8.03.2009

Vende-se Tese de Mestrado

Segundo o Expresso, o negócio da venda das teses de mestrado em Portugal prospera. O preço pode atingir € 1500.
O Senhor Presidente do Conselho de Reitores está muito preocupado e acha que estas fraudes são difíceis de detectar.
Acontece que eu, repito, eu, tive uma ideia genial para controlar a praga das teses falsificadas.
É assim (para usar a muleta linguística mais em voga): arranjava-se um Professor Orientador para cada mestrando que estivesse a preparar a tese.
Esse Professor, mensalmente, pediria um relatório ao mestrando sobre a evolução do seu trabalho e inteirar-se-ia do estado da investigação. Assim, no final do prazo, o produto final já seria razoavelmente conhecido da Universidade e não haveria espaço para surpresas ou fraudes. Que tal esta ideia original?
O quê? Já existem Professores orientadores? Ah....

10 comments:

Palavras said...

Ah pois é, ai reside a questão, há "professores orientadores?"

Sofia said...

Eu que estou no final da redacção da minha tese, garanto que não tinham tempo para ler relatórios desses. Às vezes nem tempo têm para ler os capítulos da tese...

ecila said...

Tambem nao percebi bem a funcao do meu professor orientador em Portugal....

Martim said...

Há outro lado igualmente caricato do fenómeno: os júris que ficam espantados com algumas teses sem qualidade, e convidam os mestrandos a desistir, poucos dias antes da discussão. Se o orientador orientasse, a coisa nunca chegaria a esse ponto. Por acaso estou convencido que a questão da educação não é tanto a falta de grandes reformas globais, mas de muitas pequenas melhorias concretas em muitos pontos sensíveis....

Sabina said...

O meu professor pedia. De dois em dois meses. Não sei se lia, nunca chegamos a falar sobre isso. Mas que ao dia 1 dos meses pares, ele tinha que ter o relatório no mail, lá isso tinha.

Clara said...

Até que enfim tenho assuntos elevados no blog!

Margarida Atheling said...

Minha querida, garanto-te que, com o meu orientador, nem uma linha que não fosse, genuinamente, minha, escaparia. Porque sim, ele era um verdadeiro orientador, e estava bem a par da evolução da investigação e redacção da tese. E também sei que seria o primeiro a aconselhar-me a não prosseguir se não tivesse a certeza que o nível era, indiscutívelmente, suficiente (pelo menos).
Rigoroso, sim. Mas só assim concebo que se façam teses e mestrados e afins.
No entanto sei que na era Bolonha se estão a passar coisas do outro mundo!

Bjos!

Inês Meneses said...

Totalmente de acordo, Martim. A qualidade da orientação é uma coisa que fica inteiramente ao critério do próprio orientador - e é tarefa poucas vezes bem desempenhada. Não só afecta o orientando e a qualidade dos resultados como, como bem aponta, compromete a credibilidade do sistema, que é, e bem, baseado em conceitos de controlo entre pares.

joão amaro correia said...

por causa dessas e d'outras, é que a minha está em ibernação.

j

joão amaro correia said...

'hibernação', claro.

j

pessoas com extremo bom gosto