suspendo-me para não me acabar.
(e acabo-me na mesma)
11.29.2006
Eu hoje acordei assim
"[...]A toca continuou a direito como um túnel, e de repente afundou-se, tão de repente que a menina nem teve tempo de relectir e parar antes de dar consigo a descer o que lhe parecia ser um poço muito fundo.
Das duas uma: ou o poço era realmente muito fundo, ou ela estava a cair muito devagar, pois enquanto descia teve tempo de sobra para olhar em redor, e interogar-se sobre o que iria acontecer a seguir. Primeiro tentou olhar para baixo e perceber onde ia chegar, mas estava demasiado escuro para ver fosse o que fosse[...]. A descer, a descer sempre a descer. Será que a queda nunca mais acabava?[...]"
Impressionante como o Lewis Carrol conseguiu descrever o meu estado de espírito.
Mas também pode ser só a ressaca da table dance de ontem.
11.27.2006
Peso
Hoje sinto-me pesada.
Pesa-me o dia, o ar, a cabeça.
Sonho em tornar-me leve, primeiro levitar e pairar no ar um pouco a observar, depois esvoaçar. Imagino que voar seja como nadar mas com menos atrito, uma sensação de liberdade esmagadora.
Hoje quero voar como se fosse um avatar da second life, entrar na atmosfera sem sentir a gravidade nos pés, as amarras nos pulsos.
Vou ter com a minha amiga a África.
Vou mergulhar com os tubarões em Bora-bora.
Vou voltar para a minha casa.
Pesa-me o dia, o ar, a cabeça.
Sonho em tornar-me leve, primeiro levitar e pairar no ar um pouco a observar, depois esvoaçar. Imagino que voar seja como nadar mas com menos atrito, uma sensação de liberdade esmagadora.
Hoje quero voar como se fosse um avatar da second life, entrar na atmosfera sem sentir a gravidade nos pés, as amarras nos pulsos.
Vou ter com a minha amiga a África.
Vou mergulhar com os tubarões em Bora-bora.
Vou voltar para a minha casa.
11.23.2006
Não deixava de ser uma grande ironia, pensava ele agora estendido na escuridão.
Que ele, que toda a vida tinha fugido da solidão acolhendo-se sempre no meio de multidões, ainda que para tal tivesse que suportar (a custo) os gritos estridentes das crianças mal educadas do centro comercial aos domingos.
Que agora estivesse ele aqui estendido sozinho, não sabendo bem por quanto tempo, supondo que fosse para sempre, deitado e sem conseguir mexer nenhuma parte do corpo mas com o cérebro estranhamente lúcido e activo.
Sentia os bichos a entrarem e sairem lentamente dos buracos do corpo, das entranhas. Não lhe causavam dor nem incomodas comichões (pois se as extremidades nervosas estavam mortas como o resto do seu corpo, como poderia sentir dor?), e no entanto sabia-os lá, "o caruncho" como lhes chamou, sendo que no caso a madeira era ele.
Tentava agora calcular quanto tempo demoraria até a carne desaparecer, depois os ossos, até ser pó, e se nessa altura (em que o cérebro estaria literalmente desfeito, transformado em energia orgânica) ainda teria pensamentos.
Lembrava-se ainda de pessoas que acreditavam em alma, em vida após a morte e em como ele, o céptico do costume, se tinha rido dessas ideias.
Pensava nisto do interior do caixão e também em se tudo aquilo não passava de um sonho. Apenas para concluir que, sonho ou não, essa era agora a realidade dele, a que tinha que viver e não seria por se descobrir num sonho que esta lhe custava menos.
Odiava a solidão e interrogou-se porquê.
Este homem achava as interrogações (sobretudo as interrogações interiores) uma pura perda de tempo. Mas tempo era tudo o que ele tinha agora e por isso podia interrogar-se.
Odiava a solidão talvez porque odiava ouvir-se, ter os pensamentos a ecoarem na cabeça de um lado para o outro como uma bola ténis a meio de um jogo. Era isso, não gostava de se ouvir. A conclusão desconcertou-o, toda a vida tinha achado que tinha um nível de auto-estima muito bom, acima da maioria com quem se cruzava.
Afinal descobria-se no meio de um sonho de morte, ou da sua morte mesmo.
O homem pensou em como isso era extremamente injusto porque depois morto de nada lhe servia descobrir-se.
Que ele, que toda a vida tinha fugido da solidão acolhendo-se sempre no meio de multidões, ainda que para tal tivesse que suportar (a custo) os gritos estridentes das crianças mal educadas do centro comercial aos domingos.
Que agora estivesse ele aqui estendido sozinho, não sabendo bem por quanto tempo, supondo que fosse para sempre, deitado e sem conseguir mexer nenhuma parte do corpo mas com o cérebro estranhamente lúcido e activo.
Sentia os bichos a entrarem e sairem lentamente dos buracos do corpo, das entranhas. Não lhe causavam dor nem incomodas comichões (pois se as extremidades nervosas estavam mortas como o resto do seu corpo, como poderia sentir dor?), e no entanto sabia-os lá, "o caruncho" como lhes chamou, sendo que no caso a madeira era ele.
Tentava agora calcular quanto tempo demoraria até a carne desaparecer, depois os ossos, até ser pó, e se nessa altura (em que o cérebro estaria literalmente desfeito, transformado em energia orgânica) ainda teria pensamentos.
Lembrava-se ainda de pessoas que acreditavam em alma, em vida após a morte e em como ele, o céptico do costume, se tinha rido dessas ideias.
Pensava nisto do interior do caixão e também em se tudo aquilo não passava de um sonho. Apenas para concluir que, sonho ou não, essa era agora a realidade dele, a que tinha que viver e não seria por se descobrir num sonho que esta lhe custava menos.
Odiava a solidão e interrogou-se porquê.
Este homem achava as interrogações (sobretudo as interrogações interiores) uma pura perda de tempo. Mas tempo era tudo o que ele tinha agora e por isso podia interrogar-se.
Odiava a solidão talvez porque odiava ouvir-se, ter os pensamentos a ecoarem na cabeça de um lado para o outro como uma bola ténis a meio de um jogo. Era isso, não gostava de se ouvir. A conclusão desconcertou-o, toda a vida tinha achado que tinha um nível de auto-estima muito bom, acima da maioria com quem se cruzava.
Afinal descobria-se no meio de um sonho de morte, ou da sua morte mesmo.
O homem pensou em como isso era extremamente injusto porque depois morto de nada lhe servia descobrir-se.
11.22.2006
Não conta para nada
mas ainda assim faço a minha votação pessoal (e intransmissível):
Melhor blog/blogger masculino:este aqui.
Melhor blog/blogger feminino (já cá escrevi mas escrevo de novo):esta senhora.
Melhor blog/blogger masculino:este aqui.
Melhor blog/blogger feminino (já cá escrevi mas escrevo de novo):esta senhora.
11.21.2006
Foi desde essa noite
Em que ele lhe perguntou se as estrelas não seriam olhos de monstros, espreitando-os.
Há frases, perguntas assim, que nos entram pela cabeça e parecem não querer sair mais.
Desde aí resguardava-se de noite, fechando as persianas para que os olhos não a espreitassem a lingerie quando se despia, trancando-se no quarto interior para que não lhe perscutassem os pensamentos mais ou menos impuros quando eles surgiam.
Porquê de noite e não de dia isso não sabia explicar, pois certo era que de dia as estrelas continuavam lá embora não visíveis, a maior de todas ofuscando-as sem dó nem piedade. Pois de dia pouco se importava em se exibir em frente às janelas, sabendo que os vizinhos a podiam ver perfeitamente, era o jogo, eles que espreitassem à vontade, era apenas o que podiam fazer.
Há frases, perguntas assim, que nos entram pela cabeça e parecem não querer sair mais.
Desde aí resguardava-se de noite, fechando as persianas para que os olhos não a espreitassem a lingerie quando se despia, trancando-se no quarto interior para que não lhe perscutassem os pensamentos mais ou menos impuros quando eles surgiam.
Porquê de noite e não de dia isso não sabia explicar, pois certo era que de dia as estrelas continuavam lá embora não visíveis, a maior de todas ofuscando-as sem dó nem piedade. Pois de dia pouco se importava em se exibir em frente às janelas, sabendo que os vizinhos a podiam ver perfeitamente, era o jogo, eles que espreitassem à vontade, era apenas o que podiam fazer.
Depois de ter perdido
uma preciosa hora de sono a tentar formatar o meu avatar (completo insucesso com a máscara de capuchinho vermelho), estou pronta para mandar aquela coisa às urtigas. Aquele edit demora horas e está cheio de bugs (desculpa lá, Cat, mas é verdade).
11.17.2006
Eu
vejo nos gestos e formas de falar da minha filha como sou dura e impaciente com eles (as minhas amigas dizem que ela é uma fotocópia minha, não fisicamente mas nas atitudes). Eu tenho bem presente na minha cabeça que tipo de mãe gostava de ser (por incrível que pareça eu já a conheci, ela existe).
Eu não chego lá.
Eu não chego lá.
11.16.2006
Aquele ultimo post,
olho para ele e quase não o consigo ler. Está uma espécie de Saramago (não na qualidade, na salgalhada) porque não o revisionei. Foi de propósito, escrevi-o e lancei-o. Reli-o no blog e pensei "não tem legibilidade nenhuma". Deve ser mais ou menos assim que o Saramago se sente quando acaba de escrever um livro (e eu adoro o Saramago).
De manhã
Num desses amanheceres que parece vir enrolado em discussões e em birras. Depois da birra para comer papa(não quero papa, mas não é papa é ranho de marciano constipado, não quero papa, mas não é papa é vomitado da Veneta de Vénus, estratégias que aprendemos a ver bons desenhos animados). Depois da birra para vestir o casaco. Depois de mais de meia hora enfiados no trânsito, sozinho atrás no carro, os dedos enrodilhados: "Esse é o meu lugar!Não, é meu! É meu! Meu! Dedos não iscutam!".
11.15.2006
Estratégias de marketing
Quem terá sido o génio que achou que dois rapazes colocados cada um de um dos lados da estrada com bandeiras gigantes encarnadas convencia alguém a ir a um certo Centro Comercial?
Mas
uma mãe tem que ser paciente. Eu não sou. Sobretudo não com xixis nas cuecas depois de 6 meses de treino. Não com birras. Não quando lutam os dois a toda a hora. Não com gritos e guinchos.
Há dias em que não me apetece nada ser mãe. Ser pai é definitivamente mais fácil.
Correcção: ser o pai que não fica com a custódia é definitivamente mais fácil.
Há dias em que não me apetece nada ser mãe. Ser pai é definitivamente mais fácil.
Correcção: ser o pai que não fica com a custódia é definitivamente mais fácil.
Não sei se é normal
Há muito que deixei de me preocupar com normalidades. Aos 30 meses (feitos ontem, lembro-me agora) adora esta colecção. Comecei por comprá-la para a irmã, e porque eu gostava muito da série em criança. Ela não lhe liga nenhuma, nem se dá ao trabalho de abrir os livros quando os compro, e é ele quem devora os vídeos, que faz birra todas as noites porque a história antes de deitar tem de ser do "côpo humano", que vai invariávelmente buscar um dos livros da colecção quando eu me ofereço para lhe contar uma história.
É ele quem fica sossegado a ouvir coisas como "Os músculos são formados por um grande número de fibras musculares, agrupadas em feixes primários envolvidos por uma espécie de baínha. Por sua vez, estes feixes primários unem-se e formam os chamados feixes secundários que, reagrupados, compõem a totalidade do músculo que é rodeado por uma membrana de tecido conjuntivo brilhante chamada permísio, cujos prolongamentos são os tendões que unem os músculos aos ossos".
Qualquer dia passa-lhe, esta mania (que ele funciona muito assim, por manias).
É ele quem fica sossegado a ouvir coisas como "Os músculos são formados por um grande número de fibras musculares, agrupadas em feixes primários envolvidos por uma espécie de baínha. Por sua vez, estes feixes primários unem-se e formam os chamados feixes secundários que, reagrupados, compõem a totalidade do músculo que é rodeado por uma membrana de tecido conjuntivo brilhante chamada permísio, cujos prolongamentos são os tendões que unem os músculos aos ossos".
Qualquer dia passa-lhe, esta mania (que ele funciona muito assim, por manias).
11.14.2006
11.13.2006
A minha vida
que algures no tempo já foi como um novelo de lã que se ía desenrolando, não passa agora de um amontoado de nós que se embaraçam uns nos outros.
11.10.2006
11.08.2006
A propósito de comments e assim
Também me faz uma certa confusão, isso.
Já cá ando há 2 anos (na blogosfera) e nunca cacei visitas nem número de comentários. É verdade que tenho sitemeter mas raramente olho para aquilo, dou-me muito mal com o layout e mal consigo ler os dados.
Até entendo bem que haja quem de facto tenha outras atitudes com visitas, comentários, quantidades e assim. Cada um recolhe autoestima como quer, ou como pode, a mim passa-me de largo.
É portanto excusado comentarem no meu blog por reprocidade (porque comentei no deles), por publicidade (porque querem que eu vá comentar no deles) ou seja porque razão for que fuja àquela para a qual a caixa de comentários existe: para se comentar porque apetece ou porque há qualquer coisa a dizer.
E depois desta conversa toda que soa um bocado a "esta tem a mania que é boa mas anda cá à cata de atenção como os outros (da blogosfera, atente-se)", confesso uma coisa: há blogs que leio, que admiro, e nunca lá comento (a maioria porque nem são comentáveis) porque não me sinto à altura dos autores.
Já cá ando há 2 anos (na blogosfera) e nunca cacei visitas nem número de comentários. É verdade que tenho sitemeter mas raramente olho para aquilo, dou-me muito mal com o layout e mal consigo ler os dados.
Até entendo bem que haja quem de facto tenha outras atitudes com visitas, comentários, quantidades e assim. Cada um recolhe autoestima como quer, ou como pode, a mim passa-me de largo.
É portanto excusado comentarem no meu blog por reprocidade (porque comentei no deles), por publicidade (porque querem que eu vá comentar no deles) ou seja porque razão for que fuja àquela para a qual a caixa de comentários existe: para se comentar porque apetece ou porque há qualquer coisa a dizer.
E depois desta conversa toda que soa um bocado a "esta tem a mania que é boa mas anda cá à cata de atenção como os outros (da blogosfera, atente-se)", confesso uma coisa: há blogs que leio, que admiro, e nunca lá comento (a maioria porque nem são comentáveis) porque não me sinto à altura dos autores.
11.07.2006
Não sei se é por ser meu filho
Aliás sei, chega de falsas modéstias, espertíssimo o miúdo, sai à mãe.
A colar autocolantes dos "Cars":
-Este é mau.
-Como é que sabes que é mau?
-Puque tem olhos zangados.
-Mãe, encontei-lo, o jogo do sonic!
-Sim, a mãe trouxe-o ontem do carro.
-Touxeste-lo? Mãe, és fantástica!
A colar autocolantes dos "Cars":
-Este é mau.
-Como é que sabes que é mau?
-Puque tem olhos zangados.
-Mãe, encontei-lo, o jogo do sonic!
-Sim, a mãe trouxe-o ontem do carro.
-Touxeste-lo? Mãe, és fantástica!
11.03.2006
Às vezes penso que vai ser sempre assim
O dia todo com os nervos à flor da pele. O barulho do pião a cair no chão todo o dia, todos os dias. Os gritos, pulos, barulho do pião que se desmancha e de todas as coisas que atira para o chão.
A casa por arrumar todo o dia, todos os dias, tanta e tanta coisa para apanhar do chão.
As birras para sair de casa (e para entrar, e para todas as outras coisas).
Ela que começa a falar quando entra no carro e só se cala a dormir (nem sempre), um fluxo ininterrupto de palavras, impossível de acompanhar.
As noites interrompidas pelos dois, a enfiarem-se na minha cama à vez. As manhãs a começarem uma hora mais cedo porque ninguém consegue dormir (uns em cima dos outros).
48 horas de fim de semana que se resumem a 4 de descanso. Uma luxação no ombro, ou lá o que é, que dá dores horrorosas a mexer o braço (direito, claro).
Um exame para fazer até dia 24 (como?).
O dia todo a ouvir mãe, mãe , mãe, choramigos junto com o barulho do pião a cair no chão, os nervos à flor da pele.
Cansaço, falta de ar, falta de espaço, falta de paciência. Falta de mim.
Não vai ser sempre assim, pois não?
A casa por arrumar todo o dia, todos os dias, tanta e tanta coisa para apanhar do chão.
As birras para sair de casa (e para entrar, e para todas as outras coisas).
Ela que começa a falar quando entra no carro e só se cala a dormir (nem sempre), um fluxo ininterrupto de palavras, impossível de acompanhar.
As noites interrompidas pelos dois, a enfiarem-se na minha cama à vez. As manhãs a começarem uma hora mais cedo porque ninguém consegue dormir (uns em cima dos outros).
48 horas de fim de semana que se resumem a 4 de descanso. Uma luxação no ombro, ou lá o que é, que dá dores horrorosas a mexer o braço (direito, claro).
Um exame para fazer até dia 24 (como?).
O dia todo a ouvir mãe, mãe , mãe, choramigos junto com o barulho do pião a cair no chão, os nervos à flor da pele.
Cansaço, falta de ar, falta de espaço, falta de paciência. Falta de mim.
Não vai ser sempre assim, pois não?
11.02.2006
11.01.2006
Halloween
Como já vem sendo tradição desde há 2 anos para cá, lá foi ela mascarada de bruxa (bruxa de minisaia, o fato foi máscara quando tinha 2 anos e nessa altura chegava-lhe aos pés) com amigas do prédio pedir doces.
O resultado: um bebé e uma mãe cheios de sono que quase à meia noite tiveram que subir a casa da vizinha para que uma menina viesse para casa (recusava-se a descer enquanto o espólio, que incluía um chocolate de cozinha, não fosse dividido).
10.31.2006
Escorço
No meu 2º ou 3º ano de faculdade, na aula de desenho fizemos nus. Lembro-me do professor estar a falar do escorço*, de como esta é a posição mais difícil de desenhar. Porque o olho vê algo que o cérebro percepciona de forma diferente. Ou seja, se um pé estiver de frente e apenas conseguirmos ver uma ínfima parte da perna, ainda assim sabemos que a perna tem um certo cumprimento, logo a nossa pecepção visual é de uma perna de tamanho normal (e não daquela ínfima parte). É por isso que se torna difícil de desenhar: porque temos que ver só com os olhos, sem interferência do cérebro.
Isto aplica-se ao desenho, mas a verdade é a que tantas e tantas coisas se podia aplicar. Quantas vezes não obliteramos a realidade, enganados pelas nossas noções pré-formatadas, pelas nossas hormonas, pelo nosso cérebro, por nós próprios?
É o escorço, é o que é.
*arte de representar os objectos em proporções menores que a realidade; efeito de perspectiva, segundo a qual os objectos, vistos de frente, apresentam dimensões reduzidas ; (do priberam.)
Isto aplica-se ao desenho, mas a verdade é a que tantas e tantas coisas se podia aplicar. Quantas vezes não obliteramos a realidade, enganados pelas nossas noções pré-formatadas, pelas nossas hormonas, pelo nosso cérebro, por nós próprios?
É o escorço, é o que é.
*arte de representar os objectos em proporções menores que a realidade; efeito de perspectiva, segundo a qual os objectos, vistos de frente, apresentam dimensões reduzidas ; (do priberam.)
10.30.2006
Cada vez mais
tenho dificuldade em encontrar roupa que me sirva.
Não fui eu que encolhi, os tamanhos é que alargaram tanto que o 34 me fica grande. O que vale é que na secção de criança da Zara a roupa é tudo menos infantil.
(post a compensar ali o "fora de forma" em baixo).
Não fui eu que encolhi, os tamanhos é que alargaram tanto que o 34 me fica grande. O que vale é que na secção de criança da Zara a roupa é tudo menos infantil.
(post a compensar ali o "fora de forma" em baixo).
10.28.2006
No meio
da composição de 15 linhas no mínimo sujeita ao tema "o que eu quero ser quando for grande", aparece uma frase no minímo curiosa:
"[...]Quando eu fôr adulta vou sair à noite, vou a discotecas como a minha mãe vai com as amigas dela.[...]"
Bonita impressão para passar à professora...
"[...]Quando eu fôr adulta vou sair à noite, vou a discotecas como a minha mãe vai com as amigas dela.[...]"
Bonita impressão para passar à professora...
Estou tão fora de forma
que o mais pequeno apanha-me a fazer uns abdominais e grita:
- Mãe, pára de fazer ginástica!
- Porquê?
- Puque morres!
(parei logo com aquilo, claro, não fosse dar-se o caso da criança até ter razão).
- Mãe, pára de fazer ginástica!
- Porquê?
- Puque morres!
(parei logo com aquilo, claro, não fosse dar-se o caso da criança até ter razão).
10.26.2006
Primeiro dia
do segundo ano catequese, confusão de pais, crianças, catequistas e paroquianas (naquela paróquia fazem catequese mais de 200 miúdos).
Pelos corredores, conversas soltas:
"- Ai fica com a C. A.? É a filha da Zezinha e do António?" (para a criança):"Olhe, vai ficar com uma catequista muito querida!!!!"
"- Não, na quinta não pode mesmo ser, é que o meu marido é MÉDICO e faz urgências à 5ª feira, por isso não dá mesmo jeito:"
Tudo dito em tom muito alto e afectado, não vá a "Tia C." (directora dos catequistas) estar a ouvir.
E na missa das crianças da catequese dobram a lingua 5 vezes para não chamar "tio" ao frade que dá a missa.
Esta gente leva à letra o sermão de Jesus que reza: "Bem-aventurados os pobres de espírito pois deles será o Reino do Ceús."
Pelos corredores, conversas soltas:
"- Ai fica com a C. A.? É a filha da Zezinha e do António?" (para a criança):"Olhe, vai ficar com uma catequista muito querida!!!!"
"- Não, na quinta não pode mesmo ser, é que o meu marido é MÉDICO e faz urgências à 5ª feira, por isso não dá mesmo jeito:"
Tudo dito em tom muito alto e afectado, não vá a "Tia C." (directora dos catequistas) estar a ouvir.
E na missa das crianças da catequese dobram a lingua 5 vezes para não chamar "tio" ao frade que dá a missa.
Esta gente leva à letra o sermão de Jesus que reza: "Bem-aventurados os pobres de espírito pois deles será o Reino do Ceús."
10.25.2006
No meio dos pontapés,
sustos, "ruáaaa, eu sou uma coba má", arranhadelas, agarrado ao meu pescoço antes de ir fazer a sesta:
- Gotas de abacinhos, mãe?
(gosto tanto, tanto, meu querido).
- Gotas de abacinhos, mãe?
(gosto tanto, tanto, meu querido).
10.20.2006
Menos uma preocupação

Os exemplos pouco dignificantes não a convecem minimamente. Rapou-lhes o cabelo todo porque, pura e simplesmente, não gosta dessas bonecas pirosas.
Gosta de outras, claro.
10.17.2006
Supie
Conto-lhe coisas de quando era bebé, ainda é bebé mesmo não usando fralda, dorme na cama de grades e usa chucha e ó-ó para adormecer. Conto-lhe de como quando era um bebé pequenino cabia todo inteirinho no meu colo e adormecia a beber o leitinho, isto porque quer subir para a cadeira do carro sozinho (e sobe).
Então (estava-se mesmo a ver) do alto do seus 29 meses declara-me que já não é bebé, é "gande e vai ser o supie homem", que quer dizer o Super-homem e eu digo que é mas é o homem-sopa, o supie-homem, e rimos muito os dois.
E agora interrogo-me se devo mostrar-lhe este filme, para que apreenda as realidades da vida desde já, que melhor do que ser supie é mas é ter dinheiro.
Descradamente roubado ao Arrastão.
Então (estava-se mesmo a ver) do alto do seus 29 meses declara-me que já não é bebé, é "gande e vai ser o supie homem", que quer dizer o Super-homem e eu digo que é mas é o homem-sopa, o supie-homem, e rimos muito os dois.
E agora interrogo-me se devo mostrar-lhe este filme, para que apreenda as realidades da vida desde já, que melhor do que ser supie é mas é ter dinheiro.
Descradamente roubado ao Arrastão.
10.15.2006
Na cidade
"The most exciting, challenging and significant relationship of all is the one you have with yourself. And if you find someone to love the you you love, well, that's just fabulous."
10.13.2006
descartável/não descartável
Na roupa prefiro a quantidade (descartável). Nas pessoas prefiro a qualidade (não descartável).
Ainda o raio do cromossoma
De que vale não ter brinquedos bélicos em casa se uma colher de pau é "uma eshpada, tchá, vou matá-te!" (já para não falar de todos os paus e pedras que encontra na rua).
10.10.2006
Lista de palavrões da criança mais nova
- Poça!
- Porra!
- Foga!
- Caaças!
- Chiça penico!
(e o dia todo a dizer, "não se diz isso, diz-se antes bolas" mas já sem saber muito bem o que é que é pior).
10.09.2006
10.06.2006
Pensar em grande aos 28 meses
- Mãe, eu vou sê gande e fote. Quando eu sê gande, eu vou conseguí voade!
10.03.2006
Annus Horribilis
O ano começa e comemos passas. Não entendo bem esta tradição e nem gosto de passas, mas como-as naquele dia por superstição, não vá o diabo tecê-las.
Nessas passas vão, uma a uma, as nossas expectativas para aquele ano (saúde, saúde para os miúdos, um emprego), já disse que não gosto de passas e só as como naquele dia por superstição, não vá o diabo tecê-las?
O ano começa e temos dentro de nós uma série de resoluções, ou vão elas aparecendo ao longo desse ano, podemos não saber muito bem quais são mas sabemos certamente quais não são.
O ano ainda mal começou e já se foi um projecto, um projecto vital (vital de vida). Recuperamos como podemos, temos outros projectos, pois claro.
O ano ainda vai a meio e descobrimos que alguém em quem confiámos nos traíu de todas as formas possíveis de trair alguém, afinal nessas 12 passas deixámos muita coisa de fora (saúde para o resto da família, que acabem todas as guerras) e mesmo das que pusemos dentro nem todas foram cumpridas (ou culpa nossa, esquecemos o que não comecem novas guerras).
Ainda falta para o ano acabar e já só lhe vemos o fim, duvidando mesmo de que o fim seja o princípio de algo ou apenas a continuação disto tudo, afinal o que é um ano, um mês, senão conceitos que não podem ser pensados em absoluto, quantas vezes um ano leva dentro de si mais de dez, quantas vezes passa num dia só.
Dentro desse ano, porém, nem tudo foi mau, alguns dos pedidos das passas foram mesmo atendidos e, se fomos dessas pequenas árvores que balançam à miníma rajada, descobrimos ter tutores (o nome das estacas que seguram a árvore ao chão) em quem nos apoiarmos durante o difícil percurso.
À F., S.F., S.M., R.N., R.T.S. e M., muito obrigada por estarem lá, sempre.
Nessas passas vão, uma a uma, as nossas expectativas para aquele ano (saúde, saúde para os miúdos, um emprego), já disse que não gosto de passas e só as como naquele dia por superstição, não vá o diabo tecê-las?
O ano começa e temos dentro de nós uma série de resoluções, ou vão elas aparecendo ao longo desse ano, podemos não saber muito bem quais são mas sabemos certamente quais não são.
O ano ainda mal começou e já se foi um projecto, um projecto vital (vital de vida). Recuperamos como podemos, temos outros projectos, pois claro.
O ano ainda vai a meio e descobrimos que alguém em quem confiámos nos traíu de todas as formas possíveis de trair alguém, afinal nessas 12 passas deixámos muita coisa de fora (saúde para o resto da família, que acabem todas as guerras) e mesmo das que pusemos dentro nem todas foram cumpridas (ou culpa nossa, esquecemos o que não comecem novas guerras).
Ainda falta para o ano acabar e já só lhe vemos o fim, duvidando mesmo de que o fim seja o princípio de algo ou apenas a continuação disto tudo, afinal o que é um ano, um mês, senão conceitos que não podem ser pensados em absoluto, quantas vezes um ano leva dentro de si mais de dez, quantas vezes passa num dia só.
Dentro desse ano, porém, nem tudo foi mau, alguns dos pedidos das passas foram mesmo atendidos e, se fomos dessas pequenas árvores que balançam à miníma rajada, descobrimos ter tutores (o nome das estacas que seguram a árvore ao chão) em quem nos apoiarmos durante o difícil percurso.
À F., S.F., S.M., R.N., R.T.S. e M., muito obrigada por estarem lá, sempre.
10.02.2006
Esgotadas todas as teorias
Agora a nova é: querem magoar-se um ao outro? Pois esgatanhem-se até ao fim do mundo e não quero queixinhas.
(umas nódoas negras, arranhões, puxões de cabelo e palmadas depois acabam agarrados a pedir desculpa e aos beijinhos. Basicamente chegam ao mesmo resultado, demoram é um bocado mais).
(umas nódoas negras, arranhões, puxões de cabelo e palmadas depois acabam agarrados a pedir desculpa e aos beijinhos. Basicamente chegam ao mesmo resultado, demoram é um bocado mais).
Dúvidas existenciais
Leram-me na palma da mão que não passo dos 50. E agora, deixo de usar antirugas?
10.01.2006
9.28.2006
A pergunta que se impõe é:
Se eu fosse tão politicamente correcta como os pais do Ruca, seriam os meus filhos tão politicamente correctos como o Ruca e a irmanzinha?
9.22.2006
Momentos há

após anos de discussões, recriminações, desilusões, agressões, ilusões, reconciliações, exaustões, novas desilusões. Momentos há dizia eu, em que tudo finalmente explode ou implode (isso já depende de quem olha para a coisa) ou então é assim uma espécie de explosão/implosão combinadas, deitando detritos por todo o lado, causando inevitavelmente danos colaterais, malogradas que foram todas as tentativas de os evitar.
Não fica nada a não ser esse terreno, finalmente limpo, finalmente plano, a não ser umas poeirazinhas irritantes que (com paciência e tempo) havemos de varrer.
Sigamos para bingo, portanto.
9.21.2006
Não sei se ando optimista
9.19.2006
Post sem interesse
Cada vez oiço pior do ouvido furado. Mas não suficientemente mal para não ouvir os (muitos) gritos e brigas dos miúdos.
9.18.2006
Neste nosso pequeno país
onde falta tanta coisa mas sobretudo auto-confiança, onde estamos habituados a venerar, copiar e adoptar tudo o que venha de fora, especialmente se vier dum desses países mais "civilizados". Aqui onde mimetizamos o vizinho, não suportamos a inveja que temos do carro dele, do número de filhos e do emprego. Aqui onde todos exemplos são bons (mesmo os maus) desde que venham do alto (à semelhança do irmão pequeno que imita o mais velho para ver se cresce mais depressa), as revistas cor de rosa têm fotos propositadamente desfocadas para fingir que foram tiradas com uma enorme objectiva de paparazzi. E sim, as pessoas aparecem porque querem.
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