1.28.2010

iPad

expliquem-me por favor para que serve isto [para além de ser giro e de ir dar cabo de umas boas centenas de publicações em papel].
levam-no para a praia para ler o vosso próximo livro? andam com ele no metro para trocar mails? metem-no no bolso do casaco para aceder ao facebook na esplanada?

1.27.2010

designers are meant to be loved not to be understood



[as sete regras do design]

não gosto especialmente de autocolantes de parede, mas estes são lindos [mais aqui].

♥ is

de manhã vejo-lhe os bolsos, há desenhos, há sempre desenhos. procuro os corações mas não há corações, há riscos negros. a namoradinha de 5 anos quer que ele morra. pergunto-lhe porquê e ele explica que por vezes quer brincar com outras pessoas e ela se irrita imenso porque assume que ele tem de estar à disposição dela. quanto mais ela grita e faz birras, mais tempo demoro a ir ter com ela.

não faço ideia se estas crianças vêem muitas novelas [há desenhos animados que são autênticas novelas] ou se tudo isto é genético e se vai perpetuar ao longo de toda a vida nas várias relações que terão. mas gostava que fosse objecto de estudo.

1.26.2010

I already forgot how I used to feel about you

quem me conhece sabe que eu não primo pela excelente memória. sou incapaz de fixar nomes, títulos de livros e de filmes e tudo ao qual não possa associar um registo fotográfico [porque só consigo fixar imagens, o que significa que nunca esqueço uma cara e nunca me lembro de um nome]. também me esqueço de muitas coisas que aconteceram, passado uns dias. isto é tão bom, acho mesmo que [sendo um defeito] é a qualidade que mais aprecio em mim. vi este filme há uns tempos, é fabuloso. sei que alguém me recomendou e acho que foi uma pessoa que me é querida mas não me consigo lembrar quem foi. mesmo.

vanishing point



via

isto é tão tão bom.

1.25.2010

if

se um blog não servir para mais nada, há-de servir para olharmos para as nossas palavras atrás e fazer um balanço ou vários.

um ano e dois meses após este post tudo está igual na minha vida. tudo. até a camisola que tenho vestida é a mesma da foto.

excepto que nesse dia eu ainda acreditava que daí a um ano e dois meses tudo estaria diferente.

1.21.2010

♥ is

esconder-se na casinha de madeira onde os adultos quase nunca vão para dar beijinhos à namorada. aos 4 anos.

drop



daqui

1.19.2010

grid



ainda do post abaixo, um dos exemplos que é apresentado como usando a grelha e mantendo a fluidez de design é este poster de 1955 do Josef Müller-Brockmann, que vi ao vivo nesta exposição. lindo.

designers

[quantos designers terei a ler-me, se algum?]

quantos de vocês usam a grelha?

thing



daqui


não que eu goste de o admitir, mas há uma probabilidade bastante grande de eu ser tão frágil como vocês todos.

cinnamon

é a minha palavra inglesa favorita. e no entanto detesto-lhe o sabor.

mirror blog

eu às vezes tenho medo de escrever. eu às vezes tenho medo de não ter nada de interessante para dizer. eu às vezes não quero que as pessoas percebam que a minha vida não é nada de especial. eu às vezes não quero dizer absolutamente nada.

eu cada vez leio menos e vejo mais imagens.

[estive a fazer a limpeza do greader].

1.18.2010

prophet

em criança era frequentemente assolado por pesadelos. sonhava com carros que se despistavam na estrada decepando cabeças, com pontes que caiam, com enxurradas que viravam cheias e deixavam crianças e adultos sem casa, vogando entre telhados em jangadas improvisadas feitas de portas arrancadas pelo temporal. isto todas as noites, de tal maneira que começou a arranjar maneiras de não dormir à noite, cabeceando nas aulas o dia todo. a preocupação dos pais transformou-se no medicamento receitado pelo médico que o fazia dormir sem sonhos. de nada servia porém, mal se distraía durante o dia, apareciam de novo diante dos olhos imagens horrendas, corpos de bebés enterrados em escombros, pessoas torturadas, gritando sem som, naquilo que ele assumia como premonições [nunca o saberia].
foi só quando na escola entrou no clube de fotografia, onde aprendeu a tirar e a revelar fotografias analógicas, que os flashes de imagens começaram a escassear até desaparecerem por completo. parecia ter-se livrado dessa terrível maldição que o consumia.
até o dia em que, sozinho no estúdio, às escuras e com as mãos mergulhadas em ácido, ao revelar o seu primeiro rolo analógico, as descobriu lá todas, impressas em papel fotográfico.

1.15.2010

these days



daqui

em dias como hoje em que tudo o que sinto é desmotivação não vontade cansaço frio desespero cinzento apetecia-me um escritório assim, que fosse um prolongamento de casa e onde eu trabalharia sozinha, sem qualquer tipo de ruído à volta que não fosse música criteriosamente escolhida por mim [jazz, podia ser]. eu ía produzir tanto, mas tanto.

1.14.2010

home



daqui

preciso de uma casa grande. preciso de uma casa gira. preciso de coisas novas para a casa. preciso de uma casa nova.

1.13.2010

those who live by the sword

a minha filha não me acha bonita mas acha-me inteligente. a minha filha não se acha inteligente mas acha-se bonita*. a minha filha acha o irmão bonito e inteligente.
recorro ao irmão: a mãe é gira ou não?
- a mãe é linda! - responde sem hesitar.
- a mãe ensinou-o a dizer às raparigas que são lindas quando elas perguntam se são.

[caraças, pois foi, tinha-me esquecido completamente disso].

*pese embora o fardo que carrega há anos do igualzinha a si.

1.12.2010

PG 18 III

linka-me.

PG 18 II

faz-me um post.

PG 18

comenta-me mais abaixo.

the hole

nessa altura, em que tudo é tortuoso, voam pontos de interrogação por todos os lados e são como as moscas no verão que é preciso enxotar com as costas da mão. porquê o que fiz de mal disse coisas a mais não fiz o que era necessário sou eu e se tivesse ligado. tudo é lixo e as moscas-ponto-de-interrogação fazem-lhe razias sem tréguas. tudo é lixo e sabemo-lo bem, são resíduos recicláveis que se agarram à pele. demoram às vezes dias às vezes anos a desaparecer, transformados em bases para outros copos, capas para livros diferentes, lentes para óculos de graduação menor. durante esse tempo, em que transportamos connosco esse lixo insuportável rodeado por moscas, poucas coisas desviam a nossa atenção do desejo de o largar para sempre, o telhado de casa foi arrancado, chumbámos no exame, perdemos o emprego, o nosso melhor amigo está na merda mas tudo o que o nosso cérebro debita é em que é que eu errei. times of wonder, meus amigos. o pior é quando já nada existe e somos ainda assim obrigados a sobreviver sem algo que nos atormente. sobra o aborrecimento infinito. e o glee, vá, que até é engraçado.

life's boring

não duvidemos que a vida é aborrecida. a vida é assim mesmo, feita de um número infinito de pequenos momentos maçadores que não ficarão para a História. se assim não fosse não existiriam livros restaurantes discotecas revistas cinemas séries de televisão redes sociais jornais. precisamos de coisas para nos esquecermos que a vida é chata. está a chover imenso. quantas conversas hoje já rodaram sobre este facto, até agora? eu não tenho nada a dizer e vocês também não. seca.

1.10.2010

A náusea.

É uma espécie de enjoo. De repulsa.
Por qualquer razão, de súbito começamos a reparar melhor em coisas, situações e relações a que parecíamos estar habituados ou a que éramos indiferentes, e sentimos uma vertigem.
Ficamos com uma hipersensibilidade à falta de qualidade de tantas coisas que nos rodeiam.
Reparamos que temos lama nas solas e quem nem batendo com força os pés no chão ela salta.
Pode ser a esplanada na bela da beira-rio, que nos apresenta um menú desgraçado.
Filetes de corvina no forno com natas. Corvina mal descongelada, com natas. Aqui à beira rio?
Tudo com natas. Parece que deram ao Diabo uma concessão no Paraíso. Porquê? É de direito natural que estes marmanjos explorem esta coisa neste sítio tão bonito? Porque é que ninguém os corre daqui? Enjoo, enjoo.
Pode ser a nossa amiga de quem o namorado faz gato-sapato. Ouvimo-la mil vezes, damos-lhe o mesmo conselho e ela volta ao mesmo. Porquê? Não tem amor-próprio? Coluna vertebral? Mais não, please. Não venhas outra vez com essa conversa. Enjoo. Náusea.
Aquela sensação, tão habitual, de que se vive sempre num contínuo desenrascanço, a fazer tudo em cima do joelho, de que ninguém pára para pensar, torna-se insuportável.
Nesse estado de hipersensibilidade, olhamos tudo ao microscópio. Deixamos a vista desarmada de lado. Passamos a achar que tudo precisa de ser pasteurizado.
Passa a ser perigoso abrir o jornal.
Mesmo em países que nos pareciam, pronto, civilizados começamos a sentir qualquer coisa de fétidozinho no ar. Olhem para o que se passa em Inglaterra, com a falta de qualidade da política. Pior do que a nossa.
Não há nada de novo. Isto sempre foi assim. Pode estar pior, mas sempre foi assim. Só que, ao acordarmos do estado catatónico, ao sacudirmos o torpor, revela-se toda a nossa impotência.
É esse a fonte da náusea. A nossa impotência para mudar as coisas num ápice. As mudanças são feitas devagarinho. Com avanços e recuos. Agora recua-se.
Percebemos o significado profundo de sermos assim mesmo. É a mancha humana, como dizia o outro. E não gostamos. Mas depois passa. Olhamos para umas coisas mesmo bem feitas, temos umas alegrias colectivas e passa. É uma espécie de doença bipolar social, que se apoderou da psique europeia.

1.08.2010

friday fever



[nunca achei piadinha nenhuma a metrossexuais, deve ser defeito meu].

1.07.2010

acceptance

aceitar aceitar aceitar aceitar aceitar aceitar aceitar

[novo mantra, em repeat infinito]

e pronto, é isto.

revolutions



arrastei os meus filhos [o "arrastar" aqui não foi literal, na verdade apenas lhes menti dizendo que íamos ao Starbucks e - oh que coincidência, o CCB é mesmo aqui ao lado] para esta exposição no domingo, que era o último dia. houve protestos, claro, e com alguma razão, a verdade é que a exposição não era grande coisa [pode ser impressão minha mas as exposições da experimenta são uma verdadeira porcaria sempre, o que há-de deixar a noção de "gratuito" e "experimental" inevitavelmente agarrada a coisas desinteressantes]. isto para dizer que apesar de não ser fabulosamente gira, a ideia de fundo era mostrar o design gráfico antes do computador, e sobretudo deixar a noção que nós [na era pós computador] não temos de todo: que quando surgiram os programas gráficos, a sensação que os designers tiveram foi a de quase omnipotência. deve ter sido tão bom que por um instante os invejei, da mesma forma que invejo as pessoas que viveram o 25 de Abril.

1.06.2010

conservative

é verdade que me confessei conservadora mas não é verdade que o seja. torço para que o referendo sobre o CPMS não se realize, torço para que todas as leis sobre este assunto sejam aprovadas, adopção incluída, não porque "os paneleiros são pessoas, coitadinhas, que têm o direito aos mesmos direitos dos outros" como diz a esquerdalha moralista e paternalista de minorias, mas porque as pessoas vão viver a vida como quiserem e quem sou eu [nós] para lhes dizer que sim podem casar ou não não podem casar e criar crianças?

1.05.2010

forget

esqueço-me muitas vezes, demasiadas vezes, que já não é um bebé mas sim um homem em miniatura. um homem que fala muitas vezes em casamento e em bebés. pede-me por favor para ter um bebé. mas a mãe não tem um marido, não pode ter bebés. então, casas com o pai. mas o pai e a mãe já foram casados, não vão voltar a ser. então casas comigo. mas as mães não podem casar com os filhos. mas eu sou o teu homem. és o meu bebé. não sou bebé, eu vou casar com a madalena. a mana pode ter um namorado? depois ela casava aos 10 anos e deixava-me em paz!

sim, ainda sou eu que o visto de manhã, mas pelo menos tornei-o um conservador do piorio. em alguma coisa acertei, ufa.

1.02.2010

novo ano, template novo.

1.01.2010

Um sorriso

Fiz a marginal de regresso a casa na primeira manhã do ano. Eram quase oito horas. Duas festas. A segunda acaba por fazer descarrilar os horários. Nem acredito que me deitei tão tarde.
Fiz a marginal com um sorriso estampado no rosto. A cópia possível de um sorriso lindo que gravei na memória. Um sorriso lindo que, de súbito, iluminou uma cara sem nada de especial com que me cruzei durante a noite, e que não conhecia. Umas palavras de circunstância, também nada de especial, mas que desvendarem um sorriso que era todo ele um caloroso abraço. Se calhar não o volto a ver. Os sorrisos fugazes não trazem números de telefone acoplados. E eu já não me esforço muito por estas coisas.
Antes de reparar o desvario com um sono trocado, ainda abro o FT online.
Está lá, em destaque, a história de Mina, uma iraniana de 36 anos que, nestes dias, se prepara para a morte sempre que sai à rua, em protesto contra o regime tirânico sob o qual vive.
Mina escreve o nome e morada num pedaço de papel, para que o seu corpo possa ser identificado, caso ocorra o desfecho fatídico.
Imagino que Mina possa sorrir de forma tão luminosa como a que vi esta noite, sempre que, após tais preparativos, regresse a casa a salvo, no fim de mais um dia empolgante nas ruas de Teerão.
O drama de Mina é a falta de liberdade, contra a qual dá de penhor a sua vida.
Ao pé deste, os nossos dramas são do tamanho de formiguinhas. A conta para pagar, a avaria do carro, o emprego mortiço, o défice que nos estrangula, um governo que não governa, um país adiado.
Mina não põe as coisas desta maneira mas, no fundo, luta pelo direito a ter só os nossos pequenos dramas. Ter liberdade significa, antes de tudo, não precisar já de verter sangue e lágrimas para a conquistar. E poder então sorrir ou chorar só por coisas mais simples e pequenas.

12.30.2009

old year

quase parece um crime contra a humanidade dizer isto mas o meu 2009 foi muito bom. e estou segura que o 2010 será melhor ainda, a margem de progressão é grande e tudo se encaminha de forma espectacular.
não se preocupem, é tudo questão de gestão de expectativas. para o final deste ano não me faltou dinheiro para pagar as contas e tenho uma pessoa maravilhosa [a minha mãezinha fofinha] que me vai buscar e às vezes levar os filhos à escola. o meu carro não se avariou [muito] e os quilos que engordei ainda não me impossibilitam de comprar roupa em lojas de tamanhos normais.
no meio de tudo isto, ganhei dois amigos fabulosos.

happy new year.

12.28.2009

new year

talvez ainda seja cedo para balanços mas é agora que os faço, nem que seja por medo que a inspiração me venha a falhar posteriormente como é costume nestas coisas com data marcada. para além disso, dou ao meu parceiro de blog a oportunidade de fazer o balanço dele, se tal lhe aprouver, e será [como de costume] bastante mais erudito e interessante do que o meu:

blog do ano: Sete sombras
blogger do ano (XY): Pedro Lomba
blogger do ano (XX): Sofia Vieira ex aequo Lady oh my Dog
post do ano: por acaso gosto mais das bravo-esmolfe
banda sonora do ano: The XX
filme do ano: 500 days of summer [ah mas nem estreou cá...temos pena, é sacar da net como toda a gente]
livro do ano: triologia Millenium [são três, ah pois é, mas "triologia do ano" não ficava nada bem]
acontecimento do ano: o meu filho que aprendeu a ler sozinho [este é o MEU balanço]
vista do ano: esplanada do silk

12.21.2009

Publi-felicidade

Beira-mar. Fim de um dia de sol. Salta um Labrador da traseira de uma carrinha Volvo e corre na direcção de duas crianças lindas. Salta mais e mais. As crianças abraçam-no, por entre risos de alegria. O pai apeia-se do banco do condutor. É moreno, bronzeado e muito bem parecido. Anda pelos 30 anos. Veste um consensual pólo e blusão de cabedal curto. Tem um olhar sólido, fixo na cena das crianças e do cão. A mãe junta-se-lhe. É louríssima, como uma das crianças. Magra e muito fininha. Mãos arranjadas. Sandálias simples e de bom gosto. Mãe e pai juntam-se às crianças. O Labrador salta e late à volta de todos, recortando o sol alaranjado que já enche o horizonte.

O que é isto? É a publicidade a um PPR. É a publi-felicidade.

Uma família. Tudo giro. Um cão a condizer. Uma carrinha.
Harmonia. E um PPR que protege aquela felicidade toda, como um anjo da guarda.O estereotipo vendido pela publi-felicidade corresponde ao ideal de muitos. Senão não seria eficaz. E são muitos os que replicam o modelo do pai perscrutador de horizontes, do cão saltador e da carrinha nas suas vidas.Pode dar-se o caso de o pai ser um filho da ** do pior e da magia já ter regressado à terra do Mago Merlin há anos. Mas a louríssima mãe tolera tudo. Umas vezes enfastiada. Outras esperançada. “Por causa dos filhos”. Por causa dos filhos? Não. Por causa de uma imagem. Porque aos domingos, mesmo que a semana tenha sido miserável, sobe ao palco a pequena encenação da publi-felicidade. No teatro de um restaurante. Quem sabe, de uma esplanada à beira-mar. Oxalá o Volvo não parta o turbo no regresso. O meu às vezes dava chatices. Porque raio temos de parecer todos felizes? E dizer que estamos sempre bem, sempre óptimos, quando nos perguntam? Por recato, em alguns casos. Mas porque a publi-felicidade se arvorou em ideal social, em muitos outros casos. E se uma pessoa se revela menos feliz, macambúzia, pensativa, preocupada, sei lá, ai, cuidado, coitada, pode estar deprimida. Que horror. E agora? No emprego, deprimida? Sair connosco, deprimida? Pode não se rir das piadas idiotas do Carlos. Já não há harmonia no nosso jantar. Ai Jesus. Que diabo, a felicidade não é uma linha recta.

whole in one

mais importante do que estar sozinho ou acompanhado é estar inteiro.
para sempre, até daqui a uma semana, até daqui a dez anos, inteiro.

[não gosto do amor gritado, exibido, declarado nas ruas para estranhos ouvirem, publicitado, escrito em cartazes, anunciado, fotografado. acima de tudo faz-me impressão o amor que é fabricado para completar alguma lacuna]

12.19.2009

same sex

claro que um homossexual pode adoptar uma criança. basta que não seja casado com outro.

[os meus parabéns ao PS, criar este tipo de oxímoros não está ao alcance de todos].

12.17.2009

richter

ainda mais vantagens de viver sozinho: é verdade que a cidade tremeu mas eu estava a dormir e ninguém para me acordar "olha, está a acontecer um tremor de terra neste momento" [e li vários testemunhos de pessoas a quem aconteceu isto].

[para o martim]

12.16.2009

Sozinho, mesmo sozinho

O estado de “sozinho” pode gerar um misto de encantamento e embriaguez.

Falo do estado de “sozinho, mesmo sozinho”.Não me refiro ao estado “sozinho com pontas soltas”. Com coisas por resolver, que vão e vêm. Isso não é estar sozinho. É a pior coisa que há. Essas pontas dão-nos muito trabalho, a tentar atá-las ou desatá-las. Por ali nos consumimos, sem glória nem proveito duradouro. Ficamos focados na ponta e desfocados do que nos rodeia. Perdemos o bom que circula à nossa volta.

Acho que há cinco anos que não estava sozinho, mesmo sozinho. Tudo começa com uma decisão racional. E com um grito dado a nós mesmos. “Haja dignidade, pá !”, por exemplo. Dignidade para não magoar mais quem gostamos muito, mas não o suficiente. Ou dignidade para nos recusarmos a ser mais magoados por quem não gosta o suficiente de nós. Ou então, se for esse o caso, berramos “esta gaja é uma pulha. Não lhe vou perdoar mesmo”. Inscrevemos no nosso cérebro esse mal todo e com ele vacinamos o coração. Inicialmente custa estar sozinho, mesmo sozinho. Mas depois, aos poucos, vamos começando a saborear-nos. Há quanto tempo não nos saboreávamos, é a pergunta que surge à nossa frente. Deixamos de ter “dates”. Começa a ser natural chegar sexta à noite sem nada combinado. Ou sem a pressão de combinar algo. Para marcar espaço.De súbito, tudo se torna simples. Os amigos deixam de dizer “podes trazer alguém” e dizem apenas “vem”. Começamos a sentir um imenso poder. O poder de saber que não dependemos de ninguém. Começamos a ver a beleza à nossa volta. O nosso humor torna-se mais acutilante. Deixamo-nos de merdas. Sentimo-nos disponíveis para o que de novo aí vier. Deixamos de depender do passado. Deixamos de estar à espera e passamos a ter esperança a sério.Podemos vestir sem receios aqueles boxer anti-sexy, mas tão confortáveis, sem receio de que não possamos estar à altura das circunstâncias, porque sabemos que não vai haver circunstâncias dessas.

Nesta quadra de presentes, o sozinho, mesmo sozinho foi o melhor que pude oferecer a mim mesmo. E sorrio, porque amanhã à noite terei a sorte de estar a admirar as iluminações de Natal nos Champs Elysées. Como o ano passado. Como em todos os últimos anos.

Para a Clara, um beijinho

Só porque me apetece muito.

no mirrors

com amigos assim quem precisa de inimigos?

se isto fosse uma coisa à séria e não esta treta entre quase famosos e opinion fuckers agora estava a montar uma banquinha de bilhetes com o reacça.

neste mini circo blogosférico nacional não passa de um drama de pacotilha.

de qualquer forma, aprendemos sempre qualquer coisa que já sabíamos quando se zangam as comadres: que alguns pedros não têm espinha dorsal e outros sim.

charlotte

fosse a minha vida uma vida normal e, à semelhança do Siddharta, andasse em busca da verdade [ou de mim própria, ou do nirvana, ou de qualquer coisa assim do género], teria já vivido na mentira, tentado os caminhos opostos e chegado ao caminho do meio.
mas, por azar, quem escreveu o guião da minha vida não foi o Hermann Hesse mas sim o argumentista do Sex and the City numa bad trip.
por isso, com licença, que vou só ali fugir com um transexual convertido em padre da opus portador de cilícios em ambas as pernas e braços e que anda a monte por ter morto à facada o pai e a mãe por ter descoberto que o pai não era o pai mas sim a mãe e que a mãe não era a mãe mas sim o pai.
volto já.

12.15.2009

tale of escape



[ou eu, aqui]

sid

ao Buda faltava-lhe a verdade por ter sido criado dentro de uma mentira, mas por não lhe faltar casa comida riqueza saúde dinheiro educação, o primeiro sitio onde a procurou foi na religião asceta, onde não existia nenhuma destas coisas. nem a verdade.
sigamos portanto, até ao caminho do meio.

12.14.2009

our heroes don’t overdose on heroin at 27 II



Parabéns [102 anos, hoje].

chat

os meus filhos sentados lado a lado no sofá cada um com o seu laptop ao colo, a insultarem-se um ao outro no chat do facebook. parece perfeito e silencioso. e seria, não fosse o "oh mãe, ele chamou-me jtupida no chat". agora penso que ele aprendeu a ler só para poder insultar a irmã [antes pensava que era para poder falar com o sensei no club pinguim].

[dis]claimer

não é por escrevermos no mesmo blog que eu e o meu co-autor partilhamos necessariamente a mesma opinião sobre os assuntos acerca do qual escrevemos.
isto vale para o post imediatamente abaixo [e para tantos outros].

12.13.2009

Um discurso sublime

O discurso de Obama em Oslo, na aceitação do prémio Nobel da Paz, é uma peça literária e política magnífica.

Moncler: pode a cimeira de Copenhaga salvá-los?




















Depois do post anterior, sinto-me obrigado a escrever algo de mais optimista.
Pois bem: tenho plena confiança na cimeira de Copenhaga. Acredito que vai pôr fim ao aquecimento global. Acredito que vai continuar a fazer frio, como hoje.
E a prova disso é que decidi presentear-me com um anorak Moncler na quinta passada, em Paris.
Seriam uma das espécies não animais vítimas do aquecimento global. São anoraks tão quentes que deixariam de ser fabricados. Mas eu acredito que vou dar uso ao meu por muitos anos. A cimeira de Copenhaga vai ter êxito. Acredito.

12.12.2009

Vamos ganhar menos 10% para salvar o País?

A proposta constante deste post é claramente impopular, mas é o que penso há já uns anos.
Parto do pressuposto que estamos mesmo fritos.
Quando o governo pensava que tinha margem para manter níveis altos de despesa em 2010, com os TGVs e apoios vários, eis que as grandes agências de rating nos colocam sobre outlook negativo devido ao endividamento excessivo e ao défice.
Isso significa, trocando por miúdos, que ou há sinais claros nos próximos meses de que é possível cortar esse défice e endividamento, ou o rating da República é de facto reduzido, como aconteceu à Grécia, que está à beira de um ataque de nervos.
Uma diminuição do rating significa taxas de juro mais altas para todos e crescimento nulo. E o crescimento nulo gera mais desemprego e menos receitas fiscais. E consequentemente mais défice. Estamos presos por num círculo vicioso.
A situação é realmente grave. Não nos iludamos.
Há uma razão central para tudo isto: de 1994 a 2000 os rendimentos nominais dos portugueses cresceram demasiado à custa de despesa pública, subsídios comunitários e crescimento induzido do exterior, sem que se fizesse qualquer reforma estrutural que melhorasse o tecido produtivo.
A globalização que se intensificou a partir do ano 2000, com o crescimento da China, apanhou-nos na curva, com salários altos e uma economia antiquada.
Normalmente, a solução seria uma desvalorização forçada e brutal da moeda, para ajustar a economia. Mas não podemos porque estamos no euro.
Por isso, estamos condenados a uma estagnação prolongada, e até mesmo um declínio, se não aceitarmos todos um grande sacrifício: um ajustamento nominal.
Ou seja, aceitarmos uma redução de salários da ordem dos 10%, para adequar mais os salários ao nível da nossa real produtividade.
Isso seria brutal para muitos de nós, mas teria os seguintes efeitos de curto prazo:
a) reduziria a receita fiscal, é certo, mas a despesa do Estado em salários da função pública reduzir-se-ia também.
b) tornaria, num abrir e fechar de olhos, a nossa mão-de-obra mais competitiva, atraindo investimentos estrangeiros que vão para outras paragens.
c) permitiria uma redução dos custos dos nossos produtos, que poderiam ganhar mais facilmente mercados.
d) permitiria a criação mais barata de novas empresas e o reajustamento das que estão activas.
e) diminuiria o desemprego e, consequentemente, aumentaria o número de pessoas que pagam impostos, aumentando de novo a receita fiscal.
f) o rating da República, com a diminuição do défice, aumentaria e teríamos juros mais baixos.
g) em 4 ou 5 anos poderíamos assistir a uma recuperação dos salários e estaríamos, de forma sustentada, muito melhor do que agora.

É duro, de facto. Mas a vida fácil dos anos 90 do século passado já lá vai e temos de fazer alguma coisa para evitar cair no abismo.


pessoas com extremo bom gosto