6.30.2008
Vermelho sangue
Por razões que não interessam a ninguém, pintei as unhas de vermelho sangue coagulado. Já sou tão adultinha para tanta coisa, mas ainda não me consigo ver com as unhas pintadas de cor. Olhava para aquilo e sentia o poder da coisa, os meus dedos aos gritos "acabei de esfolar alguém e trago comigo sangue coagulado dele nas pontas dos dedos, à laia de troféu". Mas. Na verdade eu não quero imaginar o sangue de ninguém nas pontas dos dedos.
6.27.2008
Ler os outros
Estive um ano à espera da publicação de uma coisa e agora, como já diz o ditado que não há fome que não dê em fartura, irei ver isso em três sítios diferentes. Tudo isto deixa-me a pensar em como os ciclos de abundância e escassez fazem parte da vida de um homem em todas as frentes: no trabalho, no dinheiro, na saúde, nas relações sentimentais e até, para mal dos pecados masculinos, no tesão. E ainda por cima, no caso dos últimos dois referidos, há que rezar para que sejam coincidentes. Caso contrário, para mal dos calores femininos, não servem de grande coisa juntos.
A semana passada descobri este blog e agora estou viciada nele. Por uma vez o meu greader acertou na recomendação (em geral é sempre ao lado, durante mais de um mês tentou convencer-me a ler o blog do David Fonseca).
A semana passada descobri este blog e agora estou viciada nele. Por uma vez o meu greader acertou na recomendação (em geral é sempre ao lado, durante mais de um mês tentou convencer-me a ler o blog do David Fonseca).
6.26.2008
À hora do café
explico ao Amigo que agora o que não quero é chatices de nenhum tipo, mas que quando comecei foi por achar que tinha de me tornar numa pessoa melhor e a abstinência fazia parte desse plano (o que faz tanto sentido como usar roupa do avesso para dar sorte) mas que tinha falhado miseravelmente. Se tinha ficado alguma coisa, era uma pessoa ainda pior.
O Amigo só responde que isso é óbvio, que as melhores pessoas são as que fazem sexo 3 vezes ao dia.
Pois.
O Amigo só responde que isso é óbvio, que as melhores pessoas são as que fazem sexo 3 vezes ao dia.
Pois.
Posso duvidar de muita coisa
mas nunca da capacidade de reinvenção de insultos das crianças.
-És uma gay, M.
-E tu és um lésbico.
-És uma gay, M.
-E tu és um lésbico.
6.25.2008
6.24.2008
Confissão
Trato sempre o meu ex-qq-coisa por "querido" só para receber o tratamento por "cariño" de volta.
Sou feita de um acumular de fraquezas.
Sou feita de um acumular de fraquezas.
6.22.2008
A melhor pergunta que me fizeram ultimamente:
"mas vocês [bloggers] também fazem outras coisas, também trabalham e assim?"
O que me faz pensar que de facto andamos é todos a lutar pelas causas erradas.
Para quando o estatuto do trabalhador-blogger (ou blogueiro, ou autor de blog)?
Para quando o direito a horário de trabalho reduzido, subsídio de risco e reforma antecipada?
Acho mal pois acho.
Se alguém (não eu, sou demasiado preguiçosa para causas) quiser subscrever esta ideia, inscrevo-me já como apoiante.
O que me faz pensar que de facto andamos é todos a lutar pelas causas erradas.
Para quando o estatuto do trabalhador-blogger (ou blogueiro, ou autor de blog)?
Para quando o direito a horário de trabalho reduzido, subsídio de risco e reforma antecipada?
Acho mal pois acho.
Se alguém (não eu, sou demasiado preguiçosa para causas) quiser subscrever esta ideia, inscrevo-me já como apoiante.
6.21.2008
Ahhhhhrg
Preciso urgentemente de aprender a calar-me mais.
(em casa)
-Ah, tinha dito à L. que lhe ligava para ir ao teu sarau porque há sempre homens giros nos teus saraus mas acho que não vou ligar.
(à porta do Pavilhão, rodeadas de polícia de choque)
- mãe, já contei um.
- um quê?
- um senhor giro.
(senhor-giro é uma conjunção que faz todo o sentido).
(em casa)
-Ah, tinha dito à L. que lhe ligava para ir ao teu sarau porque há sempre homens giros nos teus saraus mas acho que não vou ligar.
(à porta do Pavilhão, rodeadas de polícia de choque)
- mãe, já contei um.
- um quê?
- um senhor giro.
(senhor-giro é uma conjunção que faz todo o sentido).
6.19.2008
Já tiveram pena daqueles meninos
que nas festas de final do ano não têm pai nem mãe que se babem, chorem, tirem fotografias, filmem, se atropelem uns aos outros para chegar mais perto do palco?
Sabem porque é que isso acontece? Porque têm um pai que se está literalmente a borrifar para eles e uma mãe que tem um chefe mentecapto.
Há dias em que detesto mesmo a minha vida.
Sabem porque é que isso acontece? Porque têm um pai que se está literalmente a borrifar para eles e uma mãe que tem um chefe mentecapto.
Há dias em que detesto mesmo a minha vida.
6.18.2008
Às primeiras até pode ter piada
não sei bem quando foi, se foi progressivo, se foi assim de um dia para o outro. Sei que quem nos conhece à parte e depois nos vê juntas nos vê quase iguais. Será nos gestos e no sorriso, na forma do corpo, mas sobretudo na maneira de falar, no que dizemos, no que calamos. Sim, somos parecidas como mãe e filha podem ser parecidas, às vezes cansa ouvir o "igualzinha a ti", mas em geral facilita bastante. Um exercício para a entender a ela resulta num em que me percebo melhor e quando me tento descobrir, acabo por conhecê-la um pouco mais.
Ao jantar, vimos um programa em que mulheres com excesso de peso e celulite foram submetidas a cirurgias para um interminável concurso de beleza plastificada. Invariavelmente são casadas e ficaram assim como consequência das gravidezes. Enjoada com o excesso de peles e celulites, não acabei de jantar e devo ter dito qualquer coisa como "se continuo a comer assim ainda fico como elas". Vi-lhe o rosto a contorcer-se. O gemido, não se conteve, os berros "a mãe é magríssima, se deixa de comer vai ficar anoréctica".
(Tenho tanto medo que ela se torne anoréctica).
Ao jantar, vimos um programa em que mulheres com excesso de peso e celulite foram submetidas a cirurgias para um interminável concurso de beleza plastificada. Invariavelmente são casadas e ficaram assim como consequência das gravidezes. Enjoada com o excesso de peles e celulites, não acabei de jantar e devo ter dito qualquer coisa como "se continuo a comer assim ainda fico como elas". Vi-lhe o rosto a contorcer-se. O gemido, não se conteve, os berros "a mãe é magríssima, se deixa de comer vai ficar anoréctica".
(Tenho tanto medo que ela se torne anoréctica).
Desafio qualquer um
a explicar a uma criança de 4 anos sem noção de pátria que a bandeira de Portugal que encontrou não sei onde é do país onde nasceu e vive e não de um clube de futebol.
O máximo que me concedeu, com alta tolerância da parte dele, foi um "pronto, mãe, é das duas coisas, de Portugal e do futebol", entre gritos e pulos "estamos a apoiar Portugal! Portugal! Portugal!".
Não é de espantar, se nem os adultos conseguem entender a diferença.
O máximo que me concedeu, com alta tolerância da parte dele, foi um "pronto, mãe, é das duas coisas, de Portugal e do futebol", entre gritos e pulos "estamos a apoiar Portugal! Portugal! Portugal!".
Não é de espantar, se nem os adultos conseguem entender a diferença.
6.17.2008
Durante quanto tempo
isso esteve lá, mudo, calado, sossegado não sei. Duas semanas parece-me. À espera do dia em que o cansaço, a musica deprimente nos ouvidos, o livro a puxar para a tristeza. Desse dia em que a viagem era longa, interminável e o cansaço absurdo, em que o nervoso da partida tinha sido afogado pela carga de nervos de uma gritaria ao telefone, da absoluta injustiça, revolta, raiva transformada em lágrimas sentadas na camioneta.
De quanto tempo teria passado sem tudo isso, uma mágoa calada, funda, sem raiva nem explosões, sem lágrimas, com sonhos presentes a substituir tudo isso. Dos últimos dias, eram sempre últimos mesmo quando já se tinham passado anos desde que achámos que seriam os últimos. De quando me ía embora ("estás tão bonita", como a dizer um adeus final). De quando era pequena e o via a arranjar-se de manhã, a barba feita com um pincel grosso e lâminas, esfregar o corpo com álcool, vestir-se à janela ("o teu avô gosta de dar espectáculo", deve ter sido a única coisa que lhe herdei, o vestir-me à janela, como se o vidro não deixasse ver para dentro de casa).
O meu avô morreu da morte boa, da que nos deixa despedir-nos, quase a desejar que se vá para que não tenha de viver assim, sempre com dores, já sem vida possível.
O meu avô foi-se embora e despedimo-nos de todas as maneiras que é possível. Adeus, à pessoa que, (em conjunto com o meu pai) sabia mais do mundo. Adeus ao amor às bibliotecas e aos livros que partilhávamos desde sempre. Adeus às discussões acesas sobre política, às opiniões que nos dividiram e nos obrigaram a fazer respeitar a opinião contrária, a dos outros.
Adeus sempre, e nunca, espero-te nos sonhos do costume.
De quanto tempo teria passado sem tudo isso, uma mágoa calada, funda, sem raiva nem explosões, sem lágrimas, com sonhos presentes a substituir tudo isso. Dos últimos dias, eram sempre últimos mesmo quando já se tinham passado anos desde que achámos que seriam os últimos. De quando me ía embora ("estás tão bonita", como a dizer um adeus final). De quando era pequena e o via a arranjar-se de manhã, a barba feita com um pincel grosso e lâminas, esfregar o corpo com álcool, vestir-se à janela ("o teu avô gosta de dar espectáculo", deve ter sido a única coisa que lhe herdei, o vestir-me à janela, como se o vidro não deixasse ver para dentro de casa).
O meu avô morreu da morte boa, da que nos deixa despedir-nos, quase a desejar que se vá para que não tenha de viver assim, sempre com dores, já sem vida possível.
O meu avô foi-se embora e despedimo-nos de todas as maneiras que é possível. Adeus, à pessoa que, (em conjunto com o meu pai) sabia mais do mundo. Adeus ao amor às bibliotecas e aos livros que partilhávamos desde sempre. Adeus às discussões acesas sobre política, às opiniões que nos dividiram e nos obrigaram a fazer respeitar a opinião contrária, a dos outros.
Adeus sempre, e nunca, espero-te nos sonhos do costume.
6.16.2008
Este ano
não terei férias. Não serve este post como um queixume, passei anos da minha vida em férias, tive meses de Verão em que fui todos os dias à praia (ainda o ano passado), nem sinto que tenha o direito de me lamentar.
Tive estes 3 dias como férias, com praia a sério (sem horas para chegar e para sair), com horas a ler e a ouvir música, com calor e sol e conversas da treta, cartadas, banhos de mar e de piscina e, claro, pouca vontade de voltar ao trânsito, à gasolina, às contas por pagar, ao supermercado, à ginástica dos horários impossíveis, às frustrações do outro atiradas para cima aos berros (grita à vontade, para mim és nada como tudo o que dizes e fazes).
Carrego comigo os dias de sol e o mar, os sorrisos dos meus filhos e o cheiro deles, os nossos risos, os livros que li, a música que vai enchendo o iPod (neste momento bloqueadíssimo).
E por agora, será suficiente para me aguentar.
Tive estes 3 dias como férias, com praia a sério (sem horas para chegar e para sair), com horas a ler e a ouvir música, com calor e sol e conversas da treta, cartadas, banhos de mar e de piscina e, claro, pouca vontade de voltar ao trânsito, à gasolina, às contas por pagar, ao supermercado, à ginástica dos horários impossíveis, às frustrações do outro atiradas para cima aos berros (grita à vontade, para mim és nada como tudo o que dizes e fazes).
Carrego comigo os dias de sol e o mar, os sorrisos dos meus filhos e o cheiro deles, os nossos risos, os livros que li, a música que vai enchendo o iPod (neste momento bloqueadíssimo).
E por agora, será suficiente para me aguentar.
6.12.2008
Matéria
De manhã cheguei muito atrasada ao emprego. As coisas para arrumar para um fim de semana fora mas, sobretudo, ela lembrar-se que queria levar a Nintendo e não a encontrar. Horas à procura da coisa e nada, stress, berros, birras tremendas (primeiro dela, depois minha), choros, ameaças de castigo, moralismos, portas a bater.
Deixei-a na escola de olhos inchados, não a volto a ver até Domingo, cheguei ao emprego de olhos inchados.
Como posso ter ficado tão preocupada por causa de uma coisa, será castigo suficiente para ela não a ter. Como posso ter deixado a minha miúda ir para a escola destroçada quando não estarei de noite para a consolar. Como posso ter ficado tão histérica pelo desapego dela às coisas materiais quando eu própria faço o mesmo (por não ter outra alternativa que não ignorar os apelos da matéria).
Quero dizer-lhe que não interessa, que havemos de procurar de cima abaixo até encontrar aquilo, que se não encontrarmos, paciência, tem a do irmão e poderá juntar dinheiro para comprar uma nova se quiser.
Quero dizer-lhe que nada disso tem importância, que o importante é ficarmos em casa as duas porque lhe dói a garganta (e mandei-a para a escola com uma colher de xarope), que teremos tempo para mimos e procurar a consola, que tudo não vai passar de uma recordação vagamente amarga. Explicar-lhe que se me irrito com ela é porque vejo tanto de mim nela e me estou a irritar comigo própria.
Quero mas não tenho como, que já não a vejo até Domingo, quero ficar mas não tenho como, tenho de vir trabalhar para o meu emprego de merda onde mal ganho para pagar as contas (sim, muitas ficam por pagar e vivo no terror de me cortarem a água/luz/gás).
Mas não quero que isso passe para eles, que eu tenha de aprender a lidar com isso, mas eles não, eles nunca. E passa, não o consigo evitar.
Que pouco sou para o tanto que eles merecem.
*não, há coisas que não vou entender nunca, que queres que faça?
Deixei-a na escola de olhos inchados, não a volto a ver até Domingo, cheguei ao emprego de olhos inchados.
Como posso ter ficado tão preocupada por causa de uma coisa, será castigo suficiente para ela não a ter. Como posso ter deixado a minha miúda ir para a escola destroçada quando não estarei de noite para a consolar. Como posso ter ficado tão histérica pelo desapego dela às coisas materiais quando eu própria faço o mesmo (por não ter outra alternativa que não ignorar os apelos da matéria).
Quero dizer-lhe que não interessa, que havemos de procurar de cima abaixo até encontrar aquilo, que se não encontrarmos, paciência, tem a do irmão e poderá juntar dinheiro para comprar uma nova se quiser.
Quero dizer-lhe que nada disso tem importância, que o importante é ficarmos em casa as duas porque lhe dói a garganta (e mandei-a para a escola com uma colher de xarope), que teremos tempo para mimos e procurar a consola, que tudo não vai passar de uma recordação vagamente amarga. Explicar-lhe que se me irrito com ela é porque vejo tanto de mim nela e me estou a irritar comigo própria.
Quero mas não tenho como, que já não a vejo até Domingo, quero ficar mas não tenho como, tenho de vir trabalhar para o meu emprego de merda onde mal ganho para pagar as contas (sim, muitas ficam por pagar e vivo no terror de me cortarem a água/luz/gás).
Mas não quero que isso passe para eles, que eu tenha de aprender a lidar com isso, mas eles não, eles nunca. E passa, não o consigo evitar.
Que pouco sou para o tanto que eles merecem.
*não, há coisas que não vou entender nunca, que queres que faça?
6.10.2008
Feriado
Como se não bastasse de cada vez que saio à noite acabar no Lux, frequento a praia com maior numero de gays por metro quadrado da costa centro/sul.
Nestes dias (todos) os homens parecem dividir-se em 3 grupos: Os com menos 10 anos do que eu (não vale a pena verem o perfil, tenho 32), os com aliança no dedo e os que não usam aliança porque a lei não lhes permite casar.
Deve ser a isto que chamam Mercado Negro.
Nestes dias (todos) os homens parecem dividir-se em 3 grupos: Os com menos 10 anos do que eu (não vale a pena verem o perfil, tenho 32), os com aliança no dedo e os que não usam aliança porque a lei não lhes permite casar.
Deve ser a isto que chamam Mercado Negro.
6.09.2008
6.08.2008
Prom night
Na secundária do meu bairro - gosto de dizer "o meu bairro", de assumir que pertenço a este lugar, mesmo sendo um bairro muito banal; não tem o charme do Chiado, nem a modernidade de Telheiras, nem a graça do Bairro Alto, nem a suave harmonia de Campo de Ourique, nem o glamour da Av. de Roma.
Por outro lado, também não tem a decadência dos Anjos, nem o abandono nocturno do Saldanha, nem a tristeza permanente da Graça.
É um bairro muito normal sem características que o possam descrever.
E, na secundária deste bairro, o Prom night (que em português se traduziria perfeitamente por "baile de finalistas", não fosse o caso daquele ser uma imitação de prom, mesmo a reproduzir as séries americanas), ao qual por sorte (ou azar) assisti parcialmente. Rapazes de fato, como irão passar o resto das vidas, miúdas com os vestidos que levam a casamentos, sem se aguentarem nos saltos do hábito dos ténis diários. Abraços, alguma histeria, cigarros fumados a meias na rua, beijos escondidos.
O que pensarão estes miúdos da vida que vem a seguir, o que pensaria eu da vida que viria a seguir?
Por outro lado, também não tem a decadência dos Anjos, nem o abandono nocturno do Saldanha, nem a tristeza permanente da Graça.
É um bairro muito normal sem características que o possam descrever.
E, na secundária deste bairro, o Prom night (que em português se traduziria perfeitamente por "baile de finalistas", não fosse o caso daquele ser uma imitação de prom, mesmo a reproduzir as séries americanas), ao qual por sorte (ou azar) assisti parcialmente. Rapazes de fato, como irão passar o resto das vidas, miúdas com os vestidos que levam a casamentos, sem se aguentarem nos saltos do hábito dos ténis diários. Abraços, alguma histeria, cigarros fumados a meias na rua, beijos escondidos.
O que pensarão estes miúdos da vida que vem a seguir, o que pensaria eu da vida que viria a seguir?
6.05.2008
Em casa
Como somos duas contra um com muito menos, não há futebol.
Mas claro, temos de torcer por alguma coisa, por isso, eu é pela Jillian, a minha filha será pelo Rami (acho). O Christian irrita-nos e o Chris faz-nos pena. Em breve será a final, na semana da moda em NY.
E hoje foi o puto quem se lembrou de quem tinha sido eliminado ontem ("o dos bonés").
O pai acha muito natural que, se está a crescer no meio de duas mulheres, tenha conversas femininas.
Eu acho muito normal desde que não me mace com coisas de futebol.
Pronto, tem a caderneta e sou eu que lhe compro os cromos (de puro peso na consciência).
Mas claro, temos de torcer por alguma coisa, por isso, eu é pela Jillian, a minha filha será pelo Rami (acho). O Christian irrita-nos e o Chris faz-nos pena. Em breve será a final, na semana da moda em NY.
E hoje foi o puto quem se lembrou de quem tinha sido eliminado ontem ("o dos bonés").
O pai acha muito natural que, se está a crescer no meio de duas mulheres, tenha conversas femininas.
Eu acho muito normal desde que não me mace com coisas de futebol.
Pronto, tem a caderneta e sou eu que lhe compro os cromos (de puro peso na consciência).
Honestamente
Ao almoço, queixo-me a um amigo da atitude de outro. Ele responde, "os homens são uns parvos".
6.03.2008
Meia hora
a olhar para dentro do frigorífico a tentar lembrar-me porque tinha aberto a porta.
Não é demência, é cansaço.
E não é cansaço-coitadinha-trabalho-escolas-supermercados-ginásticas-banhos-jantares-casa por arrumar.
É mais cansaço-fim-de-semana-entre-funerais-e-festas-onde-não-me-apetecia-ir-porque-depois-nunca-mais -recupero-e-todos-os-fins-de-semana-são-meus-viva-a-custódia-integral-sem pausas nem para vir à tona respirar.
E é também cansaço-em-7-meses-mudei-de-emprego-3 vezes-e-não-faço-a-menor-ideia-de-quando-vou-ter-férias-mas-tão-cedo-não-é.
Não é demência, é cansaço.
E não é cansaço-coitadinha-trabalho-escolas-supermercados-ginásticas-banhos-jantares-casa por arrumar.
É mais cansaço-fim-de-semana-entre-funerais-e-festas-onde-não-me-apetecia-ir-porque-depois-nunca-mais -recupero-e-todos-os-fins-de-semana-são-meus-viva-a-custódia-integral-sem pausas nem para vir à tona respirar.
E é também cansaço-em-7-meses-mudei-de-emprego-3 vezes-e-não-faço-a-menor-ideia-de-quando-vou-ter-férias-mas-tão-cedo-não-é.
Se calhar nem é preciso
chegar aos 35.
Ontem, furiosa porque não conseguia logar-me no myspace, tinha a certeza que me tinha registado na coisa, tive de verificar a caixa do correio. Afinal não tinha, era no Facebook (mas aquelas coisas são todas iguais não é? Até é um erro muito natural...)
Ontem, furiosa porque não conseguia logar-me no myspace, tinha a certeza que me tinha registado na coisa, tive de verificar a caixa do correio. Afinal não tinha, era no Facebook (mas aquelas coisas são todas iguais não é? Até é um erro muito natural...)
6.02.2008
Eu tambem quero fazer um post sobre a Amy Winehouse
Depois de entrar em depressão com este post da Vieira, entra-me a criancinha no carro deliciada "sabe aquela que a mãe disse que era drogada? Elas contaram-me que ela caiu no concerto!".
A minha filha de 9 anos tem amigas que vão ver a Amy ao RInR, pois tem, é o meu calvário aquela ginástica. Para além de ter de a levar e trazer a horários impossíveis, é a segunda mais nova da aula e muitas das colegas têm 15 e 16 anos. Claro está que as tratam (às mais novas) como mascotes a quem têm o dever de ensinar as partes pesadas da vida em que se acham mestres e daqui a uns tempos nem quero imaginar o que virá desse lado. Mas é a acrobática, é preciso miúdas pequenas para levantar e um corpo de 9 anos com tamanho de 6 dá muito jeito, que para alguma coisa tinha de lhe valer ser para o pequeno.
Explico-lhe que muitos cantores se drogam e bebem imenso e claro que me pergunta porquê. Porque será? Realmente não faço ideia, embrulho uma teoria qualquer que não explica nada mas no fim ainda me enterro mais:
- Tu sabes que toda a gente bebe álcool. Os adultos às vezes também bebem muito quando saem à noite, achas muito diferente de se drogar?
-Sim, drogas deve ser mais perigoso.
Entre as da ginástica e as da colónia de férias, caladinha que nem um rato a ouvi-las (a miúda que fala sem parar), há-de sair doutorada em teoria de sexo, drogas e rock and roll antes dos 12.
A minha filha de 9 anos tem amigas que vão ver a Amy ao RInR, pois tem, é o meu calvário aquela ginástica. Para além de ter de a levar e trazer a horários impossíveis, é a segunda mais nova da aula e muitas das colegas têm 15 e 16 anos. Claro está que as tratam (às mais novas) como mascotes a quem têm o dever de ensinar as partes pesadas da vida em que se acham mestres e daqui a uns tempos nem quero imaginar o que virá desse lado. Mas é a acrobática, é preciso miúdas pequenas para levantar e um corpo de 9 anos com tamanho de 6 dá muito jeito, que para alguma coisa tinha de lhe valer ser para o pequeno.
Explico-lhe que muitos cantores se drogam e bebem imenso e claro que me pergunta porquê. Porque será? Realmente não faço ideia, embrulho uma teoria qualquer que não explica nada mas no fim ainda me enterro mais:
- Tu sabes que toda a gente bebe álcool. Os adultos às vezes também bebem muito quando saem à noite, achas muito diferente de se drogar?
-Sim, drogas deve ser mais perigoso.
Entre as da ginástica e as da colónia de férias, caladinha que nem um rato a ouvi-las (a miúda que fala sem parar), há-de sair doutorada em teoria de sexo, drogas e rock and roll antes dos 12.
Demência precoce
Dos dois livros que trouxe da Feira para mim, um deles já tinha em casa e até já li mais de metade dele.
Quando chegar aos 35 estou completamente senil.
Quando chegar aos 35 estou completamente senil.
Depois há dias em que tudo
mas tudo pode fazer com que a vida pareça insuportável.
Este post também não ajuda nada (principalmente porque, como sempre, não escrevi nada daquilo que queria escrever).
Este post também não ajuda nada (principalmente porque, como sempre, não escrevi nada daquilo que queria escrever).
6.01.2008
Coisas que até me convenciam a ser ecologista

Miguel Câncio Martins.
Giro de cair para o lado, Arquitecto, trabalho irrepreensível. Segundo a revista de Viagens da Visão, agora quer fazer um hotel ecológico. Perfeito?
5.29.2008
Continuamos no périplo
dos homevideos (o cabelo para o curto fica-me horrivelmente mal) e eis que descubro aquilo que, hoje, mais me custa no meu divórcio. Perdi, irreversivelmente, o meu melhor amigo.
E escrevo irreversivelmente porque segundo um amigo meu os homens e mulheres não podem ser amigos se não dormirem juntos. Ou qualquer coisa assim do género.
Ora isso levanta outras questões ainda. Eu gosto muito deste meu amigo. E tenho a certeza que não dormiremos juntos. Nunca seremos amigos? Ou somos a excepção que confirma a (sua) regra?
E escrevo irreversivelmente porque segundo um amigo meu os homens e mulheres não podem ser amigos se não dormirem juntos. Ou qualquer coisa assim do género.
Ora isso levanta outras questões ainda. Eu gosto muito deste meu amigo. E tenho a certeza que não dormiremos juntos. Nunca seremos amigos? Ou somos a excepção que confirma a (sua) regra?
Do preço dos combustíveis e boicotes da treta
Não é que eu não aprecie um bom boicote como toda a gente. Acho piada às manifestações espontâneas, quase sempre revestidas por uma boa dose de ignorância da parte de quem participa.
Os combustíveis sofrem aumentos. E porquê? Porque o o preço do barril, a materia-prima aumenta.
Podemos querer culpar a Galp e as todas as gasolineiras porque (as bestas) querem ter lucro. Mas por cada litro de gasolina (cerca de um euro e meio), 15 cêntimos são o lucro de quem vende. 15 cêntimos. Podem as gasolineiras baixar o lucro? Podem, correndo o enorme risco de falência (e sim, são milhares de postos de trabalho que vão à vida).
Pode o governo baixar o segundo imposto (depois do IVA), o ISP? Em teoria, pode. Na prática, como precisa da receita do ISP para não esburacar o Orçamento de Estado, só o pode fazer à custa do aumento de outro imposto qualquer. Ou seja, não pode.
Porque acham os boicotantes que aumenta diariamente o preço do barril? Especulação. E é. Mas especulação da parte de quem vende a matéria prima, tem liberdade absoluta para fixar preços, manipular a produção e nenhuma concorrência.
Contra isto, boicotem o que quiserem, as gasolineiras estão já com perdas de 30% por isso o próximo passo será (provavelmente) deixarem de vender aos hipermercados. Se tivesse que apostar, diria que era já para a semana.
Os combustíveis sofrem aumentos. E porquê? Porque o o preço do barril, a materia-prima aumenta.
Podemos querer culpar a Galp e as todas as gasolineiras porque (as bestas) querem ter lucro. Mas por cada litro de gasolina (cerca de um euro e meio), 15 cêntimos são o lucro de quem vende. 15 cêntimos. Podem as gasolineiras baixar o lucro? Podem, correndo o enorme risco de falência (e sim, são milhares de postos de trabalho que vão à vida).
Pode o governo baixar o segundo imposto (depois do IVA), o ISP? Em teoria, pode. Na prática, como precisa da receita do ISP para não esburacar o Orçamento de Estado, só o pode fazer à custa do aumento de outro imposto qualquer. Ou seja, não pode.
Porque acham os boicotantes que aumenta diariamente o preço do barril? Especulação. E é. Mas especulação da parte de quem vende a matéria prima, tem liberdade absoluta para fixar preços, manipular a produção e nenhuma concorrência.
Contra isto, boicotem o que quiserem, as gasolineiras estão já com perdas de 30% por isso o próximo passo será (provavelmente) deixarem de vender aos hipermercados. Se tivesse que apostar, diria que era já para a semana.
5.28.2008
Politicamente correcto
O absurdo dos desenhos animados terem de respeitar o politicamente correcto, resulta em diálogos como:
- Tenham cuidado, aí nessa caverna há o monstro da caverna.
- Então, não podemos descriminar alguém só por ser um monstro!
Se alguma vez, nos tempos áureos do Vasco havia essa preocupação pelo politicamente correcto. As animações que ganhavam o primeiro prémio do Grande Festival de Animação Checoslovaco tinha mais com que se preocupar. Eu cá também só via aquilo na esperança vã de que algum dia um checo tresloucado caísse na tentação de fazer uns desenhos com piada. Que me lembre, nunca aconteceu, mas pode ser a minha memória a pregar-me partidas, ela faz-me muito isso, a parva.
- Tenham cuidado, aí nessa caverna há o monstro da caverna.
- Então, não podemos descriminar alguém só por ser um monstro!
Se alguma vez, nos tempos áureos do Vasco havia essa preocupação pelo politicamente correcto. As animações que ganhavam o primeiro prémio do Grande Festival de Animação Checoslovaco tinha mais com que se preocupar. Eu cá também só via aquilo na esperança vã de que algum dia um checo tresloucado caísse na tentação de fazer uns desenhos com piada. Que me lembre, nunca aconteceu, mas pode ser a minha memória a pregar-me partidas, ela faz-me muito isso, a parva.
5.27.2008
Nunca hei-de ser uma intelectual*
Não suporto o Vian, abomino o Alberoni e não consigo ler o Lobo Antunes. Não me parece que a minha particular admiração pelo Saramago e pelo Lars consiga anular estas graves falhas.
*graças a Deus
*graças a Deus
Do viver entalado entre mulheres mais velhas
O meu filho chama "jogo de paciência" aos chutos maricas que dá numa bola do FCB (Futbal Club Barcelona) e Project Runway aos DVDs do Sexo e a Cidade.
5.26.2008
Obrigado,
por nada.
É na ausência que sou forçada apreender aquilo que não quero.
É no vazio que sou forçada a encarar as coisas de que fujo.
O meu mantra antigo, "un dia más", é agora "nem mais um dia".
É na ausência que sou forçada apreender aquilo que não quero.
É no vazio que sou forçada a encarar as coisas de que fujo.
O meu mantra antigo, "un dia más", é agora "nem mais um dia".
5.25.2008
Das memórias
Este fim de semana, entre outras coisas, passámos (eu e a minha filha) horas a ver todos os home videos que tínhamos aqui, desde que ela tinha 3 meses.
É um exercício pernicioso e nada aconselhado ao meu estado de espírito actual, mas necessário.
Conclusões abreviadas:
Alguns de nós envelheceram bem. Outros ganharam barriga e perderam cabelo. Lucky me.
A minha filha foi completamente shopinha de masha até aos 5/6 anos e agora tem uma dicção perfeita sem ter feito terapia da fala. É a filha milagre.
O meu filho será milagre se chegar a adulto sem graves problemas mentais. A diferença de tratamento, disponibilidade e oportunidades entre os dois é abissal.
Não vale a pena estar a pensar "seríamos mais felizes?". Não há resposta para essa pergunta.
Eu fui uma mãe insuportavelmente exigente para a minha filha, obviamente por ser a primeira.
Eu era mais chata do que sou agora. Mas não tão chata como pensava que era (sou).
A minha vida já foi muito boa e depois eu estraguei-a. Não o fiz por ser parva mas só por não ter maturidade para agir de forma diferente.
Não quero voltar para trás nunca mais, por horrivelmente mal que me esteja a sentir, há coisas que não são recicláveis (esta vai para além dos home videos).
É um exercício pernicioso e nada aconselhado ao meu estado de espírito actual, mas necessário.
Conclusões abreviadas:
Alguns de nós envelheceram bem. Outros ganharam barriga e perderam cabelo. Lucky me.
A minha filha foi completamente shopinha de masha até aos 5/6 anos e agora tem uma dicção perfeita sem ter feito terapia da fala. É a filha milagre.
O meu filho será milagre se chegar a adulto sem graves problemas mentais. A diferença de tratamento, disponibilidade e oportunidades entre os dois é abissal.
Não vale a pena estar a pensar "seríamos mais felizes?". Não há resposta para essa pergunta.
Eu fui uma mãe insuportavelmente exigente para a minha filha, obviamente por ser a primeira.
Eu era mais chata do que sou agora. Mas não tão chata como pensava que era (sou).
A minha vida já foi muito boa e depois eu estraguei-a. Não o fiz por ser parva mas só por não ter maturidade para agir de forma diferente.
Não quero voltar para trás nunca mais, por horrivelmente mal que me esteja a sentir, há coisas que não são recicláveis (esta vai para além dos home videos).
5.23.2008
Da publicidade
Começo a achar que o deixo ver demasiada televisão quando o meu filho - 4 anos feitos este mês - me tenta convencer a comprar Calgon, no supermercado.
Nem eu nem ele temos a mínima ideia para que serve aquilo.
Nem eu nem ele temos a mínima ideia para que serve aquilo.
5.22.2008
Tempo

daqui.
É tão assustador imaginarmos o quanto somos reféns desta palavra.
Como ficar a trabalhar até às 3 da manhã, ver o nosso nome numa ficha técnica pela primeira vez, acordar cedo.
Como percorrer Lisboa (que saudades da minha cidade), passar na Castilho e ver os Jacarandás pisados pela chuva (eu sem máquina fotográfica), lembrar-me da Feira do Livro daqui a dois dias, a Feira do Livro de Lisboa que sempre foi subir e descer o Parque Eduardo VII com carrinhos de bebé, agonizando com o calor, atirar livros para a rede do carrinho, comer gelados e disputar garrafas de água (como será agora debaixo dos chapéus de chuva?).
Como morrer num hospital, velar a morte de alguém, imaginarmos a nossa morte (não quero que ninguém me vele, não quero medidas extremas e máquinas, quero que me lembrem viva e não nesse momento em que a morte me tornará suplicante).
Como lembrar-me da minha avó no velório dela e pensar que aquela não era a minha avó, que a teriam trocado na morgue, de não a reconhecer tendo-a visto apenas umas semanas antes, e não era, a alma dela (ou energia, ou sopro, ou vida, como lhe quiserem chamar) tinha já partido e por isso já não era a minha avó. Que o mesmo acontecerá comigo (não quero que me velem, ver-me-ão reflectida nos genes dos meus filhos, netos se os tiver).
Que o tempo será o que tudo cura, o que tudo traz, o que tudo leva.
5.20.2008
De aniversários
de blogs.
Não imagino a Cat há 5 anos. Não será isso de admirar, hoje ao reler-me num blog que mantive uns meros 6 meses não me imagino a mim nessa altura, há 2 anos. Não faço ideia do que pensava, o que imaginava, com o que sonhava (se é que sonhava), se tinha preocupações e quais eram. E também não é lendo esse blog que descubro, à semelhança de um álbum de recordações guarda apenas uns momentos esparsos e superficiais daquilo que era a minha vida nessa altura.
E depois penso que tem de ser mesmo assim, que se recordarmos com exactidão todos os momentos ficaremos presos neles, estacados nos maus, sem querer largar os bons.
Não imagino a Cat há 5 anos. Não será isso de admirar, hoje ao reler-me num blog que mantive uns meros 6 meses não me imagino a mim nessa altura, há 2 anos. Não faço ideia do que pensava, o que imaginava, com o que sonhava (se é que sonhava), se tinha preocupações e quais eram. E também não é lendo esse blog que descubro, à semelhança de um álbum de recordações guarda apenas uns momentos esparsos e superficiais daquilo que era a minha vida nessa altura.
E depois penso que tem de ser mesmo assim, que se recordarmos com exactidão todos os momentos ficaremos presos neles, estacados nos maus, sem querer largar os bons.
5.19.2008
Um dia da caça
Há uns largos meses um blogger que conheço chamou-me a atenção para a forma aberta como eu usava o blog para terapizar os meus problemas e como, quando isso estava relacionado com terceiros, os poderia expor e magoar.
Sei que o ouvi mas que não lhe prestei grande atenção, não achava eu ser explícita de nenhuma forma e assumi sempre que os blogs são e serão inevitavelmente ferramenta de exorcismo de fantasmas, não só para mim, para todos os que neles escrevem.
Pois.
Mas agora a verdade é que, tendo agora experimentado a sensação de ficar na outra ponta, dou-lhe razão: não é fácil e não é agradável estar do outro lado, mesmo que isso não seja propriamente óbvio para ninguém, eu leio e entendo e isso basta. Também não sou obrigada a ler, é um facto.
Mas leio, calo-me e engulo, nem que seja por não ter moral para agir de outra forma. E fico à espera (não com grande confiança, verdade seja dita) que, no dia em que tudo passe, possamos passar a outra fase.
Sei que o ouvi mas que não lhe prestei grande atenção, não achava eu ser explícita de nenhuma forma e assumi sempre que os blogs são e serão inevitavelmente ferramenta de exorcismo de fantasmas, não só para mim, para todos os que neles escrevem.
Pois.
Mas agora a verdade é que, tendo agora experimentado a sensação de ficar na outra ponta, dou-lhe razão: não é fácil e não é agradável estar do outro lado, mesmo que isso não seja propriamente óbvio para ninguém, eu leio e entendo e isso basta. Também não sou obrigada a ler, é um facto.
Mas leio, calo-me e engulo, nem que seja por não ter moral para agir de outra forma. E fico à espera (não com grande confiança, verdade seja dita) que, no dia em que tudo passe, possamos passar a outra fase.
No escuro
no meio de tantas vibrações de que estou farta, farta, escuto o meu corpo (e é tão raro escutar o meu corpo). Ele diz uma só palavra em repetição exaustiva. E é certamente uma palavra muito diferente da que os outros, tantos corpos que me rodeiam, emitem (amor; sexo; calor; beijar-te; assumir-me; tocar-te; odeio-te; larga-me).
5.18.2008
Comunhão

daqui.
"Imaginem a pessoa de quem mais gostam neste mundo, aquela sem a qual não imaginam ficar, a que vos faz sentir melhor quando estão com ela, a pessoa que mais adoram e que mais gosta de vocês, quem mais vos abraça e vos consola. Pois bem, tenho uma novidade para vocês: Jesus gosta muito mais de vocês ainda do que o vosso amor por essa pessoa".
Não sei se estou a blasfemar, mas para mim, enough tough love.
5.15.2008
Prostituição infantil
Do artigo da Visão, retenho sobretudo um depoimento chocante;
-Qual é a idade em que as crianças se começam a prostituir?
-O caso mais flagrante que tive conhecimento foi o de uma mãe que vinha deixar a criança de 8 meses num quarto de hotel e depois vinha buscá-la à hora marcada.
-E como é que os turistas têm acesso a essas crianças?
-São os funcionários do hotel que fazem o contactos, eram eles quem chamavam aquela mãe.
(estou a citar de cor, não tenho a revista comigo).
Não vou sequer tentar imaginar a que miséria humana é necessário passar para chegar para este ponto, mas acho que prova qualquer coisa. Que todos temos dentro de nós um Fritlz em potência, que ninguém está livre de cometer as maiores atrocidades, tudo depende do seu gatilho ser ou não premido. Se acreditarmos no melhor nas pessoas, também temos de acreditar no pior, não é?
-Qual é a idade em que as crianças se começam a prostituir?
-O caso mais flagrante que tive conhecimento foi o de uma mãe que vinha deixar a criança de 8 meses num quarto de hotel e depois vinha buscá-la à hora marcada.
-E como é que os turistas têm acesso a essas crianças?
-São os funcionários do hotel que fazem o contactos, eram eles quem chamavam aquela mãe.
(estou a citar de cor, não tenho a revista comigo).
Não vou sequer tentar imaginar a que miséria humana é necessário passar para chegar para este ponto, mas acho que prova qualquer coisa. Que todos temos dentro de nós um Fritlz em potência, que ninguém está livre de cometer as maiores atrocidades, tudo depende do seu gatilho ser ou não premido. Se acreditarmos no melhor nas pessoas, também temos de acreditar no pior, não é?
5.14.2008
4
Nasceu há 4 anos já. 4 anos é bastante, mas a ele custam-lhe a admitir. Gosta de ser bebé, de se aninhar, de chucha, biberon, fralda de noite, bonequinhos. Gosta da dependência não sei porquê, põe-me a mim e à minha impaciência à prova todos os dias. O meu filho Peter Pan é o que pede beijinhos quando me zango com ele, o que estabelece alianças estratégicas no recreio para não lhe baterem, o que demora 3 horas a sair de casa porque precisa de trazer colecções inteiras de pokemons, o que se deita no chão da Fnac a ver radiografias nos livros de anatomia, o que gosta tanto tanto da mãe e da mana (e tanto quanto da avó, da educadora e da namorada do pai), o que pede tudo, o que fica satisfeito com qualquer coisa, o que dá muitos beijinhos, o que pede colo todo o dia, o que se ri sempre, o que faz birras sem parar, o que detesta comida que se mastigue ("mãe, o meu maxilar mastiga muito depressa"), o que passa o tempo todo a roubar chocolates e se pode alimentar dias a fio de gelados, o que adora cantar, o que detesta tomar banho e o mar, o que ainda acorda de noite e se enfia na minha cama. É...ele.4.
5.13.2008
Sorte não é
entrar à frente da fila que contorna o quarteirão do Lux, isso é ser conhecida dos porteiros. Sorte é vir a subir as escadas e um tipo que não conhecemos de lado nenhum passar-nos para as mãos 18 euros em senhas de bebidas porque se vai embora.
E aposto que é só uma das muitas, muitas vezes em que sorte rima com ressaca.
E aposto que é só uma das muitas, muitas vezes em que sorte rima com ressaca.
5.10.2008
Confissão
Tenho saudades, de alguma forma (não de todas) de ser casada. Da vida correr lisa como uma autoestrada, comprida, sem curvas, rectilínea. De não haver complicações nem questões nem problemas sérios, de tudo ser perfeito. Sei agora (porque realmente não tinha maneira de saber antes) porque é que o meu cérebro tinha nessa altura necessidade de me atormentar com imagens intermitentes de catástrofes, de acidentes potenciais, de tragédias. Eu não sou capaz de conviver com essa linearidade, de ter paz. Agora que todos os tormentos podem vir de fontes externas, já não os imagino, eles são-no. E, de uma forma absurda, só quero que tudo volte a ser como dantes. Provavelmente para que volte a desejar que não seja.
5.08.2008
Pois
Estou fartinha de dizer que não tenho saudades do Porto. Eu não tenho saudades de viver no Porto, mas hoje ao desejar boa viagem a um amigo que foi para lá, memórias de sítios que adoro no Porto e onde fui (durante os momentos em que lá estive) feliz, surgiram-me em catadupa.
A Tavi, com a melhor esplanada da Foz onde comi tantos croissants com os miúdos. O Bazaar, onde a minha amiga protagonizou a cena mais hilariante da minha vida, a esplanada da praia do titan, onde passei todas as tardes do último ano em que lá vivi, o bar da praia da luz, a esplanada da marina nos almoços de domingo, a vista dos jardins do palácio de cristal, o restaurante de Serralves.
Não vale a pena estar zangada com uma cidade que não me fez nada apenas porque tive momentos menos bons lá. Carrego comigo estas memórias felizes, cada vez mais do que as menos felizes.
A Tavi, com a melhor esplanada da Foz onde comi tantos croissants com os miúdos. O Bazaar, onde a minha amiga protagonizou a cena mais hilariante da minha vida, a esplanada da praia do titan, onde passei todas as tardes do último ano em que lá vivi, o bar da praia da luz, a esplanada da marina nos almoços de domingo, a vista dos jardins do palácio de cristal, o restaurante de Serralves.
Não vale a pena estar zangada com uma cidade que não me fez nada apenas porque tive momentos menos bons lá. Carrego comigo estas memórias felizes, cada vez mais do que as menos felizes.
5.07.2008
Candidatos PSD
Vou poupar-nos a todos a mais um post de opinião política, não que não a tenha mas porque sinceramente até a mim pouco me interessa, quanto mais aos outros. Mas dei-me ao trabalho de visitar os sites dos candidatos do PSD (não sei se há ou haverá mais candidatos, tirei-os deste post, todos bonitinhos a abrir em blank como convém, se existirem mais avisem) mais por uma questão de curiosidade gráfica do que ideológica.
O primeiro que vi foi Por Portugal, pelo PSD - Manuela Ferreira Leite. É um site bem feito, as fontes serifadas dão-lhe um ar sério e um bocadinho antiquado (suponho que por indicação do cliente, o target serão os militantes de idade mais avançada). Apesar de ter sido feito on a budget e muito provavelmente num prazo apertado, tem leitura fácil, aspecto profissional e navegação agradável. Eu mudaria: os títulos do menu (alguns estão longos e outros curtos), a caixa "quero inscrever-me", parece encravada entre o menu e o header. É pena não ter um blog ou fórum associado.
O site Objectivo Portugal - Pedro Santana Lopes abre muito bem, com uma boa imagem de fundo e o hino do PSD (que tantas boas memórias me traz), é um site que vive de vídeos e que se pretendia dinâmico mas acaba por se tornar muito confuso. Tem o link para o manifesto abrir em pdf (perfeitamente desnecessário), algumas partes dos vídeos têm a imagem invertida,a conjunção de vídeos com textos a rodar em cima e em baixo dão dores de cabeça e, sinceramente, alguém tem paciência para abrir 20 ou 30 vídeos? Tem um blog associado, mas infelizmente não adaptado à imagem do site.
O futuro é agora - Pedro Passos Coelho sem dúvida o melhor site, menu em JavaScript muito bonito, bom aspecto, boa leitura, navegação clara e simples. É um pouco estático o que, a meu ver, é uma qualidade num site de uma candidatura política onde demasiados adornos parecem querer desviar a atenção dos conteúdos. A agenda é clara e fácil de seguir, todo o site está muito bem construído e estruturado. Deveria ter linkado o blog de apoio.
O site da candidatura de Patinha Antão está em baixo e não o consigo visualizar, mas já lá estive e achei fraquinho (a começar pelo nome do candidato, que parece ter sido criado com o único propósito de servir como chamariz para trocadilhos).
Finalmente, António Neto da Silva, nunca ouvi falar deste candidato, como suponho que a maioria da população, militantes do PSD incluídos, e também não é pelo site que fico a saber mais dele. É um site bastante simples, artesanal quase, e simples pode ser bom mas neste caso não ajuda muito. As páginas são todas iguais e só muda o texto, a sensação com que se fica é de que se está sempre na mesma página. Tem um único script cuja função é esconder a única imagem do site (a fotografia do candidato) e o menu de navegação (o que faz tanto sentido como usar uma peneira para transportar água, mas isto sou eu a dizer). Se tivesse que apostar, diria que o site foi feito por um programador.
O primeiro que vi foi Por Portugal, pelo PSD - Manuela Ferreira Leite. É um site bem feito, as fontes serifadas dão-lhe um ar sério e um bocadinho antiquado (suponho que por indicação do cliente, o target serão os militantes de idade mais avançada). Apesar de ter sido feito on a budget e muito provavelmente num prazo apertado, tem leitura fácil, aspecto profissional e navegação agradável. Eu mudaria: os títulos do menu (alguns estão longos e outros curtos), a caixa "quero inscrever-me", parece encravada entre o menu e o header. É pena não ter um blog ou fórum associado.
O site Objectivo Portugal - Pedro Santana Lopes abre muito bem, com uma boa imagem de fundo e o hino do PSD (que tantas boas memórias me traz), é um site que vive de vídeos e que se pretendia dinâmico mas acaba por se tornar muito confuso. Tem o link para o manifesto abrir em pdf (perfeitamente desnecessário), algumas partes dos vídeos têm a imagem invertida,a conjunção de vídeos com textos a rodar em cima e em baixo dão dores de cabeça e, sinceramente, alguém tem paciência para abrir 20 ou 30 vídeos? Tem um blog associado, mas infelizmente não adaptado à imagem do site.
O futuro é agora - Pedro Passos Coelho sem dúvida o melhor site, menu em JavaScript muito bonito, bom aspecto, boa leitura, navegação clara e simples. É um pouco estático o que, a meu ver, é uma qualidade num site de uma candidatura política onde demasiados adornos parecem querer desviar a atenção dos conteúdos. A agenda é clara e fácil de seguir, todo o site está muito bem construído e estruturado. Deveria ter linkado o blog de apoio.
O site da candidatura de Patinha Antão está em baixo e não o consigo visualizar, mas já lá estive e achei fraquinho (a começar pelo nome do candidato, que parece ter sido criado com o único propósito de servir como chamariz para trocadilhos).
Finalmente, António Neto da Silva, nunca ouvi falar deste candidato, como suponho que a maioria da população, militantes do PSD incluídos, e também não é pelo site que fico a saber mais dele. É um site bastante simples, artesanal quase, e simples pode ser bom mas neste caso não ajuda muito. As páginas são todas iguais e só muda o texto, a sensação com que se fica é de que se está sempre na mesma página. Tem um único script cuja função é esconder a única imagem do site (a fotografia do candidato) e o menu de navegação (o que faz tanto sentido como usar uma peneira para transportar água, mas isto sou eu a dizer). Se tivesse que apostar, diria que o site foi feito por um programador.
5.06.2008
Deve estar alguma coisa errada na minha
vida quando oiço um anúncio a um anti rugas e penso "mas como é que as pessoas têm tempo para reparar que têm rugas?" (mas depois perdi uns minutos a matutar nisto quando devia era ter ido ver se tenho rugas).
5.04.2008
Demasiado
Há muitos dias em que acordamos e achamos demasiado. É provável que sejam mais estes dias até do que os outros, ou pelo menos para mim são. No Natal o meu pai deu-me alguns livros, um dos quais da Doris Lessing, chama-se Amar de Novo. Ainda o estou a ler (já li outros no meio, aquele não sei porquê vai ficando para trás) mas não deixei de o olhar nunca como o livro da encalhada.
Hoje ao consultar a "recent keyword activity" do blog, no topo vejo "lista das mulheres que nunca namoraram" (quem o raio é que pesquisa uma lista de mulheres que nunca namoraram? Sim, sou encalhada, mas não exageremos); a seguir eis os "sentimentos virtuais" (tá bem tá); "aula patologia humana blogspot" (o quê?); "conto da doutora lésbica com a paciente" (não me parece que seja aqui no meu blog, mas pronto, podem continuar a mandar postais); "conto de sádico" (ui), "não vivemos numa sociedade machista" (ah pois não).
Hoje ao consultar a "recent keyword activity" do blog, no topo vejo "lista das mulheres que nunca namoraram" (quem o raio é que pesquisa uma lista de mulheres que nunca namoraram? Sim, sou encalhada, mas não exageremos); a seguir eis os "sentimentos virtuais" (tá bem tá); "aula patologia humana blogspot" (o quê?); "conto da doutora lésbica com a paciente" (não me parece que seja aqui no meu blog, mas pronto, podem continuar a mandar postais); "conto de sádico" (ui), "não vivemos numa sociedade machista" (ah pois não).
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