2.24.2007

Olho o meu corpo

e não o reconheço. Perdi tanto peso nos últimos tempos que nenhuma roupa me serve, os numeros nas lojas começam a seguir ao do meu corpo, ele não encaixa. Pareço uma miuda daquelas dos anúncios da anorexia, o que num corpo de quase 40 anos não é minímamente estético.
Agora pensando bem, talvez seja isso mesmo que ele queira, o meu corpo, volatizar-se, sublimar-se aos poucos (sem grandes dramas), ir desaparecendo.
Primeiro começar a ficar baço e a perder a cor até se tornar completamente transparente e desaparecer no ar.

Lembro-me dos balões da EuroDisney, as caras de Mickeys a vogarem sorridentes no ar presas nuns fios com umas caras iguais mais pequenas, de plástico, na ponta. Os fios agarrados a essas carinhas para os balões não fugirem no ar e nos gritos dos miúdos que os deixaram escapar.

O meu corpo é agora como um desses balões, preso por um fio e com algumas carinhas de contrapeso: o riso deles, os comprimidos, as conversas com o médico, as conversas com a sogra e com as amigas.
Tudo o resto é ausência. Ausencia de vida. Dele. Do corpo dele (seria o meu contrapeso?), do cheiro dele, da vida como era antes.
Um dia será o dia de largar os contrapesos e deixá-lo ir, em paz. Será hoje?

4 comments:

Anonymous said...

Um corpo momentaneamente magro, sem vida?? sem côr??
Não...... Um corpo lindo!
Não podia ser de outra forma, a luz que o ilumina é das mais fortes e bonitas que alguma vez vi!
Adoro-te Amiga,
Uma das «contrapesos».
PS - Uma semaninha comigo em Pedras e aumentas 5 kgs, prometido!!

clara said...

minha querida, expliquei-te que este post não era autobiográfico, nem por sombras.
Bjs

maria said...

gostei de ler o post, mas ainda bem que não é autobiográfico.

bjnho

Miguel said...

Mesmo não sendo autobiográfico faz-me pensar muito em ti.

pessoas com extremo bom gosto