10.01.2009

Simplex [ou como andando por aqui há 34 anos a pessoa aprende a ser indiferente a tudo]

este ano passei o meu filho para uma escola oficial. a escola obriga a uma declaração médica aquando da entrada da criança na escola. a educadora passa a primeira semana de escola a pedir a declaração - com toda a razão uma vez que o ministério vai obrigá-la [mais cedo ou mais tarde] a enviar as fichas de inscrição das suas crianças devidamente acompanhadas da declaração médica.
hesito entre enviar um mail ao pediatra particular da criança, que a passará sem o ver, ou pedi-la no Centro de Saúde. opto pela segunda, mesmo sabendo que terei de marcar consulta com um médico qualquer - à nossa família não foi atribuído médico de família desde que mudámos para a freguesia, há dois anos atrás. as razões são logísticas, o C. S. é muito mais perto de casa do que o consultório particular.
ligo para o C.S., descubro afinal que já tenho médico de família, mas noutra extensão: foi-me atribuído um a duas semanas das eleições, que coincidência espantosa.
ligo para a nova extensão a pedir consulta para a declaração médica obrigatória, a pessoa que atende pergunta para que quero a declaração e responde, singelamente, que se é para o Jardim de Infância, vai pedir ao médico de família que a passe [uma pessoa que nunca vi à frente] e posso levantá-la daí a 2 dias.

o estado que obriga à entrega de uma declaração médica para a frequência de um estabelecimento de ensino próprio é o mesmo que declara aos médicos que passem declarações para frequência do estabelecimento de ensino sem verem as crianças [aqui deve ser a parte simplex da coisa].

3 comments:

pal said...

duvido que o estado declare isso aos médicos, esse médico é que é um bocado parvo.
olha, o nosso pediatra particular não passa sem a ver e auscultar no dia em que assina o atestado ("e isto só vale neste dia em que assino", diz ele, "não é isso que garante que amanhã não tenha uma doença infecto-contagiosa...")

Clara said...

Paula, essa é a essência da coisa. não há garantias que no dia, na hora seguinte ou mesmo na hora em que eles são vistos pelo médico não tenham doenças infecciosas [que as há e muitas não detectáveis pela auscultação].

e não há médicos suficientes para as consultas das declarações de início de ano lectivo [que as pedem todos os anos].

Micas said...

está lindo, a parte simplex da coisa! gostei. :-)

pessoas com extremo bom gosto