7.30.2008

Bob Fosse



foto Mary Ellen Mark

Apercebo-me

por coisas que me dizem que quem me lê aqui faz de mim uma imagem de um ser depressivo, com olheiras, pálido, piegas, cheio de auto comiseração, digno de pena.
Lamento desapontar-vos quando apareço bronzeada, sorridente, de saltos altos, brincos. Deve ser desconcertante ouvir-me a dizer piadas o dia inteiro (possivelmente sem grande graça), falar sem parar, gostar de praia, de gelados e de caipiroskas, encher os meus filhos de beijos e de disparates, gostar mais do dia do que da noite, ter amigas com quem falo de compras e de homens, ser luminosa.
Lembro-me do meu Amigo me dizer "não acha que somos sempre fantásticos nos nossos blogs, maravilhosos, e depois na vida nem tanto?" Parece que não.
Suponho que cada um use o blog como melhor lhe aprouver, a mim que não tenho francamente necessidade de me publicitar, serve como o divã do psicanalista, o sítio onde despejo aquilo que não posso fazer no resto do tempo. Não poderia fazê-lo se assinasse o meu nome verdadeiro, se as pessoas com quem convivo no dia-a-dia soubessem que tenho este blog, se revelasse a minha identidade verdadeira, pelos vistos tão diferente da de blogger.
No entanto aqui sou verdadeira (dramática e queixinhas mas verdadeira), é só uma face que não posso mostrar em todo o lado. Fiquem então com isso, quem me ler aqui é provável que me conheça melhor do que quem me conhece na vida real.

7.29.2008

Breathe out



Coisa fechada. Exausta. Ainda muito trabalho. Vou só ali cair para o lado um bocadinho e já volto.

(já disse que tenho umas sandálias novas?)

7.28.2008

Breathe in

[suspendo a respiração]

Muitas horas de trabalho à frente sem poder parar. Até fechar isto nem tempo tenho para um post fútil sobre umas sandálias que comprei (são fabulosas).

(já volto)

7.25.2008

Andei às voltas com

este post. Que quando o li achei automaticamente, "tretas". A culpa não estará nas palavras escritas, mas em mim, sou eu que me fui tornando cínica e indiferente a certas coisas. Pior. A querer fazê-las aos outros. Não sei se é inevitável mas quando se convive com isso, com a falta de verdade constante, há qualquer coisa que se rompe, que acaba. Um nível de franqueza que se torna impossível, um nível de cinismo que torna incomportável uma verdade inteira. E não é que eu não queira, mas corrompi-me, fui corrompida nessas mentiras, fiquei contagiada por elas. Não é que eu não queira (exteriormente) acreditar, dizer verdades, ser feita delas. É que não acho possível. Que a verdade também é feita de fé. E neste momento, a fé que tenho em nós (pessoas) é tão pouca que nem consigo.

Bono



É para mim o homem com a voz mais sexy que já ouvi.
E aquela parte em que ele diz "Mary"...(adiante, não quero que me flaguem hoje).

7.24.2008

Da paternidade

Aqui
e aqui
e aqui.
Eu sei que há muitas maneiras de viver a paternidade.
Gosto pouco de falar deste assunto. Acho banal o que nos aconteceu. Plenamente banal, um dia éramos uma família e depois já não éramos, tão comum. Mas é que. Um dia nós éramos uma família e seremos sempre. Porque seremos sempre o pai e a mãe daquelas crianças, nunca cessaremos de ser a família deles. E a família não se escolhe. Às vezes temos sorte com o que nos calha, outras nem tanto.
No dia em que decidimos deixar de ser uma família eu (não num gesto magnânimo, num gesto banal, pouco pensado) "ofereci" (entre parêntesis porque eu nada possuía que pudesse oferecer) custódia conjunta ao pai dos meus filhos. Respondeu-me "não posso" (mais uma banalidade). Durante esse primeiro ano achei que era minha responsabilidade tentar que eles passassem tempo com o pai. Os "não posso" cresceram até serem tudo, tornaram-se banais, esperados, instituídos. Não posso. Só. Não posso ser pai dos meus filhos. Posso levá-los uma vez por mês ao cinema e às compras, mais do que isso não posso.
Posso passar a tarde do dia de Natal com eles, algum outro feriado não posso. Posso passar 10 dias de férias com eles (embora tenha 25 para mim) mais não posso.
Não vou debater com ninguém as razões do não posso do pai dos meus filhos, são razões de ordem pessoal dele, não me interessam. Ao fim de um ano, desisti de debater fins de semana falhados, aniversários e festas de fim de ano esquecidos. Não pode, acabou.
Sabemos todos (sim, eles também) que quando quer (ou pode, sei lá) vem buscá-los sem nenhum limite imposto da minha parte.
Quando a lei contempla "dever de prover sustento" (obrigação) e "direito de visita" (não obrigação) está a defender-se a ela própria (à lei interessa-lhe é que não haja indigentes), mas se já tantas causas forçaram a lei a ser alterada para que a lei as defendesse a elas, a pouca veemência com que vejo o direito à paternidade ser defendido faz-me sempre pensar que talvez esta lei defenda mais interesses do que aqueles que ofende (perdoem-me os pais que querem ser presentes, eu sei que os há, estou só a falar em maiorias).

Note to others

A Helvetica no monitor, em tamanho pequeno (inferior, digamos, a 20px) é a fonte mais feia e menos legível que pode haver.

Achamos sempre

que não conseguimos respirar sem aquilo. Mas na verdade, a apneia pode ser o nosso maior conforto. O raciocínio fica completamente truncado sem oxigénio.

Blogless

[eu (E) e melhor amiga (A) na conversa]

A - Sabes, o Tiago agora tem um blog e escrevi lá umas coisas.
E - Escreveste? No blog dele?
A - Sim. Sobre futebol, tás a ver, eu nunca poderia escrever sobre a minha vida privada como tu fazes.
E - Mas tu escreveste assim um post mesmo?
A - Post? Ele tinha lá umas coisas escritas e depois eu escrevi lá numa parte...
E - Comentários?
A - Sim, se calhar era isso.

7.22.2008

No fim de mais um dia de merda

recebo a mensagem: o Sebastião nasceu.
Hoje o mundo ficou um bocadinho melhor. Parabéns.

E por favor não confiem na minha também

Estou cansado da linguagem, não confio nela nem a ela nada do que me é mais verdadeiro

A verdade está no que fazemos. Dificilmente no que dizemos.

7.21.2008

Closer



- What does it taste like?
- It tastes like you but sweeter!

33

Em não bastando ser segunda-feira, acordei um ano mais velha.
Muito bom.

7.19.2008

Sou um exemplo do caraças para as crianças que vivem comigo

Aproveito o facto dele se levantar da mesa do pequeno-almoço a meio da refeição (para ir ao quarto espreitar os desenhos animados) e venho aqui ao pc espreitar uns blogs e tal.
Mas auto desculpo-me facilmente, o meu feedreader acabou de me mostrar que o meu blog-fetiche publicou três posts novos e isso para mim é tão irresistível como algum boneco estar a matar outro para o meu filho.

7.18.2008

Contenção de despesas

Falam muito em crise, fome e mais não sei quê mas melhor do que a sopa dos pobres, só mesmo o Continente. É perfeitamente possível (e bem fácil) entrar lá à hora do jantar e sair com uma fatia de pizza, água com sabores, gelado, iogurte de soja, um capuccino e até mesmo um copo de whisky, tudo em amostras grátis. Isto à sexta-feira. Aposto como ao Sábado o menu é mais diversificado.

7.17.2008

Novas Tecnologias

As histórias de terror agora começam com "Duas meninas estavam a falar no messenger, falaram durante meses e depois uma delas descobriu que a outra estava morta".

Eu assumo

(eu tenho a certeza, pronto) que muitas pessoas se fizessem ideia da forma como educo os meus filhos teriam muitas críticas a fazer.

Só se fosse idiota é que exporia aqui essa forma, seria o mesmo que desnudar-me e pedir para ser açoitada em praça pública.

A mim também me faz alguma confusão que pessoas que não se conhecem de lado nenhum se achem no direito de interferir com opiniões sobre a vida uns dos outros.

(eis a verdadeira razão pela qual não leio blogs que falam sobre criancinhas).

30º à sombra and counting



Bem sei que é anti-ecológico e mais não sei quê, mas existe uma invenção maravilhosa chamada Ar Condicionado que não permitiria estar a pingar suor mesmo estando sentada a uma secretária. Pode não ser fabuloso para o Ambiente mas faria algo pela produtividade.

foto Irving Penn (voltei ao PB, não resisto, as fotos são tão mais bonitas).

7.16.2008



foto Tim Walker

(Dá para ver que abandonei o meu período a preto e branco e voltei à cor. Mas pode ser apenas uma coisa temporária)

7.15.2008

Thank God for iPods

Ou então é pelos phones, sei lá.
Entre a voz do meu chefe e as discussões deles ao chegar a casa, tudo é mais suportável sem poder ouvir o que dizem.
Pena é ainda não terem inventado o equivalente para o cheiro, aqueles pés o dia inteiro enfiados nuns ténis de couro (porque são os únicos "Nike") dão para vomitar.

(o que é que o teu irmão está a fazer? Nada, só a mexer na mala da mãe. Quer o baton da mãe, é que ele é mesmo rabeta).

Tudo aponta

para que o Universo me esteja a encaminhar para a prevaricação. Ele que depois não me venha com o mau karma de volta, quando sigo apenas o único caminho que me resta.

7.14.2008

Para variar um bocado (ainda não tinha posto em Video)



(tirei do Estado Civil, pois foi, não deve ser novidade para ninguém).

Dos primeiros



Farta que estou de ler depoimentos de drogados em recuperação, todos dizem aquilo que os agarrou psicologicamente à droga foi a sensação que tiveram da primeira vez que consumiram. Essa primeira vez em que sobem tão alto que podem passar o resto da vida a perseguir essa sensação, que nunca voltam a encontrar.
Vejo qualquer coisa de semelhante num primeiro beijo. Há nesse primeiro beijo (se correr bem) e, em especial nesse segundo imediatamente antes do primeiro beijo, nessa fracção de segundo em que conseguimos sentir o cheiro do outro, o calor do corpo do outro, a pele do outro, em que milhões de ferormonas se misturam, em que milhares iões passam de um para o outro, se cruzam, criando uma espécie de energia mágica que é por vezes visível. Às vezes acho que é desse momento que depende tudo o resto, que é esse momento que essas duas pessoas vão perseguir para sempre, mesmo sabendo perfeitamente que não voltam a consegui-lo.

Ou então, não é nada disso (afinal, o que percebo eu sobre o assunto?).

(os meus posts estão a virar redundantes e previsíveis até para mim).

Nós não achamos lamechas,

achamos parolo.

(ou, pelo menos, eu acho).

7.12.2008

O problema

em ter um Amigo que compartilha connosco muitos modos de pensar é que decompõe as teorias que elaborada e rebuscadamente compomos de uma penada.
É raro, precioso e, por vezes, extremamente aborrecido.

7.10.2008

French

7.09.2008

Dos Morangos com Açúcar

- Vocês moram assim em roulottes, como os hippies?

- Sim, gostamos de passar todo o tempo possível perto da Natureza.

- Eu moro numa cidade, lá é horrível, as pessoas não se dão umas com as outras e o pior de tudo é que não dançam!


(eu não sei em que cidade é que a rapariga mora, se calhar é em Lisboa, onde as pessoas não falam com ninguém, não têm amigos e nem há sítios para dançar...)

[filho salva o momento enfiando o DVD do Nemo, não me permitindo entrar em estado vegetativo-cerebral por overdose de novelas com diálogos absurdos].

7.08.2008

Ignorance is a blessing

A minha felicidade só estaria ao alcance de um nível de ignorância que não tenho.
Só no dia em que não me aperceber de metade das coisas que me rodeiam estarei apta a enfrentar as outras.

(aguardo a senilidade).

7.07.2008



foto Helmut Newton

7.06.2008

Eu que não acredito nestas coisas

De cada vez que vou à praia dou por mim a olhar para as palmas das mãos.
Um dia, na minha praia favorita, deixei que me lessem a palma. Segundo essa pessoa, na palma esquerda (destino) a linha da vida tem um corte aos 50 anos ("mas não se preocupe que os miúdos já vão estar crescidos", grande consolação). Na palma direita (o destino se eu não interferisse nele), a linha corre ininterruptamente até ao pulso.
Decompondo a teoria das quiromantes: se o destino é diferente consoante a nossa interferência, e é um facto que a palma muda diariamente, de que vale ler num dado momento?
Se o destino está traçado desde o momento em que nascemos (ou até antes, que os bebés in utero já têm linhas nas palmas), então porque raio são diferentes as palmas das mãos (sendo assim, escolho ler a da direita, sempre é mais favorável)?
Tudo isto é estúpido e baseado em crenças fantasmagóricas, mas leva-me a olhar para a palma esquerda demasiadas vezes.

7.05.2008

Quase lá

Penso muitas vezes em que a felicidade estará mais perto de quem, sistematicamente, baixa as próprias expectativas.
Ou de quem tenha tido a sorte de nascer com elas já baixas.
Voltarei a pensar no assunto quando ultrapassar a mítica marca dos 50 (quilos).

Ganhei um fim de semana

grátis só para mim. Fui apanhada desprevenida, sem nada combinado. Para qualquer pessoa que viva sozinha imagino que seja normalíssimo, eu fico a nadar nas 24 horas que tenho só para mim como se estivesse numa piscina enorme de tempo sem fim à vista.

7.03.2008

Lisboa

Domino a custo a minha impaciência

ou por outra, deixo que ela me domine sem qualquer custo.
Se fumasse agora fumaria dois ou três cigarros de seguida, é provável que me acalmasse ou, no mínimo, que o excesso de alcatrão e nicotina me envenenasse o sangue o suficiente para me deixar num estado adormecido. Já não fumo há 13 anos e ainda me lembro (tão bem).
Perco o sono não a vontade de dormir, de permanecer adormecida, ou pelo menos, dormente.
Não fumo, escrevo.
Não grito, choro.
Não corro, deito-me.
Tudo a minha volta me contraria, ao menos que me permitisse fumar, não me fizesse doer tanto os pulmões, não me deixasse tão enjoada.
Preciso de.

7.02.2008

A vida tinha a obrigação de ser mais cinematográfica II

Vejo um episódio do "Will and Grace" em que a Grace passa o tempo inteiro a queixar-se de nenhum homem lhe despertar interesse desde o ex e de estar emocionalmente vazia. Claro que no fim do episódio entra no elevador onde se cruza com o Julian Mcmahon, para descobrir afinal não está nada vazia (pudera).
O vizinho com quem eu me cruzo no elevador tem os seus 60 anos, é careca no topo da cabeça, mas compensa este facto com uma farta cabeleira até aos ombros, que apanha num rabo-de-cavalo grisalho.
Há dias em que a vida parece só uma anedota sem piadinha nenhuma.

7.01.2008

Controlo remoto

Não deixar os sapatos trocados, nem cruzar talheres, nem chegar ao pé de penas, não esmagar insectos, rezar a oração da noite, a da manhã, a do carro, ir à missa, usar uma cruz, não comer gelados nem bolos, não pôr o chapéu em cima da cama, escrever um post por dia, agradecer, não pisar as pedras pretas, não invejar, não dizer mal, apreciar, ter cuidado com o tom de voz, ter paciência com as crianças e os velhos, pedir desejos nas pestanas e nas fontes e nos ossos, não comer gorduras, não cair em tentação.
Como as crianças, detesto não ter controlo sobre o que acontece na minha vida.

6.30.2008

Vermelho sangue

Por razões que não interessam a ninguém, pintei as unhas de vermelho sangue coagulado. Já sou tão adultinha para tanta coisa, mas ainda não me consigo ver com as unhas pintadas de cor. Olhava para aquilo e sentia o poder da coisa, os meus dedos aos gritos "acabei de esfolar alguém e trago comigo sangue coagulado dele nas pontas dos dedos, à laia de troféu". Mas. Na verdade eu não quero imaginar o sangue de ninguém nas pontas dos dedos.

6.26.2008

À hora do café

explico ao Amigo que agora o que não quero é chatices de nenhum tipo, mas que quando comecei foi por achar que tinha de me tornar numa pessoa melhor e a abstinência fazia parte desse plano (o que faz tanto sentido como usar roupa do avesso para dar sorte) mas que tinha falhado miseravelmente. Se tinha ficado alguma coisa, era uma pessoa ainda pior.
O Amigo só responde que isso é óbvio, que as melhores pessoas são as que fazem sexo 3 vezes ao dia.
Pois.

Posso duvidar de muita coisa

mas nunca da capacidade de reinvenção de insultos das crianças.

-És uma gay, M.
-E tu és um lésbico.

6.25.2008

6.24.2008

Confissão

Trato sempre o meu ex-qq-coisa por "querido" só para receber o tratamento por "cariño" de volta.
Sou feita de um acumular de fraquezas.

6.22.2008

A melhor pergunta que me fizeram ultimamente:

"mas vocês [bloggers] também fazem outras coisas, também trabalham e assim?"

O que me faz pensar que de facto andamos é todos a lutar pelas causas erradas.
Para quando o estatuto do trabalhador-blogger (ou blogueiro, ou autor de blog)?
Para quando o direito a horário de trabalho reduzido, subsídio de risco e reforma antecipada?
Acho mal pois acho.
Se alguém (não eu, sou demasiado preguiçosa para causas) quiser subscrever esta ideia, inscrevo-me já como apoiante.

6.21.2008

Ahhhhhrg

Preciso urgentemente de aprender a calar-me mais.

(em casa)
-Ah, tinha dito à L. que lhe ligava para ir ao teu sarau porque há sempre homens giros nos teus saraus mas acho que não vou ligar.

(à porta do Pavilhão, rodeadas de polícia de choque)
- mãe, já contei um.
- um quê?
- um senhor giro.

(senhor-giro é uma conjunção que faz todo o sentido).

6.19.2008

Já tiveram pena daqueles meninos

que nas festas de final do ano não têm pai nem mãe que se babem, chorem, tirem fotografias, filmem, se atropelem uns aos outros para chegar mais perto do palco?
Sabem porque é que isso acontece? Porque têm um pai que se está literalmente a borrifar para eles e uma mãe que tem um chefe mentecapto.

Há dias em que detesto mesmo a minha vida.

6.18.2008

Às primeiras até pode ter piada

não sei bem quando foi, se foi progressivo, se foi assim de um dia para o outro. Sei que quem nos conhece à parte e depois nos vê juntas nos vê quase iguais. Será nos gestos e no sorriso, na forma do corpo, mas sobretudo na maneira de falar, no que dizemos, no que calamos. Sim, somos parecidas como mãe e filha podem ser parecidas, às vezes cansa ouvir o "igualzinha a ti", mas em geral facilita bastante. Um exercício para a entender a ela resulta num em que me percebo melhor e quando me tento descobrir, acabo por conhecê-la um pouco mais.
Ao jantar, vimos um programa em que mulheres com excesso de peso e celulite foram submetidas a cirurgias para um interminável concurso de beleza plastificada. Invariavelmente são casadas e ficaram assim como consequência das gravidezes. Enjoada com o excesso de peles e celulites, não acabei de jantar e devo ter dito qualquer coisa como "se continuo a comer assim ainda fico como elas". Vi-lhe o rosto a contorcer-se. O gemido, não se conteve, os berros "a mãe é magríssima, se deixa de comer vai ficar anoréctica".
(Tenho tanto medo que ela se torne anoréctica).

Desafio qualquer um

a explicar a uma criança de 4 anos sem noção de pátria que a bandeira de Portugal que encontrou não sei onde é do país onde nasceu e vive e não de um clube de futebol.
O máximo que me concedeu, com alta tolerância da parte dele, foi um "pronto, mãe, é das duas coisas, de Portugal e do futebol", entre gritos e pulos "estamos a apoiar Portugal! Portugal! Portugal!".
Não é de espantar, se nem os adultos conseguem entender a diferença.

6.17.2008

Durante quanto tempo

isso esteve lá, mudo, calado, sossegado não sei. Duas semanas parece-me. À espera do dia em que o cansaço, a musica deprimente nos ouvidos, o livro a puxar para a tristeza. Desse dia em que a viagem era longa, interminável e o cansaço absurdo, em que o nervoso da partida tinha sido afogado pela carga de nervos de uma gritaria ao telefone, da absoluta injustiça, revolta, raiva transformada em lágrimas sentadas na camioneta.
De quanto tempo teria passado sem tudo isso, uma mágoa calada, funda, sem raiva nem explosões, sem lágrimas, com sonhos presentes a substituir tudo isso. Dos últimos dias, eram sempre últimos mesmo quando já se tinham passado anos desde que achámos que seriam os últimos. De quando me ía embora ("estás tão bonita", como a dizer um adeus final). De quando era pequena e o via a arranjar-se de manhã, a barba feita com um pincel grosso e lâminas, esfregar o corpo com álcool, vestir-se à janela ("o teu avô gosta de dar espectáculo", deve ter sido a única coisa que lhe herdei, o vestir-me à janela, como se o vidro não deixasse ver para dentro de casa).
O meu avô morreu da morte boa, da que nos deixa despedir-nos, quase a desejar que se vá para que não tenha de viver assim, sempre com dores, já sem vida possível.
O meu avô foi-se embora e despedimo-nos de todas as maneiras que é possível. Adeus, à pessoa que, (em conjunto com o meu pai) sabia mais do mundo. Adeus ao amor às bibliotecas e aos livros que partilhávamos desde sempre. Adeus às discussões acesas sobre política, às opiniões que nos dividiram e nos obrigaram a fazer respeitar a opinião contrária, a dos outros.
Adeus sempre, e nunca, espero-te nos sonhos do costume.

6.16.2008

Este ano

não terei férias. Não serve este post como um queixume, passei anos da minha vida em férias, tive meses de Verão em que fui todos os dias à praia (ainda o ano passado), nem sinto que tenha o direito de me lamentar.
Tive estes 3 dias como férias, com praia a sério (sem horas para chegar e para sair), com horas a ler e a ouvir música, com calor e sol e conversas da treta, cartadas, banhos de mar e de piscina e, claro, pouca vontade de voltar ao trânsito, à gasolina, às contas por pagar, ao supermercado, à ginástica dos horários impossíveis, às frustrações do outro atiradas para cima aos berros (grita à vontade, para mim és nada como tudo o que dizes e fazes).
Carrego comigo os dias de sol e o mar, os sorrisos dos meus filhos e o cheiro deles, os nossos risos, os livros que li, a música que vai enchendo o iPod (neste momento bloqueadíssimo).
E por agora, será suficiente para me aguentar.

pessoas com extremo bom gosto