11.22.2007

Na Fox

acho que é, há uma série em que uma rapariga, advogada de divórcios na cidade mais impiedosa do mundo, tem um trabalho por fora como casamenteira. Só por esta sinopse dá para imaginar a qualidade da série, é mesmo má. Dá ao Domingo, parece-me, e acho que já adormeci umas vezes a olhar para aquilo (inevitavelmente as escassas horas que passo a ver televisão adormecem-me, o meu atention spam para a coisa é o de uma criança de 2 anos com hiperactividade).
Bonita, essa profissão, casamenteira. Suponho que nunca tenha sido considerada uma profissão com estatuto próprio, seria mais um "trabalhinho" por fora de alguma vizinha viúva ou coisa assim, não sei bem.
Talvez o fizessem mesmo sem obterem lucro pessoal, pelo gozo de verem casalinhos arranjados, pelo puro prazer de saberem pelas suas mãos tecidas famílias, de lhes nascerem enteados frutos de anos de observação dos outros e de umas quantas trocas de palavras, afinal não lhes dava grande trabalho e seria um entretenimento em tempos de escassez de entretens. Divago já.
Na adolescência eu passei por isso também, sempre gostei de ver as minhas amigas "arranjadas", de facto sabia bem que obtinha apenas prejuízo disso, o tempo que dispunham para mim quando arranjavam namorado passava para quase nulo, mas não sei bem porquê vejo-me hoje em dia a pensar o mesmo, em quem ficaria bem com quem, a prestar conselhos sobre relações, a ter paciência para ouvir as queixas que não ouvem eles.
A lógica deve ser a do "quem não sabe, ensina", não perdoaria a quem me fizesse o mesmo a mim, eu sou a pessoa mais inepta do mundo nestas coisas, sou boa a sabotá-las mas não me peçam mais.
Ontem ao reflectir sobre o assunto imaginei que a psiquiatria explicasse o assunto assumindo que ao projectar o meu desejo nos outros estaria apenas a salvaguardar-me a mim dessas situações.
Evito-as, sim. Não por estar traumatizada com nada. Não por "não querer voltar a passar pelo mesmo". Apenas por nunca ter querido passar por nada disso.
Nessas coisas tenho a aptidão de um gago para a fala. É verdade que com terapia até pode vir a falar correctamente, mas no fundo, nunca deixará de ser gago.
A única maneira de não gaguejar é não falando. Nunca.

3 comments:

Margarida Atheling said...

Ou cantando, Clara!
Sabias que os gagos, a cantar, não gaguejam? Pois então...

Bjs!

Florença said...

Que engraçado. Eu tb tenho essa mania de querer juntar todos com todos e já consegui juntar alguns, se bem que por pouco tempo. Até que é um passatempo divertido. Bem melhor que ver novelas :D

Clara said...

Florença, e também és incapaz de manter uma relação por mais de 2 dias?

pessoas com extremo bom gosto