4.04.2008

Agora vejo-me obrigada a defender a causa

Estou farta de escrever aqui que sou católica, que tenho a minha filha na catequese, a obrigo a ir, que faço essas coisas (quase) todas que os católicos reaccionários fazem. O facto de ter descrito nuns posts abaixo uma situação que se passa num colégio que, por acaso é católico (não se passa em civis porque esses nem se dão ao trabalho de recolher crianças) não pretende atribuir responsabilidades à religião que ali é professada.
Alguém tem noção do que se passa em casas de acolhimento do estado?
A minha melhor amiga tem dois irmãos adoptados que viveram a infância em casas de acolhimento e garanto que o que se passa lá é muito pior do que a segregação das freiras. A religião, a região, não está relacionada. Católicos são uns pessoas excepcionais, outros mais ou menos, outras francamente pobres de espírito. Mas não preciso de entrar num convento ou numa igreja para o constatar. É assim em todo o lado.
Há muitos anos a minha mãe contou-me uma história banal, o vizinho do lado dela tinha andado no mesmo colégio dela e do meu tio. A propósito já não sei de quê, um dia disse-me que para entrar no colégio (era um colégio não católico, de orientação inglesa), a mãe dele tinha pedido à minha avó que o recomendasse. É que embora podendo pagar o colégio, o marido não tinha uma profissão "digna" do colégio (era comerciante) nem tinham apelido de família.
Situações destas acontecem todos os dias, a toda a hora, em todo o mundo. A vida não é justa? Pois não. Essa tem de ser uma das primeiras lições a apreender, antes ainda de aprender a bater palminhas e sentar sem apoio.

6 comments:

pal said...

:) quando comentei ontem não estava tanto a pensar na situação paticular desse colégio de freiras, mas na parte inicial do Porto ser fechado e os não-católicos serem olhados de lado....

eu sou nativa e, sim, reconheço até a faceta fechada das pessoas do Porto. o que eu queria dizer é que o facto de teres "circulado" num meio escolar católico+privado, não deve ter facilitado ao encontro de mentes mais abertas - que las hay! :)

as injustiças, como dizes, estão em todo o lado. creio que é sobretudo nos meios privados (+católicos, no caso) que se protegem as crianças (com a pactuação dos pais, geralmente) na fase das palminhas e sentar sem apoio e em toda a formação inicial dos seres infantis ...

enfim, e agora queres saber o mais irónico? estou aqui com esta conversa, mas a minha filha acabou por ir parar a um infantário privado (mas vai para a primária pública). e as minhas filhas vão andar na catequese porque acordei isso com o P - esta situação é vista com narizes torcidos por cerca de metade dos nossos amigos, e aplaudida por +- outra metade! (todos do Porto e arredores) :)

Clara said...

Pal, não concordo de todo. Como sabes, no 1º ano que fomos parar ao Porto, ela andou numa escola pública. Era uma escola muito boa até, dentro do género. E foi lá que ela (e eu) fomos mais olhadas de lado (ela foi posta de lado, comigo eram só antipáticas). Posso assumir os pais do colégio eram mais dissimulados, mas não o faço. Essa escola deixou-me péssimas memórias (não do corpo docente).

Crezia said...

Vou escrever e só depois ler os vossos comentários. É mesmo assim, e isso é que é aflitivo. A vida não é justa. E não é justa aleatoriamente. Assim como o apoio ou a segregação não têm a ver com religião. Eu por outro lado tenho tendência a achar sempre Grupos de jovens giros e saudáveis. Ou tinha, até conhcer uma beatinha de trazer por casa que nem 30 anos tem e uso o dito grupo para se afirmar na vida.
Eu tenho 31 anos e para andar no colégio onde andei a minha mãe teve de dizer que tinha andado no da Figueira assim como as primas e as minhas primas andavam no de ALvalade. No mundo dos colégios nada me surpreende mesmo. Mas nas escolas do estado também já não é diferente.
Quanto ao que se passa, se familiares abandonam os seus com uma bola de queijo por mês como já ouvi, por que há-de-ser diferente com estranhos. Nada é linear de facto.

Luis Eme said...

O meu caso ainda é mais estranho...

sou católico por educação, mas não pratico e não concordo com muita da sua prática emanada pelo senhor Papa, e claro, raramente assisto a uma missa. Mas o meu filho anda na catequese e gosta...

Eu também andei, era uma seca, mas pelo menos ajudou-me a conhecer Jesus e a perceber que o mundo está longe de ser justo e lógico. Quando se mata o ser mais perfeito...

Cool Mum said...

A mim causa-me frenicoques a 'caridade' com laivos de paternalismo e superioridade. E, acho, isso é muito mais vivível nas instituições católicas. Desculpa lá, Clara.

Clara said...

Cool, talvez. Mas porque as não católicas não se dedicam propriamente a fazer nada pelos outros...

pessoas com extremo bom gosto