3.03.2010

Onde anda o coelhinho da Duracell?

Há uns meses, quando avariou o meu Blackberry de serviço, relativamente recente, a operadora entregou-me um modelo new old stock de 2005 para substituição temporária.
Trata-se daquele modelo muito tosco, grosseiro, de plástico rijo, pesadão. Não tira fotografias. Não tem música. Não passa filmes. Não tem o actual estilo clean, muito em voga, preto brilhante com moldura de aço ou alumínio. O acesso à Internet é miserável. Mas já não o devolvo nem por nada. Porquê?
Porque mesmo a receber chamadas em série e dezenas de emails por dia, sempre ligado, a bateria dura pelo menos três dias sem precisar do cordão umbilical para recarregar.
O marketing tem estas coisas.
Aparecem uns gadgets, todos lampeiros, cheios de funcionalidades novas, de peito feito, mas depois, pfff….Fotografia, toques, filmes, música, vídeo-conferência, está bem, mas bateria… está quieto, está…. E lá andamos todos ao tio ao tio, sempre agarradinhos à ficha e adictos ao carregador.
No que realmente interessa- a portabilidade- regredimos para trás do ano 2000, altura em os Nokia série 6 tinham estamina e estaleca para sete dias.
Se a indústria farmacêutica se movesse pelos mesmos valores da indústria electrónica, tinha lançado uma bisnaga que desse uns trejeitos meio esquisitos e sedutores à voz em vez do Viagra.
Com os carros eléctricos vai ser a mesma coisa. A pressão do marketing e a necessidade de rentabilização dos investimentos vai pôr esses bólides, de design meio marciano, na estrada já daqui a menos de um ano, pois os engenheiros lá garantiram que a pilha dá uns espasmozitos inconsequentes.
Vamos todos salvar o planeta mais cedo do que era previsto, mas com o credo na boca e os corações ao alto sempre que a miúda imponha um desvio por Sintra para comprar queijadas.

10 comments:

Sabina said...

Eu prefiro a versão preto brilhante com moldura de alumínio. E não é obviamente pelo design. Solução: dois carregadores de corrente, carregador de isqueiro, cabo USB e duas baterias.

Existe publico para tudo e eu não abdico da liberdade e de uma série de funcionalidades por uma bateria que dure mais uns dias. Isto, enquanto todos os dias houver electricidade. :-)

Capitu said...

Minha querida, depois de ter perdido o meu Star rosa choque, ando com um comando da televisão atrás, cuja bateria dá para... vá lá... se não o usar muito... um dia.

Martim said...

Sabina, és uma escrava da estética...;). A questão de fundo é apenas esta: a liberdade de escolha que a tua posição pressupõe está posta em casua porque a indústria praticamente já não oferece modelos simples e bateria de longa duração. E tudo cheio de cameras e filmes e tal....

Clara said...

ahahahah, tão prosaico Martim. como se o seu telefone pessoal n fosse o iphone.

_aifos_ said...

Eu prefiro a liberdade e o SEM-CARREGADOR :) Gostei tanto da espontaneidade do texto... :))

Zigue Zague said...

Eu nem sequer tenho telemóvel!

m
e
n
t
i
r
a

continuando assim... said...

convite para seguir a história de Alice, lá no
... continuando assim....

já começou !
espero que goste

bj
teresa

o coelhinho said...

Estive para aqui a pensar (se calhar fiz mal), que esta coisa do durar... Dura, mas é um matacão, incomoda à brava no bolso do fatinho pomposo que se leva à conferencia do senhor não sei quantos. É porreiro para ver os e-mails, mas é cinzento, tipo tijolo, não tem o Shazam, nem a pistazinha dos aviões para passar o tempo enquanto esperas pelo médico que te há-de cobrar 100 euros para te dizer que pouco mais sabe do que tu. Não tem sequer forma de soltar a música pelos headphones e deixar o teu dia diferente, mas dura e dura, (onde é que já ouvi isto), e para quê, para ser um insípido leitor de e-mails, uma espécie de sexo sem prazer. Naaaa, eu cá prefiro o ‘sexy mother fucker’ do iphone que nos obriga todo o santo dia a dar-lhe carga. Dura pouco, mas enquanto dura “é bom, muito bom”.
É claro que para telefonar e dizer “olá como vais?”, serve qualquer telefone. Melhor ainda é aparecer por lá, ...

Martim said...

coelhinho, confesso que também tenho um iphone. E só uso para reinar....

coelhinho said...

Reinar, Martim, ora ai está uma palavra curiosa que não ouvia faz muito. Aprecio a confissão, mas confesso a surpresa de imaginar que além do tijolozinho de plástico, já velhote e sem graça, ainda carrega o iphone, e para quê? a menos que seja uma dama, que as damas, diz-se e prova-se, são mais habilidosas nas multi tarefas, parece que é coisa ancestral, que a rapaziada masculina só sabia andar à caça, mas dizia eu, talvez pudesse o meu caro atender os dois ao mesmo tempo,... fico na duvida,...

pessoas com extremo bom gosto