1.30.2007

Do aborto

Estou farta, farta deste assunto nos blogs, na televisão, nos jornais (ah, aqui a fingir que leio jornais quando a tinta e o papel daquilo me enoja os dedos), nos outdoors.
O sim, o não, já nem sei a que é sim, se é sim ao aborto, sim à penalização, se é não à despenalização do aborto (e porque raio o raio das 10 semanas, que eu saiba a data dpp costumam ser as 40) ou não ao aborto. Não só não sei e me confunde como, para não variar não vou votar.
Por várias ordens de razões: a primeira de ordem muito prática: entre o meu cartão de eleitor e o bilhete de identidade distam uns meros 300kms que, na prática não me dão acesso às urnas.
A segunda de ordem ideológica: desde que venci uma campanha em 1991 com aventais de plástico, qualquer processo eleitoral de raiz democrática me parece profundamente injusto.
A terceira de ordem ainda mais ideológica: não posso sequer conceber que a lei possa regimentar questões morais, consentir ou não consentir actos que não são públicos mas sim de cariz reservado a quem os pratica.
Claro que efectivamente já é lacuna quando a lei está a penalizar, são artigos que deveriam pura e simplesmente ser apagados...(posto isto, espero um bocadinho que o sim ganhe, pois isso seria o mais aproximado da não regimentação da coisa).

8 comments:

Zuza said...

desculpa mas achei de uma incoerência enorme o teu texto. desculpa.

(os locais de voto não são vitalícios... podem ser alterados ;))

Joana said...

Aí é que está a questão: a lei não quer regimentar sobre questões morais (nem o faz, aliás). Não se está a perguntar se somos a favor ou contra o aborto (questão moral, da consciência de cada um), mas sim se achamos que a penalização desse acto, se praticado em estabelecimento de saúde legal e até às 10 semanas de gestação deve ser descriminalizado, despenalizado. Uma questão penal, portanto, que cabe a cada um de nós dar resposta.
Já agora, eu vivo em Lisboa e continuo a votar numa escola de Paranhos, Porto, e vou votar. Tenho mesmo de mudar isso...

clara said...

Zuza,
Claro q podem, eu é q não o tenciono fazer cada vez q mudo de casa (bastante regularmente aliás)
Achaste? reconheço que o escrevi pouco claramente. Demora a explicar e eu não gosto de posts demasiado longos.
Joana, sei perfeitamente qual é a questão e a questão é que não cabe à lei nem a nenhum orgão jurídico penalizar nem despenalizar questões morais, como o é o aborto, a traição, o uso de roupa provocante, a prostituição, faço-me entender?

Papoila said...

Bom, ideologias à parte, um dos fundamentos do direito (logo, das leis) é precisamente a moral...
(não será bem o termo, se calhar, mas é a substância...). Mas lá está, o direito de não votar também assiste a todos nós.

Margarida Atheling said...

Ai esse assunto... :s

Não concordo com a questão, com o que é, realmente, perguntado e referendado!
Não concordo com o "Sim" a ESTA pergunta!
Não concordo, óbviamente, com a lei que temos!

Vou votar, apesar disso. Acho eu... :s

Joana said...

Concordo contigo, Clara, o ideal seria que a lei nem sequer existisse, porque não cabe a mais ninguém senão à mulher a decisão de abortar ou não.
Mas não há mundos ideais, quanto mais leis, por isso é que temos este referendo.
O direito de não votar também nos assiste, claro. Eu, pessoalmente, acho que devemos votar sempre que nos é pedido, mas isto é como o aborto: está na consciência de cada um.

marília said...

É com alguma tristeza que acabo de ler este post. Apenas por uma questão, pelo desprezo demonstrado por um direito que tanto custou às gerações anteriores à nossa conquistar: o direito de voto. Nem que se vote em branco, vote-se. Penso que as pessoas (tantas mulheres) que morreram a lutar por esse direito merecem todo o nosso respeito.
De resto, gosto muito do seu blog!

clara said...

Marília, desprezo sim. Para mim o voto é um falso poder, não é poder nenhum.
Lamento q se tenham morto tantas mulheres (n terá sido certamente em Portugal)para podermos ter esse direito. No entanto, o meu aplauso para elas: morrer a defender uma causa tem que ser melhor do que morrer por razão nenhuma (sendo que acabamos por fazê-lo todos na mesma).
Digamos que (para mim, não estou a tentar vender esta ideia a ninguém) o poder de voto é o mesmo poder que têm os macacos quando apanham e comem os amendoins que lhes são atirados no jardim zoologico.
No entanto, respeito a sua opinão, como espero que faça com a minha.

pessoas com extremo bom gosto