6.08.2007

Nunca tinha pensado muito nisso

ou evito pensá-lo. Que um blog possa ser um espaço, como que uma janela aberta onde de certa forma nos expômos. Mais, muito mais o que imaginamos. Ah, mas na vida também nos expômos, andamos na rua e assim. Pois, pois é, mas é de certa forma mais justa e limpa a forma como nos expômos na rua, porque se é certo que podemos ser observados, também observamos quem nos observa. E aqui não.
Aqui podemos ser agredidos sem sabermos por quem ou (pior, parece-me) ser olhados com raiva por quem nos espreita sem sequer dizer nada. Se isso me assusta? Sim, mais do que qualquer outra coisa, ser espiada, espreitada, de certa forma violentada por estranhos inconfrontáveis.
O suficiente para acabar com tudo de vez? Possivelmente.

9 comments:

Costinhas said...

eu incomoda-me mais ser espreitada por alguma gente que conheço na realidade.

Se já me fez pensar em acabar tudo por causa disso? Sim. Se o vou fazer? Acho que não.

Se pensar que o que eu mostro é unicamente aquilo que me apetece, acaba por não fazer diferença.

O que é um facto é que sou condicionada por essas mesmas pessoas (mais pelos anónimos que não imagino quem sejam) e isso sim, incomoda-me.

Costinhas said...

"eu incomoda-me" é bonito... ai!

Clara said...

A mim incomoda-me pensar que só penso nisso quando estou mesmo a ser agredida. Porque só aí me lembro que para um/a que escreve, haverão 20 que pensam mas não escrevem. Porque é que isso me incomoda? Porque imaginar a violencia latente e não expressa faz-me imaginar a explosão dessa mesma violência, muito pior do que a que vai saindo aos poucos (credo, que hoje só penso em disparates, melhor será que me cale).

catarina campos said...

yep...

LP said...

Eu também penso pouco nisso e quando me deparo com posts destes tremo um bocado. O facto do blogue ser um espaço público já me condiciona logo quando me sentir incomodada largo. O pior é que se fecho a loja já não escrevo mais.

Margarida Atheling said...

Também já pensei nisso, mas ainda não me assustou o suficiente para o fechar.

Tal como a Costinhas, assusta-me mais uma ou duas pessoas que me espreitam em silêncio e que eu sei quem é. Assusta-me não, incomoda-me. Mas também não lhes dou a importância suficiente para me calar.
Pode vir a acontecer, mas não será por estas criaturas.

Bjs!

MC said...

Tal como a Margarida e a Costinhas, os que me incomodam mais são os que possam espreitar em silêncio e sei que frequentam o mesmo café, padaria, lavandaria ...etc.

Mas pronto, o que venho mesmo aqui dizer é que sou leitora assídua do teu blog ... embora bastante silenciosa. No teu caso concreto o que acontece é que sinto muitos dos teus posts como reflexões sobre as quais não me cabe opinar.

Um beijinho

Voltarei sempre. Gosto da inteligência a da sensibilidade com que escreves.

Mocas

Clara said...

mocas, já nos conhecemos há alguns blogs atrás (meus e teus ;))

Miguel said...

Pois, tens razão!
Mas assustar é uma coisa, acabar com tudo, é outra.
Por oposição à tal cobardia, continuar mesmo que de quando em vez assuastada, é sinónimo de coragem.

Os estranhos só serão inconfortáveis se os deixarmos ser, de restou continuarão a ser cada vez mais aquilo que são: Estranhos, muuuiiiito estranhos!

pessoas com extremo bom gosto