No meu 2º ou 3º ano de faculdade, na aula de desenho fizemos nus. Lembro-me do professor estar a falar do escorço*, de como esta é a posição mais difícil de desenhar. Porque o olho vê algo que o cérebro percepciona de forma diferente. Ou seja, se um pé estiver de frente e apenas conseguirmos ver uma ínfima parte da perna, ainda assim sabemos que a perna tem um certo cumprimento, logo a nossa pecepção visual é de uma perna de tamanho normal (e não daquela ínfima parte). É por isso que se torna difícil de desenhar: porque temos que ver só com os olhos, sem interferência do cérebro.
Isto aplica-se ao desenho, mas a verdade é a que tantas e tantas coisas se podia aplicar. Quantas vezes não obliteramos a realidade, enganados pelas nossas noções pré-formatadas, pelas nossas hormonas, pelo nosso cérebro, por nós próprios? É o escorço, é o que é.
*arte de representar os objectos em proporções menores que a realidade; efeito de perspectiva, segundo a qual os objectos, vistos de frente, apresentam dimensões reduzidas ; (do priberam.)
tenho dificuldade em encontrar roupa que me sirva. Não fui eu que encolhi, os tamanhos é que alargaram tanto que o 34 me fica grande. O que vale é que na secção de criança da Zara a roupa é tudo menos infantil.
(post a compensar ali o "fora de forma" em baixo).
Conto-lhe coisas de quando era bebé, ainda é bebé mesmo não usando fralda, dorme na cama de grades e usa chucha e ó-ó para adormecer. Conto-lhe de como quando era um bebé pequenino cabia todo inteirinho no meu colo e adormecia a beber o leitinho, isto porque quer subir para a cadeira do carro sozinho (e sobe). Então (estava-se mesmo a ver) do alto do seus 29 meses declara-me que já não é bebé, é "gande e vai ser o supie homem", que quer dizer o Super-homem e eu digo que é mas é o homem-sopa, o supie-homem, e rimos muito os dois.
E agora interrogo-me se devo mostrar-lhe este filme, para que apreenda as realidades da vida desde já, que melhor do que ser supie é mas é ter dinheiro.
"The most exciting, challenging and significant relationship of all is the one you have with yourself. And if you find someone to love the you you love, well, that's just fabulous."
10.13.2006
A Mãe Galinha abriu uma loja nova, muito gira. Vão espreitar aqui.
De que vale não ter brinquedos bélicos em casa se uma colher de pau é "uma eshpada, tchá, vou matá-te!" (já para não falar de todos os paus e pedras que encontra na rua).
O ano começa e comemos passas. Não entendo bem esta tradição e nem gosto de passas, mas como-as naquele dia por superstição, não vá o diabo tecê-las. Nessas passas vão, uma a uma, as nossas expectativas para aquele ano (saúde, saúde para os miúdos, um emprego), já disse que não gosto de passas e só as como naquele dia por superstição, não vá o diabo tecê-las?
O ano começa e temos dentro de nós uma série de resoluções, ou vão elas aparecendo ao longo desse ano, podemos não saber muito bem quais são mas sabemos certamente quais não são.
O ano ainda mal começou e já se foi um projecto, um projecto vital (vital de vida). Recuperamos como podemos, temos outros projectos, pois claro.
O ano ainda vai a meio e descobrimos que alguém em quem confiámos nos traíu de todas as formas possíveis de trair alguém, afinal nessas 12 passas deixámos muita coisa de fora (saúde para o resto da família, que acabem todas as guerras) e mesmo das que pusemos dentro nem todas foram cumpridas (ou culpa nossa, esquecemos o que não comecem novas guerras).
Ainda falta para o ano acabar e já só lhe vemos o fim, duvidando mesmo de que o fim seja o princípio de algo ou apenas a continuação disto tudo, afinal o que é um ano, um mês, senão conceitos que não podem ser pensados em absoluto, quantas vezes um ano leva dentro de si mais de dez, quantas vezes passa num dia só.
Dentro desse ano, porém, nem tudo foi mau, alguns dos pedidos das passas foram mesmo atendidos e, se fomos dessas pequenas árvores que balançam à miníma rajada, descobrimos ter tutores (o nome das estacas que seguram a árvore ao chão) em quem nos apoiarmos durante o difícil percurso.
À F., S.F., S.M., R.N., R.T.S. e M., muito obrigada por estarem lá, sempre.
Agora a nova é: querem magoar-se um ao outro? Pois esgatanhem-se até ao fim do mundo e não quero queixinhas. (umas nódoas negras, arranhões, puxões de cabelo e palmadas depois acabam agarrados a pedir desculpa e aos beijinhos. Basicamente chegam ao mesmo resultado, demoram é um bocado mais).