no post anterior ao anterior).

Ah, hoje tenho tempo para escrever



MAS EU QUERO É TER TEMPO PARA DORMIR!

A minha estatística

de "Recent keyword activity" é tão desinteressante que nem dá para um post com piada.

A maior parte das pessoas que vem dar ao meu blog por pesquisa de palavras vem de "contos de fuga" (suponho que se enganem a digitar o p inicial).
depois há um solitário "desejos secretos o conto blogspot" (alguém anda confuso), dois "jogos fuga quarto adulto" (lamento a desilusão) e um "o meu filho não sabe ler" (pois não, também aos 3 anos só se fosse um adiantadinho mental).

Inveja

Ao longo do dia (eu sei que isto não é bonito) vou invejando várias pessoas:

invejo as pessoas que têm um só filho e são dois pais em casa.
invejo as pessoas que têm vários filhos e são dois pais em casa.
invejo as pessoas que não têm filhos.
invejo as pessoas que têm tempo e dinheiro para viajar.
invejo as pessoas que podem ir ao cinema a meio da semana.
invejo as pessoas que têm empregada.
invejo as pessoas que têm os filhos na mesma escola.
invejo as pessoas que saem cedo e não levam trabalho para casa.
invejo as pessoas que têm filhos crescidos.
invejo as pessoas que podem ir à casa de banho sem entrar na sala de outra pessoa.
invejo as pessoas que estão apaixonadas.
invejo as pessoas que podem largar tudo de um momento para o outro.
(a lista é infindável).

E não invejo outras:
não invejo metade dos pais do colégio do meu filho (é um colégio integrado).
não invejo as pessoas que trabalham naquilo que não gostam.
não invejo as pessoas que passam anos num casamento sem sentimentos.
não invejo as pessoas que não podem ter filhos.
não invejo as pessoas que são infelizes sem saber porquê.
não invejo as pessoas que não sabem o que fazer com o tempo livre.
não invejo as pessoas que nasceram num meio onde o programa cultural mais elevado é ir ao Colombo.
não invejo as pessoas que moram longe do emprego.
não invejo as pessoas que não gostam de pessoas, ou de crianças, ou de animais.
não invejo as pessoas que não gostam de ler.
não invejo as pessoas que estão apaixonadas sem ser correspondidas.
não invejo as pessoas que são viciadas em alguma coisa.
(a lista também é infindável).

Adenda: também invejo as pessoas que conseguem fazer coisas destas.

À hora do jantar

a briga costumeira entre o canal Panda e a Fox. Diz ela "Ganhamos, sabes, somos 40 contra 3".

Interrogo-me, entre mim e ela não vejo (e bem me esforço, mas estes olhos já não vêm tão bem como há tempos) mais do que duas.

"Os anos da mãe e os meus juntos, 40."

Portanto é assim, somos umas quarentonas. E o puto há-de estar sempre lixado, menos nos dias em que, tolerantemente, cedemos a que veja uns minutos do Panda (aquilo é mesmo intragável).

3.03.2008

Confessei

numa caixa de comments que dou beijos na boca ao meu filho. Que mal aplicada a palavra, confessar. Sim, eu dou beijos na boca ao meu filho. E já não dou à minha filha porque ela não me deixa, tem vergonha, porque até ter idade para recusar também dava. Em Espanha é comum a família chegada cumprimentar-se assim e eu, como 99% dos portugueses descendo de espanhóis.
Dou beijos na boca (mas sem troca de fluidos) o que no fundo é tão (ou tão pouco) higiénico como dar beijos na cara, a boca é só uma parte da cara, por sinal a mais irrigada e onde há mais centros nervosos.
Um beijo na boca é um beijo absolutamente recíproco, simultâneo, muito mais próximo do que um beijo noutro sítio. Dou beijos na boca aos meus filhos mas não gosto que venham dormir na minha cama, não sei porquê. Afinal eu também sou feita destas idiossincrasias.

(amanhã respondo).

3.02.2008

We all love him dearly


Não, não vi os Oscares, o que não impede que eu saiba que foi a Tilda Swanson a ganhar Oscar de melhor actriz e em simultâneo ser a mais mal vestida da cerimónia. O que eu só descobri agora foi que a Tilda é muito à frente no bom sentido (não só no de quem usa vestidos horrorosos apanhados num flea market qualquer só porque se está a lixar para o que os outros dizem dela).

3.01.2008

Estou a perder

muito ao ver tão pouca televisão. Ainda há bocado olhei para o ecrán e estava o Grissom a dizer a um dos da equipa "os chatos guardam ADN do portador e do receptor". Fabuloso (será que também indicam quem foi o receptor e o portador? Serão os chatos uma espécie de bufos das DSTs?).

Ainda acho

que o inferno somos nós uns para os outros. E que o paraíso também. O resto é cenário.



E sim, há caminhos sem saída. O problema é que só descobrimos isso tarde demais.

2.28.2008

Boost de autoestima

Estamos os dois na casa de banho e solto o cabelo, o meu cabelo que já não é cortado há um ano e que me chega ao meio das costas, com um aspecto esquisito, "um dia destes a mãe tem que ir ao cabeleireiro".

-"porquê, mãe, tás linda, mesmo linda".

O meu filho tem um fetiche por cabelos compridos (se não tem, terá certamente).

2.27.2008

Amor



daqui.

Constato com alegria

que das muitas (milhares, milhões) de pessoas que aqui passaram, nenhuma a não ser o Otium foi capaz de responder à minha pergunta "Para que é que serve um blog".

Aparentemente andamos todos aqui um bocado perdidos (menos o Otium).

2.26.2008

O meu blog em crise de identidade

Afinal para que serve um blog?

2.25.2008

Agora é a pedido

Digam vocês de que cor querem o background. A cor com mais votos ganha (o tom depois fica ao meu critério).

Um bocadinho à nora, confesso

Estava plenamente convencida que os Óscares eram para a semana (embora na prática vá dar ao mesmo, a única coisa que vale a pena ver dali são os vestidos).

A partir de agora, se só puder ler um blog por dia vai ser este. Nunca me ri tanto com um blog.

2.23.2008

Vou buscar

a minha filha à missa e à porta da igreja está um homem sentado no chão com um cartaz. O cartaz diz "Tive um acidente e não posso trabalhar, tenho dois filhos, ajudem-me por favor". Está escrito sem erros e ao passar por ele o homem desfia uma ladainha. Respondo-lhe não tenho carteira e é verdade, venho só buscar a minha filha e deixei tudo no carro mal estacionado.
É óbvio que isto não interessa nada ao homem, sou eu que me justifico porque acho sempre que tenho que dar dinheiro quando alguém pede, porque podia ser eu ali sentada, não estou assim tão longe. Quando disse não tenho carteira não me estou a justificar para ele mas sim para mim, digo para mim não posso dar dinheiro ao homem (que podia ser eu) porque não trouxe a carteira. Sei bem que ele não me ouve e prova disso está em que, ao entrar e voltar a sair meros instantes depois, ele ao ver-me desfia novamente a ladainha e respondo-lhe não trouxe a carteira, já lhe tinha dito mesmo sabendo que não me estou a justificar a ele, por esta altura já entendi que não fala português, este homem (que deixou de ser homem e se tornou no "poderia ser eu" e mesmo no "se calhar um dia sou eu").
E então a senhora de idade que vende revistas da igreja, noutro lado da porta, começa também, que ele não tem nada que estar ali, que há sinais escritos proibindo pedintes à porta da igreja e aponta para os sinais numa vitrine, realmente lá está o sinal com desenho explicativo (provavelmente para os pedintes que não saibam ler ou não entendam português) e respondo-lhe mas está a chover, tanto aqui está abrigado, e ela, as revistas na mão, os lábios esborratados de um baton rosa choque, mas eu é que não estou para o aturar, não lhe interessa que ele tenha sofrido um acidente e tenha dois filhos para sustentar, talvez pense como eu que isso poderá nem ser verdade, mas que interessa isso, alguém pede sem precisar de pedir? Há razões mais válidas ou desesperadas para pedir?

Tinha prometido

não era?

Antes de sair o meu colega desejou-nos "Bom Fim de Semana" e "Não olhem para o PC" mas já sabíamos que seria impossível. O que me inspira a escrever estas porc...posts. Já disse um dia destes que me limito a chegar aqui e descarregar qualquer coisa, mas antes preciso de facto de as carregar comigo. Há coisas sobre as quais não escrevo, ou se escrevo não as torno perceptíveis, apesar do que possa parecer eu gosto pouco de me expor e claro que me exponho aqui, como uma espécie de exercício. Confesso que acabei por aplicar isto na vida também, fui descobrindo que talvez não seja assim tão grave expor-me, às minhas fraquezas, desde que comecei a escrever.
Quase sempre vou no carro e os pensamentos ocorrem em catadupa, se tiver alguém ao meu lado falo (eu também falo muito), como em geral não tenho aproveito a conclusão desses pensamentos para pôr aqui. Outras vezes não tenho nada para escrever e ao ler blogs de outros acabo por me lembrar de qualquer coisa que queria dizer, formulo umas teorias fabulosas (de fábula) que esqueço em 3 segundos.

Este post, por exemplo. Na 6ª fui ao cinema, sozinha. Ir ao cinema à 6ª, sozinha é deprimente, é programa de casalinho, era também o que eu fazia quando era um casalinho e não sei porquê mas é ainda tradição de meia Lisboa. Não só vou ao cinema sozinha como vou ao mesmo cinema que ía à 6ª acompanhada. E não é como nenhuma espécie de castigo, é porque gosto de muito poucos cinemas em Lisboa e porque descobri que adoro ir ao cinema sozinha. O único problema é não ter ninguém com quem comentar o filme à saída.
No sábado saí com a minha melhor amiga (um bocadinho ridículo dizer isto aos 30) e com dois amigos. Há qualquer coisa em encontrarmos pessoas com quem gostamos de sair, as pessoas com quem gosto mais de sair é com eles, assim, dois casais (eu e ela e eles os dois), se calhar um bocado improvável mas é assim, como explicar as sinergias (finalmente consegui escrever esta bela palavra) que sentimos com algumas pessoas e com outras não?
No Lux, um DJ obcecado com a Radio Cidade ou coisa do género, uma rapariga meia histérica no meio da pista, o post formou-se sozinho às 6 da manhã. Depois, quando o escrevi, não ficou grande coisa. Ficam assim estas notas sem sentido, o meu blog é um Moleskin virtual.

No fundo o que escrevo são apenas as palavras que quero ver livres de dentro de mim, só para as libertar. Faz sentido?

Passo o meme para o Otium, a Xana, o JB e o Comendador. O que é que vos inspira a escrever posts?

2.19.2008

Estou cansada

Ser feliz também cansa.

2.17.2008

De repente no meio Lux

uma rapariga chora, emocionada e abraça-se aos amigos todos. Não sei o motivo mas imagino que tenha sido pedida em casamento ou qualquer coisa assim. Fico a pensar naquilo, há mais de 10 anos terei eu feito o mesmo? Não ali, noutra discoteca e nessa mesma noite de há mais de 10 anos, o carro meio destruído e horas passadas numa cela ao lado de um corpo cheio de crostas, de manhã a advogada - "diga que ficou noiva" - "olhe, sabe, eu não vou dizer nada, nem era eu que ia a conduzir".
Devo ter continuado a ignorar os sinais, deu no que já se sabe, pensando assim nestas coisas era como se todas as campainhas do mundo estivessem a tocar e eu surda, eu a fazer-me de surda.
E depois de ver esse filme, "There will be blood", um bocado desiludida com o filme, mas a lembrar-me que de facto o inferno são os outros, somos nós uns para os outros. O problema é que o paraíso também.

2.16.2008

Não sou

uma pessoa nada mística, mas desde que me conheço que tenho fé. Nasci numa família nada crente e sempre olharam para esta minha particularidade com estranheza, um encolher de ombros e um "há-de crescer, há-de-lhe passar". Não passou. Sinto-me privilegiada por possuir isto e, se me socorri da fé em momentos de crise, também em todos os outros ela não me abandonou. Não sei se a fé me salvou ou se serei algum dia salva de alguma coisa (nisso não creio, na necessidade de nos salvarmos mas sim na de nos redimirmos), como referi, nunca me conheci de outra forma, logo não sei se seria diferente se não tivesse fé. Ultimamente agarrei-me a ela de uma forma diferente, na pior altura da minha vida ela serviu para acreditar, para me iluminar, para me aguentar não como um sofrimento necessário mas sim como uma crença no futuro. Em momentos de maior desespero cheguei a ouvir Deus a sussurrar-me palavras de conforto ao ouvido e, embora saiba que foi o cérebro que as gerou (não sou assim tão alucinada), quem me diz que não foi Deus que as sussurrou mesmo?
Ontem, estranhamente, senti que Deus me pegava ao colo mas tentei afastar esta sensação. De manhã permanecia. À tarde tinha a certeza que Deus não só me tinha pegado ao colo, como me tinha levado para um local mais verde. Obrigado.

2.14.2008

Do dia

Na minha tabela de preferências está lá ao lado das saias da Floribella e dos toques para telemóveis com música pimba. É um dia brega, copiado de uma tradição qualquer anglo-saxónica e não vejo porque raio as pessoas se deixam consumir e enredar nas tradições que lhes espetam na cara só porque há espalhados pelos locais de comércio símbolos alusivos à coisa.
Nunca comemorei, não ignoro a data por não ter namorado, quando tinha também fazia por esquecer a data (não surpreendemente, conseguía), embora confesse que a colecção inteira do "Sex and the City" que o meu ex me ofereceu há uns anos não me foi totalmente desagradável, claro que o fez uns dias antes (creio que odiava ainda mais do que eu o dia dos namorados).
Recordo-me sempre, mas sempre, de ter 14 ou 15 anos, de ficar meia deprimida por não ter namorado (porque eu sempre fui esta pessoa altamente fácil de lidar e com extremo bom feitio) e do meu avô me oferecer um chocolate como prenda de consolação. Hoje o meu avô está no hospital, pelo sim pelo não saquei 2 chocolates da máquina (e comi-os, sim) ainda fiz uns comentários politicamente incorrectos aos meus filhos e no fim de tudo apercebi-me que já nem a capacidade de me indignar com estas coisas tenho, que já me passa tudo ao lado e que não sei se fui eu que fui ficando indiferente a tudo por não ser capaz de lidar com nada ou se foram as coisas que me tornaram indiferente para ser capaz de lidar com tudo.

2.13.2008

Post para o comendador

A mala caiu no chão com um baque surdo enquanto Clara se atirou para a poltrona do quarto. Sentia-se exausta das muitas horas de voo, com a cabeça a zumbir e a tentar processar as horas de jet lag. Entrara pelas traseiras para que George não se visse obrigado a abri-lhe a porta a meio da noite e agora olhava para o pda, hesitante entre a ânsia de ver as mensagens recebidas e o cansaço. Não seriam muitas pois Stefan, o PA, já as teria filtrado devidamente. Levantou-se e foi buscar o aparelho. Estavam apenas as mensagens pessoais, convites para galas de angariação, o aniversário de um amigo, nada de muito interessante. Parou para pensar na resposta ao convite de Richard para passar uns dias na sua ilha, por um momento imaginou-se na praia, no meio do mar quente, deitada sobre a areia com os pensamentos a derreter ao sol. Um convite para jantar de um embaixador qualquer, viúvo e charmoso. A tudo isso responderia amanhã, agradecendo, declinando amavelmente (pelo menos o mais amavelmente que Stefan conseguisse). A operação na Serra Leoa correra bem, tinha entregue vacinas e alimentos ao departamento da sua fundação sediado no local, louvara a madre encarregue do departamento, uma freira pequenina e enérgica de 60 e muitos anos, pelo excelente trabalho. E agora, com a cabeça finalmente livre (pelo menos até daí a 3 dias, quando viajaria para a Índia) via-se a invejar o espírito da madre, certamente ela não sentiria essa solidão imensa mesmo no meio de um ror de gente conhecida. Ela não teria atormentantes memórias de uns dias passados em Paris com alguém que finalmente tinha feito cessar essa solidão. O Comendador era seguramente um homem difícil de esquecer.
Clara sentou-se na cama e ligou o laptop. Calmamente escreveu um post no seu blog, Conto de Fuga. Gostava daquele espaço onde podia por uns momentos ser uma pessoa normal com uma vida normal. Gostava de saber que algures no mundo alguém a imaginava muito banal e por vezes gostavam de ler a sua vida banalmente imaginada. Quase sempre Clara achava que aquele blog era o que a mantinha em contacto com o mundo real e não a deixava desligar-se por completo.

2.12.2008

Da idade

Aos 30 já não me irrito porque nenhum homem quer ser meu amigo. Chateio-me porque alguns querem mesmo ser meus amigos.

Aos 30 mando umas balelas para o ar. Aos 20 já mandava mas não havia ninguém para as ouvir e acreditar. Agora tenho a audiência dos de 20. O ar absolutamente apavorado que segue o "quando chegares à minha idade vais ver" já compensa o esforço de inventar umas tretas.

Agora um recadinho: não ligues, apaga e pronto. No fundo o que eles querem é audiência, serem ouvidos , serem lidos, se tiver que ser da pior maneira possível, seja. Ignora-o (só deixo o recado aqui porque já não tenho mesmo outra maneira de o fazer, acho mal). Um beijo.

2.10.2008

Tenho que dar mais crédito

ao Sarkozy do que da última vez. O homem é um estratega com algum mérito. Lá está ele na sua vidinha quando de repente a mulher lhe troca as voltas e decide separar-se deixando-o a braços com uma crise conjugal publicada em todos os media do mundo, do tablóide mais obscuro à CNN. E o que faz ele? Não esconde o que não consegue esconder e antes trata de arranjar rapidamente uma namorada giríssima, passeia-a a redor do mundo e vai dando de comer aos abutres que o perseguem com fotografias esplêndidas em cenários perfeitos como a Disney e o Cairo. Até aqui tudo banal. A estocada final foi mesmo de mestre: ao fim de andar a alimentar capas de jornais durante semanas com o romance Branca de Neve-anãozinho, casa-se com a rapariga cessando imediatamente qualquer exposição pública da sua vida da única maneira que ela podia ser cessada: acabando o interesse que alguém pudesse ter naquilo. Haverá matéria menos digna de capas ou de manchetes do que um casamento feliz? Boooooooooooooring.

2.07.2008

Não sou uma pessoa de grandes gestos

mas gostava de ser, é pena. Não sou uma pessoa de grandes gestos por pura cobardia e é pena. Às vezes penso que perco muito e que só as pessoas que arriscam tudo é que conseguem tudo o que querem. Outras acho que vai dar ao mesmo (deve ser a cobardia a falar).

Agora metia-me num comboio, ou no carro e fazia os quilómetros que nos separam. Se nunca o fizer, acho mesmo que não nos voltamos a encontrar.

2.04.2008

Desde o momento em que li

isto que o carrego comigo. É preciso que se diga que admiro muito a Vieira, que lhe bebo as palavras como sagradas, que não só lhe invejo a mestria na escrita como a maneira totalmente independente como escreve, eu sou um pouco assim também, mas mais comezinha, mais pequena, ainda me incomodo demais com o que os outros pensam de mim para escrever como a Vieira e limito-me a admirá-la e a pensar que um dia também eu conseguirei fazer o mesmo (mas com menos talento nas palavras).
Quando li esse texto lembro-me de ter achado "pronto, o pouco sentido que a minha vida tinha perdeu-se por completo". Mas realmente é parvo. Que sentido poderá o sofrimento dar a uma vida? Dor, agonia, o Corpus Cristi, a remissão de pecados, aprender, sofrer, viver, sofrer, crescer, sofrer.
De há uns tempos para cá tem sido esse o meu ciclo. A dor não dá sentido à vida, não nos faz melhores, não nos evoluí, nada nos ensina a não ser que somos frágeis. Não fui melhor mãe da minha filha por tê-la tido de forceps sem epidural do que do meu filho que nasceu de uma cesariana escolhida.
Não me tornei superior no dia em que acordei no hospital meia submersa num charco de sangue, sozinha. Nesse dia em que pedi que o meu marido me fosse levar um café porque desmaiava de enxaqueca e em que ele me beijou culpado sabe-se-lá do quê. Desse dia em que lhe vomitei o beijo (ou o café em forma de beijo) e que fim mais apropriado pode ter um casamento do que uma poça de sangue e beijos vomitados?
Não sou melhor nem mais nada agora em que a minha vida é uma sucessão de maus momentos do que era quando tudo era perfeito e envolto numa neblina transparente de beleza.
Não, o sofrimento não nos torna melhores nem superiores a nada, basicamente ele nada nos ensina a não ser a fugir dele.

É isso

sim, mas também consoante a hora do dia, o dia do mês, a cor do céu, a hora a que se acordou...

2.03.2008

A vida tinha a obrigação de ser mais cinematográfica

De manhã, ligeiramente atrasada como sempre, conduzindo como um taxista como sempre que vou atrasada, um carro em marcha atrás a sair de um lugar de estacionamento bate no meu carro.
Uma batida leve, quase sem marcas, sem feridos, perfeita. Se estivesse num filme sairia de dentro do carro que me bateu um homem altamente atraente e trocaríamos números de telefone. Como estava na vida real vejo-me a trocar o meu número com o da D. Maria da Conceição, uma senhora pequenina e amorosa que mora mesmo ali ao lado.

2.02.2008

Há uns tempos

Encontrei um blog (ou devo dizer uma blogger?) muito bem escrito. Há muitos blogs bem escritos, outros que nem por isso mas que me fazem rir, ou me informam quando passo o dia enfiada num mundo à parte sem iluminação de qualquer tipo, enquanto me emburreço infinitamente, infidavelmente.
Mas o blog que encontrei, não sei, é bem escrito mas mais do que isso, tem substância e enche-me de qualquer coisa mais do que uma página de jornal. E como sempre, sinto-me pequena e insignificante, esmagada, quando leio autores assim, tão insignificante que nem tenho coragem de deixar um comentário só para dizer "gosto muito" que no fundo era só o que queria dizer.
Por isso deixo aqui, que é um desabafo e uma voz interior, aqui onde ninguém me ouve nem se interessa.
Era só isso, gosto muito.

pessoas com extremo bom gosto