1.31.2007

Então se calhar

do que estou farta mesmo é de um país (mundo?) onde as questões morais são discutidas, penalizadas, despenalizadas, referendadas, julgadas, legalizadas, juramentadas, puníveis com penas de prisão, amnestiadas, postas em causa em praça pública como se de armas de arremesso se tratassem e não de feridas profundas e expostas, com o pedaço de carne ainda lá agarrado já em meia putrefacção.

1.30.2007

Do aborto

Estou farta, farta deste assunto nos blogs, na televisão, nos jornais (ah, aqui a fingir que leio jornais quando a tinta e o papel daquilo me enoja os dedos), nos outdoors.
O sim, o não, já nem sei a que é sim, se é sim ao aborto, sim à penalização, se é não à despenalização do aborto (e porque raio o raio das 10 semanas, que eu saiba a data dpp costumam ser as 40) ou não ao aborto. Não só não sei e me confunde como, para não variar não vou votar.
Por várias ordens de razões: a primeira de ordem muito prática: entre o meu cartão de eleitor e o bilhete de identidade distam uns meros 300kms que, na prática não me dão acesso às urnas.
A segunda de ordem ideológica: desde que venci uma campanha em 1991 com aventais de plástico, qualquer processo eleitoral de raiz democrática me parece profundamente injusto.
A terceira de ordem ainda mais ideológica: não posso sequer conceber que a lei possa regimentar questões morais, consentir ou não consentir actos que não são públicos mas sim de cariz reservado a quem os pratica.
Claro que efectivamente já é lacuna quando a lei está a penalizar, são artigos que deveriam pura e simplesmente ser apagados...(posto isto, espero um bocadinho que o sim ganhe, pois isso seria o mais aproximado da não regimentação da coisa).

Ondas

Eu tenho uma amiga. Eu tenho a sorte de ter várias amigas, amigas muito boas que nisso escolho-as a dedo e sei que tenho escolhido muito bem.
Mas eu tenho uma amiga. Se acreditasse em almas gémeas, ela seria a minha e possivelmente teria que mudar a minha orientação sexual para me juntar a ela (e ela também). Mas não acredito (ufa!).
Eu já passei muito tempo com essa amiga, muitos e muitos dias juntas de tal forma que viviamos quase na casa de uma da outra, se calhar os nossos pais nem sabiam bem onde morávamos, se não dormíamos em casa era porque estávamos na casa da outra e pronto, nem pensavam muito nisso.
Acho que houve dias em que eu não sabia onde começava eu e acabava a minha amiga, eramos uma, eramos duas, duas cabeças em sintonia que nem sempre precisavam de comunicar verbalmente para saber exactamente o que a outra pensava. Esta minha amiga não lê blogs, por isso sei que não vai ler isto mas também não é por isso que estou a escrever.
É de independências.
Eu cresci a querer ser independente. Eu cresci a querer que os maus ganhassem nos desenhos animados só para o final me surpreender. Eu cresci a querer que os meus filhos fossem independentes, a adormecerem , alimentarem-se, a lidarem com os outros por eles mesmos. Eu tenho pressa que eles cresçam. Eu cresci a querer estar sozinha nos bons e maus momentos (ou a achar que nem pode ser doutra maneira). Não pode ser fácil viver com uma pessoa assim, admito.
Das ultimas vezes que vi a minha amiga (raramente nos vemos agora e sempre que a vejo ela muda radicalmente a minha maneira de pensar) conseguiu mostrar-me porque é que não posso ter medo de usar todas as palavras e todos os assuntos com os miudos.
Mostrou-me também quão longe o meu desespero pela independencia me tinha levado: aí estava eu, a centenas de quilometros de todos os que gostava e sem ter conseguido atingir nada daquilo que queria para mim. Isso não era independencia, era ser estupidamente orgulhosa e arrogante. Era ter desistido de tudo por me recusar a pedir ajuda.
Foi-se embora antes que eu pudesse ter aprendido a ser diferente. Agora mergulho meia perdida no meio das palavras dela.

1.28.2007

É incrível

Como eu gosto de tudo, tudo o que este homem escreve.

1.27.2007

Ressaca de SL

A casa está um nojo. Quando olho para o chão acho que vejo umas coisas para lá meias transparentes, deve ser cotão ou qualquer coisa do género. Por razões várias (noitadas até ao meio dia na rl, sl, comprimidos trocados) esqueço-me demasiadas vezes que estou sem empregada desde o início do mês.
A solução passa por sair de casa rapidamente antes que a coisa piore, a esplanada do costume lá está enterrada na areia e consigo finalmente ler a Economist que a minha amiga me deixou cá no início do mês.
Altamente recompensante, um dos artigos fala das vantagens de ter tudo menos arrumado, a clean desk policy não passa de um factor stressante e consumidor de tempo, nada eficiente portanto. Nada que eu já não desconfiasse.

1.26.2007

Negativos não sei quê

frio, graus abaixo de cão ou lá o que é. Deve ser por isso que hoje eu e o homem da minha vida estivemos tão bem naquela esplanada na praia (sim, aquela minhas queridas) a comer gelados, pronto o meu era Magnum Hot, não deixa de ser gelado, é gelado de chocolate quente a ferver e andámos de baloiço, olaré!

1.25.2007

Está frio

sinto ligeiramente o frio. Sei que está mais frio porque oiço as pessoas a comentarem constantemente "está frio". Tenho sono, os comprimidos fazem-me adormecer nos semáforos da meio da tarde e é a minha filha que me acorda para o carro não descair para cima de outro. Está frio e tenho sono, urge ir ao médico trocar os comprimidos (os da tarde não se conjugam com os da noite).
Frio e sono, nada de isso interessa, descobri que tenho o sol (ou vários sois) e foram eles que me apareceram sem os implorar. No fundo, poucas coisas têm tanta importância como o sol.

1.22.2007

xxx-rated

Quando o telefone tocou sabia que eras tu e por isso mesmo não queria atendê-lo. Via-o a piscar inecessantemente, irritantemente em cima da mesa. Levantei-me a custo do sofá e abri lentamente a tampa do telefone, como se pudesse assim arrastar aquele momento infinitamente. Oiço-te: (Quero combinar contigo para levar as minhas coisas aí de casa).
Oiço-te mas não te quero ouvir. A minha mente desliga, vagueia por outros mundos como naquele fim de semana, lembras-te, que passámos em casa do teu irmão.
(os livros escolhe tu os que posso levar, nunca sei quais são os meus)
Tinha um presente para ti quando chegámos, estoirados depois de 4 horas de viagem, mandei-te procurá-lo e diverti-me a ver-te desfazer as malas todas e a revirar o carro.
(As fotos levo-as e mando fazer cópias, tá bem?Não vou levá-las todas e devolvo-tas logo que possa).
Procuras mal, disse-te, o presente está bem mais perto. Está pertíssimo de mim. Fica fácil demais assim, não é? É preciso que ponhas isto (tirei a velha venda preta da mala).
(Se quiseres levo o cão, ou pelo menos, quero vir buscá-lo umas vezes, espero que não te importes. )
Depois da venda posta deixei-te procurar no sítio certo, sentiste as ligas e as meias a apertarem as coxas, sentiste o body a apertar com laços nas costas, não sentiste cuecas porque eu não as tinha.
(Se não te importas levo alguma roupa de cama, uns lençois, tens tantos que não te farão diferença.)
Nessa altura imploravas que te deixasse tirar a venda mas proibi-te. Mandei-te deitar para trás e deitaste, a medo, sem saber se irias aterrar no chão ou na cama.
(Se queres tanto as cadeiras da sala, parece-me justo que leve a estante.)
Tinha outras vendas e acabei por te amarrar as mãos naquela cama antiga de metal branco.
Estavas aínda completamente vestido mas conseguia ver um enorme alto no meio das tuas pernas e por segundos receei que fosses romper o tecido dos boxers e mesmo o das calças.
(Das contas tens só que assinar aqui uns papeis que te deixo à entrada para deixarmos de ser titulares da conta um do outro.)
Pus aqueles sapatos de salto agulha (acho que nem os conhecias), subi para cima da cama e passei por cima de ti, gritaste, tentaste desmarrar os pulsos. Então de pena tirei-te a venda e lembras-te? Vieste-te sem nos tocarmos.
(Deixo-te a chave na caixa do correio.)
E como é, que passado este tempo todo, te continuas a agarrar a essas banalidades?

1.19.2007

De tão bem disposta

que até abri 2 pps, não os envieei directamente para o lixo.
Arrependi-me, claro.

1.18.2007

Há muitos meses a dormir mal,

a coisa tem piorado substancialmente nos últimos tempos.
Hoje, olhando de relance para a prateleira do meio da mesa de cabeceira vejo o último do Saramago junto a um biblia e a um missal. Será disto?

1.16.2007

Em cima da secretária:

Um coração (2 auriculas, 2 ventrínculos) e algumas artérias, 2 lobos cerebrais devidamente encaixados um no outro, o topo de uma caixa craniana, um osso maxilar com alguns dentes.
Ah, e uma traqueia com faringe.

1.15.2007

Giro, giro

era se pegassem nas 10 personagens, criassem uma representação holográfica de cada um (como no "Bones") e os enfiassem num ringue tipo WWE.
Funcionaria por eliminatórias e o vencedor final seria o melhor português.
Apostas seriam possíveis mediante sms (a 0,60€) .
Já estou a imaginar o Afonso Henriques com este cinto.

Parece que ainda não acabou

a palhaçada dos 10 maiores portugueses. É demorada decisão, compreensível dado a enorme quantidade de portugueses importantes (Pinto da Costa, Figo, Cristiano Ronaldo, etc).
Como de costume ponho em causa a legitimidade desta selecção, custa-me a crer que existam assim tantos portugueses (e não só, não é obrigatório ser português para votar, apenas ter o desejo de deitar 0,60 € à rua) que saibam quem foi o Aristides de Souza Mendes.

Fico apenas satisfeita por terem incluído um dos meus portugueses favoritos, o Almada, tendo no entanto deixado de fora os meus outros dois: o Amadeu de Souza Cardoso e o grande Arq. Ribeiro Telles.

1.11.2007

O livro de sonho dele é este:



é divertido vê-lo a arrastar aquilo pela Fnac, considerando que o livro lhe vai do pescoço aos joelhos.

mas tem que se contentar com este:



Entretanto vai-me ensinado onde é artéria pulmonar, embora ainda confunda muito a veia cava com a aorta (Rita, achas que é desta que me trucidam?).

E eu vou pensando se o inscrevo no russo, polaco ou turco, just in case.

1.09.2007

Afinal

e depois de andar a jurar a toda a gente que não ía comer as passas, comi-as na mesma.
Sem grandes dramas nem uma fé extraordinária, comi-as.
Que finalmente começo a vislumbrar uma fraca luz no fundo do túnel.

1.05.2007

Naquele dia, minha querida

a mãe estava piegas sim.

Não é triste nem te posso explicar como é. Mandei-te muitas mensagens no messenger a dizer que gosto de ti porque era isso mesmo. Pegar em vocês e dizer que gosto tanto, tanto, tanto. Que nada vai nunca ser mais importante do que isso. Que são vocês, somos nós e seremos sempre. Que vou estar sempre, sempre aí, mesmo quando não estiver, vou estar, vou estar dentro de vocês (não se esqueçam nunca).
Naquele dia, meus queridos, eu queria (quero) pegar em vocês e levá-los para outro lado do mundo, para que não tenham que passar por isso.
Que o desamor não se conta nem se explica, mas sente-se. Nem sei se vocês o sentem ainda.
Mas o desenho cheio de corações ("com um grande :) para a mãe. Nunca mais fica triste!!!!!") e um abracinho ("mãe tive tantas saudades tuas") parecem indicar que sim, que pelo menos o pressentem.

1.03.2007

Os

blasfemos são tão bons, tão bons que até se lincam a eles próprios. Gostam de se ler, portanto.

Isto um bocado para dizer: não é gira esta funcionalidade do snap preview?

Perfeitamente normal

ou não...

Como diz uma amiga minha, há que dar trabalho aos psiquiatras e psicólogos infantis.

12.22.2006

Para todas as pessoas que me desejaram

boas festas e às quais não respondi nem retribui (a ninguém, para ser democrática): não é que não as deseje, é mais não ter pachorra para a época.

Por isso, aqui fica: Um excelente Natal e um maravilhoso Ano Novo (originalíssima mensagem).

E o meu especial agradecimento às duas pessoas que me mandaram umas deliciosas mensagens, uma "Boa Páscoa" e a outra dos Leões.

12.21.2006

Dupla personalidade

O meu segundo eu agora escreve aqui. É a Tess.

12.19.2006

Eu sei que já escrevi

aqui que a minha vida parece um emaranhado de nós. Mas quando achamos estas coisas, pensamos na forma de os desembaraçar. E há alturas em que parece mesmo que sim, que a coisa se vai compor e que de alguma maneira a vida vai ser de novo um novelo, ainda que com alguns nós, claro, não acho que hajam para aí muitos novelos sem nós, vidas a correrem plenas de tudo sem complicações, entediantes de tão lisas.
Mas a verdade é que não. Há dias em que não mesmo, em que tudo parece apenas um enorme e gigante nó sem volta a dar-lhe, em que por muitas tesouras que tenhamos para os cortar não pode ser, que podemos fazer se nada somos a não ser esse gigantesco nó sem volta a dar-lhe, se cortar nada resolveria a não ser uma sangria desatada.

12.14.2006

7 anos

Há designação para esta idade? Nem "terrible two", nem "idade da gaveta", nem "pré-adolescência"...
Não há? Então deve ser a idade "discuto todos os dias com a minha mãe por causa do Messenger e deixo-lhe recadinhos carinhosos tipo És a pior pessoa do mundo".

12.13.2006

Sem grande assunto

remeto-me à grande Cat e confirmo: viva o Caneco!

12.11.2006

A minha miuda

às vezes parece que cresce fora do meu olhar. É com ela que partilho as conquistas do irmão, sempre foi.
Acorda-me em dias de escola com beijinhos e festinhas.
Abraça-me do nada, diz-me coisas queridas. Do nada.
Aceitou suavemente ir comigo para casa, se pudermos, mesmo sabendo que vai perder quase todo o seu mundo.
Num mês cresceu anos.
(E noutras coisas ainda é uma miuda muito imatura faz birras para ajudar, para sair do messenger e não consegue estar com o irmão sem lutas e discussões).

12.10.2006

Continuo sem saber se é normal

e sem me importar grande coisa com isso.
O meu puto deve ser o único da idade dele a chamar oxigénio ao papel higiénico. Pois, a saga do "Corpo humano" continua e está para durar. Entretanto vou aprendendo umas coisas sobre o fígado, rins e afins. Por exemplo, que a reabsorção do sangue purificado se dá na zona da ansa de Henle. O jeitaço que isto me vai dar daqui a uns anos, nas conversas do lar da 3ª idade.

12.07.2006

Não se passa nada

É só falta de paciencia/tempo para escrever. Ou de assunto, mesmo.

11.29.2006

Por agora

suspendo-me para não me acabar.

(e acabo-me na mesma)

Eu hoje acordei assim



"[...]A toca continuou a direito como um túnel, e de repente afundou-se, tão de repente que a menina nem teve tempo de relectir e parar antes de dar consigo a descer o que lhe parecia ser um poço muito fundo.
Das duas uma: ou o poço era realmente muito fundo, ou ela estava a cair muito devagar, pois enquanto descia teve tempo de sobra para olhar em redor, e interogar-se sobre o que iria acontecer a seguir. Primeiro tentou olhar para baixo e perceber onde ia chegar, mas estava demasiado escuro para ver fosse o que fosse[...]. A descer, a descer sempre a descer. Será que a queda nunca mais acabava?[...]"

Impressionante como o Lewis Carrol conseguiu descrever o meu estado de espírito.
Mas também pode ser só a ressaca da table dance de ontem.

11.27.2006

Peso

Hoje sinto-me pesada.
Pesa-me o dia, o ar, a cabeça.
Sonho em tornar-me leve, primeiro levitar e pairar no ar um pouco a observar, depois esvoaçar. Imagino que voar seja como nadar mas com menos atrito, uma sensação de liberdade esmagadora.
Hoje quero voar como se fosse um avatar da second life, entrar na atmosfera sem sentir a gravidade nos pés, as amarras nos pulsos.
Vou ter com a minha amiga a África.
Vou mergulhar com os tubarões em Bora-bora.
Vou voltar para a minha casa.

11.23.2006

Não deixava de ser uma grande ironia, pensava ele agora estendido na escuridão.
Que ele, que toda a vida tinha fugido da solidão acolhendo-se sempre no meio de multidões, ainda que para tal tivesse que suportar (a custo) os gritos estridentes das crianças mal educadas do centro comercial aos domingos.
Que agora estivesse ele aqui estendido sozinho, não sabendo bem por quanto tempo, supondo que fosse para sempre, deitado e sem conseguir mexer nenhuma parte do corpo mas com o cérebro estranhamente lúcido e activo.
Sentia os bichos a entrarem e sairem lentamente dos buracos do corpo, das entranhas. Não lhe causavam dor nem incomodas comichões (pois se as extremidades nervosas estavam mortas como o resto do seu corpo, como poderia sentir dor?), e no entanto sabia-os lá, "o caruncho" como lhes chamou, sendo que no caso a madeira era ele.
Tentava agora calcular quanto tempo demoraria até a carne desaparecer, depois os ossos, até ser pó, e se nessa altura (em que o cérebro estaria literalmente desfeito, transformado em energia orgânica) ainda teria pensamentos.
Lembrava-se ainda de pessoas que acreditavam em alma, em vida após a morte e em como ele, o céptico do costume, se tinha rido dessas ideias.
Pensava nisto do interior do caixão e também em se tudo aquilo não passava de um sonho. Apenas para concluir que, sonho ou não, essa era agora a realidade dele, a que tinha que viver e não seria por se descobrir num sonho que esta lhe custava menos.
Odiava a solidão e interrogou-se porquê.
Este homem achava as interrogações (sobretudo as interrogações interiores) uma pura perda de tempo. Mas tempo era tudo o que ele tinha agora e por isso podia interrogar-se.
Odiava a solidão talvez porque odiava ouvir-se, ter os pensamentos a ecoarem na cabeça de um lado para o outro como uma bola ténis a meio de um jogo. Era isso, não gostava de se ouvir. A conclusão desconcertou-o, toda a vida tinha achado que tinha um nível de auto-estima muito bom, acima da maioria com quem se cruzava.
Afinal descobria-se no meio de um sonho de morte, ou da sua morte mesmo.
O homem pensou em como isso era extremamente injusto porque depois morto de nada lhe servia descobrir-se.

11.22.2006

Não conta para nada

mas ainda assim faço a minha votação pessoal (e intransmissível):

Melhor blog/blogger masculino:este aqui.
Melhor blog/blogger feminino (já cá escrevi mas escrevo de novo):esta senhora.

E se

aos 30 meses a criança souber descrever a fagocitose?
É falta de escola, claro.

11.21.2006

Foi desde essa noite

Em que ele lhe perguntou se as estrelas não seriam olhos de monstros, espreitando-os.
Há frases, perguntas assim, que nos entram pela cabeça e parecem não querer sair mais.
Desde aí resguardava-se de noite, fechando as persianas para que os olhos não a espreitassem a lingerie quando se despia, trancando-se no quarto interior para que não lhe perscutassem os pensamentos mais ou menos impuros quando eles surgiam.
Porquê de noite e não de dia isso não sabia explicar, pois certo era que de dia as estrelas continuavam lá embora não visíveis, a maior de todas ofuscando-as sem dó nem piedade. Pois de dia pouco se importava em se exibir em frente às janelas, sabendo que os vizinhos a podiam ver perfeitamente, era o jogo, eles que espreitassem à vontade, era apenas o que podiam fazer.

Depois de ter perdido

uma preciosa hora de sono a tentar formatar o meu avatar (completo insucesso com a máscara de capuchinho vermelho), estou pronta para mandar aquela coisa às urtigas. Aquele edit demora horas e está cheio de bugs (desculpa lá, Cat, mas é verdade).

11.17.2006

Eu

vejo nos gestos e formas de falar da minha filha como sou dura e impaciente com eles (as minhas amigas dizem que ela é uma fotocópia minha, não fisicamente mas nas atitudes). Eu tenho bem presente na minha cabeça que tipo de mãe gostava de ser (por incrível que pareça eu já a conheci, ela existe).
Eu não chego lá.

11.16.2006

Aquele ultimo post,

olho para ele e quase não o consigo ler. Está uma espécie de Saramago (não na qualidade, na salgalhada) porque não o revisionei. Foi de propósito, escrevi-o e lancei-o. Reli-o no blog e pensei "não tem legibilidade nenhuma". Deve ser mais ou menos assim que o Saramago se sente quando acaba de escrever um livro (e eu adoro o Saramago).

De manhã

Num desses amanheceres que parece vir enrolado em discussões e em birras. Depois da birra para comer papa(não quero papa, mas não é papa é ranho de marciano constipado, não quero papa, mas não é papa é vomitado da Veneta de Vénus, estratégias que aprendemos a ver bons desenhos animados). Depois da birra para vestir o casaco. Depois de mais de meia hora enfiados no trânsito, sozinho atrás no carro, os dedos enrodilhados: "Esse é o meu lugar!Não, é meu! É meu! Meu! Dedos não iscutam!".

11.15.2006

Estratégias de marketing

Quem terá sido o génio que achou que dois rapazes colocados cada um de um dos lados da estrada com bandeiras gigantes encarnadas convencia alguém a ir a um certo Centro Comercial?

Mas

uma mãe tem que ser paciente. Eu não sou. Sobretudo não com xixis nas cuecas depois de 6 meses de treino. Não com birras. Não quando lutam os dois a toda a hora. Não com gritos e guinchos.
Há dias em que não me apetece nada ser mãe. Ser pai é definitivamente mais fácil.

Correcção: ser o pai que não fica com a custódia é definitivamente mais fácil.

Não sei se é normal

Há muito que deixei de me preocupar com normalidades. Aos 30 meses (feitos ontem, lembro-me agora) adora esta colecção. Comecei por comprá-la para a irmã, e porque eu gostava muito da série em criança. Ela não lhe liga nenhuma, nem se dá ao trabalho de abrir os livros quando os compro, e é ele quem devora os vídeos, que faz birra todas as noites porque a história antes de deitar tem de ser do "côpo humano", que vai invariávelmente buscar um dos livros da colecção quando eu me ofereço para lhe contar uma história.
É ele quem fica sossegado a ouvir coisas como "Os músculos são formados por um grande número de fibras musculares, agrupadas em feixes primários envolvidos por uma espécie de baínha. Por sua vez, estes feixes primários unem-se e formam os chamados feixes secundários que, reagrupados, compõem a totalidade do músculo que é rodeado por uma membrana de tecido conjuntivo brilhante chamada permísio, cujos prolongamentos são os tendões que unem os músculos aos ossos".
Qualquer dia passa-lhe, esta mania (que ele funciona muito assim, por manias).

11.14.2006

Mudei o template

nota-se muito?

11.13.2006

A minha vida

que algures no tempo já foi como um novelo de lã que se ía desenrolando, não passa agora de um amontoado de nós que se embaraçam uns nos outros.

11.10.2006

Ai, estou a gostar

deste Outono em que posso ir à praia quase todos os dias.

11.08.2006

A propósito de comments e assim

Também me faz uma certa confusão, isso.
Já cá ando há 2 anos (na blogosfera) e nunca cacei visitas nem número de comentários. É verdade que tenho sitemeter mas raramente olho para aquilo, dou-me muito mal com o layout e mal consigo ler os dados.
Até entendo bem que haja quem de facto tenha outras atitudes com visitas, comentários, quantidades e assim. Cada um recolhe autoestima como quer, ou como pode, a mim passa-me de largo.
É portanto excusado comentarem no meu blog por reprocidade (porque comentei no deles), por publicidade (porque querem que eu vá comentar no deles) ou seja porque razão for que fuja àquela para a qual a caixa de comentários existe: para se comentar porque apetece ou porque há qualquer coisa a dizer.

E depois desta conversa toda que soa um bocado a "esta tem a mania que é boa mas anda cá à cata de atenção como os outros (da blogosfera, atente-se)", confesso uma coisa: há blogs que leio, que admiro, e nunca lá comento (a maioria porque nem são comentáveis) porque não me sinto à altura dos autores.

11.07.2006

Não sei se é por ser meu filho

Aliás sei, chega de falsas modéstias, espertíssimo o miúdo, sai à mãe.

A colar autocolantes dos "Cars":
-Este é mau.
-Como é que sabes que é mau?
-Puque tem olhos zangados.

-Mãe, encontei-lo, o jogo do sonic!
-Sim, a mãe trouxe-o ontem do carro.
-Touxeste-lo? Mãe, és fantástica!

11.03.2006

Às vezes penso que vai ser sempre assim

O dia todo com os nervos à flor da pele. O barulho do pião a cair no chão todo o dia, todos os dias. Os gritos, pulos, barulho do pião que se desmancha e de todas as coisas que atira para o chão.
A casa por arrumar todo o dia, todos os dias, tanta e tanta coisa para apanhar do chão.
As birras para sair de casa (e para entrar, e para todas as outras coisas).
Ela que começa a falar quando entra no carro e só se cala a dormir (nem sempre), um fluxo ininterrupto de palavras, impossível de acompanhar.
As noites interrompidas pelos dois, a enfiarem-se na minha cama à vez. As manhãs a começarem uma hora mais cedo porque ninguém consegue dormir (uns em cima dos outros).
48 horas de fim de semana que se resumem a 4 de descanso. Uma luxação no ombro, ou lá o que é, que dá dores horrorosas a mexer o braço (direito, claro).
Um exame para fazer até dia 24 (como?).
O dia todo a ouvir mãe, mãe , mãe, choramigos junto com o barulho do pião a cair no chão, os nervos à flor da pele.
Cansaço, falta de ar, falta de espaço, falta de paciência. Falta de mim.
Não vai ser sempre assim, pois não?

11.02.2006

Upgrade

Com a mudança de estado civil, o dobro do espaço para guardar a roupa.

11.01.2006

Halloween



Como já vem sendo tradição desde há 2 anos para cá, lá foi ela mascarada de bruxa (bruxa de minisaia, o fato foi máscara quando tinha 2 anos e nessa altura chegava-lhe aos pés) com amigas do prédio pedir doces.

O resultado: um bebé e uma mãe cheios de sono que quase à meia noite tiveram que subir a casa da vizinha para que uma menina viesse para casa (recusava-se a descer enquanto o espólio, que incluía um chocolate de cozinha, não fosse dividido).

pessoas com extremo bom gosto