6.29.2007

Percorro com ela

esse caminho pela última vez.
É o recreio da escola e poucas são as vezes que aqui vim, normalmente não somos (pais) autorizados a entrar aqui, não me fará falta.
Mas a ela sim. Arrasta os pés e obriga-me a arrastar os meus para a acompanhar. Penso se estará a tentar fixar cada baloiço, cada degrau do escorrega, o toque das mãos no plástico da barra. Imagino que inspire com força tentando guardar na memória aquele cheiro, cheira a ar fresco e a detergente.
Talvez nada disto lhe passe pela cabeça.
Quero saber se está triste por deixar os amigos e a escola mas não me responde. Hesitou muito em sair da sala mas agora parece não querer saber de nada e só obrigada se despede dos dois melhores amigos, secamente "Adeus André", "Adeus Inês".
Penso em como tudo isto deverá ser custoso mas não derrama nem uma lágrima, se calhar como eu, que estou cheia delas (por dentro).
É este o caminho e não há outro, olhando para trás não há chão onde pisar e a única opção é seguir em frente, sempre.

11 comments:

Xana said...

Valentes!

Fitinha Azul said...

beijinhos nossos...

Margarida Atheling said...

Já li este post várias vezes e de todas elas, eu que sou piegas, como sabes, fico sem saber bem o que dizer. E por isso, por ser piegas, prefiro nem dizer mais nada.

Beijinho grande para as duas!

Sophie said...

(suspiro)

Beijinhos!

patrícia said...

Mais uma etapa na vossa vida?
Boa sorte

claudia said...

Desconheço as razões, mas tens com certeza as tuas! O mais importante no teu post é o título: "percorro com ela". Percorre com ela, a vida da tua filha, lado a lado, e ajuda-a a transformar as adversidades em desafios.

;)

Clara said...

as razões estão no post acima. Vamos mudar de latitude.

pal said...

beijos!


(em circunstâncias totalmente diferentes, mudei de casa, no final da primária. mudei de zona, de escola. todos (menos os meus pais) me falavam em como, coitadinha, seria tão difícil deixar tudo para trás e começar tudo de novo... eu encolhia os ombros, resignada, e no fundo fervilhando de excitação pelo novo que aí vinha. a escola custou um bocadinho mais, mas a nova casa, rua, zona, vizinhos, foi tudo muitíssimo fácil!)

Rita said...

ui...
beijo nela.

Clara said...

nem falamos muito na coisa porque assim esteve sempre definido desde o princípio, desde que saímos de Lisboa. Será a 4ª vez que muda de escola (sem contar com creches), e, claro, o problema não reside só aí mas sim na confirmação da fase que acabou.

SC said...

Por vezes pensamos que os outros sentem o sofrimento que nós teríamos naquela (em determinada) situação. Ou seja, pode ser que ela não tenha essa angústia de (voltar) a mudar, a recomeçar.

Boa sorte!

pessoas com extremo bom gosto