11.01.2010
adenda ao post anterior
por razões que não têm grande importância explicar, não vou colocar aqui o link do meu outro blog. mas se quiserem continuar a ler-me [não prometo maior eloquência, bem pelo contrário], mandem-me um mail para o mail aqui do blog.
10.24.2010
adeus

Começo a medo, com receio de tocar nas teclas do computador. Devagar constato que os meus dedos ainda não se esqueceram das posições das teclas, ainda percorrem o teclado à mesma velocidade de antes.
Hesito em começar, em criar este blog, mesmo sabendo que vou precisar dele daqui a uns tempos (dias? meses? horas?). Foram 45 dias de férias, um mês e meio sem vir a casa e sem lhe sentir a falta. Não quero passar a porta, recomeçar a vida depois da praia, dos amigos, das saídas. Não quero.
É por isso também que não quero começar a escrever aqui (e escrevo), porque isso é assumir que tudo voltou ao mesmo. Tenho o corpo e a cabeça ainda em férias. Sinto o cheiro do mar e o toque da areia. Ainda estou na cidade onde estão as pessoas de que gosto (as muitas que não estão aqui), ainda não voltei realmente para a cidade que me vai manter cativa por largos meses (A contar os dias como os prisioneiros dos filmes, com pauzinhos riscados na parede, um pauzinho por dia até perfazer 9 meses).
Há cerca de 4 anos escrevi este post. sei porque o fiz, porque comecei o blog, e se não é evidente para todos, passo a explicar: comecei-o quando entrei num divórcio, sozinha com dois filhos, numa cidade estranha para onde fui para que a carreira do meu então marido pudesse florescer.
A pessoa pensa, passa pelas coisas e nada depois será pior, aprenderemos com as nossas dores, seremos pessoas melhores, mais fortes e nunca mais nada nos derrubará. pensamos, só temos de aguentar agora, só um bocadinho, só até o fim do dia e ficará tudo bem. até que um dia é mesmo verdade, ficou tudo bem ainda que não igual, diferente mas até a essa diferença nos habituamos pois há poucas coisas às quais o espírito humano não se habitue, à solidão, ao medo, ao terror, à fome, às tareias, à prisão. é ler sobre a vida num campo de concentração e entender que mesmo no meio do frio, das dores, da fome, da falta de amor, de amizade, de respeito, ainda assim importava apenas e só sobreviver, viver, por isso, não me lixem, o espirito humano é mesmo assim, habitua-se.
Passaram agora 4 anos, o que me parece uma altura perfeita para acabar aqui e recomeçar noutro lado porque é disso que preciso, de recomeçar, que amanhã seja outro dia e pelo menos, que me traga diferentes palavras, dores, alegrias. que seja diferente e não exista mais tudo aquilo que aqui escrevi, que seja outra coisa, noutro lado. enfim, que eu possa ser outra pessoa que não esta clara [nem outra].
Obrigado por me lerem, por me comentarem, talvez por se terem identificado um pouco comigo durante todo este tempo.
10.22.2010
texting in the company of others is ok
Traditional mores say that texting when you're with someone is rude. But is it really? Just look at today's teenagers—tomorrow's arbiters of behavior. For them, SMSing one person while hanging out with another is normal and expected; it may even be an inclusive gesture.
faço-o, tolero-o nos outros, mas não gosto quando me fazem.
10.21.2010
game II
também confundem muito:
1. não ter jogo nenhum por falta de figuras quando têm mais trunfos do que outros naipes e no fundo têm o melhor jogo da mesa.
2. ter um grande jogo porque têm muitos trunfos sem contar que ao destrunfar cortam as vazas do parceiro e vão ao buraco assim de fininho.
3. não saber se têm jogo ou não e persistir só porque sim.
4. não saber se têm jogo ou não e desistir só porque sim.
1. não ter jogo nenhum por falta de figuras quando têm mais trunfos do que outros naipes e no fundo têm o melhor jogo da mesa.
2. ter um grande jogo porque têm muitos trunfos sem contar que ao destrunfar cortam as vazas do parceiro e vão ao buraco assim de fininho.
3. não saber se têm jogo ou não e persistir só porque sim.
4. não saber se têm jogo ou não e desistir só porque sim.
game
coisas que as pessoas confundem muito:
1. ir a jogo ou mostrar todos as cartas que se tem na mão.
2. não ir a jogo ou nem sequer olhar para as cartas que foram deitadas na mesa.
eu sou pessoa, ergo...
1. ir a jogo ou mostrar todos as cartas que se tem na mão.
2. não ir a jogo ou nem sequer olhar para as cartas que foram deitadas na mesa.
eu sou pessoa, ergo...
10.20.2010
gone
é que não há um que fique. querem ir para o outro lado do mundo? tornem-se os meus melhores amigos.
not sure
não sei se preciso de Deus porque não sei se alguma vez o tive. mas sei que preciso de ti. e onde estás a menos do maior oceano do mundo?
ghost
livrei-me dos blogs no reader e do perfil no facebook e não ajudou. tomei banho e não ajudou. beijei o meu filho e não ajudou. não posso dizer o que finalmente ajudou porque isso não seria apropriado da minha parte.
and if
de repente tudo tudo seja o que for em que tenhamos acreditado deixe de fazer sentido. se tomar banho deixar de fazer sentido. se levantar da cama, escrever uma mensagem no telemóvel, escrever um post, falar com um amigo, ligar a televisão, atender o telefone, sentar na secretária, escolher uma roupa para vestir, decidir um caminho, pagar uma conta, beijar um filho, ligar-te, procurar uma casa, ler uma página de um livro, escrever um mail, tomar um comprimido. se de repente nem fazer sentido fizer sentido?
10.19.2010
what if
mas e se, de repente já tivermos investido tudo - o que tínhamos, o que não tínhamos - se declarámos bancarrota e temos ainda alguns credores à porta a perseguirem-nos cobrando dívidas que nem nos lembramos de ter contraído. e se a empresa não era só o sustento mas o trabalho de toda uma vida que vemos ruir, a acção saiu já de bolsa e há empregados na rua, se de repente o banco já nos hipotecou também os bens pessoais, cancelou as contas nem dinheiro temos para comer. se também, no meio de tudo isto, os amigos nos abandonaram, a família recusa conhecer-nos e quando pedimos esmola na rua as pessoas viram a cara às nossas chagas abertas. e se "não investir tanto para a próxima" já nem fizer sentido por nem fazer sentido estar aqui sentada na rua a pedir esmola a pessoas que viram a cara às chagas mais horrendas com medo de as ter para elas também, quando sei que virá o frio e não terei um tecto, deixarei de sentir os dedos, depois as mãos e as pernas até me afundar num sono lento. mas no sono mais profundo de todos.
10.18.2010
never
nunca disse isto e agora penso que ficarão na minha vida tantas coisas por dizer. mas é sempre assim não é? nunca dizemos.
O fim das ansiedades
Estou fortemente convencido que o ano de 2011 vai ser um ano bem mais zen para todos nós do que cada um dos dez últimos anos anteriores.
Não me refiro, obviamente, à mera conclusão empírica de que o despojamento reorienta os valores da vida.
Tenho antes em mente a erradicação completa, e cientificamente previsível, de dois tipos de ansiedade que corroem o nosso dia-a-dia, e que em inglês são denominadas cold feet e buyer’s remorse.
O cold feet e o buyer’s remorse vão ser tão exterminados como o foram os mosquitos vectores da malária dos arrozais de Alcácer, há umas décadas atrás.
O cold feet é aquela indecisão, medo e angústia que precede os grandes momentos. Nomeadamente, o momento daquela compra. Horas de comparações. Leituras de revistas da especialidade ou périplos intermináveis pelas lojas. E ainda voltamos sorrateiramente à montra, quando o empregado já não tem mais paciência, escondidos atrás de uma amiga. Tempo deitado ao lixo. Amigos, mulheres e maridos, namorados e namoradas massacrados com perguntas, convidados a participar na decisão, a aconselhar. A insónia. Qual destes? Ou aqueloutro?
O buyer’s remorse é angústia de se ter decidido, e se ser assaltado pela dúvida sobre o bem fundado da decisão. Mais horas de comparações mais outra e outra vez, para confirmar a escolha. Tempo deitado ao lixo. Releituras de revistas da especialidade. Outra vez, périplos intermináveis pelas lojas. Sai-se e volta-se a entrar. Pede-se desculpa. Humilhamo-nos. Em alguns casos, o nosso objectivo é a superior conquista da devolução do dinheiro gasto. Noutros, a simples troca. Às vezes já se aceita tudo. Uns pontos, um crédito em cartão, para alimentar novos cold feet, novas angústias.
O cold feet e o buyer’s remorse são as causas silenciosas e tantas vezes indetectadas de toda a violência urbana, de todos os desaguisados domésticos, de muitas relações destroçadas, de tantas depressões. Eram. A partir de 2011 acabam. Viva a felicidade.
Não me refiro, obviamente, à mera conclusão empírica de que o despojamento reorienta os valores da vida.
Tenho antes em mente a erradicação completa, e cientificamente previsível, de dois tipos de ansiedade que corroem o nosso dia-a-dia, e que em inglês são denominadas cold feet e buyer’s remorse.
O cold feet e o buyer’s remorse vão ser tão exterminados como o foram os mosquitos vectores da malária dos arrozais de Alcácer, há umas décadas atrás.
O cold feet é aquela indecisão, medo e angústia que precede os grandes momentos. Nomeadamente, o momento daquela compra. Horas de comparações. Leituras de revistas da especialidade ou périplos intermináveis pelas lojas. E ainda voltamos sorrateiramente à montra, quando o empregado já não tem mais paciência, escondidos atrás de uma amiga. Tempo deitado ao lixo. Amigos, mulheres e maridos, namorados e namoradas massacrados com perguntas, convidados a participar na decisão, a aconselhar. A insónia. Qual destes? Ou aqueloutro?
O buyer’s remorse é angústia de se ter decidido, e se ser assaltado pela dúvida sobre o bem fundado da decisão. Mais horas de comparações mais outra e outra vez, para confirmar a escolha. Tempo deitado ao lixo. Releituras de revistas da especialidade. Outra vez, périplos intermináveis pelas lojas. Sai-se e volta-se a entrar. Pede-se desculpa. Humilhamo-nos. Em alguns casos, o nosso objectivo é a superior conquista da devolução do dinheiro gasto. Noutros, a simples troca. Às vezes já se aceita tudo. Uns pontos, um crédito em cartão, para alimentar novos cold feet, novas angústias.
O cold feet e o buyer’s remorse são as causas silenciosas e tantas vezes indetectadas de toda a violência urbana, de todos os desaguisados domésticos, de muitas relações destroçadas, de tantas depressões. Eram. A partir de 2011 acabam. Viva a felicidade.
10.15.2010
and more
sabem a vontade que tenho quando abro o greader e vejo nem sei quantas pastas todas com mais de 1000 posts por ler que não me apetece ler? apagar aquilo tudo e começar do zero. quantas vezes se pode começar do zero?
disclaimer
eu, sempre muito de fora no que concerne a estes assuntos das tricas dos blogs, tenho de proclamar que de nada sabia [juro] ao escrever o post abaixo.
continuo a saber muito pouco, é um facto, mas as minhas ambições aqui são tão esparsas que é fácil alcançá-las: quero é que não me macem.
continuo a saber muito pouco, é um facto, mas as minhas ambições aqui são tão esparsas que é fácil alcançá-las: quero é que não me macem.
public
há coisas pelas quais tenho comiseração, como os mineiros que passaram quase três meses enfiados debaixo da terra, as crianças já que nascem sem nunca poderem vir a sair de uma cadeira de rodas ou falar, pessoas que são abusadas, pessoas que nasceram em buracos como a Guiné-Bissau onde nunca vão poder ter esperança de um emprego decente ou mesmo um cuidado paliativo quando necessitarem. dessas coisas tenho pena porque não há defesa contra estes processos. são pessoas que se limitaram a, involuntariamente, ter um azar do caneco.
já não tenho a menor compaixão é para o gozo permanente das tiradas atrasadas mentais da lucifloribela, dos ataques anónimos a bloggers [coitadinhos, que sofrimento, atacados por um anónimo numa caixa de comentários], das pessoas famosas que não conseguem usar um bikini sem ter a celulite exposta em todas as capas de revistas, ou ir jantar fora e ter as fotos com comentários do género "come imenso e por isso está uma baleia".
temos pena ou seja, não temos. porque cada vez que fazemos alguma coisa temos uma opção: ou nos expomos, ou não nos expomos. e há ainda uma outra opção: se nos expusermos, queremos manter a exposição ou sabemos lidar com isso como se não nos estivessem a arrancar um pulmão? há opção e, havendo opção, não pode haver comiseração.
já não tenho a menor compaixão é para o gozo permanente das tiradas atrasadas mentais da lucifloribela, dos ataques anónimos a bloggers [coitadinhos, que sofrimento, atacados por um anónimo numa caixa de comentários], das pessoas famosas que não conseguem usar um bikini sem ter a celulite exposta em todas as capas de revistas, ou ir jantar fora e ter as fotos com comentários do género "come imenso e por isso está uma baleia".
temos pena ou seja, não temos. porque cada vez que fazemos alguma coisa temos uma opção: ou nos expomos, ou não nos expomos. e há ainda uma outra opção: se nos expusermos, queremos manter a exposição ou sabemos lidar com isso como se não nos estivessem a arrancar um pulmão? há opção e, havendo opção, não pode haver comiseração.
10.14.2010
lost
aqui há uns posts atrás, o Prezado deixou o seguinte comentário:
resume numa frase aquilo que muitas pessoas pensam dos bloggers [sendo o Prezado um de nós - assumido] e categoriza-nos ali ao lado daqueles que vão a convenções da Star Wars vestidos de clone, entram nas Olimpíadas de Xadrez, óculos fundo de garrafa, meios gagos, com calças que não chegam a tapar as meias e coletes axadrezados tricotados pela mãe. não digo que para manter esta coisa não seja exigida uma espécie de dedicação nerd à net. mas. enquanto leio blogs não leio livros - erro. enquanto leio blogs não vejo televisão - não-erro. e sobretudo faço uma coisa que nunca faria se não tivesse blog: escrevo. não sou escritora, não quero ser escritora, sou blogger e com pouca dedicação à causa. leio pouquíssimos blogs [nunca posts com mais de 5 linhas] e sobretudo vejo [quando tenho tempo] blogs de design porque preciso, por necessidade absoluta profissional e de preservação da saúde mental. ter um blog nunca me foi impediu de sair para jantar, de levar os meus filhos a patinar, de namorar, de ouvir as minhas amigas a queixarem-se dos namorados. tenho outros impeditivos para isso, bem maiores. por isso [e embora me delicie um pouco a noção de ser blog-nerd]tenho de dizer que não concordo, um blog não serve só para mal fodidos. já repararam na quantidade deles que andam para aí a apregoar relações maravilhosas?
é por isto tudo que há tempos resumi a coisa dizendo que os bloggers são uma cambada de mal-fodidos.
resume numa frase aquilo que muitas pessoas pensam dos bloggers [sendo o Prezado um de nós - assumido] e categoriza-nos ali ao lado daqueles que vão a convenções da Star Wars vestidos de clone, entram nas Olimpíadas de Xadrez, óculos fundo de garrafa, meios gagos, com calças que não chegam a tapar as meias e coletes axadrezados tricotados pela mãe. não digo que para manter esta coisa não seja exigida uma espécie de dedicação nerd à net. mas. enquanto leio blogs não leio livros - erro. enquanto leio blogs não vejo televisão - não-erro. e sobretudo faço uma coisa que nunca faria se não tivesse blog: escrevo. não sou escritora, não quero ser escritora, sou blogger e com pouca dedicação à causa. leio pouquíssimos blogs [nunca posts com mais de 5 linhas] e sobretudo vejo [quando tenho tempo] blogs de design porque preciso, por necessidade absoluta profissional e de preservação da saúde mental. ter um blog nunca me foi impediu de sair para jantar, de levar os meus filhos a patinar, de namorar, de ouvir as minhas amigas a queixarem-se dos namorados. tenho outros impeditivos para isso, bem maiores. por isso [e embora me delicie um pouco a noção de ser blog-nerd]tenho de dizer que não concordo, um blog não serve só para mal fodidos. já repararam na quantidade deles que andam para aí a apregoar relações maravilhosas?
10.11.2010
ideal
quando penso nisso deve-nos ser quase impossível não idealizar o tipo de pessoa perfeita para nós.
para o meu amigo são raparigas dez anos mais novas com copas acima de C, belas, pálidas e cujo pequeno almoço completo inclui a filmografia completa do bergman.
para mim, o tipo perfeito é muito moreno, jogador obssessivo de rugby, detestando qualquer tipo de jogos de azar, passatempo favorito viajar a sítios insólitos e conhecendo de cor todos os livros de saramago e do gabriel garcia marquez. uma espécie de gonçalo cadilhe mas em maciço e intelectual.
as coisas perfeitas são boas para quando está sol lá fora e nós fechados no escritório com uma pilha de orçamentos para organizar. boas para quando chove e é sábado de manhã e não temos nada marcado para o resto do dia, nem sabemos se teremos.
boas para exercitar a mente como uma casa com piscina no meio das montanhas com a qual sonhamos mas onde nos aborreceríamos se tivéssemos de passar todos verões. porque a verdade é que a perfeição aborrece e, convenhamos, as pessoas reais e os seus defeitos são bastante mais interessantes.
para o meu amigo são raparigas dez anos mais novas com copas acima de C, belas, pálidas e cujo pequeno almoço completo inclui a filmografia completa do bergman.
para mim, o tipo perfeito é muito moreno, jogador obssessivo de rugby, detestando qualquer tipo de jogos de azar, passatempo favorito viajar a sítios insólitos e conhecendo de cor todos os livros de saramago e do gabriel garcia marquez. uma espécie de gonçalo cadilhe mas em maciço e intelectual.
as coisas perfeitas são boas para quando está sol lá fora e nós fechados no escritório com uma pilha de orçamentos para organizar. boas para quando chove e é sábado de manhã e não temos nada marcado para o resto do dia, nem sabemos se teremos.
boas para exercitar a mente como uma casa com piscina no meio das montanhas com a qual sonhamos mas onde nos aborreceríamos se tivéssemos de passar todos verões. porque a verdade é que a perfeição aborrece e, convenhamos, as pessoas reais e os seus defeitos são bastante mais interessantes.
10.08.2010
education
criança do primeiro ano vem mostrar o caderno à mãe. caderno parece uma coisa cheia de rabiscos que ele mostra com muito orgulho. mãe diz que sim, está muito bem, a letra tem de melhorar. mãe não percebeu nada dos rabiscos. o report final diz que ele tem de falar menos nas aulas. mãe sorri, dá-lhe um beijinho e manda-o mostrar o caderno à irmã. mãe fica sossegada enquanto a irmã grita "não quero ver nada disto de falar nas aulas para a semana" e "porque é que te portaste assim? não sabes que tens de estar sossegado nas aulas?". mãe considera que delegar é uma tarefa para duros e nem todos a conseguem fazer.
Inquietação
Se um francês é um italiano mal humorado, como dizia Cocteau, então um português será talvez um espanhol melodramático. Um Espanhol sem cañas e olés!, sempre a carregar de negro as coisas. Um espanhol que transporta nestes dias um fardozinho especial, mais pesado que a Espanha. Irra, que não há um jornal com uma boa notícia. Só dramas. Parece que vivemos na pequena aldeia gaulesa das desventura, rodeada de mundo perseverante por todos os lados. Mas já estamos habituados. Pudera. Mesmo se exageramos no discurso, lá dentro, lá no fundo, é muito nosso não sermos muito alegres nem muitos tristes. Brandos costumes, brandos sentires. E hoje, dois zero à Dinamarca.
10.07.2010
secretly
sou uma pessoa um bocado histérica, já se sabe. nervosinha, ansiosinha e isso. perco muito peso, muito cabelo, bebo demais, grito demais, quero sempre mais, exijo, não faço ideia da minha tensão [porque está sempre lá no pico] e acho sempre que mais dia menos dia me vou com um avc, que rebento de nervos. isto era eu até a semana passada. agora tenho um filtro para me tornar normal e a coisa vai. estou tão normal. por fora sim. e na verdade sinto-me normal [nem sabia o que era ser normal até a semana passada]. acontece que, apesar de tudo, a vida corre-me da mesma maneira estúpida. eu é que já nem quero saber disso para nada. tornei-me aborrecida.
10.05.2010
what a difference a day makes
ainda a semana passada todos pareciam arrastar os desgostos amorosos como malas pesadas e fora de moda e hoje já só vejo bebés a serem programados, aneis de noivado no facebook e namoros secretos que sugam os amigos para locais invisíveis.
tenho andado a olhar para o lado errado ou o mundo ficou muito equilibrado de repente?
tenho andado a olhar para o lado errado ou o mundo ficou muito equilibrado de repente?
10.01.2010
blogs
ok, a vida é melhor sem dúvida. é muito melhor beber um vodka tónico do que postar aqui uma foto de um vodka tónico. é muito melhor sair para uma festa, ir a um restaurante com um amigo, telefonar à mãe, ir às compras com amigas. a vida é melhor. mas muitas vezes a vida não é feita de nada disto e somos só nós enfiados num sítio onde não nos apetece, sem podermos ligar a quem nos apetece, sem poder sair para ir à esplanada do bairro alto hotel com o namorado. porque estamos sozinhos, porque não temos namorado, porque temos filhos em casa, porque as amigas foram para a festa. nessas alturas, os blogs são melhores.
a cause
alguém ofereça um iphone à mulher certa para ela poder blogar das 8 às 5. a sério, os posts dela são dos poucos que consigo ler enquanto trabalho. e aposto que não sou única nisso.
9.30.2010
crazy
num acto de pura insanidade, sincronizei o meu ipod no itunes de outra pessoa, sem sequer olhar ao que lá estava. é a puta da loucura.
9.29.2010
9.28.2010
faith
a fé aconteceu-me era ainda criança. recebi-a como um dom, abracei-a, primeiro envergonhadamente, depois assumidamente. sou católica mas. nas férias a fé pôs-me à prova - numa mesa de 11 pessoas eu era a única a tentar defendê-la entre pessoas que tinham para contrapôr "vi um carrinho de bebé e uma enfermeira levava um balão de soro ao lado da mãe que empurrava o carrinho". não trabalho no IPO e talvez por isso a fé não me tenha abandonado ainda na totalidade. mas abandonou-me um pouco. na outra sexta em que também voltei de uma festa de bar aberto [não a da time out, na semana anterior] disse-te ao telefone que tinha a pintura esborratada. do meu ex marido a tentar foder-me a pensão. da casa onde vivo que detesto. do meu emprego que odeio. do bebé que perdi e, tomando-o como um sinal divino, me tinha feito largar tudo - para chegar aqui. nessa altura a minha fé estremeceu porque pensei - e se nada era sinal e tudo foi uma aleatoriedade e nunca fui tão infeliz - pedi a Deus que me provasse que existe. há quem diga que Deus prova que existe cada vez que nasce uma criança, cada vez que uma flor aparece, cada vez que há um pequeno milagre de felicidade. o meu está numa bula e chama-se embotamento afectivo. se durar, seremos muito felizes, muito.
9.25.2010
open bar
coisas inacreditáveis que se aprendem numa sexta à noite:
- há quem beba de copos usados num bar por estranhos quando os copos lavados acabam
- o alfaiate não lê o blog mais espectacular do mundo [este, pois]
- há quem beba whisky tónico quando o vodka acaba
- há quem beba vodka baunilha com coca cola quando o vodka normal acaba
- que devemos sempre ter saído da festa cerca de uma hora antes do que a que efectivamente chegámos [ou uma hora depois]
- é possível comer um cupcake sem ficar extremamente enjoado, mas só às 4 da manhã.
- há quem beba de copos usados num bar por estranhos quando os copos lavados acabam
- o alfaiate não lê o blog mais espectacular do mundo [este, pois]
- há quem beba whisky tónico quando o vodka acaba
- há quem beba vodka baunilha com coca cola quando o vodka normal acaba
- que devemos sempre ter saído da festa cerca de uma hora antes do que a que efectivamente chegámos [ou uma hora depois]
- é possível comer um cupcake sem ficar extremamente enjoado, mas só às 4 da manhã.
9.24.2010
faith
chorei quando lhe contei os três reis do oriente antes de o deitar [ando com problemas com a minha fé, entre outros]. ele só pediu porque queria chegar à parte do Baltazar, da música que ouviu no carro do pai.
9.23.2010
convenience
oiço mais uma história de um casamento falhado e é mais um encolher de ombros porque já sabíamos no que ía dar é sempre assim as pessoas sempre a casar teimosamente mesmo sabendo no que aquilo vai dar. e isso lembra-me como caminhamos sem desvios para o amor conveniente. de repente tudo tem de ser confortável e à medida, os me days, os spas, as massagens. o amor tem de ser assim, à medida ou então não vale a pena, é perda de tempo, consumo de recurso, mau investimento. como se alguma vez na história da humanidade o amor tivesse sido qualquer outra coisa do que um inconveniente. uma espécie de doença que nos torna insensíveis aos outros, egoístas e estúpidos. como se o amor conveniente ou não não fosse uma mera questão de sorte, como se fosse de nossa escolha apaixonarmo-nos exactamente pela pessoa certa, e não fosse - pela mera lei das probabilidades - mais fácil apaixonarmo-nos por uma pessoa que não é certa, que não vive na nossa cidade ou país, que não gosta de nós, que é casada ou apaixonada por outra, que quer outras coisas da vida que não nos incluem. é assim como é assim com a amizade, os amigos às vezes também vão para fora, não estão lá, gostam mais de outros amigos, deixam-nos agarrados. é assim porque a vida é assim, não feita de conveniencias mas de coisas que queremos ou não queremos. e das merdas que fazemos pelas que queremos. conveniência é o comando da meo e os pequenos almoços que vêm trazer a casa num cesto.
modesty
não gosto de gabar os meus filhos. não sou uma mãe modesta. sou só uma mãe que acha que os filhos, se méritos tiverem, são deles não meus e portanto terão eles de gabar não eu.
já escrevi aqui que o meu filho aprendeu a ler sozinho. e a escrever. no sábado passeámos os dois sozinhos no ccb e perguntou-me o que era uma raiz quadrada de um número. expliquei-lhe. aprendeu. o meu filho é assim: explica-se e aprende. teve a sorte de nascer assim e se algum gene desses herdou foi do pai. de manhã ouvi a professora a quase sugerir-me uma avaliação para o passar para o segundo ano [entrou no primeiro agora, tem 6] mas ainda é cedo.
é cedo sim, porque apesar de tudo, o meu filho ainda é um menino chatinho que quer saber tudo, que fala demais, que demora eternidades a comer um prato de sopa e só desde ontem é que sabe apertar os ténis. ainda é cedo porque o meu menino é um bebé.
já escrevi aqui que o meu filho aprendeu a ler sozinho. e a escrever. no sábado passeámos os dois sozinhos no ccb e perguntou-me o que era uma raiz quadrada de um número. expliquei-lhe. aprendeu. o meu filho é assim: explica-se e aprende. teve a sorte de nascer assim e se algum gene desses herdou foi do pai. de manhã ouvi a professora a quase sugerir-me uma avaliação para o passar para o segundo ano [entrou no primeiro agora, tem 6] mas ainda é cedo.
é cedo sim, porque apesar de tudo, o meu filho ainda é um menino chatinho que quer saber tudo, que fala demais, que demora eternidades a comer um prato de sopa e só desde ontem é que sabe apertar os ténis. ainda é cedo porque o meu menino é um bebé.
9.22.2010
dear universe
enganaste-te. a minha vida não é isto. parece-me demasiado óbvio aos meus olhos [e aos de todos os outros estou segura que também não escapa] que o post que deveria estar a escrever era este: acabei de vir do lançamento do novo e poderoso Martini Gold, na terraza Martini num dos rooftops da Avenida da Liberdade. confesso que nunca fui grande fã da dupla Dolce e Gabana mas o conceito vaporoso que criaram para a nova bebida dourada eleva-me a décadas que sempre pensei terem mais a ver comigo.
enganaste-te mas ainda estamos muito a tempo de corrigir isso, não é?
enganaste-te mas ainda estamos muito a tempo de corrigir isso, não é?
9.21.2010
its a new day, its a new dawn
a minha vida é um buraco que lentamente, pacientemente, correctamente, precisamente, carinhosamente fui cavando. custou-me muito toda esta escavação mas - oh se soubessem como finalmente está fundo e é completamente impossível vislumbrar o fundo da cova - ficariam orgulhosos.
é uma coisa assim mesmo grande. e agora estou aqui à beirinha a espreitar e a pensar como poderei cavar um pouco mais, uma vez que isso é o que sei fazer. bolas, se sou boa nisso, posso dar palestras, escrever uma tese de doutoramento e ganharei prémios de carreira de escavar buracos. o único problema agora é já não ter chão onde enfiar uma pá. é pena, porque de facto sou boa nisto.
é uma coisa assim mesmo grande. e agora estou aqui à beirinha a espreitar e a pensar como poderei cavar um pouco mais, uma vez que isso é o que sei fazer. bolas, se sou boa nisso, posso dar palestras, escrever uma tese de doutoramento e ganharei prémios de carreira de escavar buracos. o único problema agora é já não ter chão onde enfiar uma pá. é pena, porque de facto sou boa nisto.
9.20.2010
not so sad
mas uma coisa sei muito bem: o que quero passar os meus dias úteis a fazer. e não tem nada a ver com o que faço agora. parece fácil - mas não é, não é, a sério.
9.16.2010
blindness
diz o Pedro A árvore pode ser vista de muitas maneiras, de muitos ângulos. Mas quem está debaixo da árvore não vê a árvore.
mas a verdade é que bastava olhar para cima para a ver. não queremos, ver é isso.
mas a verdade é que bastava olhar para cima para a ver. não queremos, ver é isso.
9.15.2010
el secreto de sus ojos
"Y ya no sé si es un recuerdo, o el recuerdo de un recuerdo lo que me va quedando, ¿se da cuenta?"
o filme mais bonito deste ano.
9.14.2010
words
até há pouco tempo eu tinha umas coisas, chamemos-lhes assim. antes disso eu tinha tido nenhumas. mas ainda antes eu tinha tido muitas dessas coisas. por isso achava-me em plena legitimidade para me queixar de não ter coisas suficientes. o perfeitamente normal é querer ter tudo. acontece que ninguém tem tudo. termos algumas coisas é bom. termos muitas é óptimo. o óptimo é inimigo do bom - que é onde se estraga tudo - porque a verdade é que mesmo quando temos muitas coisas achamos que o que queremos mesmo é ter outras coisas que não aquelas. tendo perdido algumas coisas que eram quase muitas, resta-me o silêncio antes que perca ainda mais alguma coisa e seja obrigada a voltar à casa da partida sem receber 2 contos.
9.10.2010
fuck that
lembram-se deste post? oh fuck that, eu lembro-me deste post. também me lembro do inverno que se lhe seguiu. não foi particularmente duro, todas as rupturas não passaram de pequenos ameaços que com o desfazer das folhas das árvores se refizeram. por isso e, provando uma vez mais que o karma é a maior bitch que existe no universo, adivinhem lá quem é que acabou por ter um verão particularmente canicular fuck that. [um pouco de persistência, qualquer dia prometo escrever um post inteiro sem palavrões].
com um beijinho de agradecimento ao antónio, por lhe ter roubado a expressão vernacular, e por aturar as minhas muitas birras mais vezes do que ele certamente desejava.
com um beijinho de agradecimento ao antónio, por lhe ter roubado a expressão vernacular, e por aturar as minhas muitas birras mais vezes do que ele certamente desejava.
9.08.2010
three
combinei casar com três amigos, se chegarmos aos 70 anos ainda solteiros. isto já foi há algum tempo e continuamos solteiros. isto é, eles continuam solteiros e eu continuo [muito pouco] casada. no fundo - no fundo espero é que a poligamia seja legalizada mas não vejo ninguém preocupado com esta minha fracturante causa.
desconcertante
como é que o sartorialist está sempre a esbarrar em homens cheios de pinta e eu conheço tão poucos assim?
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