Dividem-se as casas, as coisas, as fotos, as memórias, os filhos.
Como se dividem os filhos? Em saudades quando saem de férias para só voltarem daí a 15 dias.
Em períodos de telefone em que nos despacham. Em "estamos tão bem aqui" e ainda bem que não precisam da mãe, mas, temos pena, a mãe precisa de vocês.
Na verdade não somos mais do que as pessoas que tomam conta deles durante uns tempos, para eles.
Na verdade pois ainda bem que estão bem onde estiverem, claro.
Na verdade podiam só sentir um bocadinho a falta da mãe, e não precisava de ser essa dor surda que a mãe sente quando descobre uns calções debaixo de uma cama ou um desenho que nunca tinha visto escondido num fundo de uma mala, era um bocadinho só.
Dividimos tudo que afinal é nada quando o dividir é partir em dois o já tão pouco tempo que eles no fundo vão querer passar connosco.