1.23.2008

Eu se nunca

tivesse sido casada e fosse a um jantar só com outras mulheres, todas casadas, jurava para mim própria nunca o fazer. Quatro horas de conversa sobre bimbys, pediatras, raptos, gravidezes, operações plásticas para retirar a gordura da barriga, obstetras, partos, birras e noites mal dormidas seriam suficiente desmotivante.
Estar no limbo é (só nesta perspectiva mesmo) muito bom. Tanto temos conversa sobre saídas nocturnas e homens (enquanto a memória não falhar) como pediatras e birras (embora confesse a minha preferência pelo tipo de conversa das solteiras).

Dedicado à F.,por se ter aguentado estoicamente aquelas horas todas.

6 comments:

said...

Eu que praticamente só vou a jantares com mulheres casadas diria que a sua conversa está muito longe de dessa panóplia de futilidades e utensílios.

( Mas esclarece-me: a ideia era associar os afazeres e interesses da lida doméstica às mulheres casadas 'livrando' as solteiras de tais superficialidades, ou era simplesmente sugerir que elas, devido ao seu estado civil, têm a líbido em pousio?)

Otium said...

... pergunta curiosa...

Clara said...

Zé, sei lá. Quando era casada também me aborrecia com essas conversas. Detesto cozinhar e falar sobre receitas, panos de cozinha, o mau português das empregadas, as notas da criancinhas. Há imensa coisa nas conversas das solteiras que me aborrece profundamente também, não te preocupes. Estou armada em intelectual, se calhar.

Margarida Atheling said...

Pois, realmente em relação a isso, tu estás na mais confortável das situações.
E cheia de versatilidade!

Bjs

Clara said...

Estou nada, Margarida. No fundo depois nunca tenho ninguém que me compreenda a mim, já viste?

MC said...

Adorava (nem que fosse) pensar no mau português de uma empregada (era sinal de que ela existia cá em casa e fazia a seca das limpezas). Quanto a conversas de jantares, nos que vou, entre os partos das casadas (e não só) e a noite de copos e gajos das solteiras, sinto-me uma completa alienígena. Muitas vezes apetecia-me sair dali para me deitar com o Rodrigo na nossa cama, ler-lhe a historinha da praxe e depois pegar no meu livro, com ele a dormir com as costas quentinhas coladas às minhas.

Ou então voltar à idade da inocência em que os amigos são tudo e a inspiração dos copos nos levava a passar noites inteiras a dissertar sobre o aborto e a existência de Deus.

mas percebo-te

bj e desculpa o coment. tão grande

pessoas com extremo bom gosto