11.17.2009
these days
11.16.2009
fashion
[porque o Pedro e o Pedro são os maiores escritores da bloga, para mim].
whatever gets you through the day

foto Sara Dunn
o meu mantra é ainda o dos drogados um dia mais, só mais este dia, tenho agora noção que somos todos, ninguém aguenta a vida sem fugas, whatever gets you trough, jogo compras droga noites sexo alcool música filhos viagens televisão filmes jogos virtuais centros comerciais concertos internet revistas de moda jornais política ginásio, whatever gets you trough, e de repente o mundo divide-se entre os que se perdem e os que se encontram no meio de tudo isto, whatever gets you trough, viciosos somos todos, até mesmo os que enfiam um cilício na perna.
olá, eu sou a Clara e sou viciada em fotografia*
*[com certeza não esperavam que eu aqui confessasse os meus verdadeiros e perniciosos vícios]
11.13.2009
home
Cara Tapada
Estes curiosos artefactos de papel, cuja função primacial é o de envolver algo, escondendo-o ou protegendo-o, deixaram pura e simplesmente de ser vendidos.
A procura cessou e quem os produzia teve de se dedicar aos cartões de Natal e de Aniversário, com renas, pinheiros nevados e grandes corações vermelhuscos.
E a felicidade geral aumentou, pois toda a gente trocava estes cartões sem nada que os escondesse, às claras, manifestando abertamente os sentimentos sem receios.
Quando acordei, estremunhado, com o noticiário da TSF, fiquei triste.
A primeira notícia era, precisamente, sobre o consumo crescente de envelopes. E todos os jornais falam disso outra vez, pela enésima vez esta semana.
Triste. E paradoxal. No país do plano tecnológico continuar a usar-se muito o envelope de papel...
11.12.2009
just around the corner
quase que aposto que não foi nenhuma dessas quatro.
non sequitur II
agora [por já não ser verdade] amo-te.
[post dedicado a 3 amigos e um conhecido].
11.11.2009
love is

James Knight-Smith
do ponto de vista marxisto-patético o amor é um capricho burguês que pode ser contrariado com um reforço ideológico. do ponto de vista anarco-conservador quaisquer 50€ compram isso às 3 da manhã.
[gesto meio patético de agradecimento pela amizade do Jorge - porque eu não sei exprimir sentimentos - obrigada].
11.10.2009
11.09.2009
non sequitur
11.07.2009
11.06.2009
love
o meu amor às fotografias é tanto que sacrifiquei a estética do blog para as poder ter maiores.
[claro que o amor não é isto. alguém que saiba o que é faça o favor de me explicar sem poeminhas. ou vão ter de continuar a aturar estes posts estúpidos].
11.05.2009
Descodificador de blá-blá-blá político
a) “essa situação é delicada mas estamos a acompanhá-la com atenção” isso significa “não estamos a fazer rigorosamente nada, ou porque não é da nossa competência ou porque não temos meios, mas não o podemos admitir”.
b) “A solução dos problemas passa pelo aumento da competitividade e produtividade e pela aposta nas novas tecnologias” isso significa “não faço a mínima ideia sobre o que se deve fazer. Socorro!”.
c) ”não vamos abandonar este projecto porque ele é estratégico para o País” isso significa “vamos enterrar dinheiro até mais não nisto e vamos averbar prejuízos colossais, mas agora já não recuo possível, senão perdemos a face”.
d) “Portugal (ou a nossa empresa) tem de encontrar uma ambição, um desígnio, uma ideia mobilizadora” isso significa “não tive a mínima hipótese de preparar este discurso ou esta apresentação com tempo. Desculpem”.
11.04.2009
♥
♥
era só isto.
♥
Distorção

Ilha da Boavista, 2003, com objectiva fisheye.
A fisheye comprime todo o nosso campo de visão no pequeno espaço do negativo e provoca uma dramática distorção da paisagem. Por isso deixei de a usar. Talvez seja sinal de maturidade admitir que não abarcamos tudo sem pagar o preço da distorção. Se calhar não vale a pena querer contextualizar sempre as coisas. Acabamos por as distorcer, no esforço de as compreender. Se calhar vale a pena olhar apenas para a igrejinha e dizer "é uma igrejinha mesmo, pode ser bela, está em ruínas mas podemos reconstruí-la". Se calhar é melhor não cedermos à tentação de considerar também a paisagem desoladora para concluir que uma capelinha no deserto não vale a pena. Se calhar isso é distorcer as coisas.
11.02.2009
private post*
*para a Isabel [para o Rui também, mas isso goes without saying].
10.30.2009
hands on
daqui
faço as pazes com o meu corpo demasiado anguloso - sem formas voluptuosas nem arredondadas, sem interesse - nas fotografias de modelos.
[as pessoas magras têm complexos, as pessoas bonitas têm complexos, as pessoas inteligentes têm complexos. todas as pessoas têm complexos. só que algumas não o podem confessar].
toothache

daqui
ela pergunta porquê e eu a explicar-lhe que
- ah e quando eu queria fazer qualquer coisa, ir a algum lado, ele nunca vinha comigo, nunca queria vir.
- então não era seu amigo, mãe, a Mariana até à casa de banho comigo vem, se eu lhe pedir.
e de repente saudades das amizades de adolescência, da entrega completa, total, sem medo de, sem restrições auto impostas. não sei bem porquê, se no fundo eu continuo a viver estas coisas da mesma maneira. como se tivesse dez anos.
10.29.2009
love is
[claro que o amor não é isto].
10.28.2009
Bagdad Bob

Alguns ainda se lembrarão de um Ministro-clown de Saddam Hussein, o Ministro da Informação Muhammad Saeed al-Sahaf.
Sempre que aparecia na televisão, na II Guerra do Iraque, em 2003, dizia coisas absolutamente apalhaçadas para justificar o que se passava no campo de batalha.
Uma das mais divertidas foi esta:
It has been rumored that we have fired Scud missiles into Kuwait. I am here now to tell you, we do not have any Scud missiles and I don't know why they were fired into Kuwait.
A sua principal característica era pintar cenários côr-de-rosa e de vitória para as tropas iraquianas no combate com os americanos. Já com as tropas americanas dentro de Bagdad, disse que os iraquianos estavam a dar-lhes tanta tareia que os soldados americanos se suicidavam aos milhares nos muros da cidade:
I can say, and I am responsible for what I am saying, that they have started to commit suicide under the walls of Baghdad. We will encourage them to commit more suicides quickly.
Outra fantástica:
Now even the American command is under siege. We are hitting it from the north, east, south and west. We chase them here and they chase us there. But at the end we are the people who are laying siege to them. And it is not them who are besieging us.
No fundo era um optimista, um alheado da realidade.
Admito mesmo que, em certa medida, acreditasse em algumas coisas que dizia. Lembro-me muito dele. I miss him. Mas não sofro muito com isso, porque todos os dias há políticos que têm tiradas dignas daquele maravilhoso truão e que se encarregam de me matar saudades.
Há sinais claros de que a direcção do PSD tem vindo a passar à imprensa, de forma muito discreta, a ideia de que os resultados da passagem de Manuela Ferreira Leite e da sua equipa à frente do PSD até foram muito positivos. A edição de ontem de um jornal dava eco desse balanço positivo.
O propósito destes recados não é divertir-nos. É tão simplesmente o de preparar a sucessão de Manuela e justificar a entrega do partido a alguém da sua equipa, descartando a necessidade de uma renovação. Se a coisa até foi boa, em equipa que ganha não se mexe. Olha o caso do meu Sporting.
10.27.2009
works on paper
[é lamentável mas quanto mais depressa encararmos a verdade, mais rapidamente a vida segue o seu curso tranquila, com os ocasionais sobressaltos que lhe assistem].
10.26.2009
Os pássaros são assustadores?
10.25.2009
Julgamentos morais sobre a conduta de terceiros
10.23.2009
on my way
birthday

foto Helmut Newton
o meu colega de blog, Martim, faz anos.
os meus parabéns e eternos agradecimentos por partilhar comigo esta viagem que até para mim, em certos dias, se torna tremendamente aborrecida.
10.22.2009
silly season
parece-me que a silly season já terminou. por isso vamos começar a ignorar as polémicas do anúncio, da Maitê e do Saramago e começar a pensar em coisas sérias. como isto.
10.21.2009
true blue
queremos a verdade mas não aguentamos a verdade.
10.20.2009
the usual suspects
- nem pensar, mãe. eu gosto de dizer piadas mas é de fixes.
- [suspiro].
10.19.2009
too litlle too late

Dita e Scarlett
quando somos novos inexperientes ingénuos inocentes ou seja lá o que for, achamos sempre que aquela vez há-de ser a única última maior desesperada para sempre.
depois crescemos e descobrimos que atrás de uma vem outra. e depois outra. isto parece fixe e dá-nos um aspecto muito moderno, sempre cool e sem grandes dramas.
mas, make no mistake, o que nós gostávamos mesmo era de ainda ter capacidade de acreditar que aquela havia de ser a única última maior desesperada para sempre vez.
10.18.2009
A aspirina com Coca-Cola é uma droga fatal?
Antes do 25 de Abril, havia uma coisa chamada “condicionamento industrial”. A ideia era simples: a instalação de indústrias de relevo dependia de licença ou autorização mais ou menos discricionária do governo, que a negava quando os interesses da Nação estivessem em perigo.
O esquema protegia os grupos económicos nacionais da concorrência internacional e permitia que prosperassem à sombra da bananeira, mesmo se economicamente ineficazes. Foi por isso, por exemplo, que a Coca-Cola só entrou no nosso País em 1977. Antes era bebida non grata para o governo do Estado Novo.
Para ajudar à festa, espalhavam-se falsos rumores que atingiam a honorabilidade da marca. Lembro-me bem, ainda muito pequenino, para aí em 1973, de, no banco de trás do Fiat 850 Special Sport amarelo torrado da minha tia, ouvi-la contar à minha mãe sobre a pedrada fatal que uns jovens tinham apanhado em Angola por terem misturado Coca-Cola com aspirina. Um perigo, um perigo. As crianças não esquecem as histórias de terror.
Depois do 25 de Abril, os grupos económicos instalados com a protecção do Estado foram nacionalizados e os empresários perseguidos.
Por causa disso, na segunda metade da década de 70 e primeira da década de 80, podia dizer-se que havia uma clara e renhida luta de classes no País, com radicais clivagens ideológicas e sociais.
O CDS e o PSD, por exemplo, eram partidos muito ligados à agenda dos grandes empresários e para a restauração do capitalismo de mercado, pugnando pelas reprivatizações.
As nacionalizações provocavam uma divergência fundamental entre o CDS e o PSD, por um lado, e o PS e o PCP por outro, já que estes últimos as defendiam com unhas e dentes.
Quem ia a Cascais às discotecas, nos anos 80 não encontrava “betinho” de pullover Ted Lapidus à volta da cintura que não fosse do CDS ou do PSD e que não odiasse os “súcias” e os “comunas”.
Entretanto, no final dos anos 80, princípios dos anos 90, o Estado devolveu aos grupos económicos perseguidos aquilo que ilegitimamente lhes tinha expropriado.
E pronto. Acabou-se a razão para a luta de classes. Na posse do que era seu, os empresários deixaram de ter agenda ideológica. Deixaram de se importar com o capitalismo de mercado. O ideal era que o Estado os protegesse, como dantes. Não com o condicionamento industrial, que esse não é já possível no mundo globalizado e na União Europeia. Mas, por exemplo, gerando encomendas e contratos.
Para este tipo de ajuda os empresários já não precisam de um partido específico, de classe. Isso até é mau. Convém ter pontos de apoio em todos os partidos do chamado “arco da governabilidade”.
Os contratos e negócios não têm ideologia. Uns tantos empresários inteligentes passaram a fazer múltiplas no Totobola. Passaram a acolher, com afecto, colaboradores de destaque que apoiam diferentes partidos, incluindo o PS.
Hoje já não é nada possidónio um betinho de Cascais apoiar o PS.
A classe empresarial mais elevada continua a ser a classe social mais influente e dinâmica no País. Reparte-se entre o PS e o PSD. E não está nada interessada em liberalismos. Está mais preocupada em assegurar contratos.
Em rigor, é com isto que se tem de viver. Os escândalos financeiros do capitalismo anglo-saxónico, de matriz liberal, deixam-nos sem alternativa de monta. A única causa por que vale a pena lutar agora é muito simples: contratos, pois sim, mas com verdade e transparência. Só isto. Não é verdade que a aspirina não possa ser bebida com Coca-Cola.
10.16.2009
i'm really more of a dog person
[Ayn Rand]
não há qualquer nexo de causalidade entre a forma como vivemos ou como morremos. descobri ontem que afinal os gatos eram da empregada da minha avó.
não que isso tenha importância, a forma como morremos. a mim assusta-me mais a forma como envelhecemos.
10.15.2009
i could get used to this
10.14.2009
copo meio cheio II
gestão de expectativas II
parecendo pequenos milagres quando acontecem não passam dos produtos tóxicos da gestão de expectativas.
10.13.2009
copo meio cheio
10.12.2009
Os assaltantes eram de Leste
As vítimas, na casa dos sessenta anos, estão muito fragilizadas psicologicamente. Quem sabe não recuperarão mais. Serão assaltadas outras vezes, dezenas delas, agora por pesadelos.
Se estivessem a passear pelas zonas mais escuras da Ribeira, poderiam ter sido assaltadas pelos gangues do Aleixo ou de Miragaia ou pelos Gunas.
Mas descansavam em sua casa e os assaltantes eram de Leste.
Se deixassem o carro com um telemóvel à vista na zona da Avenida de Roma, um "adicto" do Relógio poderia partir-lhes o vidro e levar-lhes o dito.
Mas descansavam em sua casa e os assaltantes eram de Leste.
Se fossem a Setúbal passear pela Avenida Todi nas noites quentes deste Outubro, um bando da Belavista podia gamar-lhes as carteiras.
Mas descansavam em sua casa e os assaltantes eram de Leste.
Portugal é um país demasiado fraco para lidar com estas novas ameaças de violência. Continuamos a receber demasiado bem quem não conhecemos.
Elogiamos a integração dos imigrantes de Leste, cuja cultura afinal não compreendemos bem. Franqueamos-lhes a portas, com um sorriso politicamente correcto nos lábios. Ignoramos que os países de Leste têm uma história de violência e desprezo pela vida humana incomparáveis, que se impregnou bem fundo na identidade dos seus cidadãos.
As máfias de leste são uma coisa abstracta para nós.
Nunca colocamos a hipótese da nossa simpática empregada moldava dever favores e prestar informações sobre os nossos pertences aos conterrâneos marginais e violentos que cá a puseram clandestinamente, em condições sub-humanas.
Não sabemos. Só nos preocupamos em preencher lugares com essa pobre gente, em empregos subqualificados, que os nossos conterrâneos há muito deixaram de querer.
Não nos preocupamos em registar a origem, a morada, os dados dessas pessoas, e em confirmá-las. Em pedir-lhes os papéis.
As autoridades não se obrigam a um período de vigilância e acompanhamento, por exemplo, de três anos, sobre a actividade que os imigrantes desenvolvem no nosso País. Seguindo-os no emprego e no desemprego e cruzando a informação com notificações obrigatórias das entidades patronais. Achamos isso desumano, ou muito dispendioso.
E depois gastamos o couro e o cabelo a tirar impressões digitais e a recolher DNA da casa das vítimas. E em prestar-lhes "apoio psicológico". Pobres de nós.










