5.29.2008

Continuamos no périplo

dos homevideos (o cabelo para o curto fica-me horrivelmente mal) e eis que descubro aquilo que, hoje, mais me custa no meu divórcio. Perdi, irreversivelmente, o meu melhor amigo.
E escrevo irreversivelmente porque segundo um amigo meu os homens e mulheres não podem ser amigos se não dormirem juntos. Ou qualquer coisa assim do género.
Ora isso levanta outras questões ainda. Eu gosto muito deste meu amigo. E tenho a certeza que não dormiremos juntos. Nunca seremos amigos? Ou somos a excepção que confirma a (sua) regra?

Do preço dos combustíveis e boicotes da treta

Não é que eu não aprecie um bom boicote como toda a gente. Acho piada às manifestações espontâneas, quase sempre revestidas por uma boa dose de ignorância da parte de quem participa.

Os combustíveis sofrem aumentos. E porquê? Porque o o preço do barril, a materia-prima aumenta.
Podemos querer culpar a Galp e as todas as gasolineiras porque (as bestas) querem ter lucro. Mas por cada litro de gasolina (cerca de um euro e meio), 15 cêntimos são o lucro de quem vende. 15 cêntimos. Podem as gasolineiras baixar o lucro? Podem, correndo o enorme risco de falência (e sim, são milhares de postos de trabalho que vão à vida).
Pode o governo baixar o segundo imposto (depois do IVA), o ISP? Em teoria, pode. Na prática, como precisa da receita do ISP para não esburacar o Orçamento de Estado, só o pode fazer à custa do aumento de outro imposto qualquer. Ou seja, não pode.
Porque acham os boicotantes que aumenta diariamente o preço do barril? Especulação. E é. Mas especulação da parte de quem vende a matéria prima, tem liberdade absoluta para fixar preços, manipular a produção e nenhuma concorrência.
Contra isto, boicotem o que quiserem, as gasolineiras estão já com perdas de 30% por isso o próximo passo será (provavelmente) deixarem de vender aos hipermercados. Se tivesse que apostar, diria que era já para a semana.

5.28.2008

Politicamente correcto

O absurdo dos desenhos animados terem de respeitar o politicamente correcto, resulta em diálogos como:

- Tenham cuidado, aí nessa caverna há o monstro da caverna.
- Então, não podemos descriminar alguém só por ser um monstro!

Se alguma vez, nos tempos áureos do Vasco havia essa preocupação pelo politicamente correcto. As animações que ganhavam o primeiro prémio do Grande Festival de Animação Checoslovaco tinha mais com que se preocupar. Eu cá também só via aquilo na esperança vã de que algum dia um checo tresloucado caísse na tentação de fazer uns desenhos com piada. Que me lembre, nunca aconteceu, mas pode ser a minha memória a pregar-me partidas, ela faz-me muito isso, a parva.

5.27.2008

Nunca hei-de ser uma intelectual*

Não suporto o Vian, abomino o Alberoni e não consigo ler o Lobo Antunes. Não me parece que a minha particular admiração pelo Saramago e pelo Lars consiga anular estas graves falhas.

*graças a Deus

Do viver entalado entre mulheres mais velhas

O meu filho chama "jogo de paciência" aos chutos maricas que dá numa bola do FCB (Futbal Club Barcelona) e Project Runway aos DVDs do Sexo e a Cidade.

5.26.2008

Obrigado,

por nada.

É na ausência que sou forçada apreender aquilo que não quero.

É no vazio que sou forçada a encarar as coisas de que fujo.

O meu mantra antigo, "un dia más", é agora "nem mais um dia".

5.25.2008

Das memórias

Este fim de semana, entre outras coisas, passámos (eu e a minha filha) horas a ver todos os home videos que tínhamos aqui, desde que ela tinha 3 meses.
É um exercício pernicioso e nada aconselhado ao meu estado de espírito actual, mas necessário.
Conclusões abreviadas:

Alguns de nós envelheceram bem. Outros ganharam barriga e perderam cabelo. Lucky me.

A minha filha foi completamente shopinha de masha até aos 5/6 anos e agora tem uma dicção perfeita sem ter feito terapia da fala. É a filha milagre.

O meu filho será milagre se chegar a adulto sem graves problemas mentais. A diferença de tratamento, disponibilidade e oportunidades entre os dois é abissal.

Não vale a pena estar a pensar "seríamos mais felizes?". Não há resposta para essa pergunta.

Eu fui uma mãe insuportavelmente exigente para a minha filha, obviamente por ser a primeira.

Eu era mais chata do que sou agora. Mas não tão chata como pensava que era (sou).

A minha vida já foi muito boa e depois eu estraguei-a. Não o fiz por ser parva mas só por não ter maturidade para agir de forma diferente.

Não quero voltar para trás nunca mais, por horrivelmente mal que me esteja a sentir, há coisas que não são recicláveis (esta vai para além dos home videos).

5.23.2008

Da publicidade

Começo a achar que o deixo ver demasiada televisão quando o meu filho - 4 anos feitos este mês - me tenta convencer a comprar Calgon, no supermercado.
Nem eu nem ele temos a mínima ideia para que serve aquilo.

5.22.2008

Tempo



daqui.

É tão assustador imaginarmos o quanto somos reféns desta palavra.
Como ficar a trabalhar até às 3 da manhã, ver o nosso nome numa ficha técnica pela primeira vez, acordar cedo.
Como percorrer Lisboa (que saudades da minha cidade), passar na Castilho e ver os Jacarandás pisados pela chuva (eu sem máquina fotográfica), lembrar-me da Feira do Livro daqui a dois dias, a Feira do Livro de Lisboa que sempre foi subir e descer o Parque Eduardo VII com carrinhos de bebé, agonizando com o calor, atirar livros para a rede do carrinho, comer gelados e disputar garrafas de água (como será agora debaixo dos chapéus de chuva?).
Como morrer num hospital, velar a morte de alguém, imaginarmos a nossa morte (não quero que ninguém me vele, não quero medidas extremas e máquinas, quero que me lembrem viva e não nesse momento em que a morte me tornará suplicante).
Como lembrar-me da minha avó no velório dela e pensar que aquela não era a minha avó, que a teriam trocado na morgue, de não a reconhecer tendo-a visto apenas umas semanas antes, e não era, a alma dela (ou energia, ou sopro, ou vida, como lhe quiserem chamar) tinha já partido e por isso já não era a minha avó. Que o mesmo acontecerá comigo (não quero que me velem, ver-me-ão reflectida nos genes dos meus filhos, netos se os tiver).
Que o tempo será o que tudo cura, o que tudo traz, o que tudo leva.

5.20.2008

De aniversários

de blogs.
Não imagino a Cat há 5 anos. Não será isso de admirar, hoje ao reler-me num blog que mantive uns meros 6 meses não me imagino a mim nessa altura, há 2 anos. Não faço ideia do que pensava, o que imaginava, com o que sonhava (se é que sonhava), se tinha preocupações e quais eram. E também não é lendo esse blog que descubro, à semelhança de um álbum de recordações guarda apenas uns momentos esparsos e superficiais daquilo que era a minha vida nessa altura.
E depois penso que tem de ser mesmo assim, que se recordarmos com exactidão todos os momentos ficaremos presos neles, estacados nos maus, sem querer largar os bons.

5.19.2008

Um dia da caça

Há uns largos meses um blogger que conheço chamou-me a atenção para a forma aberta como eu usava o blog para terapizar os meus problemas e como, quando isso estava relacionado com terceiros, os poderia expor e magoar.
Sei que o ouvi mas que não lhe prestei grande atenção, não achava eu ser explícita de nenhuma forma e assumi sempre que os blogs são e serão inevitavelmente ferramenta de exorcismo de fantasmas, não só para mim, para todos os que neles escrevem.

Pois.

Mas agora a verdade é que, tendo agora experimentado a sensação de ficar na outra ponta, dou-lhe razão: não é fácil e não é agradável estar do outro lado, mesmo que isso não seja propriamente óbvio para ninguém, eu leio e entendo e isso basta. Também não sou obrigada a ler, é um facto.
Mas leio, calo-me e engulo, nem que seja por não ter moral para agir de outra forma. E fico à espera (não com grande confiança, verdade seja dita) que, no dia em que tudo passe, possamos passar a outra fase.

No escuro

no meio de tantas vibrações de que estou farta, farta, escuto o meu corpo (e é tão raro escutar o meu corpo). Ele diz uma só palavra em repetição exaustiva. E é certamente uma palavra muito diferente da que os outros, tantos corpos que me rodeiam, emitem (amor; sexo; calor; beijar-te; assumir-me; tocar-te; odeio-te; larga-me).

5.18.2008

Comunhão

primeira comunhão

daqui.

"Imaginem a pessoa de quem mais gostam neste mundo, aquela sem a qual não imaginam ficar, a que vos faz sentir melhor quando estão com ela, a pessoa que mais adoram e que mais gosta de vocês, quem mais vos abraça e vos consola. Pois bem, tenho uma novidade para vocês: Jesus gosta muito mais de vocês ainda do que o vosso amor por essa pessoa".

Não sei se estou a blasfemar, mas para mim, enough tough love.

5.15.2008

Prostituição infantil

Do artigo da Visão, retenho sobretudo um depoimento chocante;
-Qual é a idade em que as crianças se começam a prostituir?
-O caso mais flagrante que tive conhecimento foi o de uma mãe que vinha deixar a criança de 8 meses num quarto de hotel e depois vinha buscá-la à hora marcada.
-E como é que os turistas têm acesso a essas crianças?
-São os funcionários do hotel que fazem o contactos, eram eles quem chamavam aquela mãe.

(estou a citar de cor, não tenho a revista comigo).

Não vou sequer tentar imaginar a que miséria humana é necessário passar para chegar para este ponto, mas acho que prova qualquer coisa. Que todos temos dentro de nós um Fritlz em potência, que ninguém está livre de cometer as maiores atrocidades, tudo depende do seu gatilho ser ou não premido. Se acreditarmos no melhor nas pessoas, também temos de acreditar no pior, não é?

5.14.2008

Bons genes



Mãe, tire-me esta música para o iPod.

4

Nasceu há 4 anos já. 4 anos é bastante, mas a ele custam-lhe a admitir. Gosta de ser bebé, de se aninhar, de chucha, biberon, fralda de noite, bonequinhos. Gosta da dependência não sei porquê, põe-me a mim e à minha impaciência à prova todos os dias. O meu filho Peter Pan é o que pede beijinhos quando me zango com ele, o que estabelece alianças estratégicas no recreio para não lhe baterem, o que demora 3 horas a sair de casa porque precisa de trazer colecções inteiras de pokemons, o que se deita no chão da Fnac a ver radiografias nos livros de anatomia, o que gosta tanto tanto da mãe e da mana (e tanto quanto da avó, da educadora e da namorada do pai), o que pede tudo, o que fica satisfeito com qualquer coisa, o que dá muitos beijinhos, o que pede colo todo o dia, o que se ri sempre, o que faz birras sem parar, o que detesta comida que se mastigue ("mãe, o meu maxilar mastiga muito depressa"), o que passa o tempo todo a roubar chocolates e se pode alimentar dias a fio de gelados, o que adora cantar, o que detesta tomar banho e o mar, o que ainda acorda de noite e se enfia na minha cama. É...ele.4.

5.13.2008

Sorte não é

entrar à frente da fila que contorna o quarteirão do Lux, isso é ser conhecida dos porteiros. Sorte é vir a subir as escadas e um tipo que não conhecemos de lado nenhum passar-nos para as mãos 18 euros em senhas de bebidas porque se vai embora.
E aposto que é só uma das muitas, muitas vezes em que sorte rima com ressaca.

5.10.2008

Confissão

Tenho saudades, de alguma forma (não de todas) de ser casada. Da vida correr lisa como uma autoestrada, comprida, sem curvas, rectilínea. De não haver complicações nem questões nem problemas sérios, de tudo ser perfeito. Sei agora (porque realmente não tinha maneira de saber antes) porque é que o meu cérebro tinha nessa altura necessidade de me atormentar com imagens intermitentes de catástrofes, de acidentes potenciais, de tragédias. Eu não sou capaz de conviver com essa linearidade, de ter paz. Agora que todos os tormentos podem vir de fontes externas, já não os imagino, eles são-no. E, de uma forma absurda, só quero que tudo volte a ser como dantes. Provavelmente para que volte a desejar que não seja.

5.08.2008

Pois

Estou fartinha de dizer que não tenho saudades do Porto. Eu não tenho saudades de viver no Porto, mas hoje ao desejar boa viagem a um amigo que foi para lá, memórias de sítios que adoro no Porto e onde fui (durante os momentos em que lá estive) feliz, surgiram-me em catadupa.
A Tavi, com a melhor esplanada da Foz onde comi tantos croissants com os miúdos. O Bazaar, onde a minha amiga protagonizou a cena mais hilariante da minha vida, a esplanada da praia do titan, onde passei todas as tardes do último ano em que lá vivi, o bar da praia da luz, a esplanada da marina nos almoços de domingo, a vista dos jardins do palácio de cristal, o restaurante de Serralves.
Não vale a pena estar zangada com uma cidade que não me fez nada apenas porque tive momentos menos bons lá. Carrego comigo estas memórias felizes, cada vez mais do que as menos felizes.

É este o post

onde declaro o meu socialismo assumido? É um bocado ao contrário mas pronto...

5.07.2008

Candidatos PSD

Vou poupar-nos a todos a mais um post de opinião política, não que não a tenha mas porque sinceramente até a mim pouco me interessa, quanto mais aos outros. Mas dei-me ao trabalho de visitar os sites dos candidatos do PSD (não sei se há ou haverá mais candidatos, tirei-os deste post, todos bonitinhos a abrir em blank como convém, se existirem mais avisem) mais por uma questão de curiosidade gráfica do que ideológica.
O primeiro que vi foi Por Portugal, pelo PSD - Manuela Ferreira Leite. É um site bem feito, as fontes serifadas dão-lhe um ar sério e um bocadinho antiquado (suponho que por indicação do cliente, o target serão os militantes de idade mais avançada). Apesar de ter sido feito on a budget e muito provavelmente num prazo apertado, tem leitura fácil, aspecto profissional e navegação agradável. Eu mudaria: os títulos do menu (alguns estão longos e outros curtos), a caixa "quero inscrever-me", parece encravada entre o menu e o header. É pena não ter um blog ou fórum associado.
O site Objectivo Portugal - Pedro Santana Lopes abre muito bem, com uma boa imagem de fundo e o hino do PSD (que tantas boas memórias me traz), é um site que vive de vídeos e que se pretendia dinâmico mas acaba por se tornar muito confuso. Tem o link para o manifesto abrir em pdf (perfeitamente desnecessário), algumas partes dos vídeos têm a imagem invertida,a conjunção de vídeos com textos a rodar em cima e em baixo dão dores de cabeça e, sinceramente, alguém tem paciência para abrir 20 ou 30 vídeos? Tem um blog associado, mas infelizmente não adaptado à imagem do site.
O futuro é agora - Pedro Passos Coelho sem dúvida o melhor site, menu em JavaScript muito bonito, bom aspecto, boa leitura, navegação clara e simples. É um pouco estático o que, a meu ver, é uma qualidade num site de uma candidatura política onde demasiados adornos parecem querer desviar a atenção dos conteúdos. A agenda é clara e fácil de seguir, todo o site está muito bem construído e estruturado. Deveria ter linkado o blog de apoio.
O site da candidatura de Patinha Antão está em baixo e não o consigo visualizar, mas já lá estive e achei fraquinho (a começar pelo nome do candidato, que parece ter sido criado com o único propósito de servir como chamariz para trocadilhos).
Finalmente, António Neto da Silva, nunca ouvi falar deste candidato, como suponho que a maioria da população, militantes do PSD incluídos, e também não é pelo site que fico a saber mais dele. É um site bastante simples, artesanal quase, e simples pode ser bom mas neste caso não ajuda muito. As páginas são todas iguais e só muda o texto, a sensação com que se fica é de que se está sempre na mesma página. Tem um único script cuja função é esconder a única imagem do site (a fotografia do candidato) e o menu de navegação (o que faz tanto sentido como usar uma peneira para transportar água, mas isto sou eu a dizer). Se tivesse que apostar, diria que o site foi feito por um programador.

5.06.2008

Deve estar alguma coisa errada na minha

vida quando oiço um anúncio a um anti rugas e penso "mas como é que as pessoas têm tempo para reparar que têm rugas?" (mas depois perdi uns minutos a matutar nisto quando devia era ter ido ver se tenho rugas).

Porque é que eu nunca poderia ser de esquerda

falta-me esta espécie de demagogia, o que fazer?

5.04.2008

Demasiado

Há muitos dias em que acordamos e achamos demasiado. É provável que sejam mais estes dias até do que os outros, ou pelo menos para mim são. No Natal o meu pai deu-me alguns livros, um dos quais da Doris Lessing, chama-se Amar de Novo. Ainda o estou a ler (já li outros no meio, aquele não sei porquê vai ficando para trás) mas não deixei de o olhar nunca como o livro da encalhada.
Hoje ao consultar a "recent keyword activity" do blog, no topo vejo "lista das mulheres que nunca namoraram" (quem o raio é que pesquisa uma lista de mulheres que nunca namoraram? Sim, sou encalhada, mas não exageremos); a seguir eis os "sentimentos virtuais" (tá bem tá); "aula patologia humana blogspot" (o quê?); "conto da doutora lésbica com a paciente" (não me parece que seja aqui no meu blog, mas pronto, podem continuar a mandar postais); "conto de sádico" (ui), "não vivemos numa sociedade machista" (ah pois não).

5.03.2008

Invejo as pessoas criativas,



(Salvador Dalí, Inaugural Goose Flesh 1928
© Salvador Dalí, FUNDACIÓ GALA-SALVADOR DALÍ)


juro que sim. As pessoas que não podem estar sem desenhar ou sem pintar ou sem escrever ou sem compor, para quem toda a produção é uma torrente sem fim à qual, se não for dada vazão, as consome até a poderem libertar. As que criam sem sofrimento e sem terem de pensar que aquilo é trabalho e que precisa de ser feito, sem se questionarem nem porem em causa nada do que lhes sai de dentro, se é arte ou não (que interessa isso) não podem é estar sem extravasar e depois criam, umas com sucesso, outras menos, possivelmente por uma questão de azar ou sorte (estar no local certo na hora certa, ter um gosto semelhante ao da maioria das pessoas). E invejo-as porque tudo o que crio é incerto e tremido e sem vontade, é trabalho, é sofrido, nunca fica exactamente como quero e não quero ter de depender disso para sobreviver.

5.02.2008

Será dia da mãe

e eu vou lembrar-me, nunca pensei que pudesse ser tão difícil ser mãe.
Será dia da mãe e pensarei que o que queria era descansar e não ser mãe por uns dias (semanas).
Vai ser dia da mãe e vai-me passar pela cabeça que ser mãe não deveria ser assim um sacrifício constante, ou que se calhar só pode ser assim, sair do emprego e ir buscar um e depois o outro a outra escola, ir a correr para a ginástica, voltar a correr para casa, arrastar duas mochilas, um cesto, sacos de compras e casacos, tirar a custo a chave da porta, ralhar porque ele não se despacha e eu estou tão carregada, entrar em casa, fazer o jantar e arrastá-lo para o banho aos gritos, depois rir muito porque diz uns disparates no banho, depois ralhar porque não me ajuda a vesti-lo, depois ir a correr buscá-la à ginástica, trazê-los de volta, gritar muitas vezes para ela ir para o banho, pôr a mesa, ralhar porque ele não janta sozinho, discutir de quem é o dia de ver televisão, depois ler-lhes uma história na cama (agora é a fada Oriana, a três ou quatro páginas por dia), depois ter ainda tantas coisas por fazer e estar tão tão cansada. Não sei se tem de ser assim. É-o. E não me deixa tempo para mais nada. Eu quero muito ter tempo para outras coisas, mas sinceramente não sei como.

4.30.2008

Não sei como é com os outros

Eu lido mais ou menos bem com a falta de interesse, menos bem com a falta de coragem, mal com a cobardia.
Por isso assumo tudo como "falta de interesse" e siga para bingo, mais um menos um, definitivamente não ponho me ponho em causa nem questiono nada a não ser eventualmente a minha falta de sorte. Lido bem com tudo menos com a porcaria das bootie calls às 5 da manhã, já o ano passado foi o que foi, eu doente de insónias e a passar o resto da noite acordada (isto não é para ti, A., bem sei que a tua foi só um deslize), agora de volta, quando eu já deixei bem claro que não tenho pachorra para estas porcarias.
Será que algum dia aquilo resultou com alguém, é que a mim dá-me só vontade de espetar um pontapé na boca da pessoa que envia sms a meio da noite, imagino a mensagenzinha guardada no arquivo e o send to para uns 5 ou 10 números, a ver se cai algum, lembro-me irremediavelmente das mensagens de mulheres armazenadas no telemóvel dum amigo em pastas com o nome dos filhos e não, definitivamente, não preciso disto.

(post editado).

4.29.2008

Há na língua inglesa

uma palavra de que gosto, treshold. Significa qualquer coisa como limite, limiar, palavras que em português soam fracas, ao passo que treshold parece marcar quase fisicamente a passagem de um lado para o outro, o fim de qualquer coisa e princípio de outra. Terão todas as coisas (pessoas?) limites, serão estes estáticos ou pontuais, há limites para tudo? Parece haver poucos para a minha estupidez.
Se imaginarmos que o nosso limite para qualquer coisa é tal, é pouco provável que acertemos, o que mostra quão mal nos conhecemos ou o quanto elásticos podemos ser. Conheço o meu limite para a dor física. Senti-o no dia em que o meu tímpano furou. Demorou um dia inteiro a furar (desde a primeira dor) e os últimos minutos (não sei quantos) passei-os a bater com a cabeça na parede (literalmente) depois de enfiar uns 3 Nolotils (o pós-operatório da cesariana) em vão.
O treshold de tudo o resto, quando parece estar mesmo aí, ao ponto de rebentar e não aguentar mais, não existe para mim. Para algumas pessoas não deve existir mesmo. É pena, porque deve ser muito agradável estar do outro lado, confortavelmente resguardada e medicada dentro da nossa própria loucura. Pelo menos, sempre imaginei que assim seria. Até isso está fora do meu alcance.

4.28.2008

Tenho uma orquídea

Para a maioria das pessoas é uma frase banal, tenho uma orquídea, mas isso é só porque a maioria das pessoas não me conhece e não sabe o quanto me é quase fisicamente impossível (como para um gago deixar de gaguejar) manter uma planta. Mas já tenho esta orquídea há mais de dois anos, quase três, é uma espécie de orquídea-milagre e foi-me oferecida pela minha sogra no meu aniversário. Marcaria esta orquídea a minha primeira separação do meu marido, uma separação temporária que seria uma falsa partida para a verdadeira, menos de um ano depois. Eu estava de férias no Algarve com a minha sogra e foi quando ela me deu esta orquídea. O primeiro milagre dela foi ter sobrevivido à primeira escala Algarve-Lisboa, achei mesmo que tinha morrido pelo caminho tal era o aspecto que ostentava à chegada. Ficou em casa da minha mãe, numa espécie de convalescença (na verdade eu limitei-me a esquecer-me dela) e só deve ter ido para o Porto num Outono já avançado. No Porto floresceu e era bem patente porquê, tinha uma quase estufa na parte da cozinha dedicada às máquinas, também me era fácil lembrá-la, estava-me ao nível dos olhos e na verdade eu tinha pouco mais que fazer. Ao voltar a Lisboa, no emaranhado que subitamente a vida se tornou, voltei a esquecê-la, ficou perdida algures por cima do frigorífico. Meia seca, eu já completamente convencida que teria morrido de vez, nem a reguei uma única vez desde que tinha voltado do Porto (vai fazer 1 ano) e voltou a florescer. Nesta luta de teimosias, obviamente venceu-me. Reguei-a ontem.

4.25.2008

Somos 3 adultos

e 2 crianças. O F. vê uma série americana na televisão e diz qualquer coisa como "Isto é que é uma família". Minutos antes falava de como no tempo deles (os filhos, ambos menores de 6 anos) a noção de família estaria tão distorcida que eles não fariam ideia de como era uma família a sério, com um pai e uma mãe a viverem na mesma casa.

A lei do divórcio foi aprovada pela esquerda parlamentar e os votos contra do PSD e do CDS-PP, num debate que aqueceu com as críticas dos sociais-democratas à regulação dos "ajustes de contas" na hora das partilhas.

Somos 3 adultos, todos divorciados. Quero perguntar-lhe se pensa assim porque é que se divorciou (o F. já vai no segundo divórcio) mas não o faço e nem preciso, porque ele informa-me: foi a mulher que se quis separar. Diz que os divórcios são sempre pedidos pelas mulheres, eu acedo, os homens têm formas menos limpas de causar divórcios do que o simples pedido.

O divórcio sem consentimento dos dois cônjuges terá que ser assente em causas objectivas, como a separação de facto por um ano consecutivo, a alteração das faculdades mentais que dure há mais de um ano, a ausência pelo mesmo prazo e por "quaisquer outros factos que, independentemente da culpa de um dos cônjuges, mostrem a ruptura definitiva do casamento".

Mas nenhuma mulher pede o divórcio porque, sei lá, acordou mal disposta. E portanto, embora concorde em teoria com o divórcio com pedido unilateral (em alguns casos), na prática e no geral acho que só vai tornar ainda mais leviano o acto de casar. E que aquilo que o governo pensa ganhar com a nova lei (entre outras coisas, mais pessoas a descontar como casados) lhes vai custar, em processos burocráticos, bem caro.

(fonte: Publico Online)

Da isenção

Aproveitando-se da omissão legal sobre o sexo do chefe de família, Carolina Beatriz Ângelo - médica, viúva e mãe de duas crianças - faz prevalecer a sua condição de chefe de família para depositar o seu voto nas eleições para a Assembleia Constitucional de 1910. Em consequência, a lei foi modificada de forma a estabelecer claramente que só os homens podem exercer o direito de voto. Em 1931 o direito de voto é concedido às mulheres com o ensino secundário concluído. Os homens podiam votar desde que soubessem ler e escrever. Em 1946 as restrições ao direito de voto das mulheres são diminuídas, mas só são completamente eliminadas em 1974. Comemora-se este ano o trigésimo aniversário da revisão do Código Civil que assumiu que os dois cônjuges gozam de direitos iguais.
As mulheres conseguiram agora uma igualdade ainda imperfeita. Começam mesmo a ser a maioria em alguns sectores importantes, como por exemplo a Universidade. Não estão porém seguras de ter feito um bom negócio. Trabalham tanto como os homens fora de casa, continuando uma boa parte delas a desempenhar o grosso das tarefas domésticas. Os casos de depressão multiplicam-se. Suspeitam que foram enganadas. Uma vez por outra usam o seu novo poder, mais as manhas antigas, para se vingarem dos preguiçosos que as exploram. Ou limitam-se a pô-los na rua.


(mas depois são obrigadas a ir pedinchar aos irmãos e aos irmãos das amigas que lhes mudem os pneus).

4.23.2008

Dos conselhos

Eu falo muito e, como seria de esperar de uma pessoa que fala muito, digo muitos disparates. Por isso, a todas as pessoas que falam comigo, dou só um conselho: não oiçam os meus conselhos (o Bandeira faria um post bom com esta frase, mas eu tenho de me limitar ao meu fraco talento literário que mal chega para os recadinhos sem erros ortográficos).
Gosto pouco de imaginar que aquilo que digo possa ter algum efeito, ao contrário se calhar daquilo que escrevo.
Um dia torci o nariz à ideia de um amigo escrever numa revista de direita. Ele nunca escreveu (embora não creio que tenha sido pelo que eu disse). No outro dia fiz o mesmo a outro amigo que me disse que iria escrever num blog de esquerda. Ele também já não vai escrever.
Se para um é tarde demais (a revista foi extinta entretanto) para o outro não.
É manifestamente pouco só te poder ler um dia em cada sete.

4.22.2008

Tenho na minha lista

de contactos do messenger uma rapariga brasileira. Adicionei-a por engano e ela ter-se-há enganado ao convidar-me mas não nos maçamos mutuamente e chegámos a trocar uma conversa tipo "de onde é que te conheço" sem chegarmos a conclusão alguma. Confesso que me dá algum gozo espreitar as mensagens que adiciona ao nome, expressões tipicamente brasileiras e que transmitem, sem qualquer pudor ou alarmismo, o estado de espírito dela. Hoje descobri-a apaixonada. Diz a mensagem "Amo vc - queria ser um baseado para nascer nos seus dedos, morrer em seus lábios e fazer sua cabeça". Não é lindo? Viva o acordo ortográfico.

Idiossincrasias

A coisa que mais vezes digo é "não quero voltar a repetir".

4.19.2008

Recadinho

Sabe, Leão, detesto quando tem razão.

4.18.2008

O problema das insónias



(M. Chagall)

é que nos arrastam o dia todo para sonhos nebulosos.

Há brinquedos parvos

e outros que ultrapassam qualquer limite. Vou buscá-lo ao café e, como saiu com o avô, já conseguiu sacar três presentinhos, coitadinho do menino.
Um é assim uma espécie de ovo transparente com uma bola de futebol lá dentro. Há que encher a coisa de água e em 72 horas (???!!!) a bola transfigurá-se-há em jogador.
3 dias e eu, "não valia mais atirar com isto ao chão e ver o que tem dentro?", mas calo-me, pois sim, ai que giro.
Ao fim do primeiro dia, a bola parece estar a partir-se e começa a surgir uma esfera castanha, a cabeça do jogador, pressupõe-se. Ainda faltam 2 dias inteiros, isto tem de ser uma lição de paciência para crianças, mas como a minha imaginação vai sempre para o mesmo lado negro começo a contar-lhe a história do Alien e de como um bicho poderá vir a sair dali e devorar-nos. Choramingos e "oh mãe, deita aquilo fora", pois tá claro.
Ao fim do segundo dia a bola está meia partida, o jogador parece assumir uma forma estranhíssima, eu a pensar "ora, se temos atirado isto ao chão ficava resolvido em 2 minutos", mas gozamos imenso com aquilo, eu e ela, que ele ainda se aproxima com muito cuidado e mal tocando na parte de fora com a ponta dos dedos (mesmo depois de muitos "a mãe estava a brincar, é mesmo um jogador").
Por fim lá atiro com aquilo para dentro do lava-loiça, sai a água e desfaço o resto da bola, o jogador é mesmo uma coisa horrorosa, ele ainda apavorado nem lhe toca mas também não me deixa deitá-lo fora, o troféu dos seus três infinitos dias de paciência.
Há brinquedos parvos.

4.16.2008

Sou como os outros

detesto hospitais, contenho o vómito quando passo a porta de entrada, o cheiro a hospital mesmo disfarçado provoca-me o mesmo que o cheiro a gordura frita às 9 da manhã, um vómito involuntário que faz estremecer. Empurro-me e contenho-me, este hospital nem é dos maus, não tem macas nos corredores nem pessoas a gemer, não há aglomerações, pessoas, choros, gritos nem tragédias. Não se vislumbra a morte nem a doença senão no cheiro. Mas ainda assim sabemo-las lá, presentes, expectantes, atentas. Um pequeno descuido e somos apanhados, percorreremos também nós os corredores a empurrar o frasco de soro até ao fim para um cigarro escondido, acordaremos de noite muitas vezes sem saber onde estamos, alagados em suor, transidos de medo dos fantasmas dos que morreram ontem e anteontem e cujos corpos jazem algures por baixo dos nossos pés, pisamo-los mas não adianta, eles estão à nossa volta, fazem parte deste edifício, são como nós parte de um conjunto de seres vivos ou mortos, a diferença é uma questão meramente temporal.
Sou como os outros e só entro em hospitais quando vou ver uma pessoa de quem gosto mas ainda assim não suporto o cheiro da doença, o bafo da morte a enfiar-se lentamente nos ossos. Ninguém pode gostar de hospitais e é pena, porque deviam ser sítios maravilhosamente agradáveis, cheios de plantas, de cantos de pássaros, de cheiro a chocolate quente no Inverno e de risos de crianças.

4.15.2008

Oh

esse teu mau feitio tem apurado com a idade. Passa uma pessoa horas a exercitar o mau humor e depois é derrotada assim com um sopro.
Abre lá os coisos, vá.

Já ía sendo tempo de escrever alguma coisa

de jeito.

Mas parece que ainda não é desta.

4.13.2008

Do post abaixo deste

Ah, é verdade, não podem flagar porque eu tirei a barra de navegação do blogger.
Temos pena.

4.12.2008

Doem-me os dentes

e estou mal-disposta. Já sou pouco suportável sem estar mal disposta, quando estou então não há medida.
E enquanto vejo toda gente cheia de planos para viagens e o raio que o parta a única coisa que me vem à mente, vire-me para onde me virar, é "estou fodida". Que este seja o ano da estreia dos palavrões no blog. A primeira de muitas, e a única das muitas que me apetecem gritar.
É flagar à vontade, a ver se me cancelam a coisa.

4.09.2008

Nip/Tuck

Christian:Did you finally find an ounce of respect and come to tell me what an asshole I am?

Abby Mays: You and I are very similar, you know? I know you hate me. But I'm OK with it. Cos I hate me too.

Christian: You couldn't be more pathetic.

Abby Mays: Yeah, I know. You made that pretty clear. But, Christian, that's cool with me. I like that I don't have to worry if you'll ever love me. I don't have to try to please you. It would only waste my time. Don't you get it? Last night, those won't tears of humiliation you saw. They were tears of joy. I had the first orgasm of my life with you. I went online to try and get information about my feelings. According to the websites, I must be a masochist. And you... you're definitely a sadist. We're made for each other (takes a paper bag with her phone number on it out and puts it on the desk) Anytime you want me, just let me know. And I'll wear the bag again. I don't mind.



Desconfio que para se gostar tanto desta série como eu gosto se tenha que ser um bocado como o Christian ou então como a Abby.

Eu sei qual sou, e vocês?

No dia em que perder o quase nada que tenho agora

terei ainda muito na pele dos meus filhos, na minha alma.
Mas quase certo será que também esta terei que vender para sobreviver. E depois? Poderei ainda dizer que os tenho a eles?

Se quisermos, se precisarmos, se formos esse tipo de pessoa

When you forgive, you love. And when you love, God's light shines upon you.
[at that very moment, the clouds part, and sunlight falls upon them]


Podemos ver sinais, presságios, oméns em todas as pequenas coisas que nos rodeiam.
O sol a aparecer atrás das nuvens, o pneu que se fura, o lugar para estacionar que não se encontra (ou encontra, como um pequeno milagre), a vizinha que passa o dia em pijama e nos vem dar avisos. Mas será com a mesma fé que ignoramos os sinais de alarme que o instinto emite e não queremos ouvir.
Por isso o melhor é não acreditar em nada.

4.07.2008

Pensamento absolutamente fútil do dia

a propósito de caça ou lá o que é a coisa. A única parte da relação que vale a pena preservar é a mais efémera e a menos passível de ser conservada: a conquista.
It's all downhill from there.

Acho mesmo que há muito boa gente que fica viciada nisso.

(Susana, é a nossa compensação).

4.06.2008

Lembro-me que já tive dúvidas

sobre escrever aqui, sobre quem me lia.
Depois isso deixou de me interessar, não me exponho o suficiente para que me reconheçam na rua, para que me conheçam de todo.
Quem me lê pode imaginar-me e à minha vida mas não pode ficar a saber se alguma dessas coisas corresponde à realidade e nem mesmo aquilo que escrevo hoje (por muito verdadeiro que seja) se vai manter amanhã.
O meu blog nem sempre é feito de verdades, e nunca estas correspondem à verdade inteira.

A minha vida é no momento feita de não verdades, ou são elas o pano de fundo.
Sou casada mas não tenho marido nem namorado. Tenho emprego mas não tenho salário. Os meus filhos têm um nível de vida superior ao meu, recebem computadores nos anos e consolas, mas vivem comigo. Neste momento vivo pior que muitas das pessoas dos bairros sociais do meu anónimo e o que interessa isso para a educação dos meus filhos? Nada. Não os educo de maneira diferente agora do que há dois anos.
Mas se calhar devia, mudar-lhes os nomes para Vanessa Cárina e Fábio Alexandre, arrear-lhes tabefes a cada duas vezes que abrissem a boca, deixá-los ver (e partilhar com eles) episódios das chiquititas e dos morangos com açúcar e rir-me muito de cada vez que dissessem um palavrão. Assim viveríamos dentro do meu nível social actual. Assim o mundo estaria arrumado, não era, anónimos?

4.04.2008

Agora vejo-me obrigada a defender a causa

Estou farta de escrever aqui que sou católica, que tenho a minha filha na catequese, a obrigo a ir, que faço essas coisas (quase) todas que os católicos reaccionários fazem. O facto de ter descrito nuns posts abaixo uma situação que se passa num colégio que, por acaso é católico (não se passa em civis porque esses nem se dão ao trabalho de recolher crianças) não pretende atribuir responsabilidades à religião que ali é professada.
Alguém tem noção do que se passa em casas de acolhimento do estado?
A minha melhor amiga tem dois irmãos adoptados que viveram a infância em casas de acolhimento e garanto que o que se passa lá é muito pior do que a segregação das freiras. A religião, a região, não está relacionada. Católicos são uns pessoas excepcionais, outros mais ou menos, outras francamente pobres de espírito. Mas não preciso de entrar num convento ou numa igreja para o constatar. É assim em todo o lado.
Há muitos anos a minha mãe contou-me uma história banal, o vizinho do lado dela tinha andado no mesmo colégio dela e do meu tio. A propósito já não sei de quê, um dia disse-me que para entrar no colégio (era um colégio não católico, de orientação inglesa), a mãe dele tinha pedido à minha avó que o recomendasse. É que embora podendo pagar o colégio, o marido não tinha uma profissão "digna" do colégio (era comerciante) nem tinham apelido de família.
Situações destas acontecem todos os dias, a toda a hora, em todo o mundo. A vida não é justa? Pois não. Essa tem de ser uma das primeiras lições a apreender, antes ainda de aprender a bater palminhas e sentar sem apoio.

Da Primavera

O mesmo funcionário do banco com quem discuti no Inverno hoje veio contar-me detalhes da mota que tem e da forma como a usa.
O senhor de idade do café da manhã ofereceu-me uma ida ao cabeleireiro.
Este calor todo deve fazer muito mal. Ir assim de repente do Inverno para o Verão sem passar pela casa da partida não tem piada nenhuma.

pessoas com extremo bom gosto