9.28.2007

Ao homem da minha vida

Eu sei que daqui a uns tempos não me vou lembrar nem de metade disto. Dos teus dedos a enrolarem o cabelo enquanto chuchas. Dos teus beijos, muitos, tantos ("eu pumeto que agora vai ser sem língua, mãe").
Eu sei que não falta muito para entrecortares as nossas conversas com muitos dahhs, para achares que a mãe é velha ("a mãe não é vela, é nova") e uma seca e que talvez nessas alturas eu também já tenha esquecido o cheiro dos teus cabelos na minha cara, do calor dos teus braços no meu pescoço quando te pego ao colo ("ai, não aguento, tou cansado").
Eu sei que algum dia, não muito distante, não quererás que eu te leve à escola, que te vá buscar ou mesmo passear comigo na rua ("mãe, eu quero ficar contigo sempe, sempe") e espero conseguir recordar-me que algures ao longo do nosso tempo as coisas foram muito diferentes.
Eu sei que haverão discussões entre nós em que nos esqueceremos de todas estas coisas ("mãe, eu adóu-te, a ti e à mana") e que estes tempos, do difícil que são fisicamente, vão parecer tempos maravilhosos e cor de rosa e em que era tão fácil lidar contigo.
No meio da minha péssima, fraquíssima memória, espero pelo menos lembrar-me de onde guardei estes textos (se me lembrar algum dia de o fazer)

6 comments:

LP said...

Tu faz um backup do blpgue :)

Psychic said...

pois... é isso tudo :)

Cool Mum said...

:)

Nocas Verde said...

Eles não se lembram!!!

E quando lhes lembramos das figuras que fazíamos, como rolar juntos na cama e eu cheirar-lhes a barriga acabada de lavar na banheira pequenina,e isso tudo... ainda nos olham com ares de "que-ser-tão-esquisito-que-me-foi-calhar-para-mãe"

Nós, garanto, não esquecemos...
bom fim de semana

pal said...

diz lá: isto foi só para provares que também sabes falar das coisas maravilhosas da maternidade, right?...

;)

Clara said...

pal, lol. Há coisas maravilhosas na maternidade? ;)

pessoas com extremo bom gosto