4.30.2010

one day



daqui

um dia gostava que entendessem que para criar muito é preciso ver muito, absorver muito, viajar muito, dormir muito. e que, oh meus queridos, sem ovinhos não há omeletes.

forget it



daqui


tive uma semana particularmente dura desde a última sexta-feira, entre amigos que deixaram de me falar e novidades-não-assim-tão-boas relacionadas com trabalho e muita muita falta de paciência-tempo-sono. às vezes, de puro cansaço mental penso que a única coisa a fazer é desistir, não pensar mais nisso e pronto, desistir e deitar-me na cama a dormir. outras vezes nem por isso.
come back stronger. não por algum significado esotérico a vida está-me a fazer coisas para eu ficar uma pessoa ainda mais espectacular* mas apenas porque sim, é mesmo assim. há dias bons e maus e mais ou menos.

*como se isso fosse possível.

4.29.2010

list

para o caso de terem assumido que a lista abaixo corresponde de alguma forma ao meu gosto pessoal, devo já dizer que não.
não ligo nenhuma à altura de um homem, nem à sua criatividade, nem ao sorriso discreto, nem a muitas outras coisas. há no entanto duas ou três coisas que não conseguiria tolerar mesmo [por muito que me esforçasse], em homem nenhum [não vou falar de falta de educação e cultura porque isso são básicos como ter os dentes todos e tomar banho]: escrever ou dizer a palavra "lol" e usar emoticons. qualquer outro tipo de expressões efeminadas também são [para mim] um deal-breaker absoluto.

me

tenho inveja das pessoas que sabem falar francês

tenho mais inveja das pessoas que sabem falar alemão

todos os dias rejeito comentários a anunciar fotos de celebridades nuas

descobri que escrever bem não torna uma pessoa necessariamente interessante

tenho dois colegas de trabalho que se acham artistas de circo o que me obriga a trabalhar o dia todo de phones com o som no máximo

tenho a mania que entendo tudo o que está por trás daquilo que alguns bloggers escrevem e na grande maioria das vezes estou enganada

detesto conduzir na cidade e adoro em autoestrada [desde que não sejam viagens de mais de 2 horas]

quando percorria a A1 de uma ponta à outra combatia o tédio e a angústia fazendo percentuais de quilómetros percorridos/a percorrer e médias de velocidade

gosto do david bowie mais do que de qualquer outro artista

concertos aborrecem-me

tenho três homens que me avisam de quando tenho erros ortográficos ou gramaticais no blog, o que muito agradeço

sou capaz de discorrer horas sobre assuntos acerca dos quais não percebo nada [como economia, por exemplo] e convencer quem me estiver a ouvir que sei imenso sobre isso o que faria de mim muito boa política caso não tivesse sido educada no horror ao engano e mentira

[entre outras merdinhas tão desinteressantes como esta].

I know

eu sei quem é o pipoco. mas não conto a ninguém.

4.28.2010

so simple

ainda dizem que as mulheres são complicadas, total injustiça. à pergunta da kitty quais os vossos maiores atiça-interesse num homem? [atiça-interesse é uma não-palavra fabulosa], as respostas resumidas:

sorriso discreto
bom conversador
que tenha gestos masculinos
que não hesite
másculo mas que não seja bronco
cabecinha no lugar e não ache aos 25 anos que ainda pode ser jogador de futebol
sorriso e olhar misteriosos
alto
educado
que saiba falar
inteligente
trabalhador mas valorize a vida pessoal
que tenha amigos e interesses próprios que não futebol e playstation
que faça desporto
que saiba cozinhar
ego suficientemente grande para não precisar flirtar com qualquer rabo de saia para se sentir o maior
culto
bom gosto musical
criativo
dinâmico
arrojado
empreendedor de forma realista e que alcance efectivamente o sucesso
aventureiro
independente
que tenha PINTA...resmas dela
personalidade forte e atitude
ligeiramente arrogante
corpo levemente musculado
sentido de humor
perspicaz e inteligente
que cheire bem mesmo depois de ter corrido 30 min
pele morena
discreto
firme mas delicado
bom sentido de orientação
mãos grandes
que escreva muito bem

poderia ser mais simples?

we don't need no education

Daqui a dez anos os meninos que têm agora doze anos vão querer entrar no mercado de trabalho. Um mercado onde não haverá PTs, nem RENs, nem GALPs, nem institutos públicos, nem administração pública, nem subsídios de emprego, nem rendimentos mínimos, nem empréstimos ao consumo, que os valha

Esses meninos estão agora, hoje, numa escola onde não se chumba, não se exige, não premeia e não ensina.


[Inês Teotónio Pereira em grande, como sempre].

bring it on

Da vida... não fales nela,
quando o ritmo pressentes.
Não fales nela que a mentes.

Se os teus olhos se demoram
em coisas que nada são,
se os pensamentos se enfloram
em torno delas e não
em torno de não saber
da vida... Não fales nela.

Quanto saibas de viver
nesse olhar se te congela.
E só a dança é que dança,
quando o ritmo pressentes.

Se, firme, o ritmo avança,
é dócil a vida, e mansa...
Não fales nela, que a mentes.


[Jorge de Sena]

today

deve haver um meio termo mas eu não o conheço. as pessoas tolerantes são violadas e as pessoas intolerantes violam. têm menos amigos. ou talvez até nenhum. mas pelo menos não são estupradas todos os dias.

4.27.2010

too bad



daqui

um amigo meu que nunca falha disse-me um dia nós já temos tão pouco tempo para nós e para as pessoas de quem gostamos que não faz sentido nenhum gastá-lo com coisas que não interessam assim tanto. essa é a nossa vida de adultos. pouco tempo. pouca paciência para coisas que não interessam assim tanto. vejo isso bem na minha filha pré adolescente, nos 200 contactos a quem envia sms diariamente para dizer "estou a passar agora no eixo-norte sul" ou coisas do género. tem tempo para o fazer porque não tem de ser ela a conduzir, tem intervalos nas aulas, tem dias em que não tem aulas metade do dia. eu não tenho tempo. se considerar isso bem, é uma sorte. estar espartilhada em cada minuto do meu dia faz com que não me possa perder em pensamentos desviantes e tenha, obrigatoriamente, que seguir o meu caminho. tudo o que há a fazer é decidir quais são as coisas que não interessam assim tanto. e isso é particularmente difícil porque há tantas coisas que não interessam e estão cobertas de brilhantes cor de rosa flashing em letras enormes choose me.

make no mistake



daqui

um amigo a sério não é o que fica ao nosso lado quando estamos mal.
é o que está lá independentemente do nosso estado.

hate it

concursos em geral
os cupcakes da moda
pessoas que se acham o máximo por escreverem duas linhas seguidas
o alvaláxia
as praias da linha
dores de dentes
melissas
os vestidos da h&m de verão com flores
que me comentem sem dizer quem são [se conhecer quem comenta]
updates virais do facebook
não conseguir dormir em condições

[estou num hate mood e detesto].

4.26.2010

day to day

nunca é demais lembrar esta minha história bastante antiga. e que este rapaz da minha história era [de cara] igualzinho ao Rui Pedro Soares. coincidências.
andei no Liceu Rainha D. Leonor, para o caso de se interrogarem.

4.25.2010

for no reason II



os únicos homens que acho interessantes são os que têm gestos de homem. e a quem os fatos armani assentam como uma luva. como o clive.

4.23.2010

love will fly you to the moon and back

mas. make no mistake. love é coisa para se encontrar uma vez na vida. duas, se forem pessoas extremamente sortudas.

walk in my shoes

há muito tempo que não jogava a inverter papeis e tinha-me esquecido como era divertido. agora eu sou a mãe e vocês os pais. o puto já tem capacidade para jogar o que facilita a entropia [caraças, consegui escrever esta palavra num post] - ele é o pai, ela a mãe e eu a filha - mas torna-me um pouco esquizofrénica porque tenho de simular ao mesmo tempo que tenho 6 e 11 anos com as atitudes correspondentes. ou seja, variar entre o quê? ah tá bem, não me mace, a mãe está sempre a maçar com a conversa dos comportamentos e já me carregou o telemóvel? e o o que é o jantar? ah, carne não gosto, quero chocolates e chupas.
ao fim de 5 minutos ela já não aguenta ser mãe é cansativo, mãe, estou farta mas ele ainda delira com a brincadeira [de acordo com o feitio dele, tenta satisfazer todos os meus caprichos infantis mas sendo responsável como um pai - tarefa impossível na vida real e só possível para ele porque imaginou uns brócolos com sabor a rebuçado]. mas o melhor de tudo é verificar como se comportam e discutem como um casal. e de como ele, sem saber como a tratar se fosse casado com ela lhe chamou "amor". presumo que tenha visto nalguma novela.

4.22.2010

if I lay here

há dias que se levam e outros que nos levam a nós. hoje não tenho vontades deixei de me poder dar ao luxo de ter vontades porque isso é o que acontece às pessoas que vivem presas em prisões mesmo que não pareça. há quem diga que o ser humano tem uma capacidade de adaptação extraordinária e então não entendo porque não me adapto à minha prisão, a viver presa durante o dia e carcereira durante a noite [mas ainda assim presa] porque não deixo de querer milagres [como poder escolher o filme que quero ver e queria ver este] de querer fugir abandonar tudo em troca de absolutamente nada de certo que não fosse poder escolher. admiro muito quem vive presa sem lenitivos mas não é de todo o caso.

4.21.2010



encomendei e recebi este caderninho tão lindo da Planeta Tangerina. quando o viu, ainda por estrear com montanhas de folhas brancas novinhas mesmo a pedir para serem riscadas, a minha filha pediu-mo. como sou uma mãe brutalmente espectacular e tenho um problema grave em emitir a palavra "não", dei-lho pedindo em troca que fizesse pelo menos um desenho por dia nele. não fez. hoje o caderninho vem devolvido à precedência. ainda intocado, espera-se.

all you need



daqui

4.20.2010

trend



daqui

"It took me four years to paint like Raphael, but a lifetime to paint like a child" [Picasso]

o difícil hoje é fazer design como se não tivéssemos computadores na ponta dos dedos. o difícil antes era fazer design sem copy paste undo redo fill cut.

4.19.2010

but then


Todos temos um pouco de bipolaridade.


se isto for verdade então eu sou uma pessoa quase normal. uma designer. eis duas coisas que não afirmo ser em frente a ninguém. de vergonha, claro.

shine on

não faço o portfolio porque estou com o computador avariado e porque estou demasiado cansada e ocupada com o day job. não mudo de casa porque agora não encontro aquilo que quero/preciso. eu quero mudar mas agora estou demasiado cansada para mudar. ou então demasiado preguiçosa. preciso de ser obrigada a mudar e ainda assim posso não conseguir mudar.

a esperança sonho fé acreditar felicidade são pedras metalizadas de tons diferentes que usamos ao pescoço. vendem-se aqui.

4.15.2010

not me

nem sempre o que escrevo é verdade. ou por outra, é verdade quando o escrevo mas as verdades não são imutáveis, transformam-se sempre mal desviamos os olhos, de repente aquela verdade já não passa de uma treta qualquer que inventámos para desculpar uma coisa que nem sequer existe. isto para dizer que não, não é verdade que as coisas não possam ser resolvidas escrevendo falando gritando vivendo e mesmo rindo beijando insistindo ou seja de que maneira for. como tudo na vida, algumas sim e outras não. mas foi por não acreditar nesta verdade que cheguei aqui. o que é muito mau. e ao mesmo tempo tão bom.

a line is a dot that went for a walk*

eu hoje precisava de ouvir uma única frase, quatro palavras, dezasseis caracteres que ninguém me vai dizer. por isso é melhor que a repita em mantra até ser verdade.

*Paul Klee

no excuse

aquelas coisas que passamos a vida [eu passo] a desculpar tolerar suportar por obrigação mas coitadinhos uma infância triste sozinhos divorciados sem amigos com problemas financeiros filhos para criar uma vida triste encalacrada entre dois enclaves da IC19 sem vir à tona para respirar. aquelas coisas de que tenho pena coitados sabendo que pena é o pior sentimento que se pode ter por alguém, desejando-o e provocando com o único propósito, porque pena é rasteiro e é o que temos por um cão que exibe as chagas pela rua ou por um bêbado que cai à porta da igreja fazendo um lenho na testa que jorra sangue sem parar coitadinhos.
é apenas isto. nada de pena. apenas nada.

4.13.2010

kiss

- mãe gostas de mim como amigo ou como namorado?

[hoje é dia mundial do beijo].

4.12.2010

she

a minha filha é tão diferente de mim que adora fontes caligráficas, ilustração e fotografia. a minha filha é tão diferente de mim que tenho amigos que ao perguntarem por ela perguntam o teu clone como está?
as duas em frente ao espelho, olha como vais ser aos 34 [que horror] espero que sejas tão feliz como eu sou mas sem passares pelas mesmas coisas.

draw



daqui


toda a gente que me lê sabe que tenho a [ligeira] obsessão por fotografias. mas nem todos ainda sabem que também sou fascinadinha pela ilustração infantil.

4.09.2010

things

bikinis gelado de baunilha com molho de chocolate e amêndoas a exposição da joana de vasconcelos o cheiro do meu filho quando sai da praia as conquilhas da ilha de tavira em tabuleiros de metal o sol a bater nos olhos a meio da tarde o livro da magnum os bilhetes da minha filha escondidos na minha almofada gosto muito de si mas não seja má para mim o teu perfume o meu blog linkado num blog de que gosto muito gin tónico o primeiro mergulho do ano sexta feira ao fim da tarde o filme da pippa lee um comentário simpático deixarem-nos passar à frente mesmo quando nos enganámos na faixa havaianas uma sms que diz vai correr tudo bem a carne assada da minha mãe.

4.08.2010

that



daqui

tenho a casa toda a cheirar a ti. sei que cheira no sofá.

entendo bem que as pessoas tenham medo. percebo que não queiram sofrer envolver-se entregar-se ter compromissos maçadas falta de tempo para elas próprias.

ao início era no sofá depois na cama e de repente já estava por todo o quarto, o teu cheiro.

sei como é, a mim também não me apetece ter trabalho pôr na ordem mudar lençóis fazer jantar não poder ir ao cinema só porque sim.

depois já nem era no quarto mas sim na rua, nos meus cabelos, na minha roupa e entendi [mais uma vez] que sim, sou eu que o carrego, ao teu cheiro.


também gosto do silêncio quando chego a casa, de poder decidir o que quero comer ou se não quero comer de todo onde vou quando a que horas chego se quero ficar a trabalhar até mais tarde ou ir às compras no fim do dia.

que fazer eu este tempo todo à espera de não o carregar correr para não ser apanhada de fugir correr sempre mais rápido e andar mais à frente até ser tarde demais tarde demais e entrar em negação não é nada disso. mas. entendi assim que para mim era a casa a vida cheia de gente. deixar de me importar com quantas pessoas cabem ou não cabem se está bem mal é igual da mesma forma ou dimensão. parar. sentar-me à porta. numa cadeira estofada com um encosto com a forma da minha cabeça. fechar os olhos sob o sol ardente do meio dia que me cega. chamá-los. chamar-vos. virem todos. ou os que vierem. e ficar assim. para sempre.

dos cheiros nunca nos esquecemos.

4.07.2010

4.06.2010



daqui


gostava de ter uma casa toda branca. quartos brancos, sala branca, cozinha branca. tudo branco. não aguentava viver mais do que dois dias seguidos num espaço assim mas, em teoria, é perfeito. acho que a maior parte das coisas que quero para mim são assim, perfeitas em teoria e concretizá-las seria estragar. é melhor que seja só quase lá. ou completamente diferente. as coisas-surpresa são sempre fabulosamente melhores.

[também quero muito um espelho veneziano].

4.05.2010

pearls



daqui

vacation

estou de "férias" [assim mesmo com aspas] e só sinto sono e cansaço [não posso dormir nem descansar sob pena de perder o meu tempo de férias, que são 3 dias inteirinhos].
não, também não consigo escrever nada. mas já posto aqui o melhor cartoon do mundo.

3.31.2010

sleep



daqui


insónias = 50
clara = 7

3.30.2010

for no reason



[e agora precisava de razões para postar aqui um rapazinho assim mais ou menos como o david gandy?]

be

algures na vida, teria os meus 13 ou 14 anos, e pensei que seria escritora um dia. eu e a minha amiga a escrevermos contos em cadernos que comprávamos especialmente para o efeito. seríamos escritoras, pois claro, que nem a falta de talento nem de histórias nos travariam. ela não sei mas eu queria ser o António Lobo Antunes. eu queria escrever como o António, sendo que apenas um livro dele consegui acabar de ler na vida inteira [o auto dos danados], mas mais do que isso, na minha mente eu já era o António, partilhávamos as depressões e eu também sonhava passear-me no meio de loucos com um frasco de comprimidos na mão - aí eu seria normal, deixaria de ter os tormentos dentro da cabeça que tinha, se curasse os outros a minha cabeça seria livre de porcariazinhas.
obviamente nunca lá cheguei, nem à psiquiatria nem à escrita, nem um livro do António Lobo Antunes consigo ler até ao fim e já nem os começo, deprimida já eu estou, obrigadinha.

as coisas são o que são e as pessoas como as coisas também são o que são. há distracções, claro, e isso é bom porque por uns momentos conseguimos esquecer só um bocadinho que as coisas são o que são e que as pessoas são o que são, a maioria das vezes tão longe daquilo que queremos que sejam, e assim é que leio as crónicas do António Lobo Antunes e continuo a pensar "o maior escritor do mundo" mas sem inveja, sem querer sê-lo, sem qualquer outro objectivo que não seja o prazer de ler aquele alinhamento de palavras e de [por uns momentos] esquecer-me que sou o que sou.

3.29.2010

wanna be my rebound guy?

[da série mensagens que nunca teria coragem de enviar mas tenho pena].

3.28.2010

love

diz a sofia que o amor quando é bom não há muito a escrever sobre ele. a sofia diz e eu acredito. até provas em contrário, há que acreditar nas pessoas que já têm experiência nos assuntos*.

mas quando é mau, também não vale muito a pena escrever sobre o assunto. escrever não resolve. viver não resolve. gritar não resolve. conversar não resolve. a única coisa que resolve é não o carregar connosco.

*[o que não implica que de alguma forma o queira comprovar].

3.25.2010

O galo de Barcelos e a águia teutónica










O gráfico de baixo mostra a queda do índice bolsista português, ontem, por volta das 10h, quando o rating português foi cortado pela Agência Fitch.
O gráfico de cima mostra a queda do índice da gigantesca bolsa alemã, ontem, por volta das 10h, quando o rating português foi cortado pela Agência Fitch.
Quedas iguais, do ponto de vista percentual; valores astronómicos de perdas na bolsa alemã, em termos absolutos.
Os gráficos falam por si. A Alemanha depois recuperou um pouco mais do que nós. Mas a queda abissal das 10h mostra como um sismo com epicentro em Portugal pode causar estragos monstruosos na poderosa Alemanha.
Que todos se lembrem disto hoje em Bruxelas quando discutirem a ajuda à Grécia.

friendship

Bem sei que isto não passará de um mera banalidade, mas são momentos gratificantes na vida de duas mulheres, voluntariamente dispostas a serem mal atendidas numa das clássicas pastelarias da zona, felizes por calcorrear a calçada sem outras aspirações que não sejam montras, música, e conversa, muita conversa que não acaba nunca. É verdade que a felicidade não é nenhum direito ou dever, mas nas nossas histórias acaba sempre por existir alguma ficção.

há dias em que questiono tudo tudo a felicidade o emprego a vida as minha escolhas o dinheiro a casa a minha maneira de ser o que digo as mensagens que mando o que escrevo a maneira como falo os sítios onde vou. há dias em que questiono quase tudo porque os meus amigos nunca questiono. são os melhores. do mundo.

3.23.2010

Os homens são difíceis de manter

Há excepções, claro. Mas as mulheres são mais difíceis de conquistar. É preciso empregar muitas forças, terrestres navais e aéreas. Tem de se fazer um grande desembarque. Se calhar não basta o dia D. Tem de se esgotar todas as letras do alfabeto.
Vencidas as defesas, pode deixar-se um pequeno regimento de guarda. Tem de se estar bem armado, claro, por causa de alguns focos de insurgentes. Mas não é preciso um arsenal apocalíptico.
Os homens são fáceis de conquistar. Basta uma surtida rápida de um pequeno mas esforçado pelotão de comandos para garantir a vitória. Da incursão à rendição vai um ápice. Bandeiras brancas por todo o lado. Fazem-se progressos no terreno a olhos vistos. Mas depois a resistência organiza-se no breu. Pela calada. É precisa mandar mais tropas. Mobilizar reservistas. Os homens são difíceis de manter.
Nestes casos, é preciso ser-se implacável face à resistência. Eliminar os seus chefes. Decapitá-la sem piedade. Antes que seja tarde. Senão a resistência ganha tanta força que o conflito transforma-se numa guerra de trincheiras. Fica-se preso ao terreno. Não se avança nem se recua. Fica-se separado por alguns metros de arame farpado. Canta-se e dança-se nos momentos de trégua, mas ninguém sai do seu buraco.
Tudo depende da excelência da táctica militar. Da formação das tropas. Do instinto guerreiro. Da dedicação à luta. Da sua forma física. Da coragem. E do fardamento. Sim. Desse também. Nos dias de hoje então….

Oh Lord, never buy me a Mercedes Benz!

Os alemães acham que os Países do sul e do leste da Europa são gastadores, perdulários e consumistas. São capazes de ter razão. Os alemães são muito mais frugais do que nós.
Os alemães acham, por isso, que não devem pôr um cêntimo de lado para ajudar a Grécia e os Países do sul. São capazes de estar a cometer um erro colossal.
Lá em casa há dois carros alemães. Um motociclo velhote alemão. Electrodomésticos alemães. Uma máquina fotográfica alemã. E por aqui paro. Com os meus amigos creio não ser muito diferente. E com uma boa parte de toda a gente também.
Os alemães acham que nos endividamos demais para lhes comprar estes bens todos, enquanto eles acumulam excedentes comerciais devido à sua contenção. São capazes de não ter razão.
Num País endividado e com pouca poupança, os bancos, para emprestar têm de se refinanciar lá fora. Adivinhem a que porta foram bater. Pois é. Aos bancos alemães, carregadinhos de poupança dos seus contidos residentes. Sobretudo no leste e na Grécia isso é evidente.
A Alemanha andou anos a fio a financiar a dívida dos países do Sul. Dívida que servia para fomentar as importações de bens alemães. E agora assobia para o lado, como se não fosse nada com ela.
A economia é como um rio. Os alemães devem pensar que não há problema se houver seca na foz, desde que continue a chover na nascente. Provavelmente não sabem onde se formam as nuvens que se desfazem na nascente….

3.22.2010

life

continuem a levar tudo a sério. a achar que a vida das pessoas se escreve em fontes parsadas em html e lançadas para o éter no carregar do botão publicar. continuem a assumir que o Leadro se matou por causa do bullying. continuem a absorver a comentar a ler a não questionar a não levantar suspeitas nem procurar outras fontes. continuem. mas sem mim.

[Isabel, isto está a ser tão penoso que nem imaginas. e não pela razão que pensas].

3.21.2010

public service

fire

sei que nunca disse aqui como gosto disto:

Gostam tanto de música como de silêncio e nunca fazem perguntas porque dão um ao outro as respostas.
Tenho a certeza que nunca chamam um ao outro coisas foleiras como mor e que ela estremece sempre um bocadinho quando ele diz o nome dela.


até porque o descobri há pouco tempo [porque afinal também há coisas muito boas nos blogs, se não procurarmos obsessivamente a verdade].

e pronto, fico cá por mais uns tempos.

3.19.2010

wag the dog



tenho sempre a sensação que não foi dada suficiente importância a este filme que retrata na perfeição o estado da informação actual. há demasiada informação demasiado acessível a qualquer cidadão de um estado livre [deixemos a china por agora] e há obviamente demasiada desinformação. é o produto óbvio da nossa obsessão por saber tudo - quem quiser vender meios terá de fornecer mais informação [muitas vezes, fabricá-la]. e quem quiser limpar uma informação que lhe possa ser prejudicial [uma empresa, por exemplo] terá sempre de recorrer à desinformação nos mesmos meios.
a coisa piorou bastante com a web 2.0, uma vez que qualquer pessoa armada de um teclado e uma ligação à rede pode efectivamente plantar escândalos e disparates sem necessidade de explicar como nem porquê.

por exemplo, os blogs - este fabuloso meio de comunicação em que andamos todos desenfreados a tentar mostrar-nos mais giros mais fashion mais inteligentes e mais informados do que os outros - make no mistake, ninguém é aquilo que mostra aqui.

pessoas com extremo bom gosto