12.17.2011

Coerência II

há quem venda a sua res privada a troco de um prato de lentilhas.

há quem precise disso profissionalmente (os actores, por exemplo) e quem o faça porque lhe apetece.

está correcto, porque para cada um de nós a exposição pública tem um preço diferente - o meu preço é alto [por isso o meu blog é anónimo] mas eu não sou exemplo para ninguém para além de mim própria.
acho lindamente que exista quem o venda a troco de croquetes, quem o faça a troco de milhões, e quem o faça a troco de nada. 

mas quando o fizerem, não se esqueçam de uma coisa  - estão expostos, como uma fractura - o perigo de infectarem é grande, maior do que quando não estavam. por isso, ou sabem combater a infecção usando alguma capacidade extraordinária de defesa interna, ou não se podem expôr.

3 comments:

Pecola said...

Concordo. A capitalização da escrita (própria) não é um pecado mortal em si e até aceito o seu lado legítimo. Mas difícil é ser.se inteiro - sermos inteiros, aqui diante do espelho, eu, PECadora, me confesso:

"Acredito que a vida de um livro enquanto está nas mãos do autor não é mais importante do que quando está nas mãos do leitor. O leitor é quase sempre um autor ele próprio. É ele que dá significado às palavras e por isso até acho muito interessante quando as pessoas me vêm apontar coisas que não eram minha intenção, mas que de facto estão lá. E há muitas outras coisas que foram minhas intenções e que nunca ninguém me referiu, e no entanto também lá estão. Se calhar alguém reparou nelas ou ainda vai reparar. Tudo o que um leitor leia num livro é legítimo porque nessa fase o leitor é tudo, é ele que faz o livro."

José Luís Peixoto, in 'Diário de Notícias (2003)'

Pecola
http://pecola.artedoengenho.net

Ana Sofia Santos said...

eu agora trocava por uns croquetes estou cheia de fome :)

a mulher certa said...

Concordo em absoluto.

pessoas com extremo bom gosto