9.10.2008

Mal me sento para jantar

e já está.

- mãe, o que é um aborto?

Sex talk

Um amigo queixa-se que sempre que o sexo se torna bom, elas apaixonam-se e perde a piada, outro gaba-se das conquistas sexuais que atinge agora em divorciado, outro fala-me dos islandeses, outro ainda queixa-se de não ter sexo há demasiado tempo. A minha amiga evita ter sexo para não se apaixonar e pede descrições detalhadas das relações dos outros. À mesa do almoço debatemos o número de orifícios corporais.
Passamos tanto tempo a falar de sexo que seria uma espécie de milagre se sobrasse algum para fazê-lo.

9.08.2008

Escrevo agora sem vontade



Salvador Dalí, The Persistence of Memory. 1931.

quase por obrigação, há dias assim. As palavras estão-me engasgadas, quase me sufocam, mas parecem não querer tomar a forma certa de um texto, de qualquer coisa legível.
Passei a semana anterior num estado sobre-humano, sem fome, sem sono, sem cansaço. O absurdo sob a forma de uma receita médica e, parecendo perfeito, viver sem necessidades, é completamente desprovido de sentido, de humanidade.
O meu blog fez dois anos na sexta e nem dei por isso. Sou pouco dada a datas e comemorações, mas por alguma razão elas ficam-me gravadas e perseguem-me quase só quando não as quero lembrar.
Por isso o fim de semana passou por mim sem dar por ele, apanhei um escaldão na praia porque não me lembrei que o tempo passava, falhei uma festa porque não me apercebi que perdia qualquer coisa (desculpa).
Do tempo que passou, não recupero o que perdi.

9.04.2008

Por muito que tentem esconder



Escritório de Sarah Palin


Os republicanos são bregas.

A cabeça do urso. O caranguejo. A almofada. O sofá.

via uma casa na praia
Manhã cedo, a porta abre-se. Entro de cabeça baixa, como sempre, com medo de que o estremunho me distraia e o chão me falte. Encaixo-me entre corpos a cheirar a fresco e é então que te vejo. Primeiro andar. Estás mais bonito do que nunca: umas rugas subtis, finas como nervuras de folhas, enfeitam-te os olhos risonhos, que obviamente se divertem ao repararem em mim. Segundo, terceiro. Percorrem-me as curvas recentes e as saliências antigas; trepam-me, como se dois miúdos à solta num campo em busca de flores e de insectos ou apenas de coisas que os distraiam, enquanto eu estática, parada, avariada. Ofendida. Quarto andar. Com um agrado tão displicente que mais parece fortuito, dás-me um abraço fraterno e mostras-te contente, como quem há muito não visse um amigo querido de quem já pouco se lembrasse. Quinto. Só que eu não te quero contente, nem que estejas sinceramente agradado por me veres, ora essa. Sim, sei que estou óptima, não preciso que mo digas. Sexto. Quem pensas que és para me olhares assim bem disposto e te congratulares com a minha presença? Quem?, para eu te ser tão indiferente ao ponto de te mostrares genuinamente simpático comigo, atirando-me com o sorriso encantador que dispensas habitualmente aos passantes, aos meros conhecidos, aos amigos distantes? Sétimo andar. Quero-te compungido, ao menos incomodado; quero que me olhes com a expressão aflita que fazem os que dão de caras com a sua maior perda mas tentam disfarçar. Podes até cobiçar-me um bocadinho ou reconheceres o meu perfume dos tempos em que mo lambias do pescoço. Oitavo. Apresentares-te um tudo nada perturbado, ou apenas nostálgico, pronto. Engole um suspiro, reprime um soluço. Nono, décimo andar. Mas não fiques contente por me veres, isso não, santa paciência. E muito menos te mostres indiferente ao nos despedirmos, sem qualquer resquício de desespero. Décimo primeiro, é aqui que eu saio. Atreve-te a não vires atrás de mim e a ficares aí, a acenares-me com ligeireza, beijinhos até um dia. Mostra ao menos uma certa pena, faz um gesto para me alcançares, um arremedo de lamento. Gagueja, mete os pés pelas mãos, transpira demais, embacia o riso dos teus olhos com a névoa de uma certa tristeza. Não? E um amuo ou um beicinho antes de a porta se fechar?

9.03.2008

Prisão

não lido bem com o passado, não sou resolvida e quero mais é que tudo volte a ser como era. Quero voltar a ser pequena e chorar porque detesto o colégio onde as empregadas nos enxovalham pela farda incompleta, onde mastigo plasticina e cheira a chão encerado. Quero voltar à preparatória para esconder o olhar dos fetos de cavalos mortos e em formol dos corredores. Quero voltar ao liceu e aos cigarros fumados em cima das árvores, aos toques para o intervalo e a saltar por cima do muro para entrar na lateral. Quero entrar na primeira faculdade, voltar a sair, entrar na segunda, chumbar dois anos, entrar na terceira. Voltar a engravidar da minha filha e passeá-la nos corredores da faculdade, ter o meu primeiro estágio, primeiro emprego, segundo, terceiro, quarto, deixar de trabalhar, ter a minha primeira casa mesmo minha (nossa), entrar com a minha filha no primeiro colégio (com a farda completa).
Quero tudo de volta mesmo sabendo que na verdade não quero. Que era infeliz e mudei por isso, ou mudaram as coisas apenas porque não poderiam ficar iguais. Mas. Quero.

9.02.2008

Roubar posts

é crime intelectual. Ter um post roubado* por este blogger é uma espécie de honra.

*(sei bem que não foi roubado, ao contrário da Margarida Rebelo Pinto, acredito em coincidências e sei que o PM não lê o meu blog).

Apercebo-me que tive uma insónia muito grande

quando não passei à frente uma música da Calcanhoto* no iPod.

Bem feita para não me esquecer de não beber café ao jantar.

*(está lá porque na verdade a coisaPod é da minha filha)

9.01.2008

Coisas verdadeiramente importantes das férias

O meu puto já dá cambalhotas e ela gosta de fazer manicure francesa nas unhas dos pés da mãe.

(estas é que são as verdadeiras conquistas)

De volta

Como eu, vejo pessoas a arrastar-se de volta ao trabalho. Não sei se sentem (como eu) que de repente há pessoas e carros a mais por todo o lado, que é preciso andar às voltas para estacionar, parar em todas as passadeiras e muitas vezes a meio da estrada para deixar atravessar, que há pessoas a conduzir bêbedas às 9 da manhã, em contra-mão, que é preciso fazer de novo o circuito das duas escolas antes do emprego e custa, ainda estou a caminho e já tenho dores nos músculos dos ombros e quero fugir de novo para um refúgio qualquer.

8.31.2008

886

É o número de posts que tenho para ler.

8.22.2008

Ah, teria de chegar a minha vez



Vou de férias.
Ler, dormir, brincar com os meus filhos, tomar muitos banhos de mar, comer gelados e ameijoas, não saber que acesso tenho à net, dormir e ler mais um bocado, não conduzir, não pôr o despertador, tirar fotografias. O que couber numa semana.
Até já.


foto Henri Cartier-Bresson

8.21.2008

Gosto do Presidente da República

Não o escondo. Mas desde ontem, ainda gosto mais.

Na verdade, é no mínimo singular que um cônjuge que viole sistematicamente os deveres conjugais previstos na lei possa de forma unilateral e sem mais obter o divórcio e, sobretudo, possa retirar daí vantagens aos mais diversos níveis, incluindo patrimonial.

Ontem II

Fui a casa da minha avó e ela fez-me provar as camisas de noite que eram dela, as que mandou fazer quando casou. São lindas, tipo anos 30, em perfeito estado de conservação e assentam-me como se tivessem sido feitas à medida do meu corpo, o que não é de espantar (eu e a minha avó temos o mesmo corpo, um dia ainda vou ser tão gira como ela).
Então, do nada, a minha avozinha cujas únicas revistas que vejo ler são as "Selecções do Reader's Digest" e as de moda que vamos mandando para casa dela, diz-me:
- Sabes, a rapariga que me fez estas camisas era amante do Pardal Monteiro.
- Mas como é que a avó sabe isso?
- Quem me deu o contacto dela foi uma que trabalhava na Loja das Meias e disse-me isso.

Não me venham com tretas da Caras, Lux e que agora somos umas coscuvilheira(o)s. Tem de fazer parte da Natureza Humana querer conhecer os pormenores sórdidos da vida dos outros, nem que seja para nos descobrirmos muito normais e saudáveis.

Ontem

almocei com o meu Amigo, lá vinha ele com o seu fato Ermengildo Zegna* - não vi a etiqueta, mas suspeito que ele só use essa marca de fatos - é tão posh que me faz sentir sempre muito mal arranjadinha ao pé dele.
Lá vinha com uma história qualquer sobre os islandeses e de como eles são felizes porque têm muito sexo, por razões de tradição viking (!).
É que é mesmo assim, tão fácil fazer um homem feliz, basta dar-lhe sexo em grande quantidade, nem precisa de qualidade, só quantidade mesmo, deixá-lo ver futebol à vontade e tá feito.
Nós é que somos umas complicadinhas, precisamos de milhões de artefactos, palavras, o diabo a quatro para sermos felizes.

*correcção: era Balmain.

8.20.2008

9 going on 19

Ligam-me de lá de baixo (Vá, fala com a mãe):

-Estou.

-Fofa. O que fizeste hoje?

-Fui à praia, que pergunta. [ai que seca, agora ter de dar respostas a perguntas básicas]

-Estão aí os primos?

-Sim, a mãe está farta de saber! [pff, tive de interromper eu o Super Mario para isto]

-Olha, sabes, a mãe arranjou boleia para baixo.

-Sim e? A mãe é mesmo dahhhhhhhhh [o que é que eu tenho a ver com isso?]

-Pergunta aí à tia se há homens giros nessa praia.

(voz da tia no background: não háaaaaaaaaaaaaaa).

-A tia diz que são muito breguinhas para a mãe [se querem falar as duas, falem mas sem me fazer de pombo correio].

-Olha então...

-Vá, vou passar ao mano. Oh, parece que isto se desligou, que chatice!

De tanta coisa que me herdou ("é igualzinha a si"), tinha de lá estar a falta de paciência para tudo.

8.19.2008

Fair play

De há uns tempos para cá sinto um queixume constante dentro, oh coitadinha, ninguém sabe lidar com desportivismo com as minhas negas, ninguém sabe ter poder de encaixe para olhar para a frente e seguir com a vida tal como ela era se nada se tivesse passado.
Mas está claro, quando sou eu, consigo ser pior do que todos a interiorizar um não.

8.18.2008

Pequena correcção

afinal foi uma e meia. Só podia ser de excelente qualidade para o meu fígado não se queixar absolutamente nada e só estar aqui a cair de sono.

Note to self

Não beber uma garrafa inteira de vinho ao jantar de Domingo. Principalmente se tiver de vir trabalhar na Segunda de manhã. Já só faltam 8 horas para vir para casa dormir. Ai.

Come and gone

Vieram para mim depois de 15 dias de ausência. Chegaram bronzeados, aloirados, felizes, crescidos, com sotaques estranhos, independentes, com BIs, fofos, muito amorosos das saudades.
Depois, ela meia desfeita em lágrimas como sempre que chega e se apercebe que voltou a rotina do pai aos fins de semana alternados ("estou com saudades das pessoas da colónia"), muitos sms, ele na boa como sempre que nem nunca soube que a vida podia ser de outra maneira ("ele não tem sentimentos"). Dormiram juntos, a segurarem-se um ao outro como sempre que há mudanças na vida deles.
Já se foram de novo, depois de um jantar e um almoço. Deixaram-me aqui meia zonza do vazio, dividida entre o descanso da vida de solteira, dos copos a meio da semana, do cinema, da praia sem grandes preocupações e da falta dos risos, dos beijinhos para acordar, do cheiro deles, das nossas conversas às vezes muito parvas. A contar os dias, horas, minutos e segundos para descer ao encontro deles e termos uns dias só para nós.
Faltam 5, inteiros.

8.17.2008

Chateadinha

Porque alguns blogs que gosto de ler tiraram os feeds, apercebo-me de repente que a culpa poderá ser parcialmente minha.
Aprender a calar mais é uma virtude que me faz muita falta.

8.13.2008

Não me entendo

não entendo a minha mente. Ou por outra, a minha mente não se entende a ela própria.
Durante todo esse tempo em que achei que gostava desse, sonhava sempre com o outro. O outro de quem já não gostava.
Depois descobri que afinal não gostava nada desse, que tinha era afinal gostado sempre do outro, daí os sonhos constantes. Foi um assumir doído, custoso, e acho que só lá cheguei porque dois amigos (de formas completamente diferentes) me fizeram rebuscar nas partes mais fundas da mente e reparar em coisas óbvias para todos menos para mim (denial, denial).
Então, pela primeira vez na vida, sonhei com esse, esse do qual o meu consciente mal se lembra do nome, quanto mais da cara. O mesmo não posso dizer do meu inconsciente.

Ufa

para que vejam o tão pouco intelectual que sou, não tenho a menor intenção de ler o Slavoj Žižek, a filosofia per se causa-me enjoos moderados e vontade de beber vodka em grandes quantidades.
Se há quem lhe chame maternidade pós-ideológica, eu prefiro ficar-me pela "maternidade realista e sem muita pachorra para a abnegação total".
Fico por isso no terreno de ninguém. Nem sou uma mãe muito amorosa cujo maior sonho é dar de mamar aos 20 filhos até estes entrarem para a faculdade, nem aproveito as sestas das criancinhas para me documentar devidamente em pós-ideologia-sociológica-filosófica do comportamento das fêmeas pós-parto.

8.12.2008

Sou

sou, é isso mesmo.
Mas não cozinho bem (terei outros atributos, talvez).

Isto aborrece-me

Não me apetece trabalhar. Está demasiado calor para trabalhar. Está demasiada gente em férias para trabalhar.
Não podendo sair do meu local de trabalho (vulgo secretária), poderia deambular por blogs alheios, quiçá aprender qualquer coisa, enfim divertir-me um bocado para não ter de olhar para o artigo que tenho forçosamente de acabar.
Ora, ninguém escreve nada. Não está bem. Quando não tenho tempo para ler nada, afogam-me o reader em posts e agora ninguém (a)posta nada. Hão-de ter muitos amigos assim, tá visto.

8.11.2008

Continuando



Comprei um bikini da cor mais bonita do mundo.
Bom, talvez não seja a cor mais bonita do mundo para mim, mas é-o certamente para alguém.
Fica-me bem e foi baratíssimo (aliás foi de graça, foi um presente). Bom, modéstia à parte quase todos os bikinis me ficam bem desde que sejam um S ou XS.

(isto dos posts fúteis é facílimo, já devia ter investido mais na coisa).

Afinal

nem precisei de adquirir um exemplar de uma revista cor-de-rosa.
Ao almoço, aprendo com um ecran de notícias gigante que a Angelina Jolie e o respectivo marido vão convidar o Bono para padrinho dos filhos gémeos. Não decorei o nome das crianças mas pareceu-me qualquer coisa que em português se traduziria para "Vanessa Alexandra" e "Fábio Emanuel".
Excelente gosto para padrinhos, péssimo gosto para nomes.

Se os blogs também são o que fazemos deles

Se este blog não me representa de maneira nenhuma, porque eu não sou uma intelectualóide dada a depressões, a partir de agora só faço posts fúteis.

(vou ter de me documentar, talvez lendo a Caras ou assim).

8.07.2008

A blogosfera foi de férias

o meu feedreader costuma ter 300 posts para ler e limita-se agora a 90 e qualquer coisa - colecciono blogs como o meu filho colecciona cromos, não sabe colá-los no sítio (no meu caso é mais não ter tempo para lê-los) mas gosta de os acumular, eu acumulo informação que é uma espécie de matéria mas menos sólida - tudo a descansar dos posts.
Não se preocupem, eu fico cá (iupi) a tomar conta disto tudo.
Neste momento estou a contemplar a coisa de um penhasco muito alto, tenho sobre os ombros uma longa capa negra com um capuz que me tapa a cara, apoio-me num bordão de madeira torta, muito alto, e solto um riso maléfico que ecoa pela filada de montanhas.
Estais bem entregues, portanto.

8.05.2008

Quando durmo



volto ao colo da minha mãe. Quando vou buscar o meu filho e ele se aninha todo, todo sem nenhuma espécie de resistência volto ao colo da minha mãe. Durmo aos bochechos, deve ser resistência. Eu gosto pouco de colos.

foto Ralph Gibson

8.04.2008

Uma porcaria de um anúncio



E horas a explicar à família o significado da coisa. Porque é que a senhora de idade tem uma pena sair da boca e o marido está a dormir (ela), porque é que o pai namora com a mãe (ele), porque é que ele está vestido de anjo (a minha irmã), porque é que em dois anúncios cujo tema de fundo é a traição por parte de pessoas em que se confia, em ambos aparece um homem (eu).

lamento imenso ter de ser eu a dar a novidade, mas as mulheres também traem.

Ah

não está a contar com o feed reader. É o pesadelo dos bloggers perfeccionistas.

Mais sono

Aborrecidíssima nesse outro sítio onde já só faço tempo para me ir embora (não quero dar parte fraca de quem já não tem pachorra para estas coisas), encosto-me ao bar gigantesco à espera que a minha amiga peça uma bebida (podem ser horas aqui), vejo uma rapariga numa outra ponta do bar. É muito bonita, linda, o suficiente para se destacar numa multidão de milhares de rostos que se encostam ao bar. Vários homens vão àquela parte do balcão a pretexto de pedir uma bebida. E são homens de aspecto suburbano, de cabelo à Cristiano Ronaldo, obviamente lêem revistas do social ou não estariam ali naquele caldeirão de wannabes. Vejo-a sorrir vagamente, não dá conversa mas também não os afugenta antipaticamente (como eu e as minhas amigas faríamos). Ao princípio estranho mas depois entendo, é provável que toda a imagem que essa rapariga tem de si própria tenha sido construída à volta das palavras dos outros, que se passar um dia em que ninguém lhe diga que é bonita se ache feia, que se sinta a desaparecer quando for perdendo atributos físicos.
Assim é que podemos nascer com(o) um bilhete de lotaria premiado mas de nada serve se não soubermos gerir o prémio.

Sono

Aborrece-me cada vez mais sair à noite. O cansaço, a idade, o tédio que emana desses locais, sempre iguais, os ambientes pesados.
Mas saio às vezes. E sempre que saio encontro um grupo (ou vários) de miúdos da geração anterior. Têm sem dúvida muita energia, dançam fazendo coreografias estranhas e perco muito tempo a observá-los.
Num dos sítios, duas raparigas com excesso de peso beijam-se. Há qualquer coisa de estranho nesse beijo, não tem grande confiança, fico na dúvida se acabaram de se conhecer ou de se assumir em público.
Do outro lado, o típico grupo de miúdos da faculdade, muito diferentes entre si nas poses e maneira de vestir. Dois rapazes com alargadores que dançam com gestos inventados (é provável que esses movimentos tenham um nome, mas o que fazer, estou demasiado fora disso para saber), uma das raparigas do grupo, a mais vistosa, aprendeu a dançar vendo a MTV. Tem demasiadas atitudes que roçam o pornográfico e, a certa altura, atira-se a um estranho dançando de forma demasiado explícita, quase um lap dance (adivinho pela expressão dele que está a pensar que lhe saíu a sorte grande sem sequer jogar na lotaria).

7.30.2008

Bob Fosse



foto Mary Ellen Mark

Apercebo-me

por coisas que me dizem que quem me lê aqui faz de mim uma imagem de um ser depressivo, com olheiras, pálido, piegas, cheio de auto comiseração, digno de pena.
Lamento desapontar-vos quando apareço bronzeada, sorridente, de saltos altos, brincos. Deve ser desconcertante ouvir-me a dizer piadas o dia inteiro (possivelmente sem grande graça), falar sem parar, gostar de praia, de gelados e de caipiroskas, encher os meus filhos de beijos e de disparates, gostar mais do dia do que da noite, ter amigas com quem falo de compras e de homens, ser luminosa.
Lembro-me do meu Amigo me dizer "não acha que somos sempre fantásticos nos nossos blogs, maravilhosos, e depois na vida nem tanto?" Parece que não.
Suponho que cada um use o blog como melhor lhe aprouver, a mim que não tenho francamente necessidade de me publicitar, serve como o divã do psicanalista, o sítio onde despejo aquilo que não posso fazer no resto do tempo. Não poderia fazê-lo se assinasse o meu nome verdadeiro, se as pessoas com quem convivo no dia-a-dia soubessem que tenho este blog, se revelasse a minha identidade verdadeira, pelos vistos tão diferente da de blogger.
No entanto aqui sou verdadeira (dramática e queixinhas mas verdadeira), é só uma face que não posso mostrar em todo o lado. Fiquem então com isso, quem me ler aqui é provável que me conheça melhor do que quem me conhece na vida real.

7.29.2008

Breathe out



Coisa fechada. Exausta. Ainda muito trabalho. Vou só ali cair para o lado um bocadinho e já volto.

(já disse que tenho umas sandálias novas?)

7.28.2008

Breathe in

[suspendo a respiração]

Muitas horas de trabalho à frente sem poder parar. Até fechar isto nem tempo tenho para um post fútil sobre umas sandálias que comprei (são fabulosas).

(já volto)

7.25.2008

Andei às voltas com

este post. Que quando o li achei automaticamente, "tretas". A culpa não estará nas palavras escritas, mas em mim, sou eu que me fui tornando cínica e indiferente a certas coisas. Pior. A querer fazê-las aos outros. Não sei se é inevitável mas quando se convive com isso, com a falta de verdade constante, há qualquer coisa que se rompe, que acaba. Um nível de franqueza que se torna impossível, um nível de cinismo que torna incomportável uma verdade inteira. E não é que eu não queira, mas corrompi-me, fui corrompida nessas mentiras, fiquei contagiada por elas. Não é que eu não queira (exteriormente) acreditar, dizer verdades, ser feita delas. É que não acho possível. Que a verdade também é feita de fé. E neste momento, a fé que tenho em nós (pessoas) é tão pouca que nem consigo.

Bono



É para mim o homem com a voz mais sexy que já ouvi.
E aquela parte em que ele diz "Mary"...(adiante, não quero que me flaguem hoje).

7.24.2008

Da paternidade

Aqui
e aqui
e aqui.
Eu sei que há muitas maneiras de viver a paternidade.
Gosto pouco de falar deste assunto. Acho banal o que nos aconteceu. Plenamente banal, um dia éramos uma família e depois já não éramos, tão comum. Mas é que. Um dia nós éramos uma família e seremos sempre. Porque seremos sempre o pai e a mãe daquelas crianças, nunca cessaremos de ser a família deles. E a família não se escolhe. Às vezes temos sorte com o que nos calha, outras nem tanto.
No dia em que decidimos deixar de ser uma família eu (não num gesto magnânimo, num gesto banal, pouco pensado) "ofereci" (entre parêntesis porque eu nada possuía que pudesse oferecer) custódia conjunta ao pai dos meus filhos. Respondeu-me "não posso" (mais uma banalidade). Durante esse primeiro ano achei que era minha responsabilidade tentar que eles passassem tempo com o pai. Os "não posso" cresceram até serem tudo, tornaram-se banais, esperados, instituídos. Não posso. Só. Não posso ser pai dos meus filhos. Posso levá-los uma vez por mês ao cinema e às compras, mais do que isso não posso.
Posso passar a tarde do dia de Natal com eles, algum outro feriado não posso. Posso passar 10 dias de férias com eles (embora tenha 25 para mim) mais não posso.
Não vou debater com ninguém as razões do não posso do pai dos meus filhos, são razões de ordem pessoal dele, não me interessam. Ao fim de um ano, desisti de debater fins de semana falhados, aniversários e festas de fim de ano esquecidos. Não pode, acabou.
Sabemos todos (sim, eles também) que quando quer (ou pode, sei lá) vem buscá-los sem nenhum limite imposto da minha parte.
Quando a lei contempla "dever de prover sustento" (obrigação) e "direito de visita" (não obrigação) está a defender-se a ela própria (à lei interessa-lhe é que não haja indigentes), mas se já tantas causas forçaram a lei a ser alterada para que a lei as defendesse a elas, a pouca veemência com que vejo o direito à paternidade ser defendido faz-me sempre pensar que talvez esta lei defenda mais interesses do que aqueles que ofende (perdoem-me os pais que querem ser presentes, eu sei que os há, estou só a falar em maiorias).

Note to others

A Helvetica no monitor, em tamanho pequeno (inferior, digamos, a 20px) é a fonte mais feia e menos legível que pode haver.

Achamos sempre

que não conseguimos respirar sem aquilo. Mas na verdade, a apneia pode ser o nosso maior conforto. O raciocínio fica completamente truncado sem oxigénio.

Blogless

[eu (E) e melhor amiga (A) na conversa]

A - Sabes, o Tiago agora tem um blog e escrevi lá umas coisas.
E - Escreveste? No blog dele?
A - Sim. Sobre futebol, tás a ver, eu nunca poderia escrever sobre a minha vida privada como tu fazes.
E - Mas tu escreveste assim um post mesmo?
A - Post? Ele tinha lá umas coisas escritas e depois eu escrevi lá numa parte...
E - Comentários?
A - Sim, se calhar era isso.

7.22.2008

No fim de mais um dia de merda

recebo a mensagem: o Sebastião nasceu.
Hoje o mundo ficou um bocadinho melhor. Parabéns.

E por favor não confiem na minha também

Estou cansado da linguagem, não confio nela nem a ela nada do que me é mais verdadeiro

A verdade está no que fazemos. Dificilmente no que dizemos.

pessoas com extremo bom gosto