9.01.2007

A coisa (III)

Depois destas duas coisas, tinha que vir a terceira (ou não, mas vá).

De vez em quando acontecem, essas coisas. Sem razão aparente, talvez, como disse a Margarida, elas sejam um propósito em si mesmas.
Ao fim de um certo tempo habituámo-nos a viver com ela e não há já sequer uma ponta de angústia ligada à coisa. Ela é.
Assim como é, perfeita, intocável, imutável. É assim porque não vive na realidade, existe apenas como uma metáfora, num mundo paralelo ao real e só aí ela pode ser como é, ideal. Um dia trazida à luz, efectivada, ela tornar-se-ia banal, corrompida, cheia de pequenos buracos como o são todas as coisas. Assim como está, imaginária, não causa angústias e também não traz grandes alegrias, é um facto. Mas assim foi ela desde sempre, assim concebida e, se algures no passado isso me enraiveceu, entristeceu, agora só me causa alegrias.
Bendito o dia em que até as coisas que não posso ter me causam alegria.

PS: Durante o tempo que mediou o ter escrito o post (no bloquinho) e a tê-lo publicado aqui (hoje), a coisa, sem que eu sobre ela tivesse qualquer espécie de controlo, virou-se, transmutou-se, transferiu-se para outra coisa. Em tudo semelhante. Em tudo diferente. Ainda assim o post manteve-se válido, em tudo absolutamente igual, talvez as minhas palavras sirvam afinal todas as coisas e as submetam ao que escrevo. Ou então são as coisas que me aparecem sob estas formas como que a indicar-me algo, nada de muito místico, apenas o caminho natural a seguir que tantas e tantas vezes pedi a Deus para me indicar.

Adenda: afinal é mesmo a quarta vez que falo na coisa

2 comments:

Leão da Lezíria said...

Bem regressada. Com ou sem coisa, é bom lê-la...

catarina campos said...

Estou com o Leao, saudades tuas e do que escreves. beijos.

pessoas com extremo bom gosto