É uma espécie de enjoo. De repulsa.
Por qualquer razão, de súbito começamos a reparar melhor em coisas, situações e relações a que parecíamos estar habituados ou a que éramos indiferentes, e sentimos uma vertigem.
Ficamos com uma hipersensibilidade à falta de qualidade de tantas coisas que nos rodeiam.
Reparamos que temos lama nas solas e quem nem batendo com força os pés no chão ela salta.
Pode ser a esplanada na bela da beira-rio, que nos apresenta um menú desgraçado.
Filetes de corvina no forno com natas. Corvina mal descongelada, com natas. Aqui à beira rio?
Tudo com natas. Parece que deram ao Diabo uma concessão no Paraíso. Porquê? É de direito natural que estes marmanjos explorem esta coisa neste sítio tão bonito? Porque é que ninguém os corre daqui? Enjoo, enjoo.
Pode ser a nossa amiga de quem o namorado faz gato-sapato. Ouvimo-la mil vezes, damos-lhe o mesmo conselho e ela volta ao mesmo. Porquê? Não tem amor-próprio? Coluna vertebral? Mais não, please. Não venhas outra vez com essa conversa. Enjoo. Náusea.
Aquela sensação, tão habitual, de que se vive sempre num contínuo desenrascanço, a fazer tudo em cima do joelho, de que ninguém pára para pensar, torna-se insuportável.
Nesse estado de hipersensibilidade, olhamos tudo ao microscópio. Deixamos a vista desarmada de lado. Passamos a achar que tudo precisa de ser pasteurizado.
Passa a ser perigoso abrir o jornal.
Mesmo em países que nos pareciam, pronto, civilizados começamos a sentir qualquer coisa de fétidozinho no ar. Olhem para o que se passa em Inglaterra, com a falta de qualidade da política. Pior do que a nossa.
Não há nada de novo. Isto sempre foi assim. Pode estar pior, mas sempre foi assim. Só que, ao acordarmos do estado catatónico, ao sacudirmos o torpor, revela-se toda a nossa impotência.
É esse a fonte da náusea. A nossa impotência para mudar as coisas num ápice. As mudanças são feitas devagarinho. Com avanços e recuos. Agora recua-se.
Percebemos o significado profundo de sermos assim mesmo. É a mancha humana, como dizia o outro. E não gostamos. Mas depois passa. Olhamos para umas coisas mesmo bem feitas, temos umas alegrias colectivas e passa. É uma espécie de doença bipolar social, que se apoderou da psique europeia.
1.10.2010
1.08.2010
1.07.2010
acceptance
aceitar aceitar aceitar aceitar aceitar aceitar aceitar
[novo mantra, em repeat infinito]
e pronto, é isto.
[novo mantra, em repeat infinito]
e pronto, é isto.
revolutions

arrastei os meus filhos [o "arrastar" aqui não foi literal, na verdade apenas lhes menti dizendo que íamos ao Starbucks e - oh que coincidência, o CCB é mesmo aqui ao lado] para esta exposição no domingo, que era o último dia. houve protestos, claro, e com alguma razão, a verdade é que a exposição não era grande coisa [pode ser impressão minha mas as exposições da experimenta são uma verdadeira porcaria sempre, o que há-de deixar a noção de "gratuito" e "experimental" inevitavelmente agarrada a coisas desinteressantes]. isto para dizer que apesar de não ser fabulosamente gira, a ideia de fundo era mostrar o design gráfico antes do computador, e sobretudo deixar a noção que nós [na era pós computador] não temos de todo: que quando surgiram os programas gráficos, a sensação que os designers tiveram foi a de quase omnipotência. deve ter sido tão bom que por um instante os invejei, da mesma forma que invejo as pessoas que viveram o 25 de Abril.
1.06.2010
conservative
é verdade que me confessei conservadora mas não é verdade que o seja. torço para que o referendo sobre o CPMS não se realize, torço para que todas as leis sobre este assunto sejam aprovadas, adopção incluída, não porque "os paneleiros são pessoas, coitadinhas, que têm o direito aos mesmos direitos dos outros" como diz a esquerdalha moralista e paternalista de minorias, mas porque as pessoas vão viver a vida como quiserem e quem sou eu [nós] para lhes dizer que sim podem casar ou não não podem casar e criar crianças?
1.05.2010
forget
esqueço-me muitas vezes, demasiadas vezes, que já não é um bebé mas sim um homem em miniatura. um homem que fala muitas vezes em casamento e em bebés. pede-me por favor para ter um bebé. mas a mãe não tem um marido, não pode ter bebés. então, casas com o pai. mas o pai e a mãe já foram casados, não vão voltar a ser. então casas comigo. mas as mães não podem casar com os filhos. mas eu sou o teu homem. és o meu bebé. não sou bebé, eu vou casar com a madalena. a mana pode ter um namorado? depois ela casava aos 10 anos e deixava-me em paz!
sim, ainda sou eu que o visto de manhã, mas pelo menos tornei-o um conservador do piorio. em alguma coisa acertei, ufa.
sim, ainda sou eu que o visto de manhã, mas pelo menos tornei-o um conservador do piorio. em alguma coisa acertei, ufa.
1.02.2010
1.01.2010
Um sorriso
Fiz a marginal de regresso a casa na primeira manhã do ano. Eram quase oito horas. Duas festas. A segunda acaba por fazer descarrilar os horários. Nem acredito que me deitei tão tarde.
Fiz a marginal com um sorriso estampado no rosto. A cópia possível de um sorriso lindo que gravei na memória. Um sorriso lindo que, de súbito, iluminou uma cara sem nada de especial com que me cruzei durante a noite, e que não conhecia. Umas palavras de circunstância, também nada de especial, mas que desvendarem um sorriso que era todo ele um caloroso abraço. Se calhar não o volto a ver. Os sorrisos fugazes não trazem números de telefone acoplados. E eu já não me esforço muito por estas coisas.
Antes de reparar o desvario com um sono trocado, ainda abro o FT online.
Está lá, em destaque, a história de Mina, uma iraniana de 36 anos que, nestes dias, se prepara para a morte sempre que sai à rua, em protesto contra o regime tirânico sob o qual vive.
Mina escreve o nome e morada num pedaço de papel, para que o seu corpo possa ser identificado, caso ocorra o desfecho fatídico.
Imagino que Mina possa sorrir de forma tão luminosa como a que vi esta noite, sempre que, após tais preparativos, regresse a casa a salvo, no fim de mais um dia empolgante nas ruas de Teerão.
O drama de Mina é a falta de liberdade, contra a qual dá de penhor a sua vida.
Ao pé deste, os nossos dramas são do tamanho de formiguinhas. A conta para pagar, a avaria do carro, o emprego mortiço, o défice que nos estrangula, um governo que não governa, um país adiado.
Mina não põe as coisas desta maneira mas, no fundo, luta pelo direito a ter só os nossos pequenos dramas. Ter liberdade significa, antes de tudo, não precisar já de verter sangue e lágrimas para a conquistar. E poder então sorrir ou chorar só por coisas mais simples e pequenas.
Fiz a marginal com um sorriso estampado no rosto. A cópia possível de um sorriso lindo que gravei na memória. Um sorriso lindo que, de súbito, iluminou uma cara sem nada de especial com que me cruzei durante a noite, e que não conhecia. Umas palavras de circunstância, também nada de especial, mas que desvendarem um sorriso que era todo ele um caloroso abraço. Se calhar não o volto a ver. Os sorrisos fugazes não trazem números de telefone acoplados. E eu já não me esforço muito por estas coisas.
Antes de reparar o desvario com um sono trocado, ainda abro o FT online.
Está lá, em destaque, a história de Mina, uma iraniana de 36 anos que, nestes dias, se prepara para a morte sempre que sai à rua, em protesto contra o regime tirânico sob o qual vive.
Mina escreve o nome e morada num pedaço de papel, para que o seu corpo possa ser identificado, caso ocorra o desfecho fatídico.
Imagino que Mina possa sorrir de forma tão luminosa como a que vi esta noite, sempre que, após tais preparativos, regresse a casa a salvo, no fim de mais um dia empolgante nas ruas de Teerão.
O drama de Mina é a falta de liberdade, contra a qual dá de penhor a sua vida.
Ao pé deste, os nossos dramas são do tamanho de formiguinhas. A conta para pagar, a avaria do carro, o emprego mortiço, o défice que nos estrangula, um governo que não governa, um país adiado.
Mina não põe as coisas desta maneira mas, no fundo, luta pelo direito a ter só os nossos pequenos dramas. Ter liberdade significa, antes de tudo, não precisar já de verter sangue e lágrimas para a conquistar. E poder então sorrir ou chorar só por coisas mais simples e pequenas.
12.30.2009
old year
quase parece um crime contra a humanidade dizer isto mas o meu 2009 foi muito bom. e estou segura que o 2010 será melhor ainda, a margem de progressão é grande e tudo se encaminha de forma espectacular.
não se preocupem, é tudo questão de gestão de expectativas. para o final deste ano não me faltou dinheiro para pagar as contas e tenho uma pessoa maravilhosa [a minha mãezinha fofinha] que me vai buscar e às vezes levar os filhos à escola. o meu carro não se avariou [muito] e os quilos que engordei ainda não me impossibilitam de comprar roupa em lojas de tamanhos normais.
no meio de tudo isto, ganhei dois amigos fabulosos.
happy new year.
não se preocupem, é tudo questão de gestão de expectativas. para o final deste ano não me faltou dinheiro para pagar as contas e tenho uma pessoa maravilhosa [a minha mãezinha fofinha] que me vai buscar e às vezes levar os filhos à escola. o meu carro não se avariou [muito] e os quilos que engordei ainda não me impossibilitam de comprar roupa em lojas de tamanhos normais.
no meio de tudo isto, ganhei dois amigos fabulosos.
happy new year.
12.28.2009
new year
talvez ainda seja cedo para balanços mas é agora que os faço, nem que seja por medo que a inspiração me venha a falhar posteriormente como é costume nestas coisas com data marcada. para além disso, dou ao meu parceiro de blog a oportunidade de fazer o balanço dele, se tal lhe aprouver, e será [como de costume] bastante mais erudito e interessante do que o meu:
blog do ano: Sete sombras
blogger do ano (XY): Pedro Lomba
blogger do ano (XX): Sofia Vieira ex aequo Lady oh my Dog
post do ano: por acaso gosto mais das bravo-esmolfe
banda sonora do ano: The XX
filme do ano: 500 days of summer [ah mas nem estreou cá...temos pena, é sacar da net como toda a gente]
livro do ano: triologia Millenium [são três, ah pois é, mas "triologia do ano" não ficava nada bem]
acontecimento do ano: o meu filho que aprendeu a ler sozinho [este é o MEU balanço]
vista do ano: esplanada do silk
blog do ano: Sete sombras
blogger do ano (XY): Pedro Lomba
blogger do ano (XX): Sofia Vieira ex aequo Lady oh my Dog
post do ano: por acaso gosto mais das bravo-esmolfe
banda sonora do ano: The XX
filme do ano: 500 days of summer [ah mas nem estreou cá...temos pena, é sacar da net como toda a gente]
livro do ano: triologia Millenium [são três, ah pois é, mas "triologia do ano" não ficava nada bem]
acontecimento do ano: o meu filho que aprendeu a ler sozinho [este é o MEU balanço]
vista do ano: esplanada do silk
12.23.2009
12.21.2009
Publi-felicidade
Beira-mar. Fim de um dia de sol. Salta um Labrador da traseira de uma carrinha Volvo e corre na direcção de duas crianças lindas. Salta mais e mais. As crianças abraçam-no, por entre risos de alegria. O pai apeia-se do banco do condutor. É moreno, bronzeado e muito bem parecido. Anda pelos 30 anos. Veste um consensual pólo e blusão de cabedal curto. Tem um olhar sólido, fixo na cena das crianças e do cão. A mãe junta-se-lhe. É louríssima, como uma das crianças. Magra e muito fininha. Mãos arranjadas. Sandálias simples e de bom gosto. Mãe e pai juntam-se às crianças. O Labrador salta e late à volta de todos, recortando o sol alaranjado que já enche o horizonte.
O que é isto? É a publicidade a um PPR. É a publi-felicidade.
Uma família. Tudo giro. Um cão a condizer. Uma carrinha.
Harmonia. E um PPR que protege aquela felicidade toda, como um anjo da guarda.O estereotipo vendido pela publi-felicidade corresponde ao ideal de muitos. Senão não seria eficaz. E são muitos os que replicam o modelo do pai perscrutador de horizontes, do cão saltador e da carrinha nas suas vidas.Pode dar-se o caso de o pai ser um filho da ** do pior e da magia já ter regressado à terra do Mago Merlin há anos. Mas a louríssima mãe tolera tudo. Umas vezes enfastiada. Outras esperançada. “Por causa dos filhos”. Por causa dos filhos? Não. Por causa de uma imagem. Porque aos domingos, mesmo que a semana tenha sido miserável, sobe ao palco a pequena encenação da publi-felicidade. No teatro de um restaurante. Quem sabe, de uma esplanada à beira-mar. Oxalá o Volvo não parta o turbo no regresso. O meu às vezes dava chatices. Porque raio temos de parecer todos felizes? E dizer que estamos sempre bem, sempre óptimos, quando nos perguntam? Por recato, em alguns casos. Mas porque a publi-felicidade se arvorou em ideal social, em muitos outros casos. E se uma pessoa se revela menos feliz, macambúzia, pensativa, preocupada, sei lá, ai, cuidado, coitada, pode estar deprimida. Que horror. E agora? No emprego, deprimida? Sair connosco, deprimida? Pode não se rir das piadas idiotas do Carlos. Já não há harmonia no nosso jantar. Ai Jesus. Que diabo, a felicidade não é uma linha recta.
O que é isto? É a publicidade a um PPR. É a publi-felicidade.
Uma família. Tudo giro. Um cão a condizer. Uma carrinha.
Harmonia. E um PPR que protege aquela felicidade toda, como um anjo da guarda.O estereotipo vendido pela publi-felicidade corresponde ao ideal de muitos. Senão não seria eficaz. E são muitos os que replicam o modelo do pai perscrutador de horizontes, do cão saltador e da carrinha nas suas vidas.Pode dar-se o caso de o pai ser um filho da ** do pior e da magia já ter regressado à terra do Mago Merlin há anos. Mas a louríssima mãe tolera tudo. Umas vezes enfastiada. Outras esperançada. “Por causa dos filhos”. Por causa dos filhos? Não. Por causa de uma imagem. Porque aos domingos, mesmo que a semana tenha sido miserável, sobe ao palco a pequena encenação da publi-felicidade. No teatro de um restaurante. Quem sabe, de uma esplanada à beira-mar. Oxalá o Volvo não parta o turbo no regresso. O meu às vezes dava chatices. Porque raio temos de parecer todos felizes? E dizer que estamos sempre bem, sempre óptimos, quando nos perguntam? Por recato, em alguns casos. Mas porque a publi-felicidade se arvorou em ideal social, em muitos outros casos. E se uma pessoa se revela menos feliz, macambúzia, pensativa, preocupada, sei lá, ai, cuidado, coitada, pode estar deprimida. Que horror. E agora? No emprego, deprimida? Sair connosco, deprimida? Pode não se rir das piadas idiotas do Carlos. Já não há harmonia no nosso jantar. Ai Jesus. Que diabo, a felicidade não é uma linha recta.
whole in one
mais importante do que estar sozinho ou acompanhado é estar inteiro.
para sempre, até daqui a uma semana, até daqui a dez anos, inteiro.
[não gosto do amor gritado, exibido, declarado nas ruas para estranhos ouvirem, publicitado, escrito em cartazes, anunciado, fotografado. acima de tudo faz-me impressão o amor que é fabricado para completar alguma lacuna]
para sempre, até daqui a uma semana, até daqui a dez anos, inteiro.
[não gosto do amor gritado, exibido, declarado nas ruas para estranhos ouvirem, publicitado, escrito em cartazes, anunciado, fotografado. acima de tudo faz-me impressão o amor que é fabricado para completar alguma lacuna]
12.19.2009
same sex
claro que um homossexual pode adoptar uma criança. basta que não seja casado com outro.
[os meus parabéns ao PS, criar este tipo de oxímoros não está ao alcance de todos].
[os meus parabéns ao PS, criar este tipo de oxímoros não está ao alcance de todos].
12.17.2009
richter
ainda mais vantagens de viver sozinho: é verdade que a cidade tremeu mas eu estava a dormir e ninguém para me acordar "olha, está a acontecer um tremor de terra neste momento" [e li vários testemunhos de pessoas a quem aconteceu isto].
[para o martim]
[para o martim]
12.16.2009
Sozinho, mesmo sozinho
O estado de “sozinho” pode gerar um misto de encantamento e embriaguez.
Falo do estado de “sozinho, mesmo sozinho”.Não me refiro ao estado “sozinho com pontas soltas”. Com coisas por resolver, que vão e vêm. Isso não é estar sozinho. É a pior coisa que há. Essas pontas dão-nos muito trabalho, a tentar atá-las ou desatá-las. Por ali nos consumimos, sem glória nem proveito duradouro. Ficamos focados na ponta e desfocados do que nos rodeia. Perdemos o bom que circula à nossa volta.
Acho que há cinco anos que não estava sozinho, mesmo sozinho. Tudo começa com uma decisão racional. E com um grito dado a nós mesmos. “Haja dignidade, pá !”, por exemplo. Dignidade para não magoar mais quem gostamos muito, mas não o suficiente. Ou dignidade para nos recusarmos a ser mais magoados por quem não gosta o suficiente de nós. Ou então, se for esse o caso, berramos “esta gaja é uma pulha. Não lhe vou perdoar mesmo”. Inscrevemos no nosso cérebro esse mal todo e com ele vacinamos o coração. Inicialmente custa estar sozinho, mesmo sozinho. Mas depois, aos poucos, vamos começando a saborear-nos. Há quanto tempo não nos saboreávamos, é a pergunta que surge à nossa frente. Deixamos de ter “dates”. Começa a ser natural chegar sexta à noite sem nada combinado. Ou sem a pressão de combinar algo. Para marcar espaço.De súbito, tudo se torna simples. Os amigos deixam de dizer “podes trazer alguém” e dizem apenas “vem”. Começamos a sentir um imenso poder. O poder de saber que não dependemos de ninguém. Começamos a ver a beleza à nossa volta. O nosso humor torna-se mais acutilante. Deixamo-nos de merdas. Sentimo-nos disponíveis para o que de novo aí vier. Deixamos de depender do passado. Deixamos de estar à espera e passamos a ter esperança a sério.Podemos vestir sem receios aqueles boxer anti-sexy, mas tão confortáveis, sem receio de que não possamos estar à altura das circunstâncias, porque sabemos que não vai haver circunstâncias dessas.
Nesta quadra de presentes, o sozinho, mesmo sozinho foi o melhor que pude oferecer a mim mesmo. E sorrio, porque amanhã à noite terei a sorte de estar a admirar as iluminações de Natal nos Champs Elysées. Como o ano passado. Como em todos os últimos anos.
Falo do estado de “sozinho, mesmo sozinho”.Não me refiro ao estado “sozinho com pontas soltas”. Com coisas por resolver, que vão e vêm. Isso não é estar sozinho. É a pior coisa que há. Essas pontas dão-nos muito trabalho, a tentar atá-las ou desatá-las. Por ali nos consumimos, sem glória nem proveito duradouro. Ficamos focados na ponta e desfocados do que nos rodeia. Perdemos o bom que circula à nossa volta.
Acho que há cinco anos que não estava sozinho, mesmo sozinho. Tudo começa com uma decisão racional. E com um grito dado a nós mesmos. “Haja dignidade, pá !”, por exemplo. Dignidade para não magoar mais quem gostamos muito, mas não o suficiente. Ou dignidade para nos recusarmos a ser mais magoados por quem não gosta o suficiente de nós. Ou então, se for esse o caso, berramos “esta gaja é uma pulha. Não lhe vou perdoar mesmo”. Inscrevemos no nosso cérebro esse mal todo e com ele vacinamos o coração. Inicialmente custa estar sozinho, mesmo sozinho. Mas depois, aos poucos, vamos começando a saborear-nos. Há quanto tempo não nos saboreávamos, é a pergunta que surge à nossa frente. Deixamos de ter “dates”. Começa a ser natural chegar sexta à noite sem nada combinado. Ou sem a pressão de combinar algo. Para marcar espaço.De súbito, tudo se torna simples. Os amigos deixam de dizer “podes trazer alguém” e dizem apenas “vem”. Começamos a sentir um imenso poder. O poder de saber que não dependemos de ninguém. Começamos a ver a beleza à nossa volta. O nosso humor torna-se mais acutilante. Deixamo-nos de merdas. Sentimo-nos disponíveis para o que de novo aí vier. Deixamos de depender do passado. Deixamos de estar à espera e passamos a ter esperança a sério.Podemos vestir sem receios aqueles boxer anti-sexy, mas tão confortáveis, sem receio de que não possamos estar à altura das circunstâncias, porque sabemos que não vai haver circunstâncias dessas.
Nesta quadra de presentes, o sozinho, mesmo sozinho foi o melhor que pude oferecer a mim mesmo. E sorrio, porque amanhã à noite terei a sorte de estar a admirar as iluminações de Natal nos Champs Elysées. Como o ano passado. Como em todos os últimos anos.
no mirrors
com amigos assim quem precisa de inimigos?
se isto fosse uma coisa à séria e não esta treta entre quase famosos e opinion fuckers agora estava a montar uma banquinha de bilhetes com o reacça.
neste mini circo blogosférico nacional não passa de um drama de pacotilha.
de qualquer forma, aprendemos sempre qualquer coisa que já sabíamos quando se zangam as comadres: que alguns pedros não têm espinha dorsal e outros sim.
se isto fosse uma coisa à séria e não esta treta entre quase famosos e opinion fuckers agora estava a montar uma banquinha de bilhetes com o reacça.
neste mini circo blogosférico nacional não passa de um drama de pacotilha.
de qualquer forma, aprendemos sempre qualquer coisa que já sabíamos quando se zangam as comadres: que alguns pedros não têm espinha dorsal e outros sim.
charlotte
fosse a minha vida uma vida normal e, à semelhança do Siddharta, andasse em busca da verdade [ou de mim própria, ou do nirvana, ou de qualquer coisa assim do género], teria já vivido na mentira, tentado os caminhos opostos e chegado ao caminho do meio.
mas, por azar, quem escreveu o guião da minha vida não foi o Hermann Hesse mas sim o argumentista do Sex and the City numa bad trip.
por isso, com licença, que vou só ali fugir com um transexual convertido em padre da opus portador de cilícios em ambas as pernas e braços e que anda a monte por ter morto à facada o pai e a mãe por ter descoberto que o pai não era o pai mas sim a mãe e que a mãe não era a mãe mas sim o pai.
volto já.
mas, por azar, quem escreveu o guião da minha vida não foi o Hermann Hesse mas sim o argumentista do Sex and the City numa bad trip.
por isso, com licença, que vou só ali fugir com um transexual convertido em padre da opus portador de cilícios em ambas as pernas e braços e que anda a monte por ter morto à facada o pai e a mãe por ter descoberto que o pai não era o pai mas sim a mãe e que a mãe não era a mãe mas sim o pai.
volto já.
12.15.2009
12.14.2009
chat
os meus filhos sentados lado a lado no sofá cada um com o seu laptop ao colo, a insultarem-se um ao outro no chat do facebook. parece perfeito e silencioso. e seria, não fosse o "oh mãe, ele chamou-me jtupida no chat". agora penso que ele aprendeu a ler só para poder insultar a irmã [antes pensava que era para poder falar com o sensei no club pinguim].
[dis]claimer
não é por escrevermos no mesmo blog que eu e o meu co-autor partilhamos necessariamente a mesma opinião sobre os assuntos acerca do qual escrevemos.
isto vale para o post imediatamente abaixo [e para tantos outros].
isto vale para o post imediatamente abaixo [e para tantos outros].
12.13.2009
Um discurso sublime
O discurso de Obama em Oslo, na aceitação do prémio Nobel da Paz, é uma peça literária e política magnífica.
Moncler: pode a cimeira de Copenhaga salvá-los?

Depois do post anterior, sinto-me obrigado a escrever algo de mais optimista.
Pois bem: tenho plena confiança na cimeira de Copenhaga. Acredito que vai pôr fim ao aquecimento global. Acredito que vai continuar a fazer frio, como hoje.
E a prova disso é que decidi presentear-me com um anorak Moncler na quinta passada, em Paris.
Seriam uma das espécies não animais vítimas do aquecimento global. São anoraks tão quentes que deixariam de ser fabricados. Mas eu acredito que vou dar uso ao meu por muitos anos. A cimeira de Copenhaga vai ter êxito. Acredito.
12.12.2009
Vamos ganhar menos 10% para salvar o País?
A proposta constante deste post é claramente impopular, mas é o que penso há já uns anos.
Parto do pressuposto que estamos mesmo fritos.
Quando o governo pensava que tinha margem para manter níveis altos de despesa em 2010, com os TGVs e apoios vários, eis que as grandes agências de rating nos colocam sobre outlook negativo devido ao endividamento excessivo e ao défice.
Isso significa, trocando por miúdos, que ou há sinais claros nos próximos meses de que é possível cortar esse défice e endividamento, ou o rating da República é de facto reduzido, como aconteceu à Grécia, que está à beira de um ataque de nervos.
Uma diminuição do rating significa taxas de juro mais altas para todos e crescimento nulo. E o crescimento nulo gera mais desemprego e menos receitas fiscais. E consequentemente mais défice. Estamos presos por num círculo vicioso.
A situação é realmente grave. Não nos iludamos.
Há uma razão central para tudo isto: de 1994 a 2000 os rendimentos nominais dos portugueses cresceram demasiado à custa de despesa pública, subsídios comunitários e crescimento induzido do exterior, sem que se fizesse qualquer reforma estrutural que melhorasse o tecido produtivo.
A globalização que se intensificou a partir do ano 2000, com o crescimento da China, apanhou-nos na curva, com salários altos e uma economia antiquada.
Normalmente, a solução seria uma desvalorização forçada e brutal da moeda, para ajustar a economia. Mas não podemos porque estamos no euro.
Por isso, estamos condenados a uma estagnação prolongada, e até mesmo um declínio, se não aceitarmos todos um grande sacrifício: um ajustamento nominal.
Ou seja, aceitarmos uma redução de salários da ordem dos 10%, para adequar mais os salários ao nível da nossa real produtividade.
Isso seria brutal para muitos de nós, mas teria os seguintes efeitos de curto prazo:
a) reduziria a receita fiscal, é certo, mas a despesa do Estado em salários da função pública reduzir-se-ia também.
b) tornaria, num abrir e fechar de olhos, a nossa mão-de-obra mais competitiva, atraindo investimentos estrangeiros que vão para outras paragens.
c) permitiria uma redução dos custos dos nossos produtos, que poderiam ganhar mais facilmente mercados.
d) permitiria a criação mais barata de novas empresas e o reajustamento das que estão activas.
e) diminuiria o desemprego e, consequentemente, aumentaria o número de pessoas que pagam impostos, aumentando de novo a receita fiscal.
f) o rating da República, com a diminuição do défice, aumentaria e teríamos juros mais baixos.
g) em 4 ou 5 anos poderíamos assistir a uma recuperação dos salários e estaríamos, de forma sustentada, muito melhor do que agora.
É duro, de facto. Mas a vida fácil dos anos 90 do século passado já lá vai e temos de fazer alguma coisa para evitar cair no abismo.
12.11.2009
forever young
sei do dia em que me apercebi disto. passagem de ano de 1999 para 2000, ligeiramente depois da meia noite.
passei esse ano em Maastricht. à meia noite fomos à baixa da cidade, lembro-me que não nevava mas havia uma máquina que atirava neve para o meio da rua. nesse momento eu tinha 25 anos e o meu pai 49. então o meu pai ia comigo na rua e ao passarmos a máquina que atirava neve por uma janela eu disse uma coisa qualquer sobre a passagem do milénio e ele respondeu-me "sabia que este dia ía chegar. toda a minha vida esperei que este momento chegasse, a passagem do milénio. sabia que nesta altura já teria 49 anos, mas nunca pensei que me sentisse tal e qual como quando tinha 25".
foi nessa altura que percebi que a idade era a coisa mais ingrata do mundo, porque quando temos 15 achamos que aos 20 vamos ser mais velhos e sentir-nos de forma diferente, quando temos 20 achamos que vamos chegar aos 30 e ser outras pessoas e por aí em diante. e no entanto, pese embora o facto da idade ser aparente para todos à nossa volta, mesmo que os filhos dos amigos nos tratem por tia [foi o dia em que me senti mais velha do mundo, a primeira vez que isso aconteceu] e ainda que ninguém nos peça identificação à porta de uma discoteca, por dentro ainda temos 15.
pensamos da mesma maneira ansiamos pelas mesmas coisas e mesmo que alguns sonhos tenham já morrido foram certamente substituídos por outros que almejamos exactamente com a mesma veemência. mas nem por isso nos podemos portar como tal.
passei esse ano em Maastricht. à meia noite fomos à baixa da cidade, lembro-me que não nevava mas havia uma máquina que atirava neve para o meio da rua. nesse momento eu tinha 25 anos e o meu pai 49. então o meu pai ia comigo na rua e ao passarmos a máquina que atirava neve por uma janela eu disse uma coisa qualquer sobre a passagem do milénio e ele respondeu-me "sabia que este dia ía chegar. toda a minha vida esperei que este momento chegasse, a passagem do milénio. sabia que nesta altura já teria 49 anos, mas nunca pensei que me sentisse tal e qual como quando tinha 25".
foi nessa altura que percebi que a idade era a coisa mais ingrata do mundo, porque quando temos 15 achamos que aos 20 vamos ser mais velhos e sentir-nos de forma diferente, quando temos 20 achamos que vamos chegar aos 30 e ser outras pessoas e por aí em diante. e no entanto, pese embora o facto da idade ser aparente para todos à nossa volta, mesmo que os filhos dos amigos nos tratem por tia [foi o dia em que me senti mais velha do mundo, a primeira vez que isso aconteceu] e ainda que ninguém nos peça identificação à porta de uma discoteca, por dentro ainda temos 15.
pensamos da mesma maneira ansiamos pelas mesmas coisas e mesmo que alguns sonhos tenham já morrido foram certamente substituídos por outros que almejamos exactamente com a mesma veemência. mas nem por isso nos podemos portar como tal.
12.10.2009
real talk
- sabes, o meu filho está apaixonado. é tão comovente.
- diz-lhe que o amor é uma merda e que se vai foder mais tarde ou mais cedo.
- é lindo, ele.
- também não é assim tão lindo. é uma pessoa normal.
- por isso mesmo. as pessoas que andam para aí são todas horrorosas.
- mas agora conheci o homem da minha vida, não quero saber do outro.
- quem é, o homem da tua vida?
- aquele. pelo menos esta semana é. e a próxima. na seguinte não sei, logo se vê.
- diz-lhe que o amor é uma merda e que se vai foder mais tarde ou mais cedo.
- é lindo, ele.
- também não é assim tão lindo. é uma pessoa normal.
- por isso mesmo. as pessoas que andam para aí são todas horrorosas.
- mas agora conheci o homem da minha vida, não quero saber do outro.
- quem é, o homem da tua vida?
- aquele. pelo menos esta semana é. e a próxima. na seguinte não sei, logo se vê.
12.09.2009
small expectations
o problema está aí. nunca vou conseguir ser a gata borralheira/cinderela dos suburbanos, a menina que estudou no liceu de queluz [ou do barreiro] e que ao crescer vai a festas da caras, compra sapatos dourados na gardénia e pulseiras de plástico na marc jacobs. não consigo escrever lugares comuns [o homens são...as mulheres vão juntas à casa de banho porque...] desses que enchem páginas de romances e revistas que as pessoas querem ler. posso culpar a minha mãe, que acha brega a marca da roupa a aparecer, a MRP, a caras e os dourados? posso.
é que estas expectativas seriam normais das pessoas. e provavelmente tornar-me-iam numa pessoa normal.
é que estas expectativas seriam normais das pessoas. e provavelmente tornar-me-iam numa pessoa normal.
4 dias em Marrakech

Em Marrakech ainda pode sentir-se a tensão pela ira dos circunstantes na Medina, quando se fotografa indevidamente uma mulher tapada, sabendo-se que um “pardon, pardon!” resolve a coisa, de modo civilizado, sem mais consequências.
Em Marrakech ainda pode sentir-se a adrenalina de nos perdermos por ruas estreitas e labirínticas, tendo a certeza de que, inevitavelmente, alguém senhor de um perfeito francês nos ajudará a encontrar a saída.
Em Marrakech ainda pode conviver-se todo o dia, fora de portas, com a simplicidade de um modo de vida ancestral, por entre esconsas edificações de cor ocre e rosa, e à noite recolher ao conforto de sumptuosos palacetes transformados em hotéis e amenizados ao gosto europeu pela observância dos clichés da estética lounge.
Em Marrakech pode andar-se à noite, vestido para matar, no meio de ruas fétidas e mal iluminadas, em busca dos sofisticados restaurantes que servem as melhores pastillas e tagines, sem que os berberes andrajosos com que nos cruzamos pareçam reparar minimamente nisso.
Marrakech é uma cidade pacífica, de pessoas simples e simpáticas. Marrakech dá-nos a aventura e o exotismo suficientes para sacudir um pouco a nossa rotina sonolenta, sem os reais perigos de uma grande metrópole muçulmana.
12.08.2009
12.07.2009
note to self

daqui
a única coisa pior do que uma pessoa antipática é uma pessoa antipática a tentar ser simpática.
12.04.2009
the fountainhead
é provável que o PBD seja um belíssimo arquitecto e um fabuloso fotógrafo. mas só ele conseguiria descrever a minha cidade favorita como eu a sinto. explicar porque Paris, sendo odiosa e fabulosa, é a minha cidade preferida não é fácil. talvez tenha mais em comum com ela do que gosto de admitir [eu não sou uma pessoa simpática, lamento].
12.03.2009
12.02.2009
cigarrete break
não fumo mas tenho inveja das pessoas que fumam e descem as escadas para a pausa do cigarro, abrem a porta e mesmo que chova respiram o ar frio da rua misturado com o do cigarro.
como não tenho motivo para fazer pausas, a cada pequena contrariedade [e são tantas] fecho a janela e abro outra. a do reader. a do mail. a do face.
não fumo porque quando fumava doiam-me os pulmões como se estivessem a rebentar e para que não me rebentassem os pulmões [sempre achei que ia morrer assim, afogada em liquído dos pulmões] deixei de fumar.
há-de me rebentar o cérebro e quando isso acontecer estarei certamente aqui sentada, pedaços de crânio vão sair projectados a 12.000 rpm e furar o tecto e as secretárias das colegas de sala. pedaços de massa cinzenta sairão a alta velocidade em todas as direcções formando um ângulo de 360º à volta da minha cadeira e há-de vir o homem do CSI analisar o perímetro e ao ver o angulo de 360º há-de escrever no relatório "explosão cerebral espontânea" e há-de segredar ao colega "ao menos se tivesse feito umas pausas para fumar".
como não tenho motivo para fazer pausas, a cada pequena contrariedade [e são tantas] fecho a janela e abro outra. a do reader. a do mail. a do face.
não fumo porque quando fumava doiam-me os pulmões como se estivessem a rebentar e para que não me rebentassem os pulmões [sempre achei que ia morrer assim, afogada em liquído dos pulmões] deixei de fumar.
há-de me rebentar o cérebro e quando isso acontecer estarei certamente aqui sentada, pedaços de crânio vão sair projectados a 12.000 rpm e furar o tecto e as secretárias das colegas de sala. pedaços de massa cinzenta sairão a alta velocidade em todas as direcções formando um ângulo de 360º à volta da minha cadeira e há-de vir o homem do CSI analisar o perímetro e ao ver o angulo de 360º há-de escrever no relatório "explosão cerebral espontânea" e há-de segredar ao colega "ao menos se tivesse feito umas pausas para fumar".
11.29.2009
Pedro Mexia e a Cinemateca Portuguesa
Prólogo: Desculpa, querida Clara...
Pedro Mexia é uma das pessoas mais interessantes da geração dos trinta anos. É muito culto, polifacetado, muito inteligente, escreve muito bem, tem um humor sofisticadíssimo e um charme pessoal que lembra o de um cavalheiro inglês.
E consegue preservar-se. É raro o que diz ser posto em causa por quem quer que seja.
E é ainda director interino da Cinemateca, desde que João Bénard da Costa nos deixou.
Nessa qualidade escreveu o seguinte no website da Cinemateca, sobre a instituição que dirige:
"A Cinemateca deixou de ser um edifício administrativo com um cinema ao pé da porta. Agora é, toda ela, dos espaços subterrâneos aos espaços das cúpulas, um pórtico. Falta abrir a última das sete portas dele e continuar o percurso para o Museu com que sonhamos.
Quando esse Museu existir, o tempo da imagem e o espaço do imaginário confluirão no perpétuo movimento do começo e do retorno".
Creio que se trata de um overstatement literário de Pedro Mexia.
A Cinemateca é um espaço muito agradável e tem um acervo magnífico de filmes, mas é tudo menos um pórtico, na perspectiva do comum cinéfilo, que faça outras coisas além de gostar de cinema, como por exemplo trabalhar.
Não falo apenas de uma programação talvez desordenada e discutível, que isso é subjectivo. Falo de coisas simples, objectivas que qualquer um entende.
Depois de gabar a uma amiga o excelente "Unconquered", de Cecil B. de Mille, com Gary Cooper, descobri que passava na Cinemateca este Novembro. Feliz fiquei por poder partilhar com ela o filme.
Azar. Consulto o programa e passa às 15,30 no dia 4, quarta-feira.
Ela é banqueira de investimento, mas podia ser funcionária numa repartição, designer, whatever. Não dá para ir a essa hora. E o filme não repete.
"E que passa ao fim do dia? Se for às 19h já posso", diz-me ela.
Num horário mais acessível a todos deve haver um filme igualmente apelativo, pensei. Consulto o programa. Às 19h passa "El Crimen de la Pirindola", de 1965, Espanha. El Crimen de quê? Pode ser bom, penso com os meus botões, mas nunca ouvi falar. Até percebo de cinema, mas nunca tinha mesmo ouvido falar. Mas porque será que não puseram a Pirindola às 15,30 e o Unconquered às 19h?
Não desistamos. Descubro que no dia 6, pelas 21,30 passa o magnífico "Guess who's coming to dinner", de Stanley Kramer, e convido a minha amiga. A essa hora já dá. Perfeito. Vejo o horário da bilheteira.
A bilheteira funciona num horário limitadíssimo, entre as 14,30 e as 15,30 e as 18,00 e as 22.
E não se pode comprar bilhetes pela Internet. Incrível. Na época da Web 2.0, a Cinemateca ainda continua a vender bilhetes com os métodos usados aquando das estreias dos filmes que projecta.
Eu e a minha amiga trabalhamos perto do Marquês, mas não dá para ir comprar bilhetes às 14,30. Ela já está em frente aos monitores das cotações a essa hora. Combinamos um encontro às 19,30, junto à bilheteira. Compramos bilhetes e vamos picar qualquer coisa ao novo Luca, digo eu, meio satisfeito por lhe ter feito um sibilino convite para jantar. Jantar e filme. Um date completo.
Azar outra vez. Os bilhetes já tinham esgotado entre as 14,30 e as 15,30. E a Cinemateca está cheia de americanos que vivem em Lisboa. Pudera, com este filme... Filme que não repete. Não temos outra oportunidade para o ver.
Gostava tanto, mas tanto, que a enorme energia criativa de Pedro Mexia se pudesse também focar também nestas coisas , como direi, comezinhas. Bilheteira electrónica, horários mais acessíveis e repetição de filmes que se prevê poderem esgotar não é nenhuma coisa que se encontre no Faust de Goethe, mas é tão importante para as pessoas que utilizam instituições públicas como a Cinemateca....
(advertência final: os casos contados são imaginados a partir do estudo da programação de Novembro, mas tive experiências reais deste tipo mais de uma vez)
Pedro Mexia é uma das pessoas mais interessantes da geração dos trinta anos. É muito culto, polifacetado, muito inteligente, escreve muito bem, tem um humor sofisticadíssimo e um charme pessoal que lembra o de um cavalheiro inglês.
E consegue preservar-se. É raro o que diz ser posto em causa por quem quer que seja.
E é ainda director interino da Cinemateca, desde que João Bénard da Costa nos deixou.
Nessa qualidade escreveu o seguinte no website da Cinemateca, sobre a instituição que dirige:
"A Cinemateca deixou de ser um edifício administrativo com um cinema ao pé da porta. Agora é, toda ela, dos espaços subterrâneos aos espaços das cúpulas, um pórtico. Falta abrir a última das sete portas dele e continuar o percurso para o Museu com que sonhamos.
Quando esse Museu existir, o tempo da imagem e o espaço do imaginário confluirão no perpétuo movimento do começo e do retorno".
Creio que se trata de um overstatement literário de Pedro Mexia.
A Cinemateca é um espaço muito agradável e tem um acervo magnífico de filmes, mas é tudo menos um pórtico, na perspectiva do comum cinéfilo, que faça outras coisas além de gostar de cinema, como por exemplo trabalhar.
Não falo apenas de uma programação talvez desordenada e discutível, que isso é subjectivo. Falo de coisas simples, objectivas que qualquer um entende.
Depois de gabar a uma amiga o excelente "Unconquered", de Cecil B. de Mille, com Gary Cooper, descobri que passava na Cinemateca este Novembro. Feliz fiquei por poder partilhar com ela o filme.
Azar. Consulto o programa e passa às 15,30 no dia 4, quarta-feira.
Ela é banqueira de investimento, mas podia ser funcionária numa repartição, designer, whatever. Não dá para ir a essa hora. E o filme não repete.
"E que passa ao fim do dia? Se for às 19h já posso", diz-me ela.
Num horário mais acessível a todos deve haver um filme igualmente apelativo, pensei. Consulto o programa. Às 19h passa "El Crimen de la Pirindola", de 1965, Espanha. El Crimen de quê? Pode ser bom, penso com os meus botões, mas nunca ouvi falar. Até percebo de cinema, mas nunca tinha mesmo ouvido falar. Mas porque será que não puseram a Pirindola às 15,30 e o Unconquered às 19h?
Não desistamos. Descubro que no dia 6, pelas 21,30 passa o magnífico "Guess who's coming to dinner", de Stanley Kramer, e convido a minha amiga. A essa hora já dá. Perfeito. Vejo o horário da bilheteira.
A bilheteira funciona num horário limitadíssimo, entre as 14,30 e as 15,30 e as 18,00 e as 22.
E não se pode comprar bilhetes pela Internet. Incrível. Na época da Web 2.0, a Cinemateca ainda continua a vender bilhetes com os métodos usados aquando das estreias dos filmes que projecta.
Eu e a minha amiga trabalhamos perto do Marquês, mas não dá para ir comprar bilhetes às 14,30. Ela já está em frente aos monitores das cotações a essa hora. Combinamos um encontro às 19,30, junto à bilheteira. Compramos bilhetes e vamos picar qualquer coisa ao novo Luca, digo eu, meio satisfeito por lhe ter feito um sibilino convite para jantar. Jantar e filme. Um date completo.
Azar outra vez. Os bilhetes já tinham esgotado entre as 14,30 e as 15,30. E a Cinemateca está cheia de americanos que vivem em Lisboa. Pudera, com este filme... Filme que não repete. Não temos outra oportunidade para o ver.
Gostava tanto, mas tanto, que a enorme energia criativa de Pedro Mexia se pudesse também focar também nestas coisas , como direi, comezinhas. Bilheteira electrónica, horários mais acessíveis e repetição de filmes que se prevê poderem esgotar não é nenhuma coisa que se encontre no Faust de Goethe, mas é tão importante para as pessoas que utilizam instituições públicas como a Cinemateca....
(advertência final: os casos contados são imaginados a partir do estudo da programação de Novembro, mas tive experiências reais deste tipo mais de uma vez)
O Dubai aqui tão perto.

Já estive para ir ao Dubai, uma das sete cidades-estado que compõem os Emirados Árabes Unidos. Mas a ideia acabou por não me entusiasmar.
Qual era o objectivo? Sol e praia.
O Dubai praticamente não tem petróleo. Os rendimentos das actividades em torno do ouro negro representam apenas 2% do PNB. O resto vem de uma intensa actividade imobiliária, turismo e investimentos financeiros. O Dubai é uma praça livre para a actividade financeira e para o comércio, através do tão divulgado DIFC (Dubai International Financial Center), para a direcção do qual foram contratados especialistas europeus de renome.
O Dubai acalentava sonhos de expansão megalómanos no imobiliário e no turismo.
Naquele pedacinho de areia, sob um sol inclemente, projectam-se ilhas artificiais, em forma de palmeira. Constroem-se torres arrojadas que glosam as alturas de Manhatan. Constroem-se enormes pistas de ski indoor.
Em suma, desafia-se a ordem divina. Estende-se a terra para o ar e mar, traz-se a neve ao deserto. Planta-se finança em terra das tâmaras. Planeia-se um concentrado de mundo num espaço mínimo. Uma cidade global, diziam os dirigentes locais.
E como? Da mesma forma de sempre. Faz-se isso com o dinheiro de todos nós. Sim, com o dinheiro do mundo. Com títulos de dívida espalhados por todo o sistema financeiro. Mais pela Ásia e Inglaterra, eventualmente.
Os empréstimos obrigacionistas das empresas do Dubai atingem o valor colossal de oitenta mil milhões de dólares.
Menos, é claro, do que os seiscentos e treze mil milhões do Lehman Brothers no momento do seu ocaso, o ano passado, mas muito, muito para a dimensão do Dubai.
E pronto. A bolha estoirou, porque o imobiliário caiu dramaticamente. A Dubai World, há três dias, anunciou uma moratória unilateral no pagamento da sua colossal dívida. Pago mais tarde, lá para Maio, disse. Todos esperavam a massa em 14 de Dezembro, antes do Natal.
Nem tão cedo a confiança será reposta e as palmeiras poderão continuar a crescer em paz, agora livres do perigo de substituição por imitações de Alpes ou de pirâmides Maias.
Mais uma lição para todos nós. Há pequenos, médios e grandes Dubai espalhados pela Europa, do Algarve à Grécia. Empreendimentos turísticos megalómanos, financiados com dívida, tantas vezes numa modalidade chamada project finance (que se caracteriza por colocar o risco do lado dos financiadores), crescem por todo o lado junto ao mar, violando as regras elementare do bom-gosto e apresentando uma sustentabilidade financeira muito discutível.
É só olhar à nossa volta.
11.27.2009
mentally challenged
Then have him write you a novel while he’s at it.
não me entendam mal, eu gosto daquilo que faço. pelo menos, a maior parte do tempo. a outra parte do tempo é aquela que a minha entidade patronal chama "um desafio".
pense nisto como um desafio, e a pessoa já sabe que vai passar 5 dias a fazer uma coisa e depois 10 a refazer a coisa porque a pessoa que devia ter fornecido os conteúdos não esteve para isso e chamou "um desafio" ao facto de eu ter de fazer o trabalho dela.
para a próxima trocamos, se eu tenho de fazer os conteúdos, a pessoa tem de se sentar aqui e com os programas de desenho [de merda aliás] que me forneceu faz a forma.
vamos pensar na coisa como "um desafio" para ela.
não me entendam mal, eu gosto daquilo que faço. pelo menos, a maior parte do tempo. a outra parte do tempo é aquela que a minha entidade patronal chama "um desafio".
pense nisto como um desafio, e a pessoa já sabe que vai passar 5 dias a fazer uma coisa e depois 10 a refazer a coisa porque a pessoa que devia ter fornecido os conteúdos não esteve para isso e chamou "um desafio" ao facto de eu ter de fazer o trabalho dela.
para a próxima trocamos, se eu tenho de fazer os conteúdos, a pessoa tem de se sentar aqui e com os programas de desenho [de merda aliás] que me forneceu faz a forma.
vamos pensar na coisa como "um desafio" para ela.
11.26.2009
private post II

na sequência deste post, vejo-me desafiada a escrever mal do blog do rui. eu gosto de desafios mas alguns revelam-se particularmente difíceis, para não dizer impossíveis. não posso apontar nada ao blog, a estética é irrepreensível, o rui escreve para caraças [posso dizer isto aqui?] mas demora demasiado tempo entre posts, escreve cada vez menos e isso não me parece nada bem. nem que fosse postar umas fotozinhas de vez em quando, só para encher [truque que eu praticamente nunca utilizei].
a foto é dele e lembra-me incontornavelmente o jack.
secrets
mãe, eu conto os meus segredos todos todos todos à Madalena.
aos 5 anos está lá tudo, da maneira certa, limpa, clara, sem qualquer dos enrodilhanços que vamos passar o resto da vida a fazer. não podemos [todos] voltar aos 5?
[o meu filho apaixonado aos 5 é tão comovente].
aos 5 anos está lá tudo, da maneira certa, limpa, clara, sem qualquer dos enrodilhanços que vamos passar o resto da vida a fazer. não podemos [todos] voltar aos 5?
[o meu filho apaixonado aos 5 é tão comovente].
11.25.2009
hot summer*

hoje o meu cabelo está totalmente Daria. pena que o resto nem por isso.
*[já tinha dito que nasci no Verão Quente?]
hot summer

nasci no Verão Quente. acreditasse eu que a data de nascimento está de alguma forma ligada à personalidade que viremos a desenvolver e seria eu agora uma pessoa apaixonada na defesa das minhas causas, caótica, em auto gestão e seria provável que plantasse algumas ocasionais bombas em sedes inimigas. não é de todo o caso, sou uma pessoa que não tem causas, nem inimigos e cujo único objectivo de vida é que a deixem em paz.
por alguma curiosidade histórica gostaria que os poucos meses que mediaram o meu nascimento e o dia que hoje completa 34 anos me permitissem devolver algumas memórias da data. não é o caso. à laia de compensação o meu pai garante-me que me levou ao colo a uma cooperativa de qualquer coisa.
11.24.2009
11.23.2009
E pensamos em quê, quando o avião "borrega"?
Hoje, segunda-feira. Voo TAP das 8.00 da manhã para Bruxelas. O comandante avisa que há chuva e vento forte à chegada. Já sei o que isso significa. Bananal, como dizem os marítimos no Algarve.
Estou estoirado e ainda só são 8 da manhã. A reunião é muito importante e mal dormi a pensar em tudo. O amanhecer em Lisboa está lindo, mas sobre o o Tejo há uma neblina espessa. Nunca tinha visto nada assim do ar. A cidade perfeitamente visível e o Tejo rigorosamente recortado por neblina. Belo.
Os céus do Norte da Europa estão diferentes. Escuridão e nuvens tétricas. O avião abana por todos os lados. O "approach" à pista falha. Quase com as rodas na pista, o avião dança violenta e desajeitadamente, como um pézudo. O piloto põe os motores a fundo e levanta voo. O avião parece um folha de papel ao vento. Há credos em todas as filas. O piloto anuncia que vai tentar outra a aterragem. Tentar?Antes tem de conseguir subir.
E pensamos em quê nessa altura?
Alguns puxam dos telemóveis, talvez a pensar num derradeiro sms.
Pelo meu lado, talvez gostasse de pensar na minha filha, mas não tenho. Ou na minha namorada. Mas não tenho.
Em que pensei quando o avião borregou? Pensei no trollei de couro que habita no hall do apartamento, sempre preparado para mais um viagem. E na roupa, arrumadinha, espalhada por todos os roupeiros do T3 -um pouco original monumento ao celibato. E perguntei se vale a pena. Já com os pés em terra, no táxi a caminho do escritório, sob um dilúvio como não me lembro em Bruxelas, concluí que sim. Mas que é possível fazer algumas afinações. There gonna be some changes. No próximo fim de semana livre vou vagar um roupeiro. É um gesto de boa-fé para com terceiros.
Estou estoirado e ainda só são 8 da manhã. A reunião é muito importante e mal dormi a pensar em tudo. O amanhecer em Lisboa está lindo, mas sobre o o Tejo há uma neblina espessa. Nunca tinha visto nada assim do ar. A cidade perfeitamente visível e o Tejo rigorosamente recortado por neblina. Belo.
Os céus do Norte da Europa estão diferentes. Escuridão e nuvens tétricas. O avião abana por todos os lados. O "approach" à pista falha. Quase com as rodas na pista, o avião dança violenta e desajeitadamente, como um pézudo. O piloto põe os motores a fundo e levanta voo. O avião parece um folha de papel ao vento. Há credos em todas as filas. O piloto anuncia que vai tentar outra a aterragem. Tentar?Antes tem de conseguir subir.
E pensamos em quê nessa altura?
Alguns puxam dos telemóveis, talvez a pensar num derradeiro sms.
Pelo meu lado, talvez gostasse de pensar na minha filha, mas não tenho. Ou na minha namorada. Mas não tenho.
Em que pensei quando o avião borregou? Pensei no trollei de couro que habita no hall do apartamento, sempre preparado para mais um viagem. E na roupa, arrumadinha, espalhada por todos os roupeiros do T3 -um pouco original monumento ao celibato. E perguntei se vale a pena. Já com os pés em terra, no táxi a caminho do escritório, sob um dilúvio como não me lembro em Bruxelas, concluí que sim. Mas que é possível fazer algumas afinações. There gonna be some changes. No próximo fim de semana livre vou vagar um roupeiro. É um gesto de boa-fé para com terceiros.
love is
chorar muito porque a rapariga de quem gostamos se foi embora sem se despedir e nem viu a nossa pintura facial.
olhar para um osso de dinossauro fossilizado e dizer "isto é muito muito muito interessante".
[aos 5 anos o amor existe, aos 10 já está revestido por uma série de distracções e não se distingue bem, aos 34 está tão tristemente ligado aos momentos que vimos em filmes que o melhor é nem ir por aí].
olhar para um osso de dinossauro fossilizado e dizer "isto é muito muito muito interessante".
[aos 5 anos o amor existe, aos 10 já está revestido por uma série de distracções e não se distingue bem, aos 34 está tão tristemente ligado aos momentos que vimos em filmes que o melhor é nem ir por aí].
11.22.2009
Ich bin ein Eltviller
4 dias em Eltville parecem 4 semanas.A mesma rotina. Acordar bem cedo no quarto da espécie de residência universitária despojada. Não há televisão. Apenas mobiliário de pinho tipo quarto de crianças do IKEA. Funcionalidade. Olhar para o mítico e wagneriano Reno. Pequeno almoço frugal de pão escuro, fruta e queijo. Trabalhar. Passear pela cidade de casinhas independentes e jardins, com o travejamento de madeira pintada à vista, tão tipicamente alemãs. Um estilo imutável do século XVI ao século XIX. Apartamentos? Nada, ou pouco. E pouca iluminação nocturna. Céu vibrantemente estrelado. Muito comboio. Muitos Renault, Volkswagen, Toyotas e Opel. Muito comboio. Poucos Mercedes, BMW ou Audi, que isso é mais em Lisboa. Muitas lojinhas. Muitas. Poucos supermercados modernos. Não encontrei sequer recargas Gilette e a pele da minha cara, mal habituada, devolveu-me uns cortes jeitosos à passagem das lâminas Prinz, ou Prince (nunca tinha ouvido falar). O tempo parece parado. Há muito silêncio. As sonoras e francas gargalhadas das minhas colegas italianas tornam-se assim muito mais presentes. Correr no passeio junto ao Reno e cruzar-me com pessoas que passeiam vagarosamente os seus pastores alemães. Muitos pastores alemães, de focinho grave e calmo. Viajo, muito, ao ponto de estar muito cansado de estar sempre a partir, ou se calhar sempre a chegar, mas desde ontem trago Eltville no coração. Pronto, o café é mau.
11.21.2009
nobody gets me
11.20.2009
O Nome da Rosa
(Um post que evita o mais possivel as palavras sem acentos devido ao teclado alemao).
Ontem tive uma noite magica. Ou melhor, tivemos. Eu e a Mara, a Anna Maria, o Marc, o David, a Nicole, o Bob, o Horst, a Emanuela e a Anne-Sophie.
Estivemos no mosteiro de Eberbach.
O local onde Sean Connery disse nunca ter sentido tanto frio, quando protagonizou a adaptacao ao cinema d'"O Nome da Rosa".
A historia passa-se num mosteiro em Italia mas foi Eberbach, ao pe de Eltville, na Alemanha, o escolhido para acolher as cenas do filme.
Nao ha palavras para descrever uma visita a Eberbach numa noite gelada. Uma beleza despojada, simples, mas absoluta. Uma beleza impiedosa, que exigia rigor e provacoes sem fim aos monges beneditinos que lhe fizeram votos de fidelidade. Mas que lhes protegia as enormes pipas de Riesling sob os magnificos arcos romanicos e goticos. E que testemunhava a qualidade do vinho, cobrindo as paredes de manchas de fungos vinicolas, ainda hoje tao presentes.
Percorrer aquele mosteiro a noite, com um copo de vinho na mao, por entre luz palida e sombras, numa visita so para nos, e inesquecivel. Ha dias tao bons....
Ontem tive uma noite magica. Ou melhor, tivemos. Eu e a Mara, a Anna Maria, o Marc, o David, a Nicole, o Bob, o Horst, a Emanuela e a Anne-Sophie.
Estivemos no mosteiro de Eberbach.
O local onde Sean Connery disse nunca ter sentido tanto frio, quando protagonizou a adaptacao ao cinema d'"O Nome da Rosa".
A historia passa-se num mosteiro em Italia mas foi Eberbach, ao pe de Eltville, na Alemanha, o escolhido para acolher as cenas do filme.
Nao ha palavras para descrever uma visita a Eberbach numa noite gelada. Uma beleza despojada, simples, mas absoluta. Uma beleza impiedosa, que exigia rigor e provacoes sem fim aos monges beneditinos que lhe fizeram votos de fidelidade. Mas que lhes protegia as enormes pipas de Riesling sob os magnificos arcos romanicos e goticos. E que testemunhava a qualidade do vinho, cobrindo as paredes de manchas de fungos vinicolas, ainda hoje tao presentes.
Percorrer aquele mosteiro a noite, com um copo de vinho na mao, por entre luz palida e sombras, numa visita so para nos, e inesquecivel. Ha dias tao bons....
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